Shavuot Bnei Noach e 2a Parte do Curso Bnei Noach

Por Projeto Noaísmo Info

 

Shalom para todos!

Prezados Bnei Noach, hoje, domingo, 16 de maio de 2021, ao pôr do sol, ou seja, às 18 horas, começa a festividade judaica de Shavuót. Essa festividade, comemorada na Diáspora no 6° e 7° dias do mês judaico de Sivan, é a data na qual os judeus celebram Matan Torá — a Entrega da Torá. Portanto, no nosso calendário não judaico, ela vai do anoitecer de hoje ao anoitecer de terça, 18 de maio de 2021.

 


Observação:
É importante notar, contudo, que a transmissão da Torá não ocorreu em um único dia — mas sim, O ONIPOTENTE a transmitiu a Moshé, que a ensinou ao povo judeu durante os 40 anos de sua permanência no deserto do Sinai.


 

É importante nós Bnei Noach ou noaítas honrarmos a festividade de Shavuót porque, apesar de ser uma festividade judaica, de todas as festividades caracteristicamente judaicas a única que contém também um aspecto universal, não judaico, é essa, Shavuót.

Qual é a relevância para nós deste aspecto universal de Shavuót?

A data de Shavuót significa não apenas o nascimento do povo judeu enquanto nação mas também o nascimento do status de Chassidéi Umót Haolám, ou seja, de piedosos/devotos de Hashém dentre as nações, pois é apenas a partir de Shavuót que uma pessoa nao-judia que aceita as 7 Leis Universais, não porque foram dadas para Adão e Eva na Criação do mundo nem porque foram dadas para Noá e Naamá depois do dilúvio, mas, porque foram dadas pelo PRÓPRIO D’US para Moshé e para o povo judeu na Entrega da Torá no monte Sinai, é que se alcança o maior status que um não-judeu pode alcançar, mais do que ser apenas sábio e justo, como o foram Noá, Eliézer, Jó, alcança-se o status de um Chassíd Umót Haolám, como explicado pelo Rabi Maimônides, o Rambám.
O Rebe diz:
É óbvio que a tarefa de fazer com que o mundo todo seja um lugar [espiritualmente] civilizado não pode ser alcançado unicamente pelo povo judeu. Certamente, nós judeus podemos ajudar, mas a tarefa concreta de civilizar [espiritualmente] o mundo de maneira permanente deve ser levada a cabo pelas próprias nações não judaicas. Elas têm a responsabilidade de fazer deste mundo um lugar [espiritualmente] civilizado para se viver.
Rabi Maimônides enfatiza, ao analisar as Sete Leis Noaíticas, que elas devem fazê-lo com a convicção de que estão cumprindo a vontade de D’US tal como ELE a revelou no monte Sinai; que quando D’US deu todos os SEUS mandamentos para o povo judeu, ELE também deu as Sete Leis Noaíticas para todas as nações do mundo.”

 

E será que há algo que nós Bnei Noach podemos fazer para celebrar Shavuót referente àquilo que nos diz respeito?

Sim, com certeza. Podemos orar, fazer bênçãos, ler a Torá, acender vela para embelezar a casa, fazer refeições festivas, e mais, como nos explica a Ieshivá Pirchéi Shoshaním:

Embora Israel fosse a preocupação primária de D’US no Sinai, não era a única preocupação de D’US. Quando ELE ordenou Israel na Torá, ELE também aproveitou a oportunidade para reafirmar as leis noaíticas e ordená-las de novo para o mundo. Ao dar a Torá no Sinai, D’US renovou a esperança no mundo. Isto é confirmado pelo fato de que as leis noaíticas foram re-ordenadas para o mundo no Sinai.
Shavuot, o aniversário da entrega da Torá é o momento de conectar-se com a obrigação de observar as leis noaíticas, aceitá-las novamente e celebrar o fato de que D’US as afirmou de novo no Sinai.
Existe o costume de decorar a Sinagoga [e a casa] com plantas e flores para celebrar a revelação no Sinai, pois quando a Torá foi entregue para o povo judeu, o Monte Sinai — uma montanha deserta e árida — viu-se subitamente coberto de flores, árvores e grama. É apropriado que os noaítas enfeitem seus locais de reunião ou suas casas para a festividade. Uma vez que este é o aniversário da afirmação de D’US das leis noaíticas para o mundo, este é um momento apropriado para aceitar e afirmar as leis noaíticas tanto individualmente como comunitariamente. Esta aceitação pode ser realizada de forma individual ou pessoal (ou seja, não tem de ser perante um rabino nem ter a assinatura de um rabino). No entanto, se alguém desejar recitar um texto, nós sugerimos o do Guia de Bênçãos e Orações Diárias para os Bnei Noach (revisado, aprovado e recomendado pelo Rav Shimshon Bisker, de Israel) (que, inclusive, a versão PDF também contêm orações especiais que podem ser recitadas durante esses dois dias de Shavuót).

As orações devem expressar o desejo de que o mundo inteiro reconheça a revelação no Sinai e venha a aceitar as leis noaíticas. As orações também devem incluir pedidos para que se julgue favoravelmente os frutos das árvores, pois em Shavuot o mundo é julgado com base nos frutos. Como tal, é um momento apropriado para orar pelos frutos das árvores.

Também é apropriado estudar as leis noaíticas e [lições] relativas às leis noaíticas e à entrega da Torá até tarde da noite. As orações da manhã também devem ser feitas cedo.

Em resumo:
1. Enquanto os judeus celebram Shavuot como a entrega da Torá, Bnei Noach (noaítas) o celebra como o dia em que as leis noaíticas foram renovadas e um dia de julgamento para os frutos das árvores.
2. O local de reunião ou a casa deve ser decorado com plantas.
3. É o momento de reafirmar e aceitar as leis noaíticas.
4. O estudo da Torá deve ser aumentado neste dia.”

Editado e traduzido do inglês por Projeto Noaísmo Info: © Projeto Noaismo Info

© Rabi Menachem Mendel Schneerson
© Yeshiva Pirchei Shoshanim

© Projeto Noaismo Info

 

E certamente uma maneira de se estudar a Torá e suas leis universais, as Sete Leis de Bnei Noach, é fazendo o Mini Curso Virtual Gratuito de Introdução ao Tema de Bnei Noach. Se você ainda não estudou a primeira parte, estude-a. Se sim, reveja-a. E exatamente hoje, às 18h, graças a D’US, estará saindo a segunda parte. Bom curso.

 

Parte 2 do Mini Curso Virtual Gratuito de Introdução ao Tema de Bnei Noach

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

Visitar o doente para orar por ele

apresenta:

 

Nestes tempos de pandemia da Covid-19, mas obviamente não apenas por causa dela, é interessante e importante aprendermos a seguinte instrução:

 

Quanto a visitar os doentes*

* Refere-se às pessoas seriamente doentes a dois dias (porém, pode-se visitar imediatamente parentes ou amigos próximos).

 

Por Ieshivá Pirchei Shoshanim (lê-se pir-rrei chochanim)

 

Visitar os doentes é uma mitsvá (lei divina) para os judeus. Porém, isso não faz parte das Leis de Noá. No entanto, visitar os doentes, por muitas razões, é benéfico para o indivíduo e para a sociedade e tem uma razão lógica por trás. Portanto, é uma mitsvá que os Bnei Noach (noaítas) podem adotar e praticar.
Aquele que visita uma pessoa doente deve aproveitar a oportunidade para orar e desejar a recuperação do paciente perante A PRESENÇA DIVINA.

 

Orar pelos Doentes

O visitante deve orar pelo bem-estar da pessoa doente*. É louvável que isto seja feito na presença da pessoa doente**. No entanto, esta oração não deve ser feita de uma forma a deixar o paciente constrangido ou desconfortável.

 

* Ao visitar uma pessoa doente em uma casa, deve-se não apenas orar pelo bem-estar dela, mas também verificar se o paciente tem todas as necessidades básicas dele atendidas (medicamentos, roupas, alimentos etc.).

** Alguém que não consegue orar pela pessoa doente na presença dela pode orar por ela num momento posterior em outro local.

 

“Que você mereça uma recuperação completa” ou “Que Hashém lhe cure em breve” ou alguma outra frase simples é suficiente.

Não é adequado mencionar o nome da pessoa doente ao orar por ela na presença dela. Fazer isso pode realmente trazer julgamentos severos sobre o doente.

 

Se o paciente está dormindo ou inconsciente:

Dado que o motivo fundamental da visita ao enfermo é rezar pela recuperação dele, não importa se o paciente está ciente da presença do visitante. Portanto, ainda é uma mitsvá visitar uma pessoa doente se ela está em coma, inconsciente ou dormindo. No entanto, se a visita ao paciente pode perturbar o sono dele, então ele não deve ser visitado até que ele esteja acordado.

 

Por Yeshivá Pirchei Shoshanim
Traduzido do inglês por Projeto Noaísmo Info: © Projeto Noaismo Info

© Yeshiva Pirchei Shoshanim
© Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

Boas Qualidades

Boas Qualidades

 

Disseram os sábios (judeus):

“Se não há educação, não há Torá.” Os comentaristas explicaram que isto se refere às boas qualidades e à formação ética. Se não há boas qualidades, a Torá não está completa, já que as pessoas não estão refletindo-a bem.

Disse Rabi Shemuel bar Nachmaní que é mais importante a educação do que a Torá, já que a educação antecedeu a Torá vinte e seis gerações, como está escrito: “…para cuidar do caminho da árvore da vida”, o caminho se refere às boas qualidades, a árvore da vida se refere à Torá.

Disse Elishá ben Abuiá:

“Uma pessoa que realiza boas ações e estuda muita Torá se parece com quem constrói uma casa com pedras nos fundamentos e tijolos acima. Ainda que venha uma corrente muito forte não poderá derrubar a parede. Mas uma pessoa que não pratica boas ações e estuda muita Torá se parece com quem constrói os fundamentos com tijolos e a parte de cima com pedras grandes. Então (vem) um pouco de água e a derruba.”

Declara o Talmúd:

“Quem estuda Torá e não cumpre o que estuda, é preferível que não tivesse nascido, já que o principal não é o estudo e sim a prática.” Há muitas pessoas que aparentam ter bons modos, que se conduzem com educação exteriormente para ficarem bem na sociedade, mas que falta-lhes educação interna. A realidade é notada em suas casas, onde se comportam com uma total falta de educação ou boas qualidades.

A educação se absorve da Torá e não é simplesmente uma conduta que se exterioriza dizendo perdão ou grato. Existem pessoas “educadas” a quem falta a interiorização, já que estudam Torá mas (na verdade) carecem de Torá.

Ensinamentos do Rabí Ovadiá Yosef.

 

Por © Projeto Har Hamoriáh, Rabi Ashér Cácua, Ieshivá Pirchêi Shoshaním Colômbia

© Traduzido e editado por Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

As Bnei Noach e o cobrir a cabeça

As noaítas (Bnei Noach/Filhas de Noá) e o cobrir a cabeça

 

PERGUNTAS & RESPOSTAS

 

Por Projeto Noaismo Info (e “The Divine Code” de acordo com o Rabi Shmuel Binjamini) e Rav Shimshon Bisker e Ieshivá Pirchei Shoshanim

 

PERGUNTA:
A mulher Bnei Noach casada deve cobrir o cabelo ou não? Quero muito saber.

 

RESPOSTA:
Ninguém menos que o Rabi Zalman Nechemia Goldberg, um membro do Supremo Tribunal Rabínico em Jerusalém e o presidente do Beit Din Eretz Hemdah — Gazit, chamou de “um ‘Shulchan Aruch LeBnei Noach'” (‘Shulchán Arúch dos Benêi Nôach’) a obra The Divine Code do Rabi Moshe Weiner (Chabad), de Jerusalém, publicado pela Organização Internacional Ask Noah. E, por mais estranho que pareça, de um livro de 704 páginas (o e-book tem 12092 páginas) apenas um único parágrafo (e a sua nota — também um único parágrafo) trata da questão do cobrimento da cabeça de uma mulher noaíta casada (em contraste com a importância dada a isto por mulheres gentias recém noaítas vindas dos messiânicos). O que diz tal parágrafo?

Diz (e nós estamos nos baseando no que nos foi explicado pelo Rabi Shmuel Binjamini — entre colchetes):
[Em um ambiente em que o cabelo causa provocação (atração)] seria bom se uma mulher casada cobrisse seu cabelo ao estar fora de sua casa ou na presença de outros homens que não o seu marido.”

E sua nota explica:
“O Tratado Sanhedrin 58b (Talmúd*) afirma que este era o costume das mulheres gentias na época talmúdica e em épocas anteriores como um sinal claro para distinguir (publicamente) as mulheres casadas das mulheres solteiras. Embora não seja habitual as mulheres gentias fazerem isso hoje em dia em muitas sociedades, no entanto, [em ambientes em que o cabelo causa provocação (atração)] seria digno uma mulher casada modesta e piedosa cobrir seu cabelo.”
© Rabi Moshe Weiner
Traduzido por Projeto Noaismo Info: © Projeto Noaismo Info

E como nos explicou o Rabi Shmuel Binjamini, este não é o caso do Brasil uma vez que aqui em nosso país o cabelo não causa provocação ou atração.

 

* O texto do Talmud citado na nota diz: “Quando ela (uma descendente de Noá) é liberada de seu relacionamento [conjugal]? …A partir do momento que ela expõe sua cabeça no mercado [isto é, em público]. Desde que as mulheres casadas cobriam o cabelo, mesmo entre os gentios, ao expor seu cabelo ela prova que não deseja mais permanecer com ele.”

 

Aí está tudo o que o livro (e também o Talmúd) diz sobre o antigo costume das gentias casadas cobrirem a cabeça.
Não diz que tinha de ser o cabelo inteiro, como algumas hoje fazem com lenço.
Não diz que tinha de ser apenas com lenço.
Nem diz que tinha de ser o tempo todo, mas apenas em público, ou quando se estava perante outros homens.
E o único motivo disso era para mostrar visivelmente em público para os homens que ela é casada e para então distinguir-se das solteiras (e não para, D’us não o permita, (copiar e) parecer-se com uma judia, o que é errado).

Como vemos em novelas e filmes de época, de fato, as mulheres não-judias casadas, quando saiam de suas casas, cobriam suas cabeças (com chapéus, lenços ou véus). O livro “O império da beleza” de Mark Tungate afirma: “As exigências da modéstia impunham que as mulheres casadas (da Idade Média) cobrissem o cabelo com lenços ou chapéus amarrados no pescoço.”

Assim, apesar do que está escrito no The Divine Code, o curso de Bnei Noach da Yeshiva Pirchei Shoshanim declara:
“Alguns têm citado esta passagem [do Talmud] como prova de que as mulheres noaítas casadas devem cobrir os seus cabelos. Entretanto, parece que a questão não é cobrir o cabelo, mas que a mulher deve ter um sinal público de que é casada. Como este é o motivo subjacente, então [atualmente] cobrir o cabelo não cumpriria este propósito. Afinal, a maioria das pessoas [hoje] não o interpretaria como um sinal de casamento. No entanto, uma aliança de casamento certamente realiza isso no Brasil. Portanto, é apropriado dar anéis como parte da cerimônia de casamento. Uma vez que o casal esteja casado, eles devem ter o cuidado de usar suas alianças sempre que estiverem em público.”

 

De toda forma, sabemos que no Brasil há um rabino que realmente impõe que as mulheres noaítas cubram o cabelo (com lenço) e ainda mais, por todo o tempo, independentemente de se ela está em casa ou na rua, de se ela está sozinha ou com alguém.
Devemos sempre estar alertas e tomarmos cuidado com rabinos que querem judaizar os Bnei Noach (para que os Bnei Noach não busquem a conversão), “já que um ben Noach não deve querer parecer e agir como judeu; e existe uma pressão errônea quanto a
 isso.” (Rav Shimshon Bisker)

E apesar do que está escrito no The Divine Code, o nosso querido Rabino Consultor do Projeto Noaísmo Info, o Rav Shimshon Bisker, de Israel, o responsável pelo Curso Completo Para Bnei Noach, e autor de 40 livros, também explica:
“Quanto às mulheres noaítas (bnei Noach) cobrirem o cabelo, não é necessário. Está explicitamente escrito na Halachá (Lei Judaica) que é costume das mulheres de Israel cobrir o cabelo. Essa é uma lei que compromete somente as mulheres de Israel. Não me parece bom exigir algo de alguém que não são obrigados. Portanto, tanto as noaítas solteiras quanto as casadas não precisam cobrir o cabelo em absoluto, somente se vestir e se comportar de forma recatada de acordo com o costume do local onde vivem.”
© Rav Shimshon Bisker
© Yeshivá Pirchei Shoshanim

© Projeto Noaismo Info

Ou, como diz o Rabi Shmuel Binjamini quanto a esse último ponto:
“Se a mulher noaíta estiver discreta em termos brasileiros já está bom. A idéia é (a mulher) ser discreta e não ser provocativa (atrativa), é só isso.”

E certamente que “em termos brasileiros” exclui-se o cobrir a cabeça das gentias (casadas e solteiras).

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)


 

Observação (por questão de informação e curiosidade):

Agora, é importante e interessante também entendermos como o cobrimento de cabelo se aplica às judias.

1. Trata-se de uma mitsvá, Lei Divina, um mandamento de Hashém para a judia casada;
2. Tem de se cobrir todo o cabelo (e não simplesmente cobrir a cabeça);
3. Não tem nada a ver (a princípio) com tzniút — modéstia ou recato;
4. Não se trata de um sinal externo para as pessoas, mas de um sinal entre a própria judia casada e Hashém.

Tudo isso é evidente nessa explicação (abaixo) do Chabad e do próprio Rebe:

§ Pode-se ver que desde os primeiros dias de sua liderança, o Rebe promove e restaura a mitsvá de cobrimento do cabelo para mulheres [judias] casadas e observantes. Ele procurou estabelecer que o cobrimento do cabelo era uma lei judaica e não um costume obscuro que pertencia a outra época. O Rebe afirmou que a lei judaica exige que todo — e não apenas parte — do cabelo de uma mulher casada seja coberto (Maguén Avrahám, Órach Chaím 75:2, Tsémach Tsédec, Responsa Even Haezer 139).

Ele queria suplantar a aversão generalizada de parecer diferente e “judeu demais” com um forte senso de identidade e orgulho; ainda assim, ele era sensível à preocupação de uma mulher com sua aparência. Por este motivo, o Rebe advogou o uso de perucas em vez de lenços, que ele reconheceu como uma opção pouco atraente e até insustentável para a maioria das jovens judias da América. O Rebe temia que a maioria das mulheres, mesmo as mais devotas, não usasse lenços de forma consistente e de maneira a cobrir todo o cabelo. O Rebe estava preocupado com aquelas (mulheres observantes) cujos envolvimentos profissionais e sociais impediriam cobrir o cabelo com lenços ou chapéus. Sem a opção de uma peruca, muitas mulheres não considerariam o cobrimento do cabelo. O incentivo do Rebe à peruca é uma ilustração inicial de como ele caracteristicamente canalizaria os mais recentes avanços dos dias modernos para o propósito da Torá e das mitsvót.

A princípio, a posição do Rebe não era popular. Muitas mulheres simplesmente não queriam cobrir o cabelo, enquanto outras achavam a noção de uma peruca totalmente estranha. Mostrando paciência e extraordinária sensibilidade às questões psicológicas e sociológicas em jogo, o Rebe persistiu em seus esforços. Eventualmente, valeu a pena. No final da década de 1960, a ardente promoção de perucas do Rebe levou à adoção de usar uma como norma na maioria dos círculos ortodoxos.

 

[Em um discurso de 1954, o Rebe explicou:]

“Quando uma judia [casada] anda na rua sem cobrir o cabelo, não há uma diferença [espiritual] perceptível [para si mesma] entre ela e os outros. No entanto, quando ela usa uma peruca (sheitel), pode-se dizer que ali está uma mulher religiosa judia*. Devemos fazer o que D’us nos ordenou fazer.

…A diferença entre uma peruca e um lenço é a seguinte: é fácil tirar um lenço, o que não acontece com uma peruca. Por exemplo, quando alguém está em uma reunião e usa uma peruca, mesmo que o Presidente entre, ela não a tira. Isto não é assim com um lenço que pode ser facilmente removido…

…No passado, o costume era cortar ou raspar completamente o cabelo (e cobri-lo com um lenço**). Mais tarde, o uso de perucas tornou-se um costume generalizado — especialmente hoje, quando se pode comprar perucas de várias cores, que podem ser ainda mais agradáveis [ou bonitas] do que o próprio cabelo.

Deixe a mulher [judia casada] refletir sobre este assunto. Não demora nem uma hora nem meia hora de contemplação. Por que ela realmente não quer usar uma peruca mas apenas um lenço? Porque ela sabe que não se pode tirar uma peruca quando ela está andando na rua ou [quando ela está] em uma reunião, enquanto se pode mover um lenço para cima e às vezes retirá-lo por completo.”

 

* “D’us preenche o céu e a terra” e o humano se encontra em Sua presença em todos os lugares e em todos os momentos.

** Na época talmúdica, as mulheres usavam um “radíd” (ou, “redidí”) (רָדִיד), um lenço maior sobre um chapéu menor, que cobria suas cabeças. Assim, mesmo que o cabelo saísse da primeira cobertura, os fios eram cobertos pelo radid (veja Talmúd Ketubót 72a).

 

Claramente, o Rebe desejava inspirar as mulheres a usar perucas e permanecer firmes nesta observância diante das pressões sociais. Uma leitura mais cuidadosa, no entanto, revela nuances adicionais dignas de menção. Primeiro, a atenção do Rebe a quão profundamente a identidade de uma mulher está ligada à sua aparência. Ele entendeu o quão crítico era este fator na decisão de uma mulher sobre a cobertura do cabelo.

O Rebe chegou ao ponto de afirmar que as perucas podem até ser mais atraentes que o próprio cabelo. Em comparação com as [perucas] que as mulheres podem ter usado nas gerações anteriores, as novas perucas, disse o Rebe, eram atraentes. É instrutivo que o Rebe não teve nenhuma objeção a perucas que melhoram a aparência de uma mulher; pelo contrário, ele incentivou as mulheres a aproveitar sua disponibilidade. Ainda hoje, persiste em muitas mentes a noção errônea de que a cobertura do cabelo deve prejudicar a atratividade de uma mulher casada (o que leva à onipresente pergunta de por que é útil cobrir o cabelo com uma peruca atraente) [Veja
https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/793693/jewish/Cobrir-o-Cabelo.htm ]. As palavras do Rebe lançam luz sobre a abordagem apropriada a esta mitsvá.

Curiosamente, o Rebe não forneceu razões filosóficas ou místicas para a mitsvá [judaica de cobrimento do cabelo]. Para muitas mulheres (e homens), nenhuma razão será suficientemente convincente. Em vez disso, o Rebe enfatizou que a observância de todas as mitsvót (incluindo o cobrimento do cabelo) é, em primeiro lugar e acima de tudo, baseada na subserviência da pessoa à vontade de D’us:
‘As palavras de nossa Torá da Verdade são completamente verdadeiras, perpétuas e eternas em todos os lugares e em todos os tempos.’

Existem comunidades em que as perucas não são consideradas halachicamente aceitáveis, com base na sua semelhança com o cabelo de uma mulher. Em outras, as mulheres usam perucas mas as cobrem parcialmente com um lenço ou chapéu para sinalizar que estão cobrindo o cabelo. O Rebe recebeu mulheres com antigas tradições de cobrir completamente o cabelo com lenços apertados e/ou usar uma cobertura dupla (isto é, um chapéu sobre uma peruca). O Rebe acreditava que não havia obrigação haláchica de cobrir a peruca.

© Chabad.org
Traduzido do inglês por Projeto Noaismo Info: © Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

 

Portanto, como vimos acima, existem gritantes diferenças entre a judia casada cobrir seu cabelo e o antigo costume quando a gentia casada cobria sua cabeça. Enquanto para a judia casada trata-se de ter de cobrir todo o cabelo, para a gentia casada tratava-se de apenas cobrir a cabeça em público. E enquanto para a judia casada trata-se de uma mitsvá, quer dizer, de um mandamento de Hashém para ela, e de uma mitsvá que (a princípio) nada tem a ver com modéstia ou recato, e que é um sinal para si mesma da sua distinção* das mulheres das nações, para a gentia casada tratava-se de um costume não-judaico de sinal público para os homens de que ela é casada — o que para a atualidade é inviável — e que era visto pelos Sábios do Talmúd como um exemplo de humildade perante Hashém, e elogiado por eles. Porém, como reconhecido pelo próprio “The Divine Code”, tal costume caiu em desuso, e como afirmado pela Yeshivá Pirchei Shoshanim, a aliança passou a cumprir este propósito, e como aclarado pelo Rabino Orientador do Projeto Noaísmo Info, o Rav Shimshon Bisker, para as judias sim isto se trata de uma obrigação, de um dever, pois é uma Lei, enquanto que para as noaítas obviamente não (e portanto “elas não precisam cobrir o cabelo em absoluto“).

 

* O próprio Rebe esclarece sobre os “sinais da relação especial de D’us com os judeus[:] obviamente, quando um sinal é usado para diferenciar uma entidade de outra, ele tem de ser exclusivo da entidade escolhida. Da mesma forma, os sinais que distinguem os judeus das outras nações devem ser associados exclusivamente aos judeus.
É muito importante fortalecer “os sinais que distinguem entre Israel e as nações”.” Assim, aquilo que constitui o sinal que distingue as judias casadas das não-judias tem de ser exclusivo delas (como cobrir todo o cabelo). As não-judias (mesmo as noaítas) que copiam as judias, que passam a parecer-se com as judias, comete um erro gravíssimo, o pecado de Chidúsh Dat.

Por Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

 

Veja também

https://a-fe-original–noaismo.info/2017/12/01/bnei-noach-e-o-vestir-se/

 

https://a-fe-original–noaismo.info/2019/07/18/tzniut-modestia/

Não recebemos nenhum mérito por observar mandamentos que não nos são pertinentes

Prestem muita atenção:

É muito arriscado e espiritualmente perigoso que nós Bnei Noach (noaítas) adotemos os mandamentos com os quais não temos conexão alguma [(ou seja, os mandamentos de identidade, os Edót)]. No máximo, não recebemos nenhum mérito por isso. Na pior das hipóteses, podemos receber punição divina. Isto é verdade tanto para os judeus quanto para os noaítas.”

Extraído do Curso das Leis Noaíticas da Yeshivá Pirchéi Shoshaním.

 

Esta declaração da Yeshivá Pirchéi Shoshaním está baseada no parágrafo do livro The Divine Code do Rabi Moshe Weiner, publicado pela Ask Noah Int., citado por nós em:

https://a-fe-original–noaismo.info/2018/06/12/mandamentos-para-os-judeus-e-mandamentos-para-os-bnei-noach/

 

Tanto as palavras do Rabi Maimônides (Rambám) quanto as do Rebe são muito claras a este respeito (ao ponto de ser incrível a capacidade de alguém de conseguir deturpá-las):

“Qualquer um que aceita o cumprimento das Sete (Categorias de) Mitsvót Universais e e é cuidadoso na sua observância, é um dos devotos (de Hashém) entre os gentios e terá o MÉRITO de compartilhar do Mundo Vindouro.” — Rambám

“O judeu deve contar ao não-judeu sobre sua obrigação de observar as Sete Leis Noaíticas — e o mérito e recompensa que o não-judeu recebe por esta observância tanto neste mundo quanto no Mundo Por Vir.” — O Rebe

 

E o Rabi Ariel Groisman (seus vídeos sobre Bnei Nôach estão disponíveis no site do Chabad) complementa:

“Fazê-lo (ou seja, adotar mandamentos de identidade que não lhe são pertinentes — os mandamentos chamados Edót) é uma blasfêmia contra O CRIADOR visto que com as suas atitudes você está mostrando-LHE que repudia a sua identidade espiritual que ELE forjou e esculpiu em você.”

 

Traduzido por Projeto Noaismo Info: © Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

 

Veja também

https://a-fe-original–noaismo.info/2018/04/02/o-modo-de-vida-dos-bnei-noach/

Os Bnei Noach e o uso da kipá

Matéria originalmente publicada em novembro de 2015 e reformada em junho de 2018.

Bnei Noach e a kipá

 

Perguntas & Respostas

 

Pergunta:

Pode um homem Noaíta (Ben Noach/Filho de Noá) usar kipá na rua, no trabalho, … enfim, fora de casa e fora da sinagoga?

 

Resposta:

O Curso das Leis Noaíticas da Yeshivá Pirchéi Shoshaním exorta os Bnei Noach (em geral, i.e., os homens e as mulheres):

“Esforce-se em ser [sensato e] determinado ao pôr em prática sua identidade espiritual. Não passe [aos outros] mensagens confusas [por meio de seu comportamento] porque isso reflete desconhecimento, dúvidas pessoais ou rebeldia, que mal [os] guiarão.”

E declara:

“Assim, não está permitido [aos  homens Bnei Noach]:
Usar kipá fora da sinagoga[*] (pois que em um contexto social onde a kipá já é logo associada à identidade judaica, a mensagem que isso transmite é fortemente confusa).”

 

O Rabi Michael Schulman do Chabad, diretor da AskNoah, uma Instituição Internacional de Rabinos competentes que dão a devida orientação aos Bnei Noach, explica:

“Certamente, está tudo bem você usar kipá — se você quiser — em sua casa, nas casas de judeus e de outros Bnei Noach, nas sinagogas, ieshivás, etc[*].
Em público, você deve ter bom senso e não usá-la, porque as pessoas lhe confundiriam com um judeu. Se você quiser manter a cabeça coberta na rua, você pode usar um boné ou um chapéu.”

 

E mesmo dentro desses lugares “não é uma boa idéia que Bnei Noach (homens Noaítas) escolham uma Kipá idêntica a usada pelos judeus, pois outras pessoas podem erroneamente confundir um não-judeu com um judeu. Isto pode levar a confusões com relação à conduta muito mais rígida que a Torá requer dos judeus. Uma maneira de fazer uma Kipá diferente é decorá-la com as palavras “Bnei Noach”, ou algo similar.”  Rabi Yitschak Ginsburgh (Instituto Gal Einai Israel, autor de Kabbalah and Meditation for the Nations).

 

O Rav Shimshon Bisker, de Israel, o Rabino Consultor do Projeto Noaísmo Info, respondendo se somente judeus podem usar Kipá, explica:

“A resposta é não. O não-judeu também pode usar Kipá, porém, é melhor ele botar um boné, pois se ele bota a Kipá vão pensar que ele é judeu e eles vão analisá-lo como se ele fosse um judeu ortodoxo e ele não sabe ou não está obrigado a cumprir as leis como judeu e então as pessoas vão falar: ‘olha só os ortodoxos com Kipá na cabeça e ficam comendo coisa que não é casher, …’ . Então se um não-judeu quer rezar para D’us, é bom botar uma cobertura na cabeça, uma Kipá ou um boné, de preferência, se está em público, botar um boné, e não botar Kipá, para não se parecer judeu, porque ele tem de se indentificar com a identidade (espiritual) daquilo que ele é [um noaíta], e não tentar imitar algo que ele não é porque se não ele vai perder a identidade dele.
Em casa, para uma reza esporádica, ou seja, agradecer D’us por alguma coisa ou rezas do gênero, não há necessidade de o homem cobrir a cabeça. Da forma como ele se comporta normalmente em casa, ele pode se comportar neste tipo de reza, inclusive sem camiseta (se assim ele fica em casa), a menos que ele sinta que (por rezar sem camiseta) estará faltando com respeito ao CRIADOR (isso vai depender do sentimento de cada um).
Para uma reza fixa, ou seja, estabelecer para si mesmo um momento específico para orar para D’us, deve-se cobrir a cabeça e não poderá rezar sem camiseta.”

 

Portanto, como elucidado acima pelo próprio Rav Shimshon Bisker de que os noaítas (homens e mulheres) “não devem parecer um judeu e não devem tentar imitar algo que eles não são”, então, temos de ter o extremo cuidado de também  entendermos as seguintes palavras do Rabi Tzvi Freeman, editor do site Chabad.org (e, obviamente, suspeitar daqueles não-judeus e judeus (mesmo rabinos) que falam e agem em contrário).
Ele disse:

“O caminho do Ben Noach está integralmente ligado ao povo judeu, como afirma claramente o Rambám [(Rabi Maimônides). Porém, é importantíssimo ressaltar que, apesar disso (apesar dessa ligação),] nós (judeus) não queremos criar uma nova religião. E tampouco queremos que Ben Noach esteja imitando as práticas que são próprias do povo judeu.”

Em outras palavras, nós, judeus, não queremos fazer dos Bnei Noach uma religião. E tampouco queremos que eles próprios se transformem em um movimento judaizado e judaizador.

 

Sobre a mitsvá de Proibido cometer o pecado de Chidúsh Dat (Invenções ou Imitações Religiosas), que significa não inventar qualquer religião ou culto religioso e não inventar práticas religiosas (originais ou adotando ou copiando qualquer aspecto das práticas judaicas), veja

https://a-fe-original–noaismo.info/como-o-bnei-noach-serve-hashem-conversao-ao-judaismo/

https://a-fe-original–noaismo.info/o-rebe-diz-nao-a-judaizacao-de-bnei-noach/

https://a-fe-original–noaismo.info/por-que-ha-discordancia-entre-os-proprios-rabinos-sobre-a-pratica-noaica/

 

© Yeshivá Pirchéi Shoshaním
© Rabi Dr. Michael Schulman
© AskNoah.org
© Rabi Yitschak Ginsburgh
© Rav Shimshon Bisker

© Rabi Tzvi Freeman
© Projeto Noaismo Info

Traduzido por Projeto Noaismo Info: © Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)