A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

A AUTORIA DA TORÁ

A Fé Original: Noaismo.info

O Site Bnei Noach

 

B”H

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

ATENÇÃO:

Na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH”. Exemplos: “Moshé”, “Shemitá”, etc.

Na transliteração dos termos hebraicos o “ch” tem som de “RR”. Exemplos: “Halachá”, “Kôrach”, etc.

 

 

A AUTORIA DA TORÁ

Um dos princípios fundamentais do judaísmo é que a Torá não foi escrita por Moshé nem por qualquer outro homem, e sim, pelo próprio CRIADOR.

No artigo “A verdade histórica da Revelação Divina no Monte Sinai”, analisamos se há razão suficiente para se acreditar que D’us SE revelou ao Povo Judeu no Monte Sinai. Como vimos no artigo, as fontes básicas de conhecimento sobre a Revelação Divina são a transmissão oral, de geração a geração, e um registro escrito, a dizer, os Cinco Livros da Torá. Caso haja uma razão sólida para acreditar que a Torá é de autoria Divina, a veracidade do que quer que a mesma nos relate, inclusive a Revelação Divina no Sinai, é, pois, inquestionável. No entanto, se a Torá tivesse sido escrita por um ser humano, ainda que por Moshé, sua veracidade e autoria poderiam ser questionadas – pois nenhum homem é dono da Verdade Absoluta.

Halachá LeMoshé MiSinai

Como o judaísmo advoga que a Torá é a Palavra de D’us, seria lógico presumir que não há desacordo ou discussão acerca de suas leis. Contudo, na realidade, o Talmud Babilônico, que elucida os Cinco Livros da Torá e constitui o pilar da Lei Judaica, é formado por uma série de divergências e debates entre nossos Sábios.

Cabe perguntar: se D’us transmitiu a Torá a Moshé, haverá o que discutir sobre suas leis? A resposta profunda a essa pergunta está além do escopo deste artigo, mas a resposta simplista, fornecida pelo Talmud de forma explícita e não apologética, é que no dia em que Moshé deixou este mundo, o Povo Judeu esqueceu muitas das leis da Torá Oral, que são as elucidações e explicações da Torá Escrita. Por isso, coube aos Sábios, através de discussões, lógicas e análises, tentar recuperar o conhecimento perdido. No entanto, os ensinamentos da Torá Oral que não foram esquecidos não estão sujeitos à discussão.

No Talmud, há uma frase “mágica” que coloca um ponto final em qualquer discussão: Halachá LeMoshé MiSinai – em português, “trata-se de uma lei transmitida a Moshé no Sinai”.

As divergências existentes no Talmud não contestam, mas até corroboram a Revelação Divina no Sinai e a Divina Autoria da Torá. Como a Revelação ocorreu apenas uma única vez e como a Torá foi criada por D’us e transmitida apenas a Moshé, não houve quem vivesse após Moshé que pudesse ensinar as leis que tinham sido esquecidas. Como ensina o Talmud (Tratado Temurá 16ª): “Um profeta não está autorizado a introduzir nada de novo”. A Torá deu aos Sábios o poder de decretar leis rabínicas, mas as leis bíblicas não podem ser alteradas, criadas ou abolidas. Como ensina o Midrash (Devarim Rabá, 8:6): “Moshé disse ao Povo Judeu: ‘Não digam que outro Moshé surgirá, com outra Torá dos Céus; já lhes estou anunciando, agora, não está nos Céus. Nada restou nos Céus’”.

O fato de que os Sábios do Talmud discordassem acerca da aplicação adequada de muitas das leis da Torá é uma indicação de que o judaísmo não é dogmático, mas é a busca da verdade. Por outro lado, o fato de que apesar de todas as suas discordâncias, os Sábios unanimemente concordam sobre tantos pontos, é uma boa evidência de que o judaísmo tem uma única origem comum; pois, de outra forma, os Sábios do Talmud debateriam sobre os mínimos pontos da Lei Judaica. Quando as pessoas que costumam discordar entre si estão de acordo sobre umas tantas coisas, geralmente é sinal de que há uma razão para tal. Se para os Sábios do Talmud, Halachá LeMoshé MiSinai não estava sujeita à discussão, significa que a veracidade da Revelação Divina no Sinai e da Autoria Divina da Torá eram incontestáveis para eles. Assim sendo, eles não desperdiçariam seu tempo e energia discutindo o óbvio.

Mas, se não tivesse ocorrido a Revelação Divina no Sinai e se a Torá não tivesse sido escrita por D’us, o conceito da Halachá LeMoshé MiSinai não existiria. Pois se a Torá foi escrita por Moshé, por que seria proibido a um profeta ou um sábio de um período posterior mudar qualquer de suas leis ou, ao menos, instituir decretos que pudessem solucionar todas as dúvidas sobre a Lei Judaica? 

Na verdade, na ausência de uma Revelação Divina, será que deveríamos atribuir a um ser humano o poder de criar leis imutáveis e, de fato, nem sequer passíveis de discussão? Com todo o respeito a Moshé, ele não fundou o judaísmo, nem foi um de nossos Patriarcas. E se a Torá tivesse sido escrita por ele, por que razão deveríamos acreditar, como diz a Torá, que ele foi o maior profeta de todos os tempos? Além disso, a tradição judaica não mede palavras em sua tentativa de humanizá-lo. É inconcebível que os judeus atribuíssem autoridade divina a o que quer que fosse que Moshé lhes ensinasse, a menos que soubessem que a Torá não era dele, mas realmente do D’us de Israel.

Se a Torá não tivesse sido escrita pelo Todo Poderoso, os profetas e Sábios que vieram após Moshé poderiam ter mudado algumas de suas leis – coisa que nunca ocorreu. No curso da História Judaica, criaram-se leis rabínicas, que foram modificadas e até rechaçadas, mas ninguém jamais ousou tocar na lei bíblica. Ninguém ousou argumentar com a Halachá LeMoshé MiSinai. Se todos os profetas e Sábios que viveram após Moshé se recusaram categoricamente a substituí-lo ou mesmo a tentar replicar o que ele conquistara – nem mesmo pela nobre razão de tentar recuperar o conhecimento que foi perdido com sua morte – é porque sabiam que a Torá era a Palavra de D’us, que fora transmitida apenas a Moshé; e agora que ele se fora, não havia como novamente trazer a Torá dos Céus à Terra.

Um livro de lendas?

É possível que o Povo Judeu tenha aceitado primeiramente a Torá como um livro de lendas e que, com o passar do tempo, após o transcurso de muitas gerações, quando já não era mais possível corroborar a veracidade de seus relatos, tenha sido aceita como verdade? Consideremos a seguinte teoria: alguém no deserto – quiçá Moshé, quiçá alguém outro – redigiu a Torá, inclusive o relato da Revelação Divina no Sinai, e todo o povo o aceitou, apesar de ser tudo invenção, pois eles nem o levaram a sério: consideraram que tudo fosse mitologia judaica. Passado o tempo, no entanto, um número cada vez maior de judeus começou a acreditar que aquelas histórias eram verdadeiras.

Esta teoria é popular entre ateus e agnósticos. Mas é uma teoria relativamente fácil de ser rechaçada. Primeiro, nos últimos 3.000 anos, apesar de todas as diferenças e divergências existentes entre o Povo Judeu, nunca houve uma tradição que dissesse que a Torá é obra de ficção. Mesmo os Caraítas, que não aceitavam os ensinamentos da Torá Oral, acreditavam categoricamente que cada uma das palavras da Torá Escrita era a Palavra de D’us. É possível que toda a geração do deserto tenha adotado a Torá como obra de ficção, mas, em algum momento da História Judaica, esse fato foi esquecido ou negligenciado por todos os judeus e todos começaram a acreditar que a Torá foi historicamente precisa? Para exemplificar quão improvável é essa teoria, pensemos em quão improvável é que todos os gregos vivos hoje mudassem de ideia sobre a Ilíada e a Odisseia e começassem a crer que esses trabalhos não são lendas, mas fatos históricos.

Segundo, há apenas uma versão da Torá, e não há relatos conflitantes sobre os eventos que descreve. Através da história, muitos judeus, especialmente os insolentes Reis de Israel, poderiam ter justificado seu comportamento pecaminoso alegando que a Torá era uma invenção ou um livro de lendas. Se essas pessoas apenas pudessem apresentar alguma evidência de que a Torá não fosse Divina – de que foi escrita por Moshé ou por outros seres humanos – eles poderiam ter algum tipo de desculpas para muitas de suas próprias ações, especialmente sua idolatria, que não prejudicou nenhum outro homem. Mas nos últimos três milênios, mesmo os judeus que mais se beneficiariam levantando dúvidas sobre a autoria da Torá, não o fizeram. Eles poderiam ter questionado a Justiça Divina, mas nunca tiveram a audácia de questionar a verdade da Revelação no Sinai e a legitimidade e a Divina autoria da Torá. E por quê? Porque como explicamos no artigo anterior, um evento público que envolveu (três) milhões de pessoas é praticamente impossível de ser negado.

Terceiro, é inconcebível que pessoas sensatas inventassem muitas das leis que constam na Torá, e, ainda mais, que inventassem o conceito de que O CRIADOR do mundo os fizesse responsáveis por respeitá-las (ESTE CRIADOR a quem jamais teriam visto se o relato da Revelação Divina fosse invenção). Exemplificando: a lei da Shemitá – os ordenamentos ao Povo Judeu de abrir mão do trabalho agrícola na Terra de Israel de sete em sete anos (Levítico 25:1-24). A Torá ordena aos judeus que sigam esta lei e não se preocupem com a falta de alimento, pois D’us os abençoará com fartura de provisões no sexto ano para compensar o sétimo em que se absterão de trabalhar a terra.

Consideremos: Por que os seres humanos escreveriam uma tal lei? Será que colocariam sua própria sobrevivência e a de seus filhos em risco? Será que inventariam promessas de um Fiador e diriam às gerações futuras que deviam cumprir esse mandamento porque O CRIADOR do mundo proveria a eles, quando, na realidade, eles mesmos sabiam que uma tal promessa Divina jamais havia sido feita? E o que aconteceria quando, no ano antes do Sabático, a colheita não fosse mais farta do que nos anos anteriores e os judeus não tivessem alimento para o ano seguinte?

Escrever essa lei e fazer os demais confiarem numa falsa promessa de bênçãos Divinas, seria o cúmulo da tolice e da irresponsabilidade. Contudo, os judeus aceitaram as leis do Sabático e se comprometeram a segui-las. E se o fizeram, é porque sabiam que era uma lei criada por D’us. Nem Moshé nem nenhum outro ser humano poderia fazer um povo inteiro colocar sua sobrevivência em risco. Na verdade, se D’us não tivesse escrito a Torá, os judeus teriam que ser muito tolos para concordar de viver segundo a maioria de seus mandamentos.

Por exemplo, por que eles aceitariam a lei da circuncisão? Três mil anos atrás ninguém sabia que a circuncisão pode evitar a disseminação de várias doenças terríveis. Podemos entender a razão para um povo aceitar leis relativas ao funcionamento adequado da sociedade, como as que proíbem o assassinato, adultério e roubo, mas por que os judeus aceitariam as muitas leis rituais da Torá – algumas das quais, extremamente complexas e esotéricas – e concordariam em não violar muitas de suas leis que os privam de vários dos prazeres da vida? Por que os judeus concordariam em não comer frutos do mar e carne não-casher? Por que eles aceitariam todas as leis da Torá sobre as relações sexuais proibidas?

Vejamos, será que milhões de pessoas aceitariam a Torá se não a tivessem recebido diretamente de D’us e soubessem, de fato, que era SUA Vontade que seguissem suas leis? Há um famoso Midrash que ensina que antes de outorgar a Torá ao Povo Judeu, D’us a ofereceu a todas as demais nações do mundo que a recusaram. Mas trata-se de um Midrash metafórico, que ensina que D’us, por ser Onisciente, sabia que somente os judeus aceitariam seguir as leis da Torá; não se trata de um relato histórico. Já houve um caso na história em que a Torá foi ofertada a grandes grupos de pessoas que se recusaram a aceitá-la? Sim, houve.

Muitas pessoas não o sabem, mas os fundadores do Cristianismo eram judeus seguidores da Torá. O Cristianismo se iniciou como um movimento messiânico judaico. O propósito dos primeiros cristãos não era começar uma nova religião, mas ganhar o máximo de adeptos para seu movimento – judeus ou não. E como eles consideravam seu movimento messiânico autenticamente judaico, somente seriam aceitos os não-judeus que se convertessem ao judaísmo.

Mas, segundo relato da Bíblia cristã, quando os fundadores do Cristianismo saíram em suas primeiras missões proselitistas, não tiveram sucesso em sua tentativa de converter os pagãos ao judaísmo. Apesar de terem ouvido que a Torá era a Palavra de D’us, os gentios ficaram assombrados com seus mandamentos – as leis de Casherut, do Shabat e, sobretudo, da circuncisão. Os primeiros cristãos somente conseguiram converter pagãos a seu recém-criado movimento quando abandonaram a exigência de que os não-judeus aceitassem as leis da Torá. Eles provavelmente perceberam que nenhuma nação, exceto os judeus, se sujeitaria àquelas leis.

Quem pode culpar os pagãos por recusar a Torá? É compreensível que os judeus a tenham aceitado – eles testemunharam a Revelação Divina no Sinai, e, na verdade, não tinham muita escolha. Mas por que um povo que não testemunhou a Revelação e a outorga da Torá iria aceitar a responsabilidade de cumprir todos os seus difíceis mandamentos?

Um cético implacável pode alegar que os judeus escreveram a Torá e inventaram todas as suas complicadas leis para difundir o próprio argumento que aqui defendemos: como nenhum povo seria capaz de criar tais leis para si, a Torá certamente é de autoria Divina.

Seria possível que os judeus propositalmente se colocassem numa camisa de força para ludibriar o mundo, inclusive seus descendentes, dizendo que D’us lhes teria aparecido, apenas a eles, e os teria escolhido para lhes entregar SUAS Leis? Novamente, a resposta é que isso seria altamente improvável. E se esse era o seu plano, o tiro saiu pela culatra, pois a Revelação no Sinai não rendeu aos judeus o amor e a admiração do resto da humanidade. Milênios antes de ocorrer a Inquisição e o Holocausto, o Talmud já tinha previsto que os judeus seriam odiados por terem sido escolhidos por D’us para receber a SUA Torá e testemunhar a única Revelação Divina na História

O Rabi Yehoshua ben Levi assim ensina no Talmud: Por que a montanha onde a Torá foi entregue se chama Sinai? Porque ela causaria Sinat – ódio – entre o restante do mundo contra o Povo Judeu.

Um Livro nada lisonjeiro

Além de conter inúmeras leis de difícil cumprimento, a Torá narra muitas histórias, a maioria das quais não são nada lisonjeiras para nosso povo. Mesmo o relato mais espetacular da Torá – o da Revelação Divina – não foi uma ocasião inteiramente feliz, pois apenas 40 dias após sua ocorrência, o povo já adorava um bezerro de ouro, fazendo com que Moshé quebrasse as Tábuas da Lei. Até o Livro de Gênese é pouco lisonjeiro ao nosso povo. Pois enquanto muitas outras nações santificam seus fundadores e criadores, a Torá descreve nossos Patriarcas e antepassados como seres humanos falíveis, que suportaram provações e infortúnios e que tiveram fraquezas e cometeram erros.

Um cético poderia novamente alegar que Moshé ou os judeus escreveram a Torá de tal forma que provasse o argumento que acabamos de defender: nenhum povo poderia escrever relatos tão pouco lisonjeiros sobre si próprio; portanto, a Torá certamente foi escrita por D’us.

Mas, muito sinceramente, os relatos da Torá não são apenas pouco elogiosos – o que serviria para torná-los ainda mais críveis – eles são simplesmente prejudiciais. Algumas histórias negativas talvez servissem para tornar as boas um pouco mais críveis, mas a Torá é repleta de relatos que colocam os judeus sob um prisma muito negativo. Pode ser difícil, mesmo, encontrar uma porção da Torá que não contenha uma ação negativa de nossos antepassados. Será que as pessoas escreveriam relatos tão danosos sobre si próprias? Será que quereriam ser lembradas dessa forma por seus filhos e seus futuros descendentes?

O que é ainda mais incrível é que apesar das muitas leis de difícil cumprimento e das histórias nada lisonjeiras, nós, judeus, reverenciamos a Torá. Não há objeto inanimado mais sagrado ao judaísmo do que um rolo contendo os Cinco Livros da Torá. E por quê? Porque nós, como nossos antepassados, não temos dúvidas acerca de sua autoria. Quando O MESTRE do Universo escreve um livro e elenca nosso povo como protagonistas, nós o reverenciamos, mesmo que seu conteúdo nem sempre nos favoreça.

Alucinógenos e alucinações

Seria possível que Moshé e os três milhões de judeus que ele liderou não tenham tramado um plano mentiroso, mas se tenham confundido com o que imaginaram ter visto? Um professor israelense de Filosofia da Universidade Hebraica, Benny Shannon, apresentou a seguinte hipótese: a Revelação Divina no Sinai teria sido, na realidade, uma alucinação decorrente do fato de Moshé e os judeus terem tomado uma substância altamente psicodélica, encontrada na árvore da acácia, frequentemente mencionada na Bíblia. O professor fez a seguinte declaração: “No que toca ao Monte Sinai e a Moshé, o que ocorreu foi um evento cósmico sobrenatural – o que não acredito – ou uma lenda – no que tampouco acredito – ou, finalmente e mais provável, um evento que uniu Moshé e o Povo de Israel sob o efeito de narcóticos”.

Antes de analisar a hipótese do prof. Shannon, é interessante observar que mesmo ele – que não crê em uma Revelação Divina – não acredita que o relato seja uma lenda. Isso serve como exemplo verdadeiro do que discutimos no artigo anterior: que é muito difícil negar um evento público ocorrido diante de milhões de pessoas. Como o professor não pode negar o evento, mas tampouco pode aceitar que tenha havido uma Revelação Divina, ele necessita recorrer a outra explicação – o uso de alucinógenos.

O problema na teoria do acadêmico é que é necessário ter muito mais fé para se acreditar na mesma do que para acreditar que D’us SE revelou aos judeus no Monte Sinai. Senão, como teria Moshé conseguido encontrar a quantidade de alucinógenos para três milhões de pessoas? Segundo, como Moshé convenceu todos eles a ingerirem a droga? A própria Torá atesta que o povo frequentemente se rebelava contra ele. E mesmo se os milhões que lá estavam concordassem em se drogar, teriam-na consumido, todos, ao mesmo tempo? E teria a droga afetado milhões de pessoa exatamente ao mesmo tempo e da mesmíssima forma? Sabemos que diferentes pessoas reagem de diferentes maneiras à mesma droga. Alguns organismos reagem intensamente; outros, não. Algumas pessoas levam muito tempo para reagir a um alucinógeno, ao passo que outras reagem quase que imediatamente após sua ingestão. Além disso, como essas substâncias afetam o cérebro, e como não há duas pessoas – que dizer de milhões delas – que pensem de forma igual, as pessoas veem coisas diferentes quando ingerem essas drogas. Portanto, seria quase uma impossibilidade estatística que milhões de pessoas tomassem uma droga e tivessem simultaneamente uma mesma experiência ilusória e ouvissem a mesmíssima mensagem…

Mas, o mais revelador acerca da hipótese do Prof. Benny Shannon é que além de ter admitido não ter “nenhuma prova direta de sua interpretação”, ele fez a seguinte declaração: “Mas nem todos que usam a tal planta alucinógena trazem a Torá… Para tanto, você tem que ser um Moshé”…

A pergunta que deveria ser feita ao professor é: de onde exatamente Moshé trouxe a Torá? De onde veio a Torá? Se ele acredita que Moshé a escreveu e que sua teoria da droga alucinógena está correta, por que o Povo Judeu deveria viver de acordo com as leis criadas por um homem que era tão drogado que tinha alucinações sobre uma suposta Revelação Divina?

Indo mais além, a teoria de que Moshé dopou o povo para trapaceá-los e os fazer crer que D’us SE revelara a eles não é crível por uma razão adicional. Se os inimigos de Moshé tivessem sequer suspeitado de alguma desonestidade – se eles acreditassem que ele os estivesse drogando para induzi-los a algum tipo de experiência coletiva – eles o teriam acusado de ser um falso profeta, um charlatão. Moshé tinha sua quota de inimigos entre o povo. É triste admiti-lo, mas muitos dos judeus a quem ele conduziu inventaram e disseminaram mentiras terríveis contra ele.

Acusaram-no de não ter habilidades para liderar, de nepotismo, de roubo, de adultério e até de assassinato. Mas, interessante, ninguém ousou acusá-lo de ser um falso profeta. Até mesmo Kôrach, quando tentou depor Moshé e Aaron, nunca sequer sugeriu que ele tivesse enganado o povo. Ele questionou o direito de Moshé de liderar os judeus, mas nunca o acusou de charlatão. Nem mesmo Kôrach poderia questionar a veracidade da Revelação Divina no Sinai ou a autoria Divina da Torá. Ele sim questionou a aplicação de alguns dos mandamentos da Torá por Moshé, mas jamais sequer ousou alegar que ele os tivesse criado. E por quê? Porque a verdade estava evidente para todos os judeus. A Revelação Divina tinha sido um evento público; todos a tinham vivenciado. Ninguém poderia alegar que Moshé a tinha maquinado – nem mesmo seu pior inimigo.

E não foram apenas Kôrach e os inimigos de Moshé que não puderam negar a veracidade da Revelação Divina e a autoria Divina da Torá. Através dos milênios, os inimigos históricos do Povo Judeu tampouco conseguiram argumentar que eram falsidades.

No decorrer da história, muitas inverdades e maldades foram ditas sobre os judeus, mas nunca fomos chamados de “povo inventado”, um povo que inventou sua própria história. Alguém disse, muito apropriadamente, que o elogio de um inimigo vale muito mais do que o de um amigo. Quando mesmo nossos inimigos admitem a veracidade da Revelação Divina e da Torá, é porque a evidência é muito óbvia para ser negada.

A Essência do Povo Judeu

(Os Judeus: As Verdadeiras Testemunhas de D’us)

Muitos perguntam como é possível que, apesar de 2.000 anos de exílio, a queda do Templo, os massacres, a Inquisição, as expulsões, os pogroms e, acima de tudo, o Holocausto, nós, judeus, sobrevivemos e permanecemos fiéis a D’us. A resposta é que a Revelação Divina no Sinai ficou gravada no inconsciente coletivo do Povo Judeu. A Voz que se ouviu no Monte Sinai reverbera até hoje no coração de todos nós, mesmo que disso não tenhamos consciência. Cinquenta dias após o Êxodo, D’us SE fez ver a nosso povo e nos deu uma missão. Foi uma missão tão extraordinária que mesmo 2.000 anos de exílio e o Holocausto não foram capazes de abortar.

Que missão foi essa? Está escrito no Livro de Isaías: “Vós sois Minhas testemunhas, diz HaVaYaH, e Eu sou D’us” (43:12). O Midrash faz uma declaração espantosa: “Enquanto fordes Minhas testemunhas, Eu sou D’us; se deixardes de ser Minhas testemunhas, deixarei de ser D’us”. Como dissemos no artigo anterior, se não fôssemos nós, judeus, toda a humanidade seria deísta¹. Nós somos o canal através do qual D’us se tornou conhecido no mundo.

Nossa missão é manter nossa própria existência e, por meio disso, preservar a existência de D’us no mundo. Esta é a missão maior que pode ser atribuída a um povo e a cada um dos indivíduos que o compõem. É uma missão árdua e desafiadora, mas que por ela vale a pena viver e lutar, e que, sem dúvida, constitui o propósito e a essência do Povo Judeu.

 

¹ O deísmo é uma doutrina que considera a razão como a única via capaz de assegurar a existência de D’us, rejeitando, para tal fim, o ensinamento ou a prática de qualquer religião organizada.

 

Próximo artigo:

CONHECIMENTO E FÉ

– Instituto Morashá de Cultura

 

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A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

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B”H

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!'” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

 

Na festa de Shavuót (nós judeus) comemoramos a Revelação Divina no Monte Sinai. O acontecimento é, sem duvida, o pilar sobre o qual o judaísmo se mantém. Mas terá realmente ocorrido?

 

Deísmo é a crença de que a lógica e a observação do mundo natural podem determinar que o universo é o produto de um CRIADOR todo poderoso. Segundo os deístas, D’us criou o Universo para logo o abandonar, deixando-o seguir seu próprio curso.

O deísmo é uma filosofia religiosa, não uma religião; pois se D’us não se relaciona com Suas criaturas, que diferença faz ao homem como o Universo foi criado? No que toca aos seres humanos, a religião tem que ser baseada na Revelação Divina. Se D’us nunca SE tivesse revelado ao homem, cada religião seria alguma forma de deísmo: a lógica nos compeliria a crer em um CRIADOR, mas nós não teríamos evidência alguma de SUA existência. Na ausência da Revelação Divina, não saberíamos como nos relacionar com D’us e, portanto, não haveria uma interface real entre D’us e o homem.

Diferentemente do deísmo, a verdadeira religião se origina em D’us, e não no homem. Esta não se pode basear nas conjecturas de uma mente humana, limitada, ou nos desejos do coração humano. Pelo contrário, precisa basear-se em fatos e verdades. A fé que não se baseia em fatos é despida de significado: também os idólatras, têm sua fé; e quem pode ser tão presunçoso ao ponto de afirmar que suas crenças, quando não calcadas em fatos, são mais válidas que a do outro? Portanto, a essência da verdadeira religião – ao menos pela perspectiva do homem – é a Revelação Divina. A verdadeira religião é baseada não no que o homem pensa ou diz sobre D’us, mas na Verdade e no que D’us diz ao homem.

Diferentemente das especulações teológicas e dos devaneios filosóficos, a Revelação Divina não é matéria subjetiva. Não é uma ideia, um ideal ou uma experiência que ocorre dentro da mente ou do coração humano. Trata-se de um evento pelo qual o homem deve passar.

Shavuot e a Revelação Divina no Sinai

A festa de Shavuót, celebrada em 6 e 7 do mês de Sivan, comemora o evento mais significativo na História Judaica – a Revelação Divina no Monte Sinai e a subsequente entrega da Torá ao Povo Judeu. Cinquenta dias após o Êxodo, D’us abertamente SE revelou a aproximadamente três milhões de judeus – homens, mulheres e crianças – a quem Moshé liderou para fora da escravidão no Egito.

Mas será que esse evento realmente ocorreu? Como a Torá o descreve não como experiência mística, mas evento histórico, sua veracidade não está sujeita à interpretação: ou ocorreu ou não ocorreu. Se D’us realmente SE revelou ao Povo Judeu no Sinai, o judaísmo se baseia em fato. Mas, se ELE não o fez – se o relato da Torá é uma lenda – a veracidade não apenas do judaísmo, mas de todas as demais religiões, é posta em dúvida já que nenhum outro povo jamais alegou ter vivenciado a Revelação Divina. Se O CRIADOR não SE revelou no Sinai, nós, seres humanos, somos todos deístas, na melhor das hipóteses. E se o judaísmo se baseia em uma lenda, também o cristianismo e o islamismo o são, pois essas duas religiões afirmam derivar da fé judaica.

O judaísmo se mantém sobre um pilar: a Revelação Divina no Sinai. O restante é comentário. Não tivesse esse evento ocorrido, nossa única fonte de conhecimento sobre D’us e SUA Vontade – sobre como HaVaYaH SE relaciona com o homem e o que ELE espera dele – seriam as supostas profecias dos seres humanos que, por definição, são falíveis.

O fato de que esses homens realizaram feitos sobrenaturais não prova que eles fossem reais mensageiros de D’us. Como relatam a Torá e o Midrash, os magos idólatras do Faraó também possuíam poderes sobrenaturais e podiam prever o futuro. Fica evidente, pois, que a própria Torá admite que esses dons não são suficientes para produzir um profeta. De fato, como ensina o Rabi Maimônides, os milagres nada provam. Não são as 10 Pragas o que nos faz crer em Moshé, pois pode-se argumentar que ele triunfou sobre os magos do Faraó não por ser um emissário de D’us, mas por ter grande conhecimento do ocultismo.

Milagres não homologam o judaísmo – nem qualquer outra religião. Membros de diversas fés, inclusive as idólatras, conseguem realizar atos sobrenaturais. Se os milagres comprovam a validade de qualquer religião, teríamos que aceitar praticamente todas elas como verdades absolutas – o que seria uma impossibilidade lógica e teológica.

Cremos em Moshé simples e exclusivamente porque a Revelação Divina no Sinai confirmou que D’us o escolhera como Seu emissário e que a Torá que ele ensinou ao Povo Judeu era a Palavra de D’us. Como ensina o Rav Maimônides, acreditamos em D’us e em SUA Torá, e, portanto, acreditamos em Moshé – e não vice-versa. Se acreditássemos em D’us e na Torá apenas porque acreditamos em Moshé, o judaísmo seria baseado na palavra de um ser humano.

Vejamos: Se D’us não SE tivesse feito ver perante todo o Povo Judeu e não tivesse dado a Moshé SEU selo de aprovação, como os (três) milhões de judeus que deixaram o Egito – e cada geração de judeus desde então – teriam sabido que Moshé tinha verdadeiramente falado em nome do CRIADOR? Como saberíamos que ele não era um sofisticado feiticeiro, um charlatão ou, até mesmo, um esquizofrênico bem intencionado? Se D’us não SE tivesse revelado no Monte Sinai, nenhum de nossos ancestrais, nem tampouco nós, poderíamos sabê-lo, ao certo… O judaísmo seria apenas baseado na fé, e não em fatos.

Da mesma forma, acreditamos na Torá e seguimos suas leis não por causa de Moshé, mas por causa de D’us. Cada uma das letras dos Cinco Livros da Torá foi escrita por ELE; Moshé meramente as transcreveu como um secretário. A razão para a Torá ser conhecida como Torat Moshe, a Torá de Moshé, é porque somente ele – e ninguém mais antes ou depois dele – teve o mérito de tê-la trazido à Terra. A Lei Judaica não é a lei do homem, nem a lei de Moshé, mas a Lei de D’us. Por isso o Talmud repetidamente ensina que a Lei Judaica somente pode ser derivada dos Cinco Livros da Torá – que foram escritos pessoalmente por D’us – e não derivam dos Livros dos Profetas (Nevi’im) nem dos Escritos (Ketuvim), que, apesar de serem um produto da inspiração Divina, foram escritas pelos profetas – e não pelo CRIADOR.

Apesar de ser verdade que D’us deu permissão aos Sábios para instituir decretos que fortalecem a observância da Torá e leis que celebram eventos de importância nacional que ocorreram após sua entrega, nenhum ser humano, nem mesmo Moshé, tem o poder de agregar nem de subtrair nada de seus 613 mandamentos. Fazê-lo seria impor a vontade de alguém sobre a Vontade do CRIADOR, ou pior, negar a Origem Divina da Torá.

A busca pela verdade

Como a verdadeira religião tem que estar calcada em fatos e não na fé, por definição tem também que ser a busca da verdade. A fé cega não é religião; é credulidade, e pode levar à idolatria. Ao mesmo tempo, quando se busca a verdade, não se deve pedir da religião mais do que se exige dos campos seculares de estudo – ou seja, deve-se buscar evidências sólidas, não provas absolutas.

O próprio conceito de prova absoluta é meramente teórico. Na prática, não existe, nunca existiu e nunca existirá. Não podemos ter certeza absoluta de nada.

Qualquer cientista honesto admitirá que o conhecimento humano é extraordinariamente limitado: sabemos muito pouco sobre muito pouco. À medida que aumenta o conhecimento humano, percebemos que estávamos enganados, por muito tempo, sobre muitas coisas. E ainda mais, percebemos que há exceções para cada uma das leis científicas.

Mas ainda que todo o nosso conhecimento fosse preciso e imutável, ainda assim não teríamos certeza sobre nada, pois não podemos ter certeza nem de que o mundo seja real – e não meramente uma ilusão. Talvez nem estejamos vivendo os eventos de nossas vidas; talvez tudo seja meramente um sonho. Talvez a história coletiva do mundo seja produto do sonho de um homem. Talvez não existamos – talvez sejamos meros produtos da imaginação do CRIADOR… Portanto, não podemos passar batido: nada é líquido e certo. Algumas pessoas questionam se D’us existe, outras se o mundo e eles próprios existem…

Mas, supondo-se que o mundo não seja uma grande ilusão, como podemos ter certeza de que nossa visão das coisas está correta? Como saber que a História que nos ensinaram nas escolas e faculdades não é um monte de invenções? Nenhum de nós estava vivo e presente para testemunhar os eventos descritos nos livros de História. Contudo, acreditamos em tantas coisas cuja veracidade não podemos comprovar. Portanto, a fé não se limita ao domínio da religião; ela é empregada cada vez que um ser humano aceita algo como verdade ainda que não possa pessoalmente corroborar sua veracidade. Quer saibamos ou não, sempre usamos a fé – no colégio, quando lemos um jornal ou quando assistimos as notícias pela televisão.

A fé, no entanto, tem que se basear, em alguma medida, em fatos. Ter fé não significa aceitar que tudo que nos dizem e ensinam é verdade. Muitos acreditam que ser religioso significa ser dogmático. Isso obviamente não se aplica ao judaísmo. A Torá estimula o homem a estudar ao máximo, a fazer perguntas difíceis e a buscar respostas para as mesmas.

O Talmud, que elucida os Cinco Livros da Torá, e que é o pilar da Lei e Sabedoria Judaica, é um livro de perguntas e respostas – uma busca pela verdade, contínua e intelectualmente rigorosa. Mas o judaísmo também espera que sejamos razoáveis – que aceitemos como verdade aquilo que é altamente provável, e que compensemos a falta de prova absoluta mediante o emprego de uma medida de fé. O judaísmo não define a fé como a crença no ilógico ou no impossível. A fé é propriamente exercida quando se acredita em coisas sobre as quais podemos estar razoavelmente certos.

Fatos e falsidades

Como não existe a prova absoluta, como podemos distinguir os fatos das coisas inventadas?

Imagine o seguinte cenário: um jornalista publica um artigo no jornal no qual afirma que o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 não ocorreu. Ele alega que as Torres Gêmeas nunca foram atacadas por aviões, mas foram dinamitadas pelo Governo Americano, que engendrou toda a história sobre os ataques terroristas para galvanizar o povo americano e obter o apoio necessário para declarar guerra contra o Afeganistão e o Iraque.

Será que as pessoas acreditariam nesse artigo? Em caso negativo, por que não? Não é de todo impossível que as imagens que o mundo viu pela TV fossem ficção. Talvez fossem produzidas por um talentoso diretor, e o Governo americano tivesse subornado todas as estações de TV do país para transmitir aquelas imagens para que o mundo todo acreditasse que seu país tivesse sofrido um grande ataque terrorista.

A razão para que a maioria de nós não acreditássemos num artigo desses – por melhor argumentada que fosse a teoria de conspiração – é que milhares de pessoas estavam presente na cena, no momento, e testemunharam, ao vivo, os aviões colidindo com as Torres. Teriam todos eles conspirado com o Governo para mentir sobre o acontecido? Teria o Governo conseguido localizar cada uma das testemunhas oculares para persuadi-las a se juntarem à conspiração? E os parentes das vítimas? E se os atos terroristas de 11 de setembro foram uma mentira, porque hoje, mais de 10 anos depois da queda das Torres Gêmeas, ninguém ainda apareceu para contar a verdade?

Qualquer editora pagaria uma fábula pelo relato verdadeiro do ocorrido naquele dia. E mesmo se ninguém tivesse vontade ou coragem de trazer publicamente a verdade à tona, bastaria que uma pessoa deixasse vazar a verdade. Quando milhares de pessoas estão envolvidas em uma conspiração, é apenas questão de tempo até que alguém, por uma razão qualquer, decida entregar a verdade.

Uma pessoa pode mentir sobre uma questão privada – algo que ocorreu quando não havia ninguém por perto e que, portanto, não pode ser comprovado nem negado – e os demais podem optar por acreditar ou não nela. De igual maneira, um grupo de pessoas que se conhecem podem inventar uma história e, enquanto esta for convincente e não houver discrepâncias significativas entre os relatos de cada uma delas, poderão convencer muitos outros de sua veracidade.

No entanto, é muito difícil mentir acerca de um evento que envolveu milhares de pessoas. O que dizer então de milhões de pessoas, especialmente quando há testemunhas independentes a corroborar o que houve e o que não houve?

Exemplificando: se alguém alega ter visto uma nave espacial alienígena, as pessoas podem acreditar ou não. Mas se um jornalista escrever que uma nave alienígena aterrissou nas areias de Copacabana nas comemorações do Réveillon de 2015, diante dos olhos das 2 milhões de pessoas que lá estavam presentes, seu artigo seria considerado uma piada ou uma obra de ficção. Por outro lado, quando muitas pessoas – que nunca se encontraram e nunca se comunicaram – relatam a mesmíssima história, não importa quão inacreditável a história seja; é muito difícil pensar que seja uma invenção. Pois, se aquela gente toda não se conhecia, nunca se falou nem nunca se comunicou – como e quando poderiam ter maquinado a mesmíssima mentira?

A corroboração de testemunhas oculares é, portanto, nosso critério mais confiável para apurar a verdade acerca de um evento. Isso se aplica a qualquer evento histórico – quer tenha acontecido há um dia, meio século ou três milênios atrás. Por exemplo, a grande maioria dos judeus vivos, hoje em dia, não viveu o Holocausto, mas há esmagadoras evidências que corroboram sua veracidade.

Como o Holocausto envolveu milhões de pessoas – um número incontável de sobreviventes que nunca se encontraram ou se falaram, mas que contaram histórias tristemente semelhantes – é praticamente impossível que tenha sido uma invenção. Mesmo se a Alemanha e o restante do mundo negassem o Holocausto, nós, judeus, saberíamos que essa tragédia ocorreu, pois nós não tomamos conhecimento da barbárie, pela primeira vez, através de um livro ou de visita a um museu. Contaram-nos em casa, quando pequenos. Muitos de nós somos filhos e netos de sobreviventes, ou no mínimo conhecemos judeus que sobreviveram ao inferno do Holocausto. Assim como nossos pais e avós nos contaram sobre o assassinato dos seis milhões, nós, também, iremos ensinar aos nossos filhos e netos sobre a barbárie. Talvez haja pais judeus que, por uma razão qualquer, não queiram contar aos filhos sobre o Holocausto. Mas é praticamente impossível que um evento dessa magnitude, e que envolveu tanta gente, não seja lembrado e transmitido por uma geração inteira de judeus e que seja, portanto, esquecido.

Mas e se alguém fizesse alegações que não negassem nem menosprezassem o Holocausto, mas exagerassem o ocorrido? E se, por exemplo, um historiador escrevesse um livro alegando que durante a 2ª Guerra Mundial, os judeus que viviam nos Estados Unidos também tivessem sido mandados aos campos de extermínio? Nós acreditaríamos nele? Certamente, não. E seria fácil refutar suas alegações. Pois se os judeus americanos tivessem sido enviados aos campos durante a 2ª Guerra Mundial, os sobreviventes teriam contado os horrores a seus filhos. Se os judeus que viviam nos Estados Unidos durante a Guerra considerassem absurdas as alegações do historiador, saberíamos que são falsas. E mesmo se nenhum deles estivesse vivo para refutar essas alegações, o que teríamos que fazer para verificar a verdade seria colher o testemunho de seus filhos ou netos. Tivessem seus pais sido perseguidos ou estado em campos de concentração, eles o teriam testemunhado, ou no mínimo, ouvido falar disso.

Daqui a uma geração talvez já não haja sobreviventes vivos do Holocausto. Nossos filhos e netos talvez não possam mais ouvir os testemunhos orais dos sobreviventes, mas eles poderão conhecer o Holocausto através dos filhos e netos dos sobreviventes. Assim como temos certeza de que a geração que viveu o Holocausto não nos mentiu, nossos descendentes podem estar certos de que não mentiremos para eles. Um indivíduo e mesmo um grupo seleto de pessoas pode fabricar uma história e convencer o mundo todo de sua veracidade. Mas é muito difícil, impossível, talvez, que uma geração inteira invente uma história, concorde em mentir a seus filhos e garanta que a verdade nunca venha à tona.

A Revelação no Monte Sinai: fato ou mito?

À luz do que discutimos acima, é evidente que a Revelação Divina no Sinai foi necessária e a razão para ser o fundamento do judaísmo.

Se D’us apenas SE tivesse revelado a Moshé, como no episódio da sarça ardente, isso seria um evento privado – algo que não poderia ser comprovado nem refutado. E ainda que um grupo seleto de pessoas testemunhasse que tivessem estado presentes quando D’us SE revelou a Moshé, isso não significaria que nós teríamos que crer em seu testemunho, pois é possível que um grupo pequeno de conhecidos pudesse maquinar uma mentira e evitar que a verdade viesse a público.

No entanto, quando um evento ocorre diante de uma multidão, sua veracidade se torna muito mais difícil de ser negada. Entre os três milhões de judeus que estiveram no deserto, havia muitíssimos que não se conheciam e que nunca haviam falado entre si. Indo mais além, como relata a Torá, a geração que deixou o Egito rebelou-se com frequência contra Moshé. Seria possível que todos eles se tivessem unido para engendrar uma mentira? E se Moshé, sozinho, tivesse inventado essa história sobre a Revelação Divina – como teria conseguido convencer todos os judeus a segui-lo? De alguma maneira, apesar de toda a desunião e rebeldia dos judeus do deserto, apresentou-se apenas uma Torá. A versão do que ocorreu no Sinai é uma e única.

Mas mesmo se os três milhões de judeus fossem totalmente submissos a Moshé e tivessem concordado com suas, digamos, maquinações, como se explica que ninguém se tenha entregado e dito a verdade, especialmente após sua morte? Por que os judeus no deserto não contaram a seus filhos que o relato da Revelação Divina tinha sido inventado e que eles, portanto, não tinham que se preocupar em seguir as Leis da Torá? Se mesmo uma minoria deles tivesse dito a seus filhos que o relato da Revelação Divina era mera lenda, a verdade teria vindo à tona, mais cedo ou mais tarde.

Mas, no entanto, durante mais de 3.000 anos desde que a Torá foi escrita, ninguém, nem mesmo os ateus ou os que criticam a Bíblia, alegaram que haja uma tradição entre os judeus de que Moshé tenha inventado a história sobre a Revelação Divina e tenha forçado os judeus a dar continuidade à mesma. A razão para tal, como vimos acima, é que é muito difícil mentir sobre um evento público que envolveu milhões de pessoas. Se tal evento nunca ocorreu, é quase impossível convencer as pessoas de sua ocorrência. Mas por outro lado, tendo ocorrido, é quase impossível negar sua veracidade.

A título de discussão, suponhamos que a Revelação Divina no Sinai seja ficção, e não um fato. Se tal fosse o caso, haveria duas possibilidades de como chegou a ser aceita como verdade histórica pelo Povo Judeu.

A primeira é que o relato tivesse sido inventado pelos judeus no deserto. Ou os judeus inventaram a história ou Moshé o fez e todos os 3 milhões lá presentes pactuaram em manter a mentira ao ponto de transmiti-la a todos os seus descendentes. A segunda possibilidade é a de que a Torá tivesse sido dada, de alguma forma, ao Povo Judeu, algum tempo depois que os judeus se tivessem estabelecido na Terra de Israel, e que, com o passar dos anos, tivesse sido aceita como teológica e historicamente precisa.

Analisemos a primeira hipótese. Teriam todos os judeus concordado em contar a mesmíssima história, da mesmíssima forma? Por que é que ninguém fez da sua própria maneira, escrevendo sua própria Torá – uma que levasse seu próprio nome e não o de Moshé? E se todos os judeus conspirassem para contar uma mentira, será possível que ninguém deixasse escapar a verdade? Será que os judeus todos mentiram a seus filhos, contando-lhes que D’us SE revelara a eles quando na realidade ELE não o havia feito?

Consideremos o segundo cenário hipotético: alguns séculos após o estabelecimento dos judeus na Terra de Israel, a Torá é difundida entre a população e é bem aceita – os judeus creem em seus relatos, inclusive no maior de todos, o da Revelação Divina no Sinai. Mas, se assim fosse, não seria o caso de os judeus se perguntarem: “Por que meus pais e avós nunca me falaram desses eventos tão extraordinários?”

Exemplificando por que esta teoria é insustentável: suponhamos que um pergaminho religioso fosse escavado hoje, em Israel, e que nele constasse um relato de que após a construção do Templo Sagrado de Jerusalém pelo Rei Salomão, tivesse havido uma segunda Revelação Divina: D’us aparecera a todo o povo e lhes havia dado outros 100 mandamentos. Será que nós acreditaríamos na veracidade histórica desse relato? A maioria de nós não acreditaria, porque não há menção dessa ocorrência na tradição judaica: nunca a ouvimos de nossos pais, nem eles a ouviram dos seus pais, e assim por diante. Se um evento de tal magnitude tivesse ocorrido ao longo da História Judaica, certamente teria sido transmitido de geração em geração.

Consideremos: há pouco mais de dois milênios, um pequeno frasco de óleo que deveria ter queimado por um dia ardeu durante oito dias. Nos últimos dois mil anos, essa história tem sido recontada de geração em geração. Nos últimos dois mil anos, os judeus de todo o mundo vêm acendendo as velas de Chanucá e contando os milagres do óleo. Seria concebível que uma explícita Revelação Divina – que é muito mais grandiosa do que o milagre de Chanucá – tivesse sido esquecida e “relembrada” gerações mais tarde, quando não mais fosse possível corroborar o que de fato ocorreu no Monte Sinai?

As alegações de um evento monumental, tal como a aparição de D’us perante todo o Povo Judeu, não pode ser inventada nem aceita como verdadeira a menos que haja uma tradição de que tenha mesmo acontecido. Não é concebível que os judeus acreditassem no relato da Torá acerca da Revelação Divina no Sinai, a menos que o tivessem escutado de seus pais e avós, ao longo de sua vida. Assim sendo, a única possibilidade real da Revelação Divina no Sinai ter sido lenda é se Moshé e toda aquela geração que ele conduziu tivessem podido engendrar essa incrível história e convencer a geração seguinte de sua real ocorrência.

De fato, o argumento que empregamos para refutar a hipótese de que a Torá, de alguma forma, surgiu em meio ao Povo Judeu e foi aceita como a Verdade nem mesmo é necessário, pela seguinte razão: até mesmo os críticos da Bíblia estão de acordo em que o Livro de Yehoshua (Josué), que faz clara referência à Torá e a Moshé, foi escrito no mais tardar um século após a entrada dos judeus na Terra de Israel. Mesmo esses críticos foram forçados a admitir que, quando muito, uma geração se passou entre a entrada dos judeus na Terra e a composição do Livro de Yehoshua. Isso significa que a Torá não poderia ser um texto que foi entregue ao Povo Judeu um século ou mais após sua chegada a Eretz Israel.

Assim sendo, a primeira geração de judeus que leu a Torá não teve que ficar imaginando se seus relatos eram fato ou ficção, ou se eles tinham sido precisamente transmitidos de geração em geração. Para corroborar se a Torá era historicamente precisa, bastava eles perguntarem a seus anciãos. E ainda que nenhum mais dos que tinham testemunhado a Revelação Divina estivesse vivo, seus filhos e os filhos de seus filhos, estariam. Eles não tinham estado presentes quando D’us SE revelara no Sinai, mas tinham ouvido aquele relato em primeira mão. E, portanto, a única possibilidade de tudo aquilo ser uma lenda era se toda aquela geração de judeus conduzida para fora do Egito por Moshé tivesse mentido a seus descendentes.

Mas, será possível que os judeus tenham engendrado toda essa história e mentido a seus descendentes? Será possível que a Torá seja um livro de mitos que os judeus, por uma razão qualquer, tenham aceitado como a sua Verdade? Será possível que houve, realmente, uma grande conspiração no deserto? Será possível que o povo pensou ter testemunhado uma Revelação Divina, mas que tudo não tenha passado de uma ilusão?

 

Exploraremos essas questões no segundo artigo:

A AUTORIA DA TORÁ

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