Bnei Noach

Os 13 Princípios da Fé Noaítica, o cristianismo e o islamismo

A Fé Original: Noaismo.info

O Site Bnei Noach

 

B”H

 

Os 13 Princípios da Fé Noaítica, o cristianismo e o islamismo

 

 

Porque cristãos e maometistas (muçulmanos) não são Bnei Noach

A vida noaítica (i.e., a vida do noaíta (dos Benêi Nôach/Filhos de Noá)) é totalmente distinta da vida judaica. Ainda assim, a Fé Noaítica é idêntica à Fé Judaica, pois, na verdade, trata-se da mesma Fé, a Fé em Hashém e na Sua Eterna Torá.
Os 13 Princípios da Fé do Judaísmo identificam aqueles que são judeus de fato. Os 13 Princípios da Fé do Judaísmo também servem para identificar aqueles que são Bnei Noach de fato.

 

Por Chaim Szwertszarf e Rosa Szwertszarf

 

QUEM É JUDEU [E QUEM É BEN NOACH (NOAÍTA)] de acordo com Rabi Maimônides

Você é JUDEU? [Você é BEN NOACH (NOAÍTA)]?
Consulte o Rabi Maimônides

 

(Por Rosa Szwertszarf)

 

Maimônides – Rabi Moisés ben Maimon, conhecido também como Rambám (1135-1204), viveu numa época de glórias dos árabes que impunham aos povos conquistados a religião islâmica, proibindo entre outras, as religiões judaica e cristã. Diferentemente da inquisição, não se importavam com a fé praticada nos lares, cujo interior consideravam sagrado, contanto que os judeus assumissem publicamente o islamismo. Para fugir às perseguições, comunidades [judaicas] inteiras adotaram publicamente o islamismo continuando a professar o judaísmo em casa. Isso gerou sérios conflitos pessoais e atritos com os que não se submetiam à conversão pública. Influenciados pela cultura islâmica, convertidos começaram a aceitar a idéia de que, na realidade, não havia grande diferença entre o judaísmo e o islamismo, podendo-se ser “judeu” e maometano ao mesmo tempo. Para esses, Maimônides formulou os 13 princípios básicos que definem e caracterizam a religião judaica [e consequentemente a doutrina noaítica] e, nos quais, um judeu [e também um noaíta] devem acreditar. Os 13 princípios são:

 

1. D’us existe;

2. D’us é único no absoluto sentido da palavra. Não só D’us existe, e não só ELE é O CRIADOR mas ELE é O ÚNICO CRIADOR;

3. D’us é incorpóreo. D’us não possui corpo. D’us não possui forma. Não podemos descrevê-LO nem definí-LO com a nossa linguagem;

4. D’us é eterno, sem princípio nem fim. ELE não é uma entidade criada;

5. não existem outros deuses (é a ELE e a mais ninguém que se deve adorar). ELE é O ÚNICO que criou e conduz o mundo, e portanto, O ÚNICO que tem poder de intervir na nossa existência [(e em qualquer existência)] e consequentemente é O ÚNICO a Quem devemos dirigir as nossas preces;

6. existe a profecia autêntica;

7. Moisés é o maior profeta, não houve antes dele, nem haverá depois quem o iguale;

8. a Torá, conforme nós a conhecemos (tanto a escrita quanto a oral), foi dada por D’us a Moisés e por ele transmitida até as nossas gerações. Moisés recebeu diretamente de D’us, no monte Sinai, duas Toroth: uma escrita e a outra oral;

9. a Torá é imutável;

10. D’us sabe tudo a nosso respeito: ações e pensamentos;

11. existe o princípio de compensação e castigo;

12. o mashíach (o verdadeiro messias) virá, e embora demore, sua vinda deve ser aguardada diariamente;

e, 13. existe o princípio da ressurreição.

 

(Por Chaim Szwertszarf)

 

Rabi Maimônides estabeleceu os 13 princípios como definição válida de judeu [e também de noaíta], como uma maneira segura de identificação do povo judeu [e também dos Bnei Noach].
Os princípios escolhidos eliminam, sucessivamente, as outras religiões que não aceitam a verdade de um ou outro princípio estabelecido.
Assim, o primeiro princípio, que proclama a existência de D’us, elimina todos os ateus.
O segundo princípio elimina todos que acreditam na existência de mais de Um D’us, ou que D’us não é uma unidade absoluta (exemplo, a trindade).
O terceiro princípio elimina a antropomorfia (i.e., que D’us tem corpo).
O quarto princípio elimina aqueles que afirmam que a matéria é eterna.
O quinto elimina todos aqueles que se dirigem às criações como se elas estivessem investidas de poderes de decisão, pois todas elas só podem seguir o destino (caminho) que lhes foi designado.
O sexto elimina os que não acreditam em profecia, elemento fundamental da religião, ou que nem sempre a profecia é verdadeira. De acordo com esse princípio, o profeta fala SEMPRE verdade.
O sétimo elimina aqueles que reconhecem outro profeta completo e máximo, além de Moisés (exemplo, Jesus (Yeshua), Maomé, etc).
O oitavo elimina os críticos que acham que a Torá (Pentateuco) não foi escrita por Moisés, mas que é obra posterior, escrita por diversos autores.
O nono elimina todas as novas mensagens que pretendem substituir ou acrescentar ou diminuir do que está escrito no Pentateuco (exemplo, o Novo testamento, o Coran, etc).
O décimo elimina os que, embora acreditem na existência de D’us, acham que D’us não tem mais contato com suas criaturas.
O décimo primeiro elimina aqueles que acham que não existe justiça Divina. As coisas acontecem naturalmente.
O décimo segundo elimina aqueles que dizem que o Messias já se revelou em absoluto.
O décimo terceiro elimina aqueles que não acreditam na ressurreição dos mortos.

É INTERESSANTE NOTAR QUE OS 13 PRINCÍPIOS QUE DEFINEM O JUDEU [E TAMBÉM O NOAÍTA] NÃO FALAM EM PRATICAR OS MANDAMENTOS MAS, SÓ SE REFEREM A IDÉIAS, QUE DEPENDEM EXCLUSIVAMENTE DA FÉ. E MAIMÔNIDES CONCLUI QUE O PROBLEMA DO CUMPRIMENTO DOS MANDAMENTOS É DO LIVRE ARBÍTRIO DE CADA JUDEU [E TAMBÉM DE CADA NOAÍTA], I.E., O QUE O JUDEU ESCOLHE FAZER NÃO MUDA O SEU JUDAÍSMO, ELE CONTINUA A SER JUDEU[, E TAMBÉM O QUE O NOAÍTA ESCOLHE FAZER NÃO MUDA O SEU NOAÍSMO, ELE CONTINUA A SER NOAÍTA].
SE O NASCIDO DE MÃE JUDIA RESOLVE ADOTAR QUALQUER OUTRO SÍMBOLO QUE O IDENTIFIQUE COMO PERTENCENTE AO POVO JUDEU, MAS NÃO TEM FÉ EM QUALQUER DOS 13 PRINCÍPIOS, BASTA QUE NÃO ACEITE UM DELES, ESSA PESSOA PODE SER MUITO SIMPÁTICA E, ATÉ, GRANDE CONTRIBUINTE E BENFEITOR DAS CAUSAS JUDAICAS, MAS ISSO NÃO FAZ DELE JUDEU. [ASSIM TAMBÉM AQUELE QUE ASSUME AS SETE LEIS NOAÍTICAS (DE NOACH), MAS NÃO TEM FÉ EM QUALQUER DOS 13 PRINCÍPIOS, BASTA QUE NÃO ACEITE UM DELES, ESSA PESSOA PODE SER BONDOSA, GENEROSA, HONESTA, ETC, MAS ISSO NÃO FAZ DELA NOAÍTA.] É NECESSÁRIO ACREDITAR COM PERFEITA FÉ NOS 13 PRINCÍPIOS QUE SÃO EXCLUDENTES. A AÇÃO, A PRÁTICA RIGOROSA DA HALACHÁ (LEI JUDAICA) [PARA O JUDEU, OU ENTÃO DAS SETE LEIS NOAÍTICAS PARA O NOAÍTA,] NÃO O TRANSFORMA EM JUDEU [OU ENTÃO EM NOAÍTA] SE ELE DEIXAR DE ACREDITAR EM UM DOS 13 PRINCÍPIOS.
O IMPORTANTE NÃO É A PRÁTICA, ISSO É UM PROBLEMA DE CADA UM QUE COLHERÁ OS FRUTOS DA JUSTIÇA DIVINA MAS SIM, A CONVICÇÃO. NÃO É O CONHECIMENTO DA VERACIDADE DO JUDAÍSMO MAS SIM A FÉ.
IDENTIDADE É UMA QUESTÃO DE SENTIR UMA VERDADE, DE TER FÉ NESSA VERDADE.
PARA SER IDENTIFICADO COMO JUDEU [OU ENTÃO COMO NOAÍTA] TEM SE QUE TER FÉ PERFEITA.

 

[(Nota adicional do site Noaismo.info:

Apenas para reforçar a questão acima tratada, da diferença entre fé e a prática das mitsvót, o Rabi Marc D. Angel explica similarmente:

“Os judeus não deixam de ser judeus se violam a Halachá – o código de leis do judaísmo.”

“A Halachá reconhece como judeu aquele que nasce judeu (que nasce de mãe judia), quer observe ou não as mitsvot.”    )]

 

Rabi Maimônides formulou e anunciou os 13 princípios básicos para definirem, incluirem e excluirem uma pessoa no rol de judeu [e também de noaíta]. Ele afirma: 

Basta não acreditar em um dos princípios enumerados, para que a pessoa não esteja mais incluída na Comunidade [Judaica, ou então entre os Bnei Noach]. Porém se acreditar em TODOS os 13 princípios, e a pessoa venha a transgredir os Mandamentos, ele é judeu [ou então noaíta] para os efeitos aqui mencionados, só que um judeu [ou então um noaíta] pecador e terá que prestar contas.
[No Judaísmo,] as consequências de quem não aceita os 13 princípios são muito graves e são pomo de discórdia no seio da Comunidade. Os responsáveis devem se preocupar com esse problema. Pois a pessoa que não aceita os princípios, está excluído, de acordo com a Halachá, da identidade judaica e por conseguinte da religião.

Explanações sobre alguns dos 13 princípios.

– Sexto princípio.

Como reconhecer um Profeta

Ele deve: ser um Tsadíc (Justo), um sábio na Torá, dominar os seus impulsos em cada instante em todos os casos e situações, e, cujo comportamento é extremamente refinado.
O Profeta não pode declarar que a mensagem que D’us mandou, por seu intermédio, é para anular qualquer um dos mandamentos da Torá, pois isto é profecia falsa e, o Profeta, portanto, é falso.
O Profeta deve ser solicitado pelas lideranças, como teste, para predizer uma série de acontecimentos futuros, E TODOS devem acontecer.
Esses eventos que o Profeta prediz devem se referir a coisas boas, porque profecias ruins podem não acontecer, já que o ruim só acontece como castigo e, basta que haja arrependimento, e a profecia não se realizará, por isso, não é um meio seguro para se confirmar se é um verdadeiro ou falso Profeta. Como aconteceu com Jonas, no caso de Ninvé.

A profecia

A função básica da profecia é ensinar os mandamentos de D’us, seja para tirar dúvidas, seja para recriminar os que não seguem o caminho dos Justos.
O sexto princípio de Maimônides, existe a profecia autêntica, se lê assim: “eu acredito, em perfeita fé, que todas as palavras dos profetas são verdadeiras”. E deve ser entendido como:
1. todos os nossos [(dos judeus)] Profetas são verdadeiros;
2. todos os ensinamentos e pronunciamentos que constam na Bíblia [Judaica, Tanách,] são verdadeiras profecias.

 

– Sétimo princípio.

Nos “13 princípios”, o sétimo se lê assim: eu acredito em perfeita fé que a profecia de Moisés, foi verdadeira (real) e que ele é o primeiro (o maior) de todos os profetas (tanto) os que o antecederam como os que o seguiram.
Ao se declarar que a profecia de Moisés é verdadeira e, portanto, Moisés um verdadeiro Profeta, implica que a Torá escrita e a Torá verbal são todas verdadeiras, já que todas nos foram profetizadas por um único e mesmo Profeta: Moisés.
Ao se afirmar que Moisés foi o primeiro (principal) Profeta – implica que Moisés alcançou o estágio mais alto que um ser humano pode alcançar. Essa observação é de Maimônides que diz ter Moisés alcançado o estágio de anjo. Só um véu não o permitiu ver a essência Divina. Esse véu existiu porque, ele, Moisés, era de carne e osso. Não era uma falha voluntária mas estrutural.
Em outras palavras, significa que nenhum ser vivo pode subir mais alto, em santidade, que Moisés. E ninguém podia entender melhor as profecias que ele. Se por hipótese aparecesse um Profeta igual a Moisés, não poderia saber mais que Moisés. Se esse hipotético Profeta fizesse declarações proféticas, só podiam ser iguais ao que Moisés falou. Caso contrário seria um falso Profeta.
Isto está implícito em:
que Moisés foi o primeiro (principal) dos Profetas que viriam antes dele ou depois dele.
Assim, a afirmação do sétimo princípio diz que acreditamos que ninguém tem autoridade para desmentir ou alterar a (torah moshe) Torá de Moisés, sob pena de ser considerado um falso Profeta.

 

– Oitavo princípio.

Maimônides enumerou os [13] princípios que determinam quando um judeu [ou então um noaíta] pode ser definido como tal.
No princípio anterior (o 7° princípio), demonstramos a importância de se reconhecer em Moisés o Profeta verdadeiro. A consequência é que a Torá também é verdadeira, “in totum”, por ser uma profecia de um Profeta verdadeiro. Assim, estaria implícito no sétimo princípio o reconhecimento de que a Torá foi dada por D’us (Torá min hashamáyim). Maimônides, no entanto, amplia esse conceito através do oitavo princípio. Considero este princípio de muita importância e muito atual, numa época em que há tantos intérpretes do significado do judaísmo, por isso, acho importante e esclarecedora a transcrição literal das palavras de Maimônides.
“Oitavo princípio, heiót hatorá min hashamáyim, ser a Torá outorgada por D’us. Nós acreditamos que a Torá completa que se encontra, no presente, em nossas mãos, foi-nos dada através de Moisés Rabênu, e que é inteiramente a palavra de D’us. Moisés tinha plena consciência de estar recebendo a Torá de D’us e que ele só devia funcionar como um “escriba” (secretário) a quem se dita e ele transcreve os acontecimentos, as narrativas e os Mandamentos. Por isso ele é chamado o Mechokék, o escriba.
Todas as palavras [registradas na Torá] são a palavra de D’us e tudo é a Torá perfeita, completa, pura, santa e verdadeira.
Aquele que afirma que [uma única palavra, ou algumas, ou todas] as palavras ou narrativas foram escritas por Moisés, por sua própria iniciativa, é considerado por nossos Sábios e nossos Profetas como o pior dos apóstatas.”
Para resumir: hatorá min hashamáyim (i.e., que foi D’us QUEM deu a Torá) é um dos princípios básicos. O descrente desse princípio está sujeito a ser excluído do seio do judaísmo.
Basta que alguém duvide de uma única palavra da Torá, como não sendo de origem Divina, para ser equiparado a quem nega a Torá toda, com todas as consequências daí provenientes.
O oitavo princípio vem alertar que não é suficiente acreditar que Moisés foi Profeta e que as profecias dele são verdadeiras. É só duvidar em que a Torá que se encontra atualmente conosco é toda ela uma profecia única transmitida a Moisés por D’us para que a pessoa seja considerada apóstata.
Maimônides, em sua obra Mishnê Torá, codifica: aquele que, publicamente, nega a origem Divina (sinaítica) da Lei Oral é igual a qualquer outro apikoros.
Maimônides nos transmite o seu recado:
a) judeu [ou então noaíta] é aquele que aceita [toda] a Torá como sendo de origem Divina
b) a Torá se compõe da Lei Escrita e da Lei Oral e
c) quem não aceita esse princípio não faz parte da comunidade judaica [ou então dos Bnei Noach].

 

– Nono princípio.

Os [13] princípios formam a base da fé judaica [e noaica]. São princípios gerais que são válidos para todos aqueles que aceitam o monoteísmo.
Onde Maimônides inicia a singularizar a fé judaica [e noaica] é no oitavo princípio que proclama e demonstra que a Torá (escrita e oral) é a palavra de D’us transmitida a Moisés para ser ensinada ao povo de Israel [e também aos Bnei Noach].
Aceitar a Torá como a palavra Divina é suficiente para caracterizar o judeu [ou então o noaíta]? Não.
O que define a fé judaica [e noaica] é a imutabilidade da Torá.
Não é suficiente aceitar Moisés como Profeta mas sim como o maior Profeta, e não é suficiente aceitar a Torá como sendo min hashamáyim (dada por D’us), é preciso aceitar a sua imutabilidade.
Tudo o que está escrito na Torá (na escrita e na oral) deve ser seguido como sendo o mandamento de D’us. Portanto, a palavra da Torá é definitiva. Essa afirmação é genuinamente judaica.
Se um Profeta declarar que D’us o encarregou de ab-rogar, modificar, anular, acrescentar ou diminuir qualquer coisa seja da Torá escrita ou da Torá oral, deve ser considerado como falso Profeta e condenado à morte, ainda que tenha provocado milagres em outras oportunidades. Como exemplo Maimônides cita: na Torá está escrito que quando se penalizar o criminoso, deve se aplicar o princípio de “olho por olho e dente por dente”. Essa expressão foi interpretada por nossos sábios na Torá Oral, como significando multá-lo, em dinheiro, o equivalente ao prejuízo causado, pela incapacitação do indivíduo, devido a perda de um olho ou de um dente. Se algum Profeta insistir que D’us lhe afirmou, numa visão profética, que essa sentença deve ser entendida literalmente, i.e., arrancar um olho ou um dente do criminoso, ele é um falso Profeta e deverá ser punido com a morte.
De uma certa maneira, quando se trata da Torá Oral, que é a parte do Talmud e onde as leis e procedimentos são referidos aos rabinos pode haver alguma hesitação quanto à sua imutabilidade. Por isso é conveniente trazer alguns versículos que reforçam esse princípio em sua relação à Torá Oral.
Deuteronômio 17:8, 9, 10 e 11 fala longamente sobre a autoridade exclusiva dos rabinos.
Nos dois últimos princípios, 8 e 9, afirma-se que a Torá (escrita e oral) é toda ela uma profecia. Como profecia ela é inteiramente verdadeira. Se verdadeira, devemos aceitá-la tal como ela é, sem argumentação, dúvidas ou contestação, porque, embora nem sempre por nós compreendida, nem por isso é menos verdadeira.

 

– Décimo segundo princípio.

A Era Messiânica
Livre arbítrio não quer dizer que a pessoa pode agir de uma maneira ou de outra apenas seguindo a sua vontade. Não. Livre arbítrio significa ter conhecimento das consequências do ato e arcar com elas.
É no conhecimento das consequências, que podemos afirmar que a escolha é livre. Essa qualidade divina só pode ser exercida por existirem o bem e o mal, a recompensa e o castigo todos eles sujeitos à leis preestabelecidas por D’us.
É evidente que D’us não iria criar as coisas que conhecemos como o mal para ter existência eterna, seja o mal representado pelo impulso que lhe dá origem, seja pelo castigo, que é o mal que o pecador sofre. Há de haver um tempo limite para a sua existência. O mal, nas estruturas de origem Divina, há de sucumbir e, em seu lugar, só o bem terá existência.
Ou seja, há de surgir um mundo perfeito. Sem a existência daquilo que conhecemos como o mal. Só o bem terá existência eterna.
Esse tempo seria os dias messiânicos.

A esperança nacional.

Ao mandar Moisés ir ao Egito de encontro à comunidade judaica para desencadear o processo liberatório e formação nacional, ele pergunta a D’us: e se me indagarem como é o nome desse D’us que te mandou (e que deverá permanecer para sempre nosso D’us nacional), qual o nome que deverei dar? – e D’us revela o nome que define em três palavras a história judaica: “eheie asher eheie”, “estive com eles nesta diáspora e permanecerei com eles nas futuras diásporas”, ou seja, é um povo que, graças à sua missão nacional, durará por todas as gerações futuras. E por essa razão, tanto na sua terra, Israel, ou na diáspora, poderá ter a sua existência ameaçada, contestada, mas jamais eliminada. A sua missão fará com que tenha uma existência eterna.
Cumprida a sua missão, o seu Messias virá para tirá-lo de todas as diásporas para que se instalem, definitivamente, na terra de Israel.
O Messias, do povo judeu, existe e só aguarda o momento oportuno para guiá-lo.
A data da vinda não pode ser revelada porque a vinda dele depende de fatores históricos e do cumprimento, antes, da missão do povo judeu [(a obrigação de ensinar a todos os povos as Shéva Mitsvót Hashém leBenêi Nôach – literalmente, “Sete Leis de Hashém para os Filhos de Noá” -, as Sete Categorias de Leis dadas pelo Próprio D’us a toda a humanidade, de modo que todos os não-judeus aceitem-nas e cumpram-nas, tornando-se assim Bnei Noach (Filhos Espirituais de Noá, patriarca não-judeu da humanidade moderna) ou Gentios Justos – não-judeus devotos de Hashém)]. Assim se verifica que essa ideia, a messiânica, é a verdadeira alma nacional, que deu e dá esperança à sobrevivência do povo judeu e ânimo para continuar com a sua missão de mensageiro da palavra Divina.

A ideia universal.

Sendo a era messiânica para todas as nações, a vinda de Mashíach, do verdadeiro Messias, é de interesse de toda a humanidade e portanto é uma esperança universal.

É um princípio que define o judaísmo [e também o noachdút (noaísmo)].

Os princípios que definem o judaísmo [e também o noachdút (noaísmo)] são três: a) que a Torá é eterna e imutável, i.e., nada pode ser diminuído nem acrescido (Torá min hashamáyim) (pois, a Torá foi dada por D’us); b) que Moisés foi o maior profeta e ninguém jamais o sobrepujará, substituirá ou igualará, em consequência, sua palavra é a final; c) que a revelação de Messias é ainda esperada.

Os tempos messiânicos por Maimônides:

“Os tempos messiânicos serão os tempos em que voltará a existir o reino em Israel e voltarão (todos os judeus) à Eretz (Terra de) Israel e este rei (Messias), será muito exaltado. … Farão a paz com ele todos os povos, e todas as nações estarão submissas a sua grande justiça e as maravilhas que se realizarão por seu intermédio. … Nada mudará na realidade (a existência) do povo judeu a não ser que a realeza voltará (ao povo de) Israel.”
Como vemos, Maimônides não somente faz questão de sublinhar que os tempos messiânicos serão historicamente (e politicamente) normais mas, principalmente, que Messias será um homem de carne e osso, um grande líder, um rei descendente da estirpe do rei Davi, e apesar de ser o homem mais poderoso do mundo, será um homem sábio, justo e santo e que exercerá sua liderança para aperfeiçoar a humanidade e assim prepará-la para o Mundo Por Vir.
Mas esse conceito de Messias não deve confundir o leitor a pensar que Maimônides apenas prevê um acontecimento político, longe disso. E por isso vejamos como Maimônides anuncia o 12° e penúltimo princípio.
“Acreditamos e afirmamos que Messias virá, e ainda que demore, esperaremos por ele.
Acreditamos que Messias será superior e terá maior eminência e prestígio do que qualquer outro rei que já reinou. Essa crença em Messias está de acordo com as profecias que dizem respeito a ele por todos os profetas desde Moisés até Malachí [Malaquias]. E aquele que duvida de sua vinda, ou que duvida de sua estatura exaltada (como rei), nega a Torá.
Incluído neste 12° princípio está que todo rei de Israel tem que ser descendente da casa de Davi e de Salomão.”

Vejamos mais algumas palavras de Maimônides sobre Messias:
“Nesses dias [messiânicos], (o cumprimento de) todos os mandamentos retornará ao seu estado inicial. Ofereceremos sacrifícios, observaremos os anos sabáticos e de jubileu, de acordo com os detalhes mencionados na Torá.
Qualquer judeu [ou então noaíta] que não acredita em Messias [(como uma pessoa real, um homem que será um rei,)] ou que não aguarda a sua vinda, nega não somente os mais essenciais ensinamentos dos profetas, mas também os da Torá e Moisés, nosso mestre.”
“O Messias não mudará nada da Torá. A Torá que temos agora, com todas as leis e mandamentos, permanecerá para sempre.”
“O Messias deve ser um indivíduo imerso no estudo da Torá e seus mandamentos; como Davi, seu ancestral, ele deve seguir ambas as Toroth, a Torá escrita e a Torá oral; conduzir todos os judeus de volta à Torá. Ele levará todos os homens a servir a D’us em unicidade.”
“Nossos sábios e profetas não ansiaram pela era messiânica com o fito de governar o mundo e dominar os não-judeus. Não desejavam que as nações os honrassem ou que pudessem [resumir a vida a apenas] comer, beber e estar alegres. Só desejavam uma coisa e, isto era, serem livres e independentes de modo que pudessem se envolver no estudo da Torá e sua sabedoria.”
“Na era messiânica não haverá guerra, nem fome. Inveja e competição deixarão de existir. A principal ocupação da humanidade será somente a busca em conhecer D’us[, Hashém, o D’us Único de Israel].”

Esta é a ideia messiânica que Maimônides nos ensina sobre Messias e a era messiânica.

Que Messias venha em breve e ainda em nossos dias.

 

Por Chaim Szwertszarf
© Chaim Szwertszarf, Setembro 1995, Rio de Janeiro – Brasil

Compilado por Noaismo.info

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O site Noaismo.info dedica este artigo a Luis Claudio Rodrigues e família, e, à elevação da alma de Janete Duarte Rodrigues.

Padrão
A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA

A Fé Original: Noaismo.info

O Site Bnei Noach

 

B”H

 

Nas palavras transliteradas, “CH” deve ser pronunciado como “rr” e “SH” como “ch”.

 

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

OS TREZE PRINCÍPIOS DE FÉ DA TORÁ (DA FÉ JUDAICA/NOAICA)

 

Os Treze Princípios de Fé Judaica do Rabi Maimônides são uma das declarações mais claras e concisas da crença judaica. São, de fato, sua pedra fundamental. Maimônides foi o maior codificador e filósofo na História Judaica. Também conhecido como Rambám (Rabênu Moshé ben Maimon), Maimônides estudou a totalidade da literatura judaica sagrada e codificou os princípios do judaísmo. O Povo Judeu aceitou esses princípios como a crença clara e inequívoca do judaísmo.

Nosso propósito aqui é apresentar e discutir brevemente cada um dos Treze Princípios de Fé de Maimônides. Esses treze enunciados são a essência da crença judaica. Ao estudá-los, aprendemos sobre o que torna único o judaísmo: aquilo no que nós, judeus, cremos; por que cremos no que cremos; e porque não é possível para o Povo Judeu adotar as crenças e práticas de outras religiões.

Os Treze Princípios de Fé da Torá

Primeiro Princípio:

“Creio com plena fé que D’us é O CRIADOR de todas as criaturas e as dirige. Só ELE fez, faz e fará tudo”.

O Primeiro Princípio de Maimônides é a crença na existência de D’us. Este é o princípio fundamental do judaísmo, o pilar de todos os demais. O judaísmo se  inicia e termina em D’us. Como escreve Maimônides: “A base fundamental e pilar da sabedoria é a compreensão de que há uma EXISTÊNCIA inicial que fez todo o restante existir”. Tudo o mais nos Céus e na terra apenas existe como resultado da realidade de SUA existência (Yad, Yesodey HaTorah 1:1).

Segundo o judaísmo, D’us é a origem, essência e vida de tudo. D’us não é apenas um conceito religioso, mas a Realidade Absoluta. O judaísmo ensina que somente D’us é real, e a existência de tudo é tênue e condicionada à Vontade d’ELE. Muitas pessoas têm certeza de sua própria existência, mas questionam a existência Divina.

O judaísmo nos ensina que a existência Divina é certa e absoluta, ao passo que a de todo o restante é questionável. Ademais, o judaísmo afirma que D’us é completamente independente de toda a Sua criação, ao passo que tudo o que existe é completa e incessantemente dependente d’ELE. Isto significa que D’us não apenas criou tudo o que existe, mas ELE também o mantém, constantemente.  Nos livros sagrados judaicos encontramos com frequência que um dos nomes de D’us é HaMakom – “O Lugar”.  A razão para essa denominação, segundo o Midrash, é que “D’us é o lugar do mundo, mas o mundo não é o lugar de D’us”. Isso significa que o mundo existe dentro de D’us, e não que há um D’us nos reinos espirituais e um universo físico que existe fora d’ELE.

A Cabalá ensina que o maior milagre de todos, possibilitado por um D’us onipotente, é que um mundo finito existe dentro d’O INFINITO sem se tornar inexistente pela infinitude.  O mandamento de acreditar em D’us é o primeiro dos Dez Mandamentos: “Eu sou HaVaYaH, teu D’us…”.

Segundo Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR é Único. Não há unicidade igual à d’ELE. Só ELE é nosso D’us; ELE sempre existiu, existe e existirá”.

A proclamação fundamental da fé judaica, que os judeus devem recitar diariamente, duas vezes ao dia, é o Shemá Israel, “Escuta, Israel! HaVaYaH é nosso D’us, HaVaYaH é um só!” (Deuteronômio, 6:4). Ao recitar o Shemá, afirmamos nossa fé em D’us e proclamamos SUA unicidade.

A unicidade Divina é um princípio central do judaísmo. A existência e a unidade de D’us andam lado a lado. O judeu que não crê na unidade absoluta de D’us, na verdade não crê em D’us, ou melhor, crê em um deus que não existe.

A unicidade de D’us é um tema complexo, muito além do escopo deste trabalho; mas é essencial observar o seguinte. Crer na unidade Divina significa não atribuir poder a nada ou ninguém a não ser a D’us. ELE é o único MESTRE do Universo. Não podemos sequer atribuir poder independente a anjos (quaisquer que sejam), muito menos a objetos inanimados, tais como  os corpos celestiais, ou a seres humanos.

Muitas religiões creem em D’us, mas também em outras forças independentes no universo, ou possuem um conceito diferente da unidade Divina. Cada nação tem seu próprio caminho (não-judaico) para chegar a D’us e sua própria maneira (não-judaica) de se relacionar com ELE. Contudo, como D’us SE revelou a todo o Povo Judeu no Monte Sinai e lhes deu a SUA Torá, ELE exige do Povo Judeu que acredite em SUA unicidade absoluta e incomparável[*.

* Mas não nos esqueçamos de que ESTE MESMO D’us, O D’us de Israel, O D’us da Torá, é O CRIADOR de todas as coisas, O ÚNICO CRIADOR de tudo, O REI do universo, que SE revelou a Adám e Chavá (Adão e Eva) e a Nôach e Naamá e sua família, dando lhes mitsvót universais. Isto é o Noaísmo. E, portanto, o Noaísmo também requer que se acredite na unicidade absoluta e incomparável de Hashém.]

 

O judaísmo ensina que a unidade de D’us não é como a de uma espécie, que engloba muitos indivíduos. Para um judeu atribuir a D’us qualquer tipo de divisão – mesmo entre as Sefirot – é pura idolatria. E este é um dos poucos pecados que um judeu não pode cometer nem ao custo de sua própria vida.

A unicidade de D’us significa que ELE é uno, singular e indivisível. Significa que ELE é a única Realidade e fonte de poder no mundo. Nada se compara a ELE, nem o anjo mais elevado nem o mais santo entre os humanos. Um judeu que questiona a unidade Divina viola o segundo dos Dez Mandamentos: “Não terás outros deuses diante de MIM” (Êxodo, 20:3).

Terceiro Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR não possui um corpo. Conceitos físicos não se aplicam a ELE.  Não há nada que se assemelhe a ELE”.

O Terceiro Princípio é que D’us não é físico, não tem corpo. Como D’us é infinito, os conceitos de fisicalidade(*) não se aplicam a ELE, em hipótese alguma, pois tudo o que é físico é, por definição, finito. O universo, por exemplo, em sua imensidão, é finito. O conceito de infinitude, portanto, apenas se aplica a D’us.

(* Aqui inclue-se a questão de gênero.)

 

É importante observar que a Torá fala, com frequência, de D’us como se ELE tivesse atributos físicos (como “os olhos de D’us”) e como se ELE tivesse reações humanas (D’us “se recorda”, ou “se zanga”). Quando se refere a D’us, a Torá emprega metáforas para que até mesmo uma criança possa relacionar-se com seus ensinamentos. Se, em vez de dizer, “D’us se zangou”, a Torá dissesse que “o Atributo de Guevurá Divina foi despertado”, muitos de nós não entenderíamos o que a Torá estava a nos transmitir.

Podemos perguntar: “Se D’us  é Onipotente, o que O impede  de assumir forma física ou humana?” (*) Na verdade, o princípio de que a fisicalidade não se aplica a D’us parece desafiar o conceito de que D’us é onipotente. Diante de tais paradoxos, devemos ter em mente que, pelo fato de D’us estar acima de quaisquer limitações, não podemos empregar a lógica humana para  O entender. Isso não significa que a crença em D’us é ilógica. Significa que como um ser finito não pode entender O INFINITO, tudo o que podemos conhecer acerca de D’us é o que ELE nos fez conhecer através de SUA Torá. Quanto a questionar  se D’us pode assumir forma física ou humana, isso não é nada diferente do que perguntar se D’us pode cometer suicídio ou criar uma divindade mais forte do que ELE ou mesmo uma pedra que ELE mesmo não consiga levantar. Esses paradoxos não se aplicam a uma EXISTÊNCIA Onipotente e, de fato, são insolúveis e intermináveis. Considerem o seguinte: como D’us é Onipotente, ELE pode, sim, criar uma pedra que ELE PRÓPRIO não consiga levantar, mas, como ELE é Onipotente, após ter criado essa tal pedra, ele consegue levantá-la.

(* Na verdade, sendo D’us O INFINITO, SUA INFINITUDE já SE encontra dentro mesmo de toda a fisicalidade. Portanto, este entendimento nada tem a ver com a falsa crença de uma encarnação.)

 

A mente humana, finita e falível, conhece apenas uma parte infinitesimal acerca do universo finito em que habitamos. Muito menos é o que sabemos sobre D’us.

O pouco que sabemos é o que D’us nos revelou através de SUA Torá. Na Torá, ELE nos diz que ELE não muda. Isso é fácil de entender: como D’us é atemporal, e a mudança é uma função do tempo, o conceito de mudança não se aplica a D’us. Portanto, ELE, por definição, não faz nada que possa causar uma mudança em SI MESMO. SUA infinitude, SUA onipotência, SUA unicidade, SUA eternidade e SUA não-fisicalidade, entre todos os SEUS demais atributos, são atemporais e, portanto, eternos e imutáveis.

Quarto Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR é o primeiro e o último”.

O Quarto Princípio envolve a eternidade absoluta de D’us. Nada mais compartilha SUA qualidade Eterna. A Torá discute esse ponto repetidamente.

No Terceiro Princípio acima, vimos que D’us é uma EXISTÊNCIA atemporal: os conceitos de tempo não se aplicam a ELE. ELE é o primeiro e o último, no sentido de que como ELE está além do tempo, os conceitos de antes, durante e depois não se aplicam a ELE. ELE não teve começo e não tem fim.

Muitas pessoas perguntam: “D’us criou tudo, mas quem O criou?”.  A resposta, obviamente, é: ninguém. A criação implica em um início, que é uma função de tempo. E D’us é atemporal, eterno: ELE sempre existiu e sempre existirá. Portanto, D’us não teve origem nem criador. O universo, no entanto, teve um início, e sua origem é D’us.

A Teoria da Relatividade nos ensina que o espaço e o tempo são atributos da matéria. Isso significa que quando D’us criou um universo físico, ELE também criou o espaço e o tempo. Como D’us precede a SUA criação, os conceitos de matéria, espaço e tempo não se aplicam a ELE, de forma alguma. Muitos perguntam: “Quanto tempo D’us esperou  antes de criar o universo?”.  A resposta, novamente, é que antes da criação do universo, o conceito  de tempo não existia. Não se pode falar de tempo antes da Criação. D’us criou tudo o que existe, inclusive o conceito de tempo, e continua a manter toda a Criação, incessantemente.

Quinto Princípio:

“Creio com plena fé ser adequado orar somente aO CRIADOR. Não se deve rezar para ninguém ou nada mais”.

O Quinto Princípio nos ensina que é absolutamente proibido orar a qualquer outro que não seja D’us. Para o judeu, é pura idolatria orar até mesmo aos mais elevados anjos Divinos. Como D’us é A Realidade Absoluta – pois ELE é uno, ilimitado e eterno – não há lugar para qualquer outro poder independente no universo. Como D’us é O INFINITO, está em toda parte e prontamente acessível a qualquer um (judeu ou não-judeu). Por ser a única Realidade no universo, não apenas seria profano, mas também ilógico orar a qualquer outro que não ELE.

O judaísmo proíbe totalmente que haja um intermediário entre um judeu e D’us (e por extensão, também o noaísmo, entre um noaíta e D’us). Podemos pedir que alguém nos abençoe e mesmo que ore por nós, mas não oramos a nenhum intermediário – nem a um anjo, nem a outro ser humano, independentemente de quão santificado possa ser. Podemos pedir a outros que orem por nós, mas isso também não nos isenta de nossa obrigação diária de orar a D’us.

Sexto Princípio:

“Creio com plena fé que todas as palavras dos profetas (judeus) são autênticas”.

O Sexto Princípio refere-se à profecia.

A profecia é um elemento necessário da religião, porque para que D’us INFINITO e o homem finito tenham um relacionamento significativo, há que haver alguma forma de comunicação entre os mesmos. O homem não pode viver de acordo com a Vontade Divina a menos que D’us a revele a ele. A função do profeta é transmitir as mensagens Divinas, seja ao indivíduo seja às nações.

É importante observar que uma pessoa que realiza milagres ou prevê com precisão o futuro não é, necessariamente, um profeta. Os feiticeiros do Faraó também conseguiam realizar milagres – fazer a água virar sangue, entre outros – e, com certeza, não eram profetas de D’us. Um verdadeiro profeta judeu não é simplesmente alguém que consegue realizar milagres – mas um servo de D’us, totalmente devotado à Torá e a seus mandamentos.

A função de um profeta judeu é fortalecer a fé do povo no Todo Poderoso e em SUA Torá. Se alguém alegando ser profeta se opõe à Torá de qualquer maneira que seja, ele é um falso profeta, não importa quantos milagres consiga realizar.

Sétimo Princípio:

“Creio com plena fé que a profecia de Moshé Rabênu é verdadeira. Ele foi o mais importante de todos os profetas, antes e depois dele”.

Diferentemente das demais religiões, o judaísmo não atribui poder divino algum a seus patriarcas, profetas e líderes. A Torá ensina que Moshé, o maior de todos os profetas, era um simples ser humano, nascido de pais humanos como qualquer um de nós. Ele era o mais humilde dos homens e chegou ao mais elevado nível espiritual que um ser humano pode atingir. Ele soube compreender a Divindade em um grau que superou qualquer ser que existiu.

Diferentemente dos demais profetas, antes e depois dele, Moshé falou com D’us “face a face”, como amigos que conversam entre si. Ele foi, portanto, o canal usado por D’us para transmitir SUA Torá ao Povo Judeu. Moshé apenas repetiu o que D’us lhe disse, e, portanto, qualquer profeta que contradissesse suas palavras, estaria contradizendo as palavras do Altíssimo.

É fundamental observar, como ensina Maimônides, que o Povo Judeu não acredita em Moshé por causa dos milagres que realizou. Milagres não comprovam nada: feiticeiros e idólatras também conseguem realizar atos sobrenaturais. Acreditamos em Moshé não por causa das 10 Pragas e da Divisão do Mar, mas pelo ocorrido no Monte Sinai. A Revelação Divina no Sinai é a única prova real de que a profecia de Moshé foi verdadeira. A Torá ensina que D’us disse a Moshé: “Eis que EU venho a ti, na espessura da nuvem, para que o povo ouça enquanto EU falo contigo, e também em ti crerão para sempre” (Êxodo, 19:9). (Três) milhões de judeus testemunharam essa Revelação Divina, que finalmente consolidou a alegação de Moshé de que ele era emissário de D’us.

Como ele foi o maior de todos os profetas – nem mesmo o Mashiach será um profeta de seu calibre – não aceitamos que qualquer pessoa que alegue ser profeta tente refutar sua profecia. Não o aceitaríamos, independentemente de quão grandes fossem seus milagres. Como cremos em Moshé devido à Revelação Divina no Sinai, e não devido aos milagres que realizou, os milagres realizados por outra pessoa não têm precedência sobre a Torá, em hipótese alguma.

Oitavo Princípio:

“Creio com plena fé que toda a Torá que se encontra em nosso poder foi dada a Moshé Rabênu”.

O Oitavo Princípio significa que a Torá que nos foi entregue por Moshé foi originada por D’us. A Torá é a “Palavra de D’us”, não de Moshé. D’us transmitiu a Torá a Moshé, letra por letra, e ele meramente as escreveu como um secretário que ouve um ditado. Ele foi o “secretário” de D’us.

Segundo o judaísmo, a Torá é a Sabedoria Divina. Como seu Autor é perfeito e eterno, assim é a Torá. Se um ser humano tivesse escrito a Torá, até alguém tão sagrado quanto Moshé, estaria sujeita a correções e mudanças. Como foi escrita por D’us, é imutável. É por isto que, segundo a Lei Judaica, um pergaminho de Torá não pode conter erro algum: se apenas uma única letra estiver faltando ou incorreta, todo o Sêfer Torá fica invalidado.

Cada letra, palavra ou versículo da Torá são igualmente sagrados. O judeu que diz que D’us deu a Torá toda à exceção de uma única palavra, que foi composta por Moshé e não por D’us, é um cético da pior espécie.

Cada mandamento dado a Moshé no Monte Sinai foi entregue juntamente com uma explicação. Pois está escrito: (Sobe a MIM, ao monte…); e dar-te-ei as tábuas de pedra, a Torá e instruções” (Êxodo, 24:12). “Torá” refere-se à Torá Escrita, enquanto “instruções” são sua interpretação. A Torá Escrita não pode ser entendida sem sua interpretação. Essa interpretação é o que chamamos de Torá Oral.

Nono Princípio:

“Creio com plena fé que esta Torá não será alterada, e que nunca haverá outra dada pelo CRIADOR”.

O Nono Princípio é o que verdadeiramente diferencia o judaísmo de todas as demais religiões. Esse princípio ensina que a Torá é permanente e imutável. Por esta razão os judeus não se podem converter a nenhuma outra religião – porque o judaísmo não aceita que se mude a Torá – Escrita e Oral – de forma alguma. D’us nos diz em Sua Torá: … “Não acrescentareis nem subtraireis nada disso” (Deuteronômio, 13:1).

A Torá tem 613 mandamentos (para o povo judeu) (e mandamentos de moralidade para os não-judeus). Nem um ser humano, nem mesmo um grande profeta pode agregar, subtrair ou mudar qualquer um deles. Todas as leis rabínicas instituídas por nossos Sábios têm que ser uma ramificação de um desses 613 mandamentos – não um novo mandamento em si mesmo. A Torá e seus mandamentos são a Constituição do Povo Judeu. Nossos sábios e juízes podem interpretar a Lei e reforçá-la. Contudo, não podem adulterá-la. Por exemplo, ninguém – nem um rabino nem mesmo um profeta – pode decretar que as leis de cashrút não mais se aplicam ou então mudar o dia em que guardamos o Shabát.  É permissível decretar leis rabínicas para fortalecer as leis bíblicas, mas está além do poder de qualquer ser humano modificar lei alguma da Torá.

D’us deu a Torá (das 613 Leis) apenas ao Povo Judeu. Outras religiões adaptaram-na ou a modificaram. Isso pode ser aceitável para eles, mas certamente não para o Povo Judeu. Alguém (judeu ou não-judeu) que alega ser profeta e tente mudar um pingo da Torá para o Povo Judeu, é um falso profeta. O mesmo se aplica se essa pessoa tentasse ensinar que os mandamentos dados ao Povo de Israel são temporários, e não perpétuos.

A Torá – Sabedoria e Vontade de D’us – é inalterável e intocável. Tentar encontrar falhas nela – mudá-la de alguma forma – é buscar falhas em seu AUTOR. Assim como D’us é Eterno e Imutável, também  o é a Torá. As circunstâncias que determinam as leis da Torá podem mudar – por exemplo, na ausência do Templo Sagrado, somos incapazes de cumprir muitos dos mandamentos da Torá. Da mesma forma, durante a Era Messiânica – uma era de paz e prosperidade universal – muitas das leis da Torá, tais como as relativas ao roubo e homicídio, deixarão de ser válidas. Mas isso não significa que a Torá mudará, e sim, que algumas de suas leis não mais serão aplicáveis.

Há uma declaração no Livro de Isaías sobre a entrega de uma nova Torá, no futuro. Isso significa que na Era Messiânica, nossa compreensão da Torá será tão mais profunda do que é hoje – já que a Sabedoria Divina cobrirá a Terra – que aparentará ser uma nova Torá. No entanto, será a mesma Torá, porque, apesar de ter mudado o mundo, D’us e SUA Sabedoria não mudarão.

Décimo Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR conhece todos os atos e pensamentos do ser humano. Como está escrito (Salmos, 33:15), “ELE analisa os corações de todos e perscruta todas as suas obras”.

O Décimo Princípio diz que D’us é Onisciente: ELE sabe tudo o que ocorre no universo e tudo o que os homens fazem. Esse princípio nega a opinião daqueles que alegam que… “HaVaYaH abandonou o Seu mundo…” (Ezequiel 9:9).

Esse princípio é fundamental não apenas para o judaísmo, mas para qualquer religião, pois um D’us que não é onisciente não é D’us. Não conhecer todos os atos e pensamentos humanos implica em falibilidade e limitações, e D’us é infalível e ilimitado. Para poder julgar o homem com justiça, D’us precisa conhecer seus pensamentos, palavras e atos.

Décimo-primeiro Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR recompensa aqueles que cumprem SEUS preceitos e pune quem os transgride”.

O Décimo-primeiro Princípio nos ensina que D’us não é apenas O CRIADOR do Universo e seu Legislador, mas também seu Juiz. O judaísmo rejeita, com veemência, o conceito do Deísmo – de que D’us criou o mundo e depois o abandonou. Sabemos perfeitamente que a justiça humana falha – vemos pessoas justas sofrerem e pessoas más prosperarem – mas o judaísmo nos ensina que, no fim das contas, nesta vida ou na outra, D’us aplica a justiça. É importante notar que como D’us é infinito e eterno, atemporal, também o são Suas recompensas e punições.

A maior recompensa Divina possível é o Mundo Vindouro, ao passo que o maior castigo possível é ser banido do mesmo. Portanto, D’us pode recompensar alguém com júbilo infinito ou sofrimento. Aqueles que perpetram a maldade neste mundo devem saber que, um dia, D’us os responsabilizará por seus atos e os punirá, de acordo. É importante que não interpretemos o conceito de recompensa e castigo do judaísmo de maneira infantil. Recompensa é a consequência direta de se ligar à Origem de Toda a Vida, ao passo que a punição é o sofrimento que se segue ao distanciamento da pessoa de D’us. Cada vez que um ser humano realiza um ato de bondade, de nobreza ou de santidade, ele fortalece sua conexão com D’us. Por outro lado, cada vez que ele comete uma ação reprovável ou viola a Vontade Divina, ele enfraquece essa conexão. O propósito dos mandamentos da Torá é fortalecer nosso vínculo com D’us.

Décimo-segundo Princípio:

“Creio com plena fé na vinda de Mashíach (o verdadeiro messias). Mesmo que demore, esperarei por sua vinda a cada dia”.

A crença na vinda do Mashíach é um dos princípios fundamentais do judaísmo. Infelizmente, esse conceito criou muitas divisões e disputas entre indivíduos, nações e religiões. Cada pessoa e cada grupo religioso têm direito a ter suas próprias opiniões, inclusive sobre a identidade do Messias, sobre quando ele virá e sobre o que ocorrerá na Era Messiânica.

No entanto, é importante observar o seguinte: o judaísmo apresentou ao mundo o conceito do Mashiach. Portanto, se buscamos conhecer objetivamente o assunto, temos que procurar em sua fonte original.

Segundo o judaísmo, para que um homem seja o Messias, é necessário que preencha as seguintes condições: seus pais precisam ter sido judeus e ele precisa ser descendente da Casa de David. Portanto, o Messias e todos os seus antepassados paternos têm que pertencer à tribo de Yehudá. Um Cohen ou Levi, por exemplo, não pode ser o Messias.

O Mashiach será um grande  líder e um profeta, um Tzadíc e um Sábio que irá seguir meticulosamente a Torá Escrita e a Torá Oral. Ele irá liderar todos os judeus de volta ao caminho do judaísmo e fortalecerá o cumprimento de suas leis.

Além de possuir tais qualidades, há certas coisas que o Messias precisa fazer (durante o decorrer da era messiânica) para comprovar ser quem é. Precisa construir o Templo Sagrado de Jerusalém e reunir todos os judeus que vivem na Diáspora e levá-los à Terra de Israel. Ele, então trará uma era de paz para todo o mundo. Liderará este mundo à sua perfeição e levará todos os seres humanos – judeus ou não – a servirem D’us em unidade.

Na Era Messiânica, não haverá idolatria, roubo nem injustiça. Não haverá guerras nem fome.  A inveja e a competição deixarão de existir, pois todas as coisas boas abundarão e todos os tipos de delícias serão comuns como o pó da terra. A principal ocupação da humanidade será conhecer D’us. Nas palavras do profeta Isaías:  “… porque a Terra estará repleta do conhecimento de HaVaYaH, como as águas cobrem o mar” (Isaías, 11:9).

Décimo-terceiro Princípio:

“Creio com plena fé na Ressurreição dos Mortos que ocorrerá quando for do agrado dO CRIADOR”.

O Décimo-terceiro Princípio envolve a ressurreição dos mortos. A importância desse conceito é nos ensinar que na Era Messiânica D’us aperfeiçoará o mundo, mesmo retroativamente. Além de ninguém morrer, mesmo os já falecidos voltarão à vida.

A ressurreição dos mortos é um dos fundamentos do judaísmo.  O Décimo-terceiro Princípio nos ensina que apesar do histórico de guerras e sofrimento do mundo, tudo terminará com um final feliz. D’us recompensará os justos do mundo, judeus ou não, com uma recompensa eterna.

Conclusão

Neste trabalho, explicamos muito brevemente os Treze Princípios de Fé de Maimônides. Eles constituem os pilares do judaísmo (e por extensão, do noaísmo).

Antes de concluir, temos de fazer a seguinte observação. O judaísmo pertence exclusivamente ao Povo Judeu. Os Treze Princípios de Fé de Maimônides, portanto, apenas têm relevância para os judeus (e por extenção, para os Bnei Noach, enquanto exatamente Princípios de Fé). Outras religiões têm seus próprios profetas, livros sagrados e ideias sobre D’us.

O judaísmo ensina que não é necessário ser judeu para [(ser uma boa pessoa e ser devidamente recompensado por D’us. Mas muito mais do que isso, qualquer não-judeu pode)] conseguir ligar-se a D’us, receber a recompensa Divina e ter um lugar no Mundo Vindouro. Basta ser uma pessoa justa e viver uma vida de integridade, justiça e bondade [por verdadeiramente conhecer D’us e servi-LO corretamente, em outras palavras, por ser um Devoto de Hashém entre as nações,  um cumpridor de SUA vontade – de SUAS Mitsvót Universais – revelada na Torá dada por Moshé ao povo judeu no Monte Sinái -, ao abandonar as religiões e retornar às suas origens, às suas raízes, espirituais: o Noaísmo.] D’us tem muitos filhos, e ELE tem diferentes expectativas de Seus filhos (judeus e não-judeus. Enquanto o) cristianismo é, no pensamento cristão,  o caminho certo para os cristãos, e o Islã é, no pensamento maometista, o caminho certo para os muçulmanos, o judaísmo é o único caminho para os judeus. É fundamental para todos os judeus entenderem e praticarem o judaísmo. Os Treze Princípios de Fé de Maimônides resumem a sua essência: aquilo em que nós, judeus, cremos, e por que o Povo Judeu deve permanecer fiel, para sempre, à Torá e a seus mandamentos.

– Instituto Morashá de Cultura

© Instituto Morashá de Cultura.

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

https://a-fe-original–noaismo.info/site-bnei-noach-copyright/

 

Para verificar a importância dos Treze Princípios para os Noaítas:

MANDAMENTOS DIVINOS PARA TODOS OS DESCENDENTES DE NOÉ

Padrão
A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

A TORÁ ORAL

A Fé Original: Noaismo.info

O Site Bnei Noach

 

B”H

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

A Torá Oral

Muitas pessoas fazem uma pergunta aparentemente legítima: se a Torá Oral se originou de D’us, por que houve a necessidade de ser a mesma contestada, discutida e esclarecida?

O judaísmo se diferencia de todas as outras religiões pelo fato de não se ter originado de uma pessoa que alegava ter recebido uma mensagem das Alturas. Todas as outras começaram a partir de um indivíduo que, através de seus ensinamentos, arregimentava adeptos e convertidos. Apenas o judaísmo foi criado por D’us, ao reunir três milhões de pessoas no sopé do Monte Sinai, ocasião em que, pela primeira e única vez, revelou-SE abertamenteA veracidade da Torá é, pois, irrefutável, sendo esta a razão para que nem mesmo as demais religiões* fundadas a partir do judaísmo tenham sequer ousado negar sua origem Divina. Essa Revelação Divina, que se seguiu ao Êxodo do Egito, forjou um vínculo entre D’us e o povo judeu em todas as gerações. Este vínculo foi estabelecido pela Torá. Portanto, é claro que a Torá é o pilar do judaísmo, e que sem a mesma não haveria religião judaica.

(* Cristianismo, Islamismo, Kardecismo, etc.)

Apesar de o termo Torá abranger todos os fundamentos, leis e ensinamentos do judaísmo, literalmente refere-se aos 5 livros que nos foram transmitidos por D’us – letra por letra – a Moisés no Monte Sinai. Os cinco livros de Moisés – Bereshít (Gênese), Shemót (Êxodo), Vayikrá (Levítico), Bamidbár (Números), Devarím (Deuteronômio) – compõem o que conhecemos como a Torá Escrita, ou Torah she-Bichtav.

D’us também transmitiu a Moisés a Torá Oral, Torah she-Be’alpeh, que consiste das interpretações e explicações dos mandamentos da Torá Escrita. Moisés possuía o mais alto grau de profecia e, por isso, D’us pôde ensinar-lhe a Torá Oral de forma abrangente e detalhada. Pois está escrito: “Falava D’us a Moisés face a face, como um homem qualquer fala a seu amigo” (Êxodo 33:11). Ao mencionar especificamente a transmissão da Torá Oral, D’us disse: “Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas” (Números 12:8).

A transmissão da Torá Oral é claramente revelada na Torá Escrita. Pois está escrito: “São estes os estatutos, juízos e leis (Torá) que deu HaVaYaH entre SI e os filhos de Israel no Monte Sinai, pela mão de Moisés” (Levítico 26:46). É importante notar que a palavra Torá está no plural, pois se refere tanto à Torá Escrita quanto à Oral (Rashi; Sifra). Em outra parte da Torá Escrita, D’us diz a Moisés: “Dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei e os mandamentos que escrevi” (Êxodo 24:12). As tábuas de pedra são os Dez Mandamentos, a lei (Torá) significa a Torá Escrita e os mandamentos referem-se à Torá Oral. De fato, a Torá Escrita faz inúmeras alusões à Torá Oral. Por exemplo, está escrito: “Então matarás as tuas vacas e tuas ovelhas…como te ordenei” (Deuteronômio 12:21). Isto implica na transmissão das instruções sobre o abate casher de animais, apesar de que não são dadas explicações. De fato, a maioria de nossos mandamentos nunca são explicados na Torá Escrita. A mitzvá da guarda do Shabát é um dos Dez Mandamentos, mas não há nenhuma instrução sobre o significado de guardar o Shabát. São mencionados, também, outros mandamentos tais como a colocação de mezuzót, de tefilín, o cumprimento das festas judaicas, mas não são discutidos, de fato, na Torá Escrita. Está bem claro que todas as instruções são encontradas na Torá Oral.

Mas, por que razão, D’us não teria transmitido a totalidade da Torá por escrito?

O Rabi Aryeh Kaplan comenta em sua obra Guia do Pensamento Judaico, que a Torá Oral tinha o propósito de ser transmitida do mestre para o discípulo. Desta forma, o aluno não confiaria em sua própria interpretação de um texto escrito, e buscaria esclarecimento para suas dúvidas com seu mestre. Se a totalidade da Torá tivesse inicialmente sido escrita, as pessoas iriam interpretá-la como o desejassem, e isso iria causar importantes desavenças no seio do povo judeu. E já que a Torá Oral não podia ser escrita, dependeria de autoridades centrais para preservá-la e ensiná-la sem dar margem a ambigüidades.

Há uma razão ainda mais forte para a necessidade de uma Torá Oral. Apesar de a Bíblia Hebraica originalmente ter sido dada apenas ao povo judeu, foi adotada por grande parte da humanidade. A Divina Providência utiliza-se da Bíblia Judaica para pouco a pouco levar a humanidade até mais perto da Verdade Suprema. Se a Torá tivesse sido totalmente escrita, outros povos a teriam adotado, e o povo de Israel deixaria de ser único e singular. Em um dos livros de nossa Bíblia, D’us confirma-o através desta frase: “Embora eu lhe escreva a minha Torá em 10 mil preceitos, estes seriam tidos como coisa estranha” (Oséias 8:12). Assim sendo, a Torá Oral não apenas define a Torá Escrita, mas é o fator que realmente distingue o judaísmo de toda a outras religiões.

A Mishná

Antes de falecer, Moisés escreveu os 13 rolos da Torá e ensinou a Torá Oral ao profeta Josué bin Nun. A Torá Oral foi então transmitida por Josué aos anciãos de Israel, a seguir aos profetas e, por fim, ao Sanhedrín. Este, ou sinédrio, era a corte suprema de Israel, e tinha a missão de guardar, interpretar e legislar sobre todos os assuntos acerca das leis da Torá. Durante o período do Segundo Templo, o Sanhedrín codificou a Torá Oral. Essa codificação tornou-se conhecida como a Mishná. Uma razão para esse nome foi o fato de revelar que o propósito da codificação da Lei Oral era o de que seria revista (em hebraico, shaná) continuamente, até que fosse memorizada. Os sábios que originalmente ensinavam a Mishná eram conhecidos como os Tanaim.

A Mishná foi posteriormente colocada por escrito pelo Rabi Yehuda ha-Nasi, a quem comumente nos referimos como Nosso Santo Rabino. Este erudito reuniu todas as leis, tradições, explicações e comentários de toda a Torá e a seguir compilou-os na Mishná que hoje conhecemos. Terminou seu trabalho no ano de 3948 (188 antes da era comum).

Mas por que motivo o Rabi Yehuda ha-Nasi teria rompido com a tradição de não se escrever a Torá Oral?

Porque, com a destruição do Segundo Templo, a Torá Oral corria o perigo de ser esquecida. Diminuía o número de eruditos estudiosos da Torá e os judeus se dispersavam por todo o mundo. O Rabi Yehuda ha-Nasi, portanto, escreveu a Mishná para que mesmo que os judeus se afastassem de seus mestres, ainda assim poderiam estudar e seguir a Torá Oral e, assim, preservar o judaísmo.

Além da Mishná, foram escritos outros volumes interpretativos da Torá Oral pelos alunos do Rabi Yehuda ha-Nasi. Entre seus discípulos incluíam-se alguns de nossos mais famosos sábios: o Rabi Chiya, Rav, Bar Kapara, Rabi Yochanan e Rabi Hoshia. Rav redigiu a Sifra e o Sifri, que são comentários sobre três dos livros da Torá Escrita: Levítico, Números e Deuteronômio. O Rabi Chiya escreveu a obra Toseftá que elucida alguns dos conceitos da Mishná. O Rabi Hoshia e Bar Kapara escreveram Beraitot para explicar as palavras da Mishná. Trezentos anos após a destruição do Segundo Templo, o Rabi Yochanan redigiu o Talmud de Jerusalém, ou Talmud Yerushalmí. Este Talmud basicamente trata das leis referentes à Terra de Israel. Mas quando as pessoas falam do Talmud, geralmente não se estão referindo ao de Jerusalém, mas sim ao Talmud Babilônico, também chamado de Guemará.

O Talmud Babilônico

Em tempos remotos, os sábios da Torá estudavam a Lei Oral para, a seguir, fazer a análise de seu trabalho através de discussões. Após ter sido compilada a Mishná, tais discussões – que se tornaram conhecidas como a Guemará – serviram para esclarecê-la. A Guemará foi transmitida oralmente e preservada durante cerca de 300 anos após ter sido escrita a Mishná. Quando surgiu claramente o perigo de que a Guemará fosse esquecida, os dois maiores eruditos da época sobre Torá – Ravina e Rav Ashi – redigiram a Guemará por escrito. Com a ajuda de seus discípulos, nas academias de ensino da Babilônia, Ravina e Rav Ashi coletaram e ordenaram todas as discussões que compunham a Guemará. Esta compilação da Guemará – que incluía a Mishná – tornou-se conhecida como o Talmud Babilônico ou, em hebraico, Talmud Bavli. Foi finalmente publicado no ano de 4265 (505 antes da era comum).

O Talmud, que literalmente significa “estudo” ou “aprendizado”, é, portanto, composto da Mishná – um livro de Halachá (lei judaica) escrito em hebraico – e da Guemará – o comentário sobre a Mishná, que foi escrito em aramaico/hebraico. O Talmud Babilônico foi aceito pelo povo judeu como a autoridade máxima e suprema em todas as questões sobre a religião e a lei judaica. As leis da Torá só têm vínculo legal se forem baseadas no Talmud.

A autoridade do Talmud

Muitas pessoas fazem uma perguntam aparentemente legítima: se a Torá Oral se originou de D’us, por que houve a necessidade de ser a mesma contestada, discutida e esclarecida?

Há várias respostas para isso, mas talvez a principal seja a de que a Torá Oral tinha por objetivo cobrir a infinidade de casos que haveriam de surgir com o decorrer do tempo. É impossível que qualquer código de lei cubra, explicitamente, qualquer caso ou situação que surja durante os milênios. D’us deu a Moisés as duas tábuas da lei, mas a aplicação dessas leis em qualquer cenário possível teria que ser determinada pelos eruditos e juízes da Torá. Pois está escrito: “Quando alguma coisa te for difícil demais em juízo… virás aos sacerdotes levitas e ao juiz que houver nesses dias, e inquirirás; e te anunciarão a sentença do juízo” (Deuteronômio 17:8-9). Esses juízes da Torá eram os membros do Sanhedrin que preservavam e interpretavam a Torá Oral e que mais tarde a codificaram como a Mishná.

A Torá Escrita também ordena ao povo judeu obedecer o Sanhedrin em tudo o que diz respeito às leis da Torá, pois que está escrito: “Segundo mandado da lei que te ensinarem e de acordo com o juízo que te disserem, farás; da sentença que te anunciarem não te desviarás nem para a direita nem para a esquerda” (Deuteronômio 17:11).

O povo judeu todo aceitou a autoridade do Talmud como sendo a fonte das leis da Torá e, como tal, jamais poderá ser revogado por autoridade alguma. O Talmud inclui os ensinamentos de nossos sábios que receberam a Lei Oral das gerações que os antecederam, remontando-se até Moisés. Está claro que alguém que rejeite o Talmud, está desrespeitando a Torá Oral, pedra fundamental do judaísmo. Sem o Talmud, seria praticamente impossível entender e cumprir os mandamentos da Torá Escrita. A mera aceitação da Bíblia Hebraica faria dos judeus um povo em nada diferente da maioria dos outros povos, que também a aceitaram como sendo a Palavra de D’us.

À luz de tudo isso, não é de surpreender que aqueles que buscaram, desesperadamente, converter todos os judeus, proibiram o estudo talmúdico. Em 1240, 1264 e 1553 antes da era comum, a Igreja Católica promulgou decretos que ordenavam a queima das cópias do Talmud. Durante certos períodos, as autoridades eclesiásticas “corrigiam” o Talmud, apagando passagens que consideravam ofensivas a seu credo. Finalmente, em 1592, a Igreja proibiu o estudo do Talmud em qualquer de suas versões ou edições. Este decreto foi promulgado como reconhecimento de que uma sociedade que não estude nem siga o Talmud não tem chance real de sobreviver. Ao longo da história, os inimigos de nosso povo tentaram obliterar o judaísmo tentando destruir o Talmud. O povo judeu só conseguiu preservá-lo ao preço de inúmeras vidas, mesmo a de alguns de nossos maiores sábios. Por terem preservado o Talmud, estes salvaram o judaísmo.

A eternidade da Torá

Um dos pilares da religião judaica é o fato de a Torá ser eterna e ser a imutável Palavra de D’us. Na Torá Escrita, D’us proclama a eternidade da Torá e de seus mandamentos: “as coisas encobertas pertencem a HaVaYaH, nosso D’us, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei (Torá) (Deuteronômio 29:28). Vemos, também, que na nossa Bíblia, em meio às palavras finais dirigidas por D’us a um profeta, encontrava-se o seguinte: “Lembrai-vos da lei (Torá) de Moisés, Meu servo, a qual lhe prescrevi em Horeb (Sinai) para todo o Israel, a saber, estatutos e juízos” (Malaquias 3:22).

Nenhum sábio ou profeta, muito menos um auto-proclamado Messias(*), pode modificar ou anular nem a Torá Escrita nem a Oral. Aquele que alega ser profeta de D’us pode realizar sinais ou milagres, mas se disser que D’us o enviou para alterar ou revogar a Torá, esta pessoa é um falso profeta. Na Torá Escrita, D’us nos alerta sobre os falsos profetas que iriam realizar milagres e tentar desviar o povo judeu dos mandamentos e das tradições de Sua Torá(**.

* Yeshu (Jesus); Muhammed (Maomé).

** Este texto alerta contra algum falso profeta judeu, ou seja, alguém que nasceu judeu (por exemplo, Jesus). No entanto, as mesmas admoestações servem contra falsos profetas não-judeus (logicamente à parte da execução).

Sobre o porque de os judeus não aceitarem Jesus como profeta ou como messias, veja

https://a-fe-original–noaismo.info/2017/12/20/site-bnei-noach-a-verdadeira-historia-de-jesus-e-do-cristianismo/   .)

 

Mas, por que motivo D’us permitiria que tais pessoas chegassem a ter o poder de realizar milagres?

A isto, D’us responde na Torá Escrita. Este será Seu teste para determinar se somos leais a ELE e à SUA Torá, ou se seremos seduzidos pelos milagres daqueles que virão, falando em nome de D’us, para tentar anular os mandamentos (Deuteronômio 13:2-5). O Talmud (Bava Metzia 59b), em uma de suas mais dramáticas passagens, afirma que nem devemos dar ouvidos às vozes Celestiais, mas simplesmente seguir a Torá de acordo com o que prescreve a Lei Oral. Mesmo se uma voz dos Céus por ventura nos mandasse modificar nossa Torá e seus mandamentos, não a deveríamos obedecer.

D’us prometeu que SEU vínculo com o povo judeu – como é ratificado pela Torá e seus mandamentos – é eterno. Na Era Messiânica, A Verdade será revelada e o mundo inteiro irá reconhecer que a Torá é o verdadeiro ensinamento Divino à humanidade(*.

* Na verdade, o mundo inteiro já está abandonando suas religiões para seguir os mandamentos da Torá dados pelo PRÓPRIO D’us aos não-judeus. Isto é o que hoje se chama de Noaísmo (o Caminho Espiritual Noaítico, quer dizer, dos Noaítas ou Bnei Nôach – Filhos de Noá), que é a Fé Verdadeira, ou seja, a Fé Original – a Fé de Adám e Chavá (Adão e Eva) e de Nôach e Naamá.

Para saber mais sobre o verdadeiro ensinamento Divino à humanidade, veja

https://a-fe-original–noaismo.info/2015/09/08/site-bnei-noach-as-sete-mistvot-que-unem-a-humanidade/   .)

 

Pois foi dito que em determinado momento futuro, todas as nações do mundo alegarão serem judias (por compartilharem da mesma Fé que Israel, A Fé em Hashém, pois então todos O conhecerão). E então, o Santo, Bendito seja, dirá que a única nação que detém o mistério em suas mãos é o povo judeu. E qual é este mistério? A nossa Mishná!

 

Próximo artigo:

OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA

– Instituto Morashá de Cultura

 

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Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info


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Padrão
A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

A Fé Original: Noaismo.info

O Site Bnei Noach

 

B”H

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!'” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

ATENÇÃO:

Na transliteração dos termos hebraicos o “ch” tem som de “RR”. Exemplos: “Yochanan”, “Chamishei Chumshei”, “Tanách”, etc.

Na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH”. Exemplos: “Moshé”, “Chamishei Chumshei”, etc.

 

OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

 

“Rabi Yochanan ensinou: A maioria das leis da Torá é fundamentada na transmissão oral e apenas a minoria nas Escrituras. Pois está escrito: ‘Por meio da boca (palavras transmitidas oralmente), EU (O ETERNO) fiz uma aliança contigo e com Israel’ (Êxodo 34:27)”. Se a aliança de D’us com Israel foi estabelecida por meio de leis que foram transmitidas oralmente, isso significa que estas constituem a maioria da Torá”. (Talmud Bavli, Gitin, 60b)

 

A alegação extraordinária de que D’us SE revelou aos seres humanos baseia-se em extraordinária evidência: o testemunho de uma geração inteira de judeus – cerca de 3 milhões de pessoas. A Torá registra o evento, mas o Povo Judeu também transmitiu oralmente, de uma geração a outra, a noção de que, sete semanas após o Êxodo do Egito, D’us abertamente SE revelou aos Filhos de Israel e proclamou os Dez Mandamentos, que são o núcleo das 613 mitzvót (leis) do Judaísmo. Ano após ano, na festa de Shavuót, lembramo-nos e celebramos esse evento, o mais importante na história da humanidade.

Milhões de judeus deixaram o Egito, o que significa  que houve milhões de testemunhas independentes para verificar ou negar o relato da Revelação Divina, especialmente durante as primeiras duas ou três gerações após o fato ter ocorrido. Para lançar dúvidas sobre o evento, bastaria que um grupo de judeus contasse a seus filhos que era uma inverdade o relato da Torá acerca de D’us se ter revelado a todos os judeus que deixaram o Egito. A Torá está ciente de que é muito difícil negar a veracidade histórica da Revelação Divina no Sinai e, corajosamente, oferece este desafio a todos os judeus: “Podes perguntar, pois, pelos dias passados que te precederam, desde o dia em que D’us criou o homem sobre a terra… Se houve jamais uma coisa grande semelhante a esta, ou se ouviu coisa igual a ela? Se um povo (inteiro) ouviu a voz de D’us falar no meio do fogo, como ouviste tu e ficaste vivo?” (Deuteronômio, 4:32–33)

A Revelação Divina no Sinai é o princípio fundamental do Judaísmo porque permitiu não apenas à geração conduzida por Moshé, mas também a todas as subsequentes gerações judias conhecerem, e não apenas acreditarem, que existe um D’us e que a Torá é a SUA Palavra e Vontade. Nós acreditamos em Moshé porque acreditamos em D’us – e não ao contrário. Essa distinção é da maior importância. O judaísmo não se originou  com o homem. Nenhum dos três patriarcas – Avrahám, Itzhák e Yaakóv – nem Moshé e seu irmão Aaron, fundaram a fé judaica. O judaísmo começa e termina com D’us.

A Revelação no Sinai é o pilar do judaísmo porque fundamenta Moshé como porta-voz e agente Divino: um canal confiável para a transmissão da chancela Divina no mundo – a Vontade e a Sabedoria Divinas – que é a Torá. Não há erro maior acerca do judaísmo do que a crença de que Moshé escreveu a Torá ou de que ele é o criador da Lei Judaica. Ele foi o maior dentre os profetas e líderes judeus: trouxe a Torá dos Céus à Terra e a ensinou a nosso povo – por esse motivo, é chamada de a Torá de Moshé –, mas não escreveu uma única letra da mesma. Moshé apenas transcreveu os Chamishei Chumshei Torá – os Cinco Livros da Torá. Foi o copista, não o autor. A Torá é a palavra de D’us, não a de qualquer profeta, nem mesmo do maior dos profetas de todos os tempos. A Revelação Divina no Sinai não apenas removeu todas as dúvidas sobre a Existência Divina e SEU interesse em SUA Criação. Também corroborou o fato de Moshé ser um profeta verdadeiro e fidedigno, e de a Torá, que ele trazia dos Céus, ser um livro de autoria Divina, não humana.

A Autoria Divina da Torá

Nós, judeus, acreditamos na Torá devido à Revelação Divina no Sinai, mas também acreditamos na Revelação por causa da Torá. O evento e seus relatos escritos e orais se entrelaçam. Por um lado, a Revelação Divina evitou que o Povo Judeu duvidasse do papel de Moshé como profeta e agente de D’us e de atribuir a ele a autoria da Torá. Por outro, a Torá corrobora a veracidade da revelação explícita de D’us ao Povo Judeu. Ao afirmar que a Revelação ocorreu perante milhões de judeus, a Torá se expôs ao desafio. Vimos no artigo Conhecimento e Fé que é praticamente impossível sustentar uma alegação de tal magnitude a menos que seja verdadeira; portanto, temos boas razões para crer que a Torá diz a verdade. Em outras palavras, a Revelação Divina dá à Torá credibilidade como uma obra de Divina autoria, ao passo que a Torá registra e comprova a veracidade histórica do evento mais extraordinário na história humana.

O processo de transmissão da Torá ao Povo Judeu se iniciou após a Revelação Divina e a proclamação dos Dez Mandamentos. Ao longo da jornada de 40 anos no Sinai, D’us transmitiu a Torá a Moshé, letra por letra. Moshé as anotou, como um secretário o faria. Quando lemos a Torá, portanto, estamos ouvindo a Fala Divina. Por vezes, ELE fala na primeira pessoa e por vezes na terceira – como quando fala através de Moshé, particularmente no quinto livro da Torá –, mas é sempre ELE QUEM fala.

Além da Torá Escrita, D’us transmitiu a Moshé a Torá Oral. Ambas eram igualmente necessárias. Se D’us não lhe tivesse dado a Torá Escrita – se a tivesse transmitido apenas oralmente –, provavelmente sua transmissão não seria tão límpida e imaculada; acabaríamos por enfrentar versões diferentes devido à má compreensão e consequente transmissão errônea de SEUS Mandamentos. Um documento escrito ajuda a evitar que isso ocorra. Ao mesmo tempo, um documento escrito, especialmente se contém conceitos e leis complexos, exige explicação oral, pois é comum entendermos e interpretarmos errado o que lemos. Em resumo, a Torá Escrita preserva a precisão da Torá Oral, ao passo que a Torá Oral explica e elucida a Torá Escrita, evitando que esta seja mal-entendida e mal interpretada.

A Autoridade Suprema da Torá

Moshé foi o maior profeta judeu de todos os tempos. D’us e Moshé se comunicavam entre si como dois amigos, íntimos. Por isso foi possível a D’us transmitir a Torá, letra por letra, a Moshé enquanto estava desperto e plenamente consciente. Outros profetas tiveram visões ou receberam mensagens Divinas durante seu sono ou em estado alterado de consciência. Tiveram, pois, que descrever com suas próprias palavras o que viram ou ouviram. Nenhum profeta judeu, nem mesmo os Patriarcas, possuíram a visão profética clara e transparente de Moshé.

D’us transmitiu informações precisas a ele. Os Cinco Livros da Torá não são apenas mensagens Divinas, mas a fala Divina. Em contraste, as palavras gravadas no livro dos Profetas (Nevi’im) são mensagens Divinas, mas não são palavras literais de D’us. Isso significa que apesar de todo o Tanách (Torá, Nevi’im, Ketuvim – Torá, Profetas e Escritos) ser sagrado, não há comparação entre seus primeiros cinco livros, a Torá, e os demais.  Essa distinção tem importância capital. O judaísmo se inicia e termina com os Chamishei Chumshei Torá.  É totalmente proibido extrair qualquer lei bíblica a partir dos Profetas ou dos Escritos. A única fonte de Lei Bíblica é a Torá. No judaísmo, os Profetas e os Escritos podem apenas prover um suporte e corroboração – uma Asmachtá – a uma lei da Torá. Nevi’im e Ketuvim são livros sagrados, mas não podem agregar, subtrair ou modificar qualquer verso ou lei dos Cinco Livros da Torá. Somente leis rabínicas, como os mandamentos de Purím (uma festividade rabínica) podem-se originar de Nevi’im e Ketuvim. Leis bíblicas, como as de Yóm Kipúr, Shabát, Cashrút, Tefilín, Mezuzá etc., são ditadas exclusivamente pela Torá. Se alguém quiser ousar e argumentar que um decreto rabínico é tão rigoroso quanto um bíblico, e que, portanto, não deveria haver distinção entre a Torá e o restante do Tanách, que esse alguém tente argumentar que não ouvir a Meguilat Esther em Purím é tão grave quanto não jejuar em Yóm Kipúr.

A regra essencial de que a Torá é o cerne do judaísmo é de grande relevância para o Povo Judeu. O fato de a Torá ser a primeira e a última palavra sobre o judaísmo tem profundas ramificações: significa que a fé judia não depende dos Nevi’im e dos Ketuvim. Nenhum profeta – nem Isaías, nem Jeremias nem Ezequiel – tinham autoridade de alterar a lei da Torá sob nenhum aspecto. Nenhum versículo do Livro dos Salmos pode ser usado para contradizer um versículo da Torá. Se algum profeta ousasse fazê-lo, seria considerado um falso profeta e acusado de pecado capital, ainda que suas profecias se realizassem, que realizasse milagres extraordinários e fosse carismático ou generoso. Os profetas não tinham autoridade alguma de modificar permanentemente a lei da Torá. Como os Cinco Livros da Torá foram escritos por D’us, nenhum ser humano, nem mesmo Moshé, poderia jamais revogar ou modificá-la de alguma forma.

Como vimos acima e no artigo Conhecimento e Fé, a base do judaísmo é a Revelação Divina no Monte Sinai. D’us, em SUA Plenitude, fez-SE ver a cada um dos judeus da geração que deixou o Egito e lhes transmitiu os Dez Mandamentos, que são o núcleo dos 613 mandamentos da Torá. Se não tivesse havido essa Revelação – se Moshé ou os profetas posteriores tivessem escrito a Torá – seria possível argumentar que eles teriam autoridade para modificá-la. No entanto, como foi repetidamente mencionado acima, Moshé não escreveu a Torá – ele a transcreveu e a ensinou. D’us escreveu a Torá – em sua íntegra. ELE é o único Legislador da Lei Judaica. Os Profetas e os Sábios são o poder judiciário, não o legislativo, do judaísmo. A própria Torá dá-lhes permissão de interpretar a Lei e mesmo de criar leis rabínicas que servem de proteção para que as leis bíblicas não sejam violadas. Contudo, nenhum ser humano, independentemente de seu grau de inteligência ou espiritualidade, pode criar, modificar ou revogar as leis da Torá. Além disso, qualquer lei rabínica precisa ter alguma base na lei bíblica.

Esse princípio fundamental do judaísmo é explicitamente declarado no quinto livro da Torá. Pois está escrito: “Se um profeta, ou um sonhador, se levantar no meio de ti e te der um sinal do céu ou um milagre da terra, e realizar-se o sinal ou o milagre de que te falou, e te disser: ‘Vamos atrás de outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los! ’ – não obedecerás às palavras daquele profeta ou daquele sonhador; porque HaVaYaH, vosso D’us, vos está testando para saber se amais HaVaYaH, vosso D’us, com todo vosso coração e com toda vossa alma. Após HaVaYaH, vosso D’us, andareis; a ELE temereis, SEUS Mandamentos guardareis e a SUA Voz ouvireis; a ELE servireis e a SUAS qualidades adotareis. E aquele profeta ou aquele sonhador será morto, porquanto pregou falsidade em Nome de HaVaYaH, vosso D’us, que vos tirou da terra do Egito e que vos redimiu da casa de escravos, para vos desviar do caminho que HaVaYaH, vosso D’us, vos ordenou para andar nele; e eliminarás o mal do meio de ti” (Deuteronômio, 13:2-6). 

Se alguém questionasse por que D’us daria poderes sobrenaturais a um ser humano que os usaria para se opor à SUA Vontade(*), a Torá prontamente dá a resposta: porque D’us está testando sua fé.

(* E este é o caso no que se refere a Yeshu (Jesus). Veja

https://a-fe-original–noaismo.info/2017/12/20/site-bnei-noach-a-verdadeira-historia-de-jesus-e-do-cristianismo/  )

 

D’us nos fez saber por meio de SUA Torá que nenhum ser humano tem a autoridade de modificar ou revogar a Lei Judaica. Um homem pode realizar os maiores milagres – pode prever com precisão o futuro e fazer do dia noite e da noite, dia. Mas mesmo assim estamos proibidos de segui-lo se ele pronunciar uma única palavra contra a Torá.

Durante milhares de anos, indivíduos, organizações e instituições religiosas tentaram converter os judeus, alegando serem profetas ou fazedores de milagres ou argumentando que certas leis da Torá já não se aplicavam. Geralmente citavam passagens de Nevi’im ou Ketuvim para tentar corroborar suas crenças. Tais discussões, no que concerne ao judaísmo, são fúteis, pois a própria Torá nos alerta acerca de milagreiros e profetas que tentam nos desviar para outras fés. Além disso, como vimos acima, os versículos e passagens de Nevi’im e Ketuvim são irrelevantes para a Lei e prática judaicas. Sequer importa de que forma tais passagens são interpretadas, seja literalmente ou não.

Se, por exemplo, o profeta Isaías dissesse ao Povo Judeu que as leis de Cashrut já não mais se aplicavam, não apenas não lhe faríamos caso, como o levaríamos à Corte Suprema Judaica para ser julgado por ser um falso profeta. Na verdade, é interessante observar que esse profeta foi acusado por seu próprio neto, o rei Menashé, de ter feito declarações que contradiziam certos princípios da Torá. O profeta foi julgado, condenado à pena capital e brutalmente executado. Se as intenções do Rei em condenar seu avô eram maldosas e se as acusações eram infundadas não é relevante para nossa discussão. O que é digno de nota é que o maior profeta desde Moshé foi julgado e condenado à morte por ter feito declarações que alegadamente contradiziam certos princípios da Torá.

Não desejamos implicar que as palavras do profeta Isaías ou de qualquer genuíno profeta judeu contradiga a Torá, de alguma forma. De fato, o principal papel dos profetas era levar o Povo Judeu a fortalecer o seu cumprimento da Torá. Não é coincidência o fato de que o último dos profetas do Tanách, Malachi, conclua suas palavras proféticas com a seguinte mensagem Divina: “Recorda-te da Torá de Moshé, Meu servo” (Malachi 4:4).

Judeu algum deve tentar abraçar outra religião ou filiar-se a outro culto porque alguém realizou ou alegou ter realizado milagres e maravilhas. Ademais, todos os judeus devem estar cientes de que o judaísmo não pode ser ameaçado, de forma alguma, por interpretações de outros credos de passagens dos Nevi’im ou dos Ketuvim. As palavras de um ser humano  jamais poderá ou terá precedência sobre as palavras de D’us, que constituem os Cinco Livros da Torá.

A Torá Oral

D’us ditou a Torá Escrita a Moshé e o ensinou como deveria lê-la e elucidá-la – e como cumprir seus mandamentos. Esse “Guia Divino à Torá Escrita”, transmitido a Moshé e ensinado subsequentemente ao Povo Judeu durante sua longa jornada no deserto, é conhecido como a Torá Oral.

A Torá Escrita original transmitida por D’us a Moshé foi uma longa sequência de letras sem divisão entre as mesmas. O Talmud a descreve como “fogo negro escrito sobre fogo branco”. A Torá Oral explica como as letras da Escrita deviam ser divididas, pronunciadas e lidas. Sem ela, a Torá Escrita seria incompreensível – uma longa lista de letras hebraicas – compondo um código indecifrável.

Muitas das leis da Torá são muito complexas. Desde a Revelação no Sinai, inúmeros livros foram escritos sobre a mesma – mesmo a Torá Oral foi transcrita – mas, ainda assim, necessitamos de rabinos e professores para melhor entendê-la.

Mas não necessitamos de argumentos racionais para tentar provar a existência de uma Torá Oral. A Torá Escrita testemunha a existência de uma tradição oral, pois se fôssemos ler os Chamishei Chumshei Torá sem jamais ter praticado ou guardado os mandamentos judaicos, entenderíamos muito pouco dos mesmos. Por exemplo, quando lemos sobre a Matzá na Torá, sabemos a que se refere – apenas porque a quase totalidade dos judeus do mundo já o provaram ou viram. A Torá Escrita não nos diz como produzir a Matzá, como assegurar que não se torne Chamêtz, tampouco que devemos comê-la durante o Seder de Pêssach. A Tora Oral é a única fonte desse conhecimento.

A Torá Escrita transborda de leis e mandamentos, mas não explica como cumpri-los. O Brit Milá, a circuncisão, é um dos pilares da fé judaica – até o menos observante dos judeus insiste em circuncidar seus filhos homens – mas, ainda assim, a Torá Escrita sequer menciona explicitamente em que órgão se pratica a circuncisão nem como. Yóm Kipúr, dia mais sagrado do ano, é outro pilar da fé judaica. A Torá Escrita diz que nos devemos afligir no Dia do Perdão, mas não nos diz como. Não diz, em parte alguma, que devemos jejuar. Como saber que nos afligirmos em Yóm Kipúr significa jejuar? Afligir-nos pode significar autoflagelo. Mas não é. Outro pilar do judaísmo é o cumprimento do Shabát, mas a Torá Escrita não nos diz o que podemos e o que não podemos fazer nesse dia sagrado. Já a Torá Oral, esta nos fornece não apenas os detalhes, mas as explicações básicas de como interpretar e executar os mandamentos transmitidos pela Torá Escrita.

A referência mais explícita feita pela Torá Escrita acerca da Oral é encontrada em um versículo referente à Shechitá – o abate casher de animais. Em nenhum lugar da Torá Escrita ou outro livro do Tanach consta uma explicação sobre como essa prática deve ser realizada. Apenas está escrito: “… poderás degolar do teu gado e do teu rebanho que HaVaYaH te deu, como te ordenei…” (Deuteronômio, 12:21).

Através da História Judaica, muitas pessoas, judias ou não, têm tentado negar a existência e autenticidade da Torá Oral. Já que, como vimos acima, a Revelação Divina no Sinai não pôde ser negada porque foi um evento público que envolveu milhões de pessoas, quem quisesse enfraquecer a existência ou o cumprimento do judaísmo, tinha como objetivo a Lei Oral. Quando uma nação ou uma organização tentavam extirpar o judaísmo, escolhiam como alvo o Talmud, núcleo da Torá Oral.

É fácil entender por que aqueles que desejavam extirpar o judaísmo sem sujar suas mãos baniam o estudo do Talmud. Se nós, judeus, não podemos estudar a Torá Oral, não podemos entender e seguir a Torá Escrita, e, assim, não podemos cumprir os mandamentos.

Emét, a Verdade, como vimos no artigo já citado, é definida pela Torá como honestidade e consistência intelectual. Uma meia-verdade não é a Verdade.  Se alguém quer negar a existência e autenticidade da Torá Oral, terá que negá-la totalmente. Não poderá escolher aleatoriamente quais de suas leis atendem a seus propósitos. Quem a nega, não pode alegar que o principal mandamento de Yóm Kipúr é abster-se de comer e beber porque em nenhum lugar da Torá Escrita isso está ordenado. Não se pode negar a Torá Oral e tomar as quatro espécies em Sucót, porque em nenhum lugar da Torá Escrita suas identidades são reveladas. Finalmente, aquele que nega a Torá Oral não deveria sequer ler um Chumash ou um Sefer Torá, pois sem a Lei Oral não saberíamos como dividir as letras, o que dizer, então, de pronunciar suas palavras…

É importante observar, no entanto, que reconhecer a autenticidade e a autoridade da Torá Oral não significa que se alguém não segue todas as suas leis, não precisa se preocupar em seguir nenhuma delas. O que se espera de cada um dos judeus é honestidade e consistência intelectual: ou se aceita que a Torá Oral é tão Divina quanto a Escrita ou não. Não há outra opção. O que se espera do Povo Judeu, acima de tudo, é que preserve os fundamentos do judaísmo. O judaísmo autêntico é o reconhecimento de que D’us SE revelou no Monte Sinai e nos deu a Torá, de que a Torá é de Autoria Divina, e que a Torá Oral tem igual importância à Escrita.

Não surpreende que os judeus que não aceitaram ou não preservaram os princípios do judaísmo, acabaram por se assimilar. Ainda que acreditem em D’us, na Divina  Revelação no Sinai e na Divindade da Torá Escrita, isso não é suficiente. É a Torá Oral que distingue o judaísmo das outras religiões, especialmente daquelas que adotaram o Tanách. Na ausência da Torá Oral, não pode haver um judaísmo real.

A Eternidade da Torá

No Talmud, vemos diferenças de opinião em assuntos da  Lei Judaica, especialmente entre as Escolas de Hillel e Shammai. O Talmud declara que ambas as Escolas estão corretas em suas sentenças; ambas refletem as Palavras do D’us Vivo. Como poderiam ambas estar corretas? E se a Escola de Shammai também estava correta em seus veredictos, por que a Lei Judaica segue, em geral, os da Escola de Hillel?

É possível haver diferenças de opinião em questões da Lei da Torá porque assim como D’us possui tanto o Atributo de Misericórdia como o de Justiça, também a Torá, que é a SUA Vontade e Sabedoria, pode ser aplicada de forma leniente ou severa. A Escola de Hillel representava a Misericórdia Divina – e por essa razão suas sentenças tendiam a ser mais lenientes. A Escola de Shammai, por outro lado, refletia a Justiça Divina – por isso a maioria de seus veredictos eram mais severos que os da Escola de Hillel.

Em geral, a Lei Judaica sentencia segundo a Escola de Hillel porque vivemos em um mundo imperfeito, onde a Presença Divina é quase sempre oculta. Somos seres humanos frágeis e necessitamos misericórdia e leniência. Neste mundo de tantos desafios, é bastante difícil seguir a lei da Torá mesmo segundo os veredictos da Escola de Hillel. Contudo, quando Mashíach (o verdadeiro Messias) vier e o mundo for aperfeiçoado, seguiremos as sentenças da Escola de Shammai – pois seremos, então, capazes de seguir a Torá de acordo a suas interpretações mais rígidas.

Isso significa que contrariamente ao que muitos pensam, a Torá não será revogada quando o Mashíach vier. De fato, como explicamos acima, nós a respeitaremos de uma maneira ainda mais rígida e completa. O conceito de uma “nova Torá”, tirado de um versículo de Isaías, não significa que a Torá do Sinai foi ou será revogada na Era Messiânica. Pois, como vimos acima, nenhum profeta, nem mesmo Isaías, pôde mudar sequer um pingo na Torá. Ademais, a Torá Oral, que é uma parte indispensável para a compreensão da Torá Escrita, explica que na Era Messiânica iremos observar a Torá de acordo com Beit Shammai, a Escola de Shammai. Portanto, o conceito de uma “nova Torá” significa uma compreensão mais profunda dos ensinamentos da Torá e o cumprimento mais rígido de seus mandamentos.

A Torá não pode mudar porque é a Vontade e Sabedoria de uma EXISTÊNCIA Infinita e Perfeita, que vive acima e além do tempo e de qualquer outra limitação. Em determinados períodos no tempo, algumas das leis da Torá podem não se aplicar. Por exemplo, não podemos cumprir muitos de seus mandamentos na ausência do Templo Sagrado. Contudo, nenhum dos mandamentos foi ou jamais será permanentemente revogado.

A Cabalá ensina que a Torá é o projeto do mundo.  Como ensina o Zohar, “D’us olhou na Torá e criou o mundo. O homem olha na Torá e o sustenta”. O Maharal de Praga, um dos maiores Sábios da história judaica, que ficou famoso por criar o Golem, perguntou, certa vez: “Por que o mundo está-se perdendo?”. E ele respondeu: “Porque a Torá foi abandonada”. E o que significa abandonar a Torá? Significa não reconhecer que é Divina e subestimá-la de alguma forma. O Talmud afirma enfaticamente que questionar a origem Divina de uma letra que seja ou de uma interpretação tradicionalmente aceita da Torá equivale a negar toda a Torá (Sanhedrin 99a). O Talmud vai mais adiante. Ensina que aquele que nega que a Torá Oral foi outorgada por D’us a Moshé é alguém que despreza a palavra de D’us (ibid).

Como a Torá é o plano-mestre de D’us para o mundo, aquele que se empenha em fortalecê-la, fortalece o mundo. Ele ajuda a levar bênçãos, proteção, paz e prosperidade a toda a humanidade. Quem, por outro lado, enfraquece a Torá, faz exatamente o oposto.

A festa de Shavuót, que ocorre sete semanas após Pêssach, é a época mais propícia do ano para o Povo Judeu fortalecer a Torá através da renovação de seu compromisso de estudá-la e cumprir seus mandamentos. Fortalecemos a Torá e trazemos bênçãos Divinas e plenitude ao mundo preservando os fundamentos do judaísmo: o reconhecimento de que D’us SE revelou ao homem, de que a Torá é Divina e, portanto, eterna e imutável, e de que apoia-se em dois pilares: a Torá Escrita e a Torá Oral. São esses os princípios que definem o judaísmo autêntico.

 

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A TORÁ ORAL

– Instituto Morashá de Cultura

 

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Padrão
A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

CONHECIMENTO E FÉ

A Fé Original: Noaismo.info

O Site Bnei Noach

 

B”H

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

ATENÇÃO:

O “ch” nos termos hebraicos tem som de “RR”: Chassídico, Chassidim, Yochai, Chukim, Kórach.

 

CONHECIMENTO E FÉ

“Para que não esqueças as coisas que os teus olhos viram e para que não saiam do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás conhecer aos teus filhos e aos filhos de teus filhos – no dia em que estiveste diante de HaVaYaH, teu D’us, em Horeb, quando HaVaYaH me disse: ‘Junta-me o povo e o farei ouvir as MINHAS palavras, para aprender a temer-ME todos os dias em que viver na terra, e para que as ensinem a seus filhos'”. (Deuteronômio 4:9-10)

 

A história que leremos, a seguir, versa sobre  Rabi Levi-Yitzhak de Berditchev, um dos maiores mestres do Movimento Chassídico. Logo após seu casamento, ele pediu permissão ao sogro para viajar a Mezeritch, onde queria estudar com o líder dos Chassidim, o Rabi Dov Ber, conhecido como o Grande Maguid, o Grande Pregador. O sogro negou-lhe a permissão, mas o Rabi Levi-Yitzhak insistiu e perturbou-o até que ele cedeu, dando-lhe permissão de passar seis meses estudando em Mezeritch.

Rabi Levi-Yitzhak viaja, então, para estudar com o Grande Maguid. Ao voltar para casa, decorridos os seis meses, o sogro o recebe com um sorriso zombador. “Diga-me, Levi, o que foi que aprendeu em Mezeritch?  O que aprendeu com aquelas pessoas estranhas – os Chassidim – que não pudesse ter aprendido aqui?”, perguntou. Rabi Levi-Yitzhak volta-se para o sogro  e diz: “Agora sei que D’us existe”. Seu interlocutor fica chocado com a resposta. Agora ele sabe que D’us existe? Teria sua filha se casado com um ateu, um agnóstico?

O sogro chama, a seguir, uma mocinha que trabalhava  em sua casa. Aponta para o céu, a grama, as árvores  e pergunta a ela: “Diga-me, como surgiu tudo isso?”.  A garota responde, sem hesitar: “D’us o criou, claro!”.  “Você está dizendo que D’us existe?”, perguntou. “Claro que D’us existe!”, ela disse, olhando-o como se ele tivesse perdido a razão.

Voltando-se para Rabi Levi-Yitzhak, o sogro diz: “Você está vendo, Levi? Ela não estudou em Mezeritch. Na verdade, ela nunca frequentou uma Yeshivá aqui na cidade, e ela sabe que D’us existe”. Rabi Levi Yitzhak volta-se para o sogro e, dessa vez, é ele quem sorri ao falar: “Você não entende… Ela diz que D’us existe. Eu sei que D’us existe”…

A Verdade, segundo o Judaísmo

Esse relato representa a própria definição de religião de acordo com o judaísmo. A religião não consiste em dizer ou acreditar em certos fatos – mas em saber certos fatos. Segundo o judaísmo, a religião(*) é a busca da Verdade. Religião e Verdade são sinônimos. D’us e Verdade são sinônimos. A palavra hebraica para Verdade, Emét, é um dos nomes de D’us, e, como ensina o Talmud, é a própria chancela Divina. A busca por D’us, portanto,  é a busca pela Verdade.

(* Quando o judaísmo usa a palavra “religião”, é com o sentido de espiritualidade, de natureza espiritual.)

 

Segundo o Talmud, a grafia em si da palavra Emét define o que realmente constitui a Verdade. Essa palavra hebraica é formada por três letras: Alef, Mem e Taf. Alef é a primeira letra do alfabeto hebraico, Mem é a letra do meio e Taf é a última. A grafia de Emét nos ensina que a Verdade precisa ser consistente: algo só é verdadeiro quando é consistentemente verdadeiro; quando seu início, seu meio e seu fim são verdadeiros. Algo que é uma meia-verdade, incoerente ou inconsistente, não é Verdade.

Muitos julgam que a religião e a Verdade são nitidamente opostas. Acreditam que a religião e o conhecimento são, em geral, contrários – que a religião exige que substituamos o conhecimento pela fé. O judaísmo rejeita, categoricamente, essa visão. Proclama que D’us e SUA Torá – que é SUA Vontade e Sabedoria – são a Verdade Suprema, e que se encontrarmos uma contradição entre a Torá e a Ciência, isso se deve ao fato de termos uma compreensão errônea de uma das duas – ou de ambas.

Como veremos a seguir, a fé não significa o abandono da razão ou do conhecimento. O Talmud, espinha dorsal da Lei e tradição Judaicas, é quase inteiramente baseado no conhecimento e lógica. Rabi Shimon Bar Yochai, o grande místico e autor do Zohar, obra fundamental da Cabalá, que também foi um dos maiores Sábios do Talmud, defende a ideia de que há um motivo racional para as leis da Torá. O conceito de dogma, de fé cega, de aceitação do absurdo e do ilógico, é estranho ao judaísmo. É verdade que como D’us e SUA Sabedoria são Infinitos, nós, criaturas finitas, jamais O entenderemos ou a SUA Torá por completo. Isso, no entanto, não significa que não entendamos nada acerca d’ELE ou de SUA Sabedoria. Fazendo uma analogia: há vários problemas na Matemática que não foram solucionados. Isso não significa que nada saibamos sobre essa ciência. Há uma diferença abismal entre não saber tudo e não saber nada.

Ser humano algum, nem mesmo Moshé Rabênu, pode entender plenamente D’us e SUA Vontade. Mas isso não significa que a Torá exige aceitação cega. Mesmo suas leis conhecidas como Chukim, popularmente definidas como as “leis não racionais”, não são dogmas. As Chukim não são ilógicas: simplesmente requerem um grande cabedal de conhecimento e sabedoria para serem compreendidas. Por exemplo, algumas pessoas creem que a proibição de comer carne e leite juntos seja ilógica – algo que pode ser aceito apenas através da fé. Mas para alguém que estudou o judaísmo em profundidade e compreende o funcionamento das Sefirót – e o que a carne e o leite representam – as razões para a proibição de comê-los juntos ficam muito claras. O mesmo se aplica a todos os mandamentos da Torá. Nada é absurdo ou ilógico, mas algumas leis requerem muita sabedoria e conhecimento para serem compreendidas.

Qual seria, então, o papel da fé no judaísmo? Sem dúvida, um papel central, mas não da maneira  como o crê a maioria das pessoas. A palavra hebraica para fé, “Emuná” não significa fé cega – a suspensão da razão e da lógica. Essa palavra origina-se da raiz “Aman”, que significa basear-se seguramente ou confiar em algo. Segundo a Torá, Emuná significa acreditar naquilo que é de confiança. O motivo para a fé ter um papel central no judaísmo é por desempenhar um papel fundamental na vida. Quer o saibamos ou não, todos os seres humanos – até os mais céticos – utilizam a Emuná. Nós a empregamos todos os dias, em cada momento de nossa vida, consciente ou inconscientemente, ativa ou passivamente.

Exercemos uma medida de fé mesmo quando estamos em casa, sem fazer nada: temos fé que o teto não vá ruir e que o edifício não vá desmoronar-se, apesar de sabermos que coisas assim acontecem. Exercemos a fé quando viajamos de avião: acreditamos que a aeronave esteja funcionando adequadamente e que o piloto saiba o que está fazendo, apesar de não podermos garantir nenhuma das duas situações. Também empregamos a fé quando lemos o jornal e acreditamos no que lemos, mesmo sabendo que os jornais são, geralmente, subjetivos e, ocasionalmente, contêm informações erradas. Exercemos a fé quando acreditamos no que nossos professores e livros de História nos ensinam.

O que sabemos é, em maior ou menor extensão, baseado em Emuná, porque não podemos ter certeza de nada. Sequer podemos ter certeza de que nosso mundo não é um mundo da fantasia, uma ilusão, como o creem os místicos orientais. Diante da inexistência da prova absoluta, temos que fazer uso da Emuná; temos que presumir muitas coisas e tentar buscar a verdade de forma honesta, o que significa ser intelectualmente honesto e consistente – sem empregar padrões morais duplos – dois pesos e duas medidas, ou utilizar argumentos emocionais para tentar silenciar os racionais.

Conhecimento,  Fé e Falácias

Para discutir adequadamente o papel que o conhecimento e a fé desempenham no judaísmo, é necessário primeiro reconsiderar nossas definições de ambos os conceitos. A quase totalidade de nosso conhecimento se baseia em dois pontos: a probabilidade e a fé de que fatos históricos foram corroborados por fontes independentes antes de serem aceitos como verdadeiros. Quase todo o conhecimento científico se baseia em probabilidades – há poucos fenômenos, se é que existe algum, que sejam infalíveis.

Consideremos o seguinte cenário: um cassino é acusado de adulterar a roleta, mas se nega veementemente a admiti-lo.  A roleta é dividida em 37 segmentos, numerados de 0 a 36. Suponhamos que tenha girado 1.000 vezes e que sempre pare no mesmo número. Pode-se concluir daí que houve adulteração? Provavelmente – mas não há certeza. Estatisticamente, não é impossível que a roleta pare no mesmo número 1.000 vezes seguidas. Na verdade, pode-se fazer girar a roleta de agora até o infinito, e a mesma poderia sempre parar no mesmo número sem que estivesse adulterada. As chances de tal fato acontecer são infinitesimais, mas existem. Se afirmássemos saber que o cassino havia adulterado a roleta e o considerássemos responsável pela fraude, estaríamos empregando uma medida de fé – ou seja, apesar de não estarmos absolutamente seguros do que dizíamos, acreditávamos que a roleta estivesse adulterada em virtude de ser muito pequena a probabilidade de não o estar.

No entanto, há uma enorme diferença entre algo improvável e algo impossível. Uma chance em um trilhão não é a mesma coisa que chance zero. No caso da roleta, não há chance alguma de que pare no número 40, simplesmente porque este não é um de seus números.  Mas sempre há uma chance, por menor que seja, de que alguém possa fazê-la girar indefinidamente e ela sempre pare no mesmo número.

Como no exemplo acima, quase todo o conhecimento científico é calcado em probabilidades – em tentativa e erro. Qualquer cientista honesto e competente pode confirmar que as Ciências se baseiam em teorias – não em leis absolutas.   A certeza absoluta não existe  – nem mesmo no reino das  “ciências exatas”. Exemplificando:  A Ciência pode mostrar-nos, na teoria e na prática, a razão pela qual alguém que ande descalço sobre brasas de carvão incandescente queima os pés. Contudo, há pessoas que andam sobre brasas – o fenômeno religioso praticado em várias regiões do planeta, chamado de “Andar sobre fogo” – sem queimar nem ferir os pés.

Quando se trata de conhecimento acerca de eventos, como sabemos o que é ou não verdade? Como sabemos que Hiroshima sofreu um ataque nuclear durante a 2ª Guerra Mundial e que o Rio de Janeiro nunca foi atacado? Muitos de nós não tínhamos nascido nessa época; como saber, então, o que realmente aconteceu? Baseamo-nos no testemunho de terceiros. Quanto maior for a corroboração – quanto mais testemunhas independentes houver, reduzindo a possibilidade de conluio – mais disposição teremos para considerar o fato como verdadeiro. Nenhum de nós pode voltar no tempo ou estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Além do mais, não dispomos dos recursos nem do tempo para corroborar pessoalmente tudo o que nos conta a imprensa escrita ou falada. Usamos de boa-fé ao acreditar que as notícias transmitem a verdade porque há fontes independentes – jornalistas que trabalham em mídias concorrentes – que se beneficiariam se pudessem desacreditar a concorrência. Mesmo se vivêssemos em um regime totalitário, com controle da mídia, os oponentes internos ou externos do governo deixariam vazar a verdade. Um governo pode mentir se assim o quiser, e pode controlar a imprensa e silenciar a oposição, mas não pode forçar seu povo a acreditar nas mentiras, nem, muito menos, a transmiti-las a seus filhos. O excelente romance político de George Orwell, 1984, descreve o quão difícil é, mesmo para a mais brutal das sociedades totalitárias, fazer lavagem cerebral em todo um povo. Como o disse, brilhantemente, Abraham Lincoln: “Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar a todas por todo o tempo”.

Um dia, a verdade vem à tona, especialmente se o assunto diz respeito a muitas pessoas. Fica relativamente fácil corroborar sua veracidade.

O que hoje é notícia, amanhã é história. Acreditamos que eventos históricos importantes, que envolveram um grande número de pessoas, realmente ocorreram porque há muitas testemunhas independentes que poderiam confirmar sua veracidade e deixar vazar a verdade, no caso de uma deturpação da realidade.

Quando alegamos saber algo, o que estamos realmente dizendo é que a probabilidade daquilo ser verdade é indubitável, está além de qualquer dúvida. Ser indubitável é o padrão de evidência exigido para validar uma condenação criminosa. Se alguém é acusado de ter cometido um crime por uma única testemunha, ele pode alegar que a testemunha está mentindo. Se houver mais testemunhas, ele pode alegar que estão conspirando contra ele. Quando são milhares de testemunhas, a probabilidade de estarem enganadas no que viram ou estarem conspirando, é muito pequena – está praticamente além de qualquer dúvida.

Mentiras e tramas conspiratórias que envolvam milhões ou mesmo milhares de pessoas têm vida curta porque é enorme a possibilidade de vazamentos. Pois, como convencer milhares de pessoas a contar uma mesma história deturpada? Como convencer todas essas pessoas a nunca contar a verdade a ninguém – a nenhum amigo, nem a seus filhos ou netos? Os recentes escândalos envolvendo Edward Snowden e a Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) evidenciam que basta um indivíduo vazar os segredos que envolvem um grande número de pessoas. Nas palavras do próprio Snowden: “… informar ao público o que é feito em seu nome e o que é feito contra eles”.

Quanto maior a mentira, a deturpação ou a conspiração, e quanto mais pessoas estiverem envolvidas, mais fácil será refutá-la.

Revelação Pública:  a Base do Judaísmo

Muitos acreditam, erroneamente, que a fé judaica se baseia no Êxodo do Egito – nas pragas e na divisão do Mar dos Juncos. Eles talvez argumentem que se esses fenômenos pudessem ser racionalmente explicados, a veracidade do judaísmo seria questionada. Trata-se de uma concepção muito errada – não apenas porque a fé judaica ensina que D’us opera através das leis da natureza que ELE criou – mas porque, no que toca ao judaísmo, milagres e maravilhas pouco provam. As pragas e a divisão do mar serviram a um propósito prático – libertar o Povo Judeu do Egito – mas não têm praticamente influência alguma em nossas crenças.

A Torá nos ensina que a fé judaica não é calcada em milagres. Quando D’us aparece, pela primeira vez, a Moshé, ordenando-lhe que volte ao Egito e informe ao Povo Judeu que ELE os libertará da escravidão, ELE lhe diz: “Porque estarei contigo, e isto será para ti o sinal de que EU te enviei; depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a D’us sobre este monte” (Êxodo, 3-12). D’us informou a Moshé que o Povo Judeu acreditaria nele em virtude da revelação que ocorreria “na montanha”, o Monte Sinai, e não por causa dos milagres e maravilhas que a antecederiam.

O Rav Maimônides ensina que a verdadeira fé não pode basear-se em milagres porque sempre resta uma dúvida persistente de que tivessem sido inventados ou realizados por outro meio que não a intervenção Divina. Ele ainda explica que isso foi a base do temor de Moshé de que os judeus não acreditassem nele mesmo se ele realizasse milagres para provar que D’us o havia indicado como SEU agente. “E eles não me crerão”, Moshé responde a D’us, “nem ouvirão a minha voz, pois dirão, ‘Não apareceu a você HaVaYaH’” (Êxodo, 4:1). Moshé percebeu que nem mesmo a maior das maravilhas poderia induzir à crença perfeita. Para refutar esse medo, D’us lhe assegurou que a Nação Judaica vivenciaria uma Revelação Divina no Monte Sinai, removendo-lhes qualquer dúvida. A fé de Israel em Moshé e em sua profecia não se basearia, então, em fatos sobrenaturais, mas na experiência coletiva de milhões de pessoas no Monte Sinai, onde lhes ficaria indiscutivelmente claro que D’us falava com eles (Hil. Yesodei Ha’Torá, 8:2). Os milagres, independentemente de quão numerosos ou assombrosos, não podem ser fonte de crença para ninguém – não apenas porque seja controvertida a própria definição do que é um milagre – mas porque não apenas o verdadeiro profeta de D’us tem a capacidade de realizar atos sobrenaturais. Os feiticeiros do Faraó, que eram idólatras, conseguiram transformar cajados em serpentes e as águas do Egito em sangue. O profeta Bilaam, que era o mais malvado e depravado dos seres humanos, era um profeta tão poderoso quanto Moshé.  A capacidade de prever o futuro ou de realizar milagres – milagres verdadeiros, não ilusões ópticas – prova apenas uma coisa: que quem os realiza possui um talento muito raro.

De fato, povos de quase todas as religiões realizaram milagres. Se os milagreiros comprovassem a validade de sua religião, teríamos que acreditar em quase todos elas, o que seria um absurdo teológico e lógico, pois a maioria delas é mutuamente exclusiva.

Acreditamos no judaísmo não por causa de Moshé, nem das pragas ou da divisão do mar, mas porque D’us,  ELE PRÓPRIO, SE revelou perante 600.000 judeus e suas famílias, no Monte Sinai. A veracidade de um evento público testemunhado por milhões de pessoas é muito difícil de ser refutada. O judaísmo baseia-se em um evento público que envolveu uma miríade de pessoas, e não no carisma de um líder, poderes da fala, ou habilidades sobrenaturais. O judaísmo não se baseia no que seu maior líder vivenciou, mas no que toda a primeira geração de judeus vivenciou. Nós acreditamos no judaísmo não por acreditar em Moshé, mas porque acreditamos no testemunho de milhões de judeus.

O grande astrônomo judeu americano, Carl Sagan, disse certa vez que, “Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias”. D’us optou por SE revelar ao Povo Judeu inteiro porque o testemunho de milhões de pessoas constitui evidência extraordinária que corrobora uma alegação extraordinária. A palavra de um homem – independentemente de quão sagrado ou poderoso seja – não constitui evidência extraordinária. Tampouco o é o testemunho de um pequeno grupo de pessoas. Ainda que sejam verdadeiras, sempre é possível que estejam enganadas acerca do que viram. No entanto, é muito difícil que três milhões de pessoas fabriquem uma história ou que estejam erradas no que viram, ouviram e vivenciaram.

À luz do que vimos acima, podemos entender por que a Torá afirma categoricamente que somente após a Revelação no Sinai o Povo Judeu acreditaria em Moshé para todo o sempre. Antes do Sinai, alguém o poderia ter desmistificado como um feiticeiro que derrotara os feiticeiros do Faraó. Poderia argumentar que as pragas no Egito e mesmo a divisão do mar foram coincidências: aberrações estatísticas, que, como vimos acima, não constituem provas absolutas. Mas quando milhões de pessoas viram-se diante de D’us, não houve mais lugar para especulação ou para análise de probabilidades estatísticas. Mesmo os inimigos e adversários de Moshé, inclusive seu primo Kôrach, que tentou organizar um golpe de estado, não puderam negar nem questionar a veracidade da Revelação Divina no Sinai.

Fosse a Torá um livro de mitos ou uma combinação de realidade e ficção, poderíamos talvez argumentar que a Revelação Divina no Sinai fosse um de seus relatos ficcionais. Mas os judeus sempre insistiram que os eventos relatados nos Cinco Livros da Torá devem ser levados  ao pé da letra. Portanto, há apenas duas possibilidades reais do que possa ter acontecido no Sinai: ou foi uma Revelação Divina, como relata  a Torá, ou uma conspiração de massa, envolvendo milhões de pessoas que fabricaram uma história, ou, no mínimo, concordaram em levar avante essa mentira, evitando, de alguma forma, que a verdade viesse à tona. Nenhuma dessas pessoas nem nenhum de seus filhos escreveu seu relato pessoal, contradizendo a Torá. Até mesmo os inimigos de Moshé, mesmo aqueles que adoraram o bezerro de ouro, nunca tiveram a audácia de negar a veracidade da Revelação Divina no Sinai.

É muito difícil de crer que milhões de judeus tenham inventado a história da Revelação ou concordado em respeitá-la, sabendo que era uma falácia. É ainda mais difícil de acreditar que, fosse uma invenção, ninguém a tivesse desmascarado e revelado a verdade. Contudo, de fato não há prova absoluta que corrobore esta extraordinária alegação – assim como não há prova absoluta de nada. Pode-se sempre conjecturar que talvez o Povo Judeu tenha imaginado ou sonhado sobre a Revelação. Talvez tenham inventado a história e convencido outros milhões de pessoas, judeus ou não, sobre sua veracidade. Tudo é possível: às vezes, mesmo as mais improváveis teorias conspiratórias são comprovadas. É aí que entra em cena a Emuná – a fé verdadeira: quando optamos por acreditar porque há evidência suficiente para fazê-lo, ainda que não haja certeza absoluta.

A Emuná que o judaísmo espera dos judeus é a mesma exigida pelos outros campos do conhecimento. Como o pilar do judaísmo foi um evento público que envolveu milhões de pessoas, trata-se de verdade histórica, não de fé cega. Isso significa que acreditar na Revelação Divina no Sinai e, portanto, na verdade do judaísmo, não é um ato de credulidade, mas sim de Emuná.   A verdadeira fé, do tipo que o judaísmo espera de cada um dos judeus, é uma ponte pequena que  liga a probabilidade à certeza. Precisamos da mesma porque, na verdade, não podemos ter 100% de certeza sobre nada.

Como na história sobre o Rabi Levi-Yitzhak de Berditchev, há uma diferença abismal entre dizer que  D’us existe e saber que ELE existe(*).  O judaísmo não exige fé cega, mas não é justo exigir mais corroboração da Torá do que da História ou das Ciências.

(* Certamente, todas as religiões do mundo – todas invenções humanas – só podem mesmo é dizer que D’us existe, e não sabe-lo (por conta própria).)

 

O judaísmo é a busca da Verdade, e por isso se iniciou da forma em que tudo ocorreu: para que nossa conexão com D’us e SUA Torá não fossem produto da fé cega. D’us poderia ter-SE revelado apenas a Moshé Rabênu e aos judeus que mais o merecessem, mas ELE optou por revelar-SE a todos, desde o mais simples deles. Era a única maneira de assegurar que nossa fé em D’us e em SUA Torá não fossem calcadas nos ensinamentos de um indivíduo ou de um grupo de pessoas (que todos sabem é o caso do cristianismo e do islamismo, e de toda a religião). Consequentemente, nós, judeus, não acreditamos em D’us por acreditar em Moshé, mas sim, acreditamos em Moshé por acreditar em D’us.

A festa de Shavuót celebra a Revelação Divina no Sinai e a transmissão dos Dez Mandamentos, que são o núcleo dos 613 mandamentos da Torá. Shavuót é o momento propício do ano para que todos os judeus fortaleçam sua conexão com D’us e SUA Torá, não por fé cega ou convenção social, mas porque há evidências avassaladoras que atestam a veracidade do evento mais extraordinário da História, ocorrido 50 dias após a libertação de nosso povo do Egito.

 

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OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

– Instituto Morashá de Cultura

 

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