A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

O Judaísmo Rabínico é autêntico?

A Fé Original: Noaismo.info

O Site de Bnei Noach do Brasil

 

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O Judaísmo Rabínico é autêntico?

Reflexões sobre a Torá viva

 

O que realmente significa ser fiel a si mesmo e às origens?

 

Por Professora Yael Shahar

 

O Povo do Livro (Não escrito)

Considerando o lugar de destaque da Torá escrita em nossos rituais comunais, muitas vezes surpreende aqueles que conhecem os judeus apenas como “o povo do Livro” que a maior parte da observância judaica não se encontra na Torá escrita. Pelo contrário, a lei judaica é a lei casuística, ou “jurisprudência”, construída ao longo de séculos de circunstâncias e respostas. A compilação quintessencial da lei judaica não é a Torá escrita, mas o Talmúd, um compêndio do tamanho da Enciclopédia Britânica que sintetiza 800 anos de discussões, argumentos, contos populares e até mesmo humor sobre o caminho certo para viver, como nação e como indivíduos.

E o Talmúd, por sua vez, esteve mergulhado por 15 séculos de discussões e respostas às circunstâncias em mudança, até os dias atuais. Assim, pode-se dizer que a Torá escrita é a base da lei judaica, da mesma forma que a Constituição Americana é a base da lei americana.

O que é o “judaísmo autêntico”

O judaísmo que conhecemos hoje — o judaísmo rabínico — seria irreconhecível para um judeu que vivia no tempo dos juízes. Aliás, o mesmo se aplicaria à lei judaica durante a Monarquia Davídica; também poderia ser irreconhecível para aqueles que estavam no Sinai.

Há aqueles que argumentam que este processo de reinterpretação contínua tornou o judaísmo de nossos dias menos “autêntico” do que o dos tempos dos nossos antepassados. Parece haver uma suposição implícita de que a Lei Judaica representada pela Torá escrita é de alguma forma mais autêntica do que a lei rabínica posterior.

Por trás deste argumento está a premissa de que “os rabinos” tinham segundas intenções que os motivou a se desviar da Torá escrita. E, no entanto, não é realmente possível atribuir segundas intenções aos Tanaím – os sábios e gigantes espirituais do período da Mishná – ou Amoraím – do período da Guemará –, simplesmente porque eles nunca representaram uma instituição unificada; a habilidosa redação do Talmúd apresenta uma imagem de unidade que nunca existiu de fato. Os sábios citados no Talmúd representavam diferentes grupos e subgrupos, alguns dos quais ficaram pelo caminho, enquanto outros ganharam o dia.

A lei rabínica é simplesmente a evolução das normas judaicas sobreviventes, incluídas as normas não escritas que se entrelaçaram com a lei escrita, e até podem tê-la precedida. Halachá incorpora não apenas um código religioso, mas também a lei civil, e durante a maior parte da história judaica, continuou funcionando como tal. As comunidades judaicas eram socialmente e legalmente autônomas, e viviam segundo suas próprias leis dentro dos impérios não-judeus maiores. Enquanto elas eram limitadas em alguns aspectos, eram autogovernadas em outros.

Embora grande parte da legislação discutida no Talmúd fosse inaplicável no exílio, sua legislação civil evoluiu para um sólido sistema econômico e social. De fato, uma das coisas mais fascinantes sobre o Talmúd (tal como é atualmente impresso) é que você pode realmente traçar a evolução do nosso atual sistema jurídico judaico lendo “do centro para a periferia” da página impressa: da Mishná para Guemará para Tosafót e comentários posteriores. Bases de dados modernas de responsas, como o Sefaria.org, lhe permitem continuar o processo além dos limites da página escrita, com responsas que chegam até os dias atuais.

A crescente Árvore da Vida

Tudo isto é para dizer que a halachá é um sistema vivo, que respira. Não é por acaso que a Torá é chamada de “árvore da vida”; ela cresce, ainda que lentamente, em resposta às circunstâncias em mudança. Voltando à analogia da lei constitucional dos EUA, podemos realmente dizer que a lei dos EUA não é “autêntica” a menos que descartemos todas as emendas e retornemos à Constituição “pura”?

Em outras palavras, admiramos a “autenticidade” das crianças. Mas o adulto é menos autêntico, simplesmente porque ele tem se adaptado às inúmeras circunstâncias que a vida tem colocado em seu caminho? Alguém diria que a criança é mais autêntica do que, digamos, um estudioso que tem passado toda a sua vida aprendendo e crescendo em seu campo, ou um músico que tem passado toda a sua vida aperfeiçoando sua arte?

Da mesma forma, o judaísmo tal como existe hoje em dia é uma cultura mais madura, tendo lidado com as vicissitudes do exílio e da falta de habitação. Não é menos autêntico do que o dos nossos ancestrais distantes. É o produto das mesmas forças que nos criaram, assim como o judaísmo de nossos ancestrais foi um produto das forças que os moldaram e definiram. Dizer que nosso judaísmo é menos autêntico por se adaptar ao seu entorno é um pouco como dizer que um pardal é menos autêntico que um velociraptor!

O Contrato com a Eternidade

Além do mais, se acreditamos que D’us tem algo a ver com nossa história, devemos ver que a Torá é dada continuamente pela mesma mão que coloca estes desafios em nosso caminho e exige que nos adaptemos a eles. A parte mais radical da frase “Torá miSinai” — Torá do Sinai — não é a noção de que a Torá foi dada de uma vez por todas. Em vez disso, é que, ao aceitar a Torá, concordamos, como nação, em nos associarmos a algo fora de nós mesmos e sermos moldados por essa força, para melhor ou para pior.

Esta é uma forma de parceria muito diferente à do Contrato Social, pelo qual os indivíduos desistem voluntariamente de certos direitos em troca de segurança. No nosso caso, concordamos em nos render, não nos direitos, mas na vontade nacional, e o fizemos cegamente, confiando em que a outra metade da parceria sabe o que está fazendo. Esta pode ser uma das razões pelas quais damos tanta ênfase ao livre-arbítrio no nível individual — porque no nível social, nós nos rendemos quase que totalmente, tendo concordado em seguir as regras que aceitamos com fé cega.

Podemos dizer que a sociedade moldada pelo nosso respeito por essas regras é inautêntica? Nós, como o músico que foi moldado por sua arte, ou o estudioso por seu aprendizado, somos o produto do que temos produzido, sob orientação da circunstância. Nós temos honrado nossa parte da Torá permitindo que ela nos molde como uma nação. Porém, ela tem sido moldada por nós também.

Para as nações, como para os indivíduos, as vicissitudes da vida são parte daquilo que nos torna quem somos; nós internalizamos suas lições e as tornamos parte de nós. Não é que nos afastamos de quem éramos — é que crescemos para abranger cada vez mais o nosso entorno. Ao fazer isso, não nos tornamos “outros”. Pelo contrário, nos tornamos “mais”.

 

Por Professora Yael Shahar

© Yael Shahar

Traduzido do inglês por Noaismo.info

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Bnei Noach

Nova página do site noaismo.info

A Fé Original: Noaismo.info

O Site de Bnei Noach do Brasil

 

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No mês de aniversário do site A Fé Original: Noaismo.info ( ), uma nova página, Graças a D’us.

 

Confira:

https://a-fe-original–noaismo.info/palavras-do-rebe-a-toda-a-humanidade-a-todos-os-nao-judeus-do-mundo/

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Bnei Nôach, uma religião?

A Fé Original: Noaismo.info

O Site de Bnei Noach do Brasil

 

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(Atenção:
Nas palavras transliteradas, o “ch” tem som de “RR”. Exemplo: Nôach.

Nas palavras transliteradas, o “sh” tem som de “CH”. Exemplos: Bereshít; Hashém.)

 

Perguntas E Respostas

 

É o movimento Bnei Nôach uma religião – uma nova religião? É o movimento Bnei Nôach uma religião para não-judeus criada por rabinos?

 

Por Rabi Moshe Genuth (Chabad)

 

Em nossos tempos, o Rebe de Lubavítch – Rabí Menachem Mendel Schneerson – trouxe as leis dos Bnei Nôach (Filhos de Noá) à vanguarda de nossos esforços por trazer a paz definitiva e a prosperidade ao povo judeu e ao mundo inteiro. Repetidamente o Rebe explicou que o mundo está preparado para aceitar a responsabilidade destas leis e de renovar o pacto feito entre Nôach (Noá) e o Todopoderoso depois do Dilúvio, como lemos em Bereshít/Gênesis.

As Leis dos Bnei Nôach NÃO são outra religião que os judeus estão tentando encorajar os não-judeus a aceitar. Decerto, elas não são de forma alguma uma religião, mas sim uma estrutura para criar um mundo melhor, uma humanidade melhor baseada na união da qual cada ser humano pode desfrutar com seu CRIADOR.

Mesmo que práticas à primeira vista, em geral o pacto de Nôach é baseado em princípios cujo valor e importância para criar uma sociedade justa e moral são facilmente reconhecidos pela maioria, se não por todos os povos do mundo em nossos dias.

Mas os princípios destas leis são diferentes de qualquer conjunto de leis racionais que podem ser estabelecidas por um tribunal da atualidade, porque foram estabelecidas pelo PRÓPRIO CRIADOR e entregues a nós como a base para SEU relacionamento com a humanidade como um todo.

Para além de seus aspectos positivos, o renascimento espiritual que o mundo experimenta hoje tem produzido o que se descreve como um choque de civilizações, cujo final não pode ser previsto. Em vez de incentivar a paz, a compreensão e a tolerância, as diferentes atitudes e alegações que cristãos e muçulmanos propõem em relação ao CRIADOR estão ameaçando causar uma tremenda confusão. Este é exatamente o tempo para que o povo judeu cumpra com sua missão como povo escolhido por Hashém e, junto com os não-judeus que já adotaram e se comprometeram com as leis dos Bnei Nôach, se dedique a propagar a mensagem destas leis e oferecer esperança, na forma de um pacto verdadeiramente universal entre o homem e Hashém, de uma nova era que pode emergir sobre todos nós.

O Rebe de Lubavítch imputou sobre seus irmãos e irmãs judeus a necessidade e obrigação de serem receptivos às necessidades espirituais dos não-judeus, até chegarem aos seus corações com A Verdade. Por conseguinte, a maioria dos centros Chabád Lubavítch estão procurando ensinar aos não-judeus como serem Bnei Nôach ao mesmo tempo em que os conecta com a autoridade de Torá local para propiciar seu crescimento contínuo e feliz.

De acordo com o Rebe, trazer as sete leis dos Bnei Nôach para o mundo gentio é um dos esforços mais valiosos para todos os judeus.

 

[E o próprio Rebe nunca disse que ‘os não-judeus receberam de D’us uma ou alguma religião (práticas religiosas ou rituais)’, e sim que “as nações do mundo receberam um código Divino de conduta, as Sete Leis Noaíticas.”

O Rabi Maimônides legisla que uma das Leis Divinas Universais é: “Não se deve permitir dar origem a alguma religião.”]

 

Por Rabi Moshe Genuth (Chabad)
© Rabi Moshe Genuth

Rabi Moshe Genuth é o editor em inglês do livro Cabalá e Meditação para as Nações do Rabi Yitzchak Ginsburgh (também Chabad).

Traduzido do espanhol por Noaismo.info © 2015-2019 Noaismo.info

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MAS…

Se Bnei Nôach não é uma religião, significa isso que os Bnei Nôach não tem obrigação de acreditar em D’us e de orar para D’us?

Será que acreditar em D’us e orar para ELE torna o movimento Bnei Nôach uma religião?

O Rebe responde estas perguntas. Veja em:

https://a-fe-original–noaismo.info/palavras-do-rebe-a-toda-a-humanidade-a-todos-os-nao-judeus-do-mundo/

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A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

O Povo de D’us

Mensagem_Papa_Pessach

Carta do Papa Francisco de 25/3/2013

 

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O Povo de D’us

 

Quem é o Povo de D’us?

 

Todas as religiões que dizem acreditar em D’us também são unânimes em dizer que D’us tem um Povo. Quem é o Povo de D’us?

Os católicos dirão que são eles. Os ortodoxos dirão que são eles. Os evangélicos dirão que são eles. Os messiânicos dirão que são eles. Os espíritas dirão que são eles. Os muhammadistas dirão que são eles. Na verdade, todos os povos são de D’us. Mas D’us também criou e escolheu um Povo para dar testemunho DELE (i.e., de SUA existência) e ensinar sobre “ELE” a todos os outros povos. Ninguém menos que o Papa Francisco responde a esta pergunta. Ele reconheceu e admitiu duas vezes por ocasião da Festa de Pêssach*:

 

Em 25 de março de 2013, o Papa Francisco escreveu para o líder da comunidade judaica de Roma, Rabi Riccardo Di Segni, dizendo:

“O Onipotente, que libertou o Seu povo da escravidão do Egito para guiá-lo até à Terra Santa, continue a libertar-vos de todo o mal e vos acompanhe com a sua bênção.”

 

E em 21 de abril de 2016, o Papa Francisco novamente escreveu para o rabino-chefe de Roma, Riccardo Di Segni, dizendo semelhantemente à primeira vez:

“que o Onipotente libertou o Seu amado povo da escravidão e o conduziu à Terra prometida.”

 

* Infelizmente desde então, o papa Francisco não tem mais admitido que o povo judeu é o Povo de D’us, o povo que ELE libertou da escravidão no Egito.

 

Em toda a História da Humanidade, somente um povo foi libertado por D’us da escravidão do Egito e conduzido por “ELE” à Israel, celebrando esses acontecimentos todos os anos, por mais de 3300 anos, na Festa de Pêssach:
O POVO JUDEU.

Assim, o Povo Judeu, SIM, são as Verdadeiras Testemunhas de Y-H-V-H (HaVaYaH [D’us]) (veja o Profeta Judeu Isaías [Ieshaiáhu] 42:1,5,6; 43:1,5,6,10,11,12,15,16,17,18,19,20,21; 44:1,2,6,7,8,21).

(Em 2019, Pêssach é de 19 de abril — após o pôr do sol – a 27 de abril — antes do pôr do sol.)

Foi profetizado que toda a Humanidade reconhecerá e admitirá que D’us existe e que D’us tem um povo e que este povo é o Povo Judeu (veja o Profeta Judeu Zacarias [Zechariá] 8:23*). Essa profecia está se cumprindo em nossos dias, bem diante de nossos olhos.

 

* Veja várias traduções desse versículo:
http://abibliajudaicanoseucontextojudaico.blogspot.com.br/2010/10/deus-esta-contigo-com-quem.html?m=1

 

Aqueles que agora estão abandonando suas religiões para servir O D’us de Israel em parceria com o Seu Povo, o Povo Judeu, são os chamados Benêi Nôach (expressão hebraica que significa Filhos de Noé) ou, os Noaítas.

 

Fontes:

http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/vaticano/vaticano-papa-sauda-comunidade-hebraica-pela-celebracao-da-pascoa/

http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/vaticano/vaticano-papa-sauda-judeus-na-celebracao-da-pascoa/

 

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A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

A Prova da Existência de D’us, Parte 1

A Fé Original: Noaismo.info

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D’us existe?

Se D’us existe, qual é a prova de Sua Existência?

Por que D’us não SE “mostra” (SE revela) à Humanidade?

E se D’us existe, O QUE é D’us?

 

SIM, D’us existe. E a prova da Existência de D’us é a existência de Seu Povo. A prova da Existência de D’us é o FATO de que “ELE” MESMO criou e escolheu um povo para SI. E SIM, D’us já SE “mostrou” à Humanidade, só não sabe quem não quer.

A próxima Grande Festa Judaica de 2016 é PÊSSACH, de 22 a 30 de abril (14 a 22 de Nissan).

Saiba o que significa PÊSSACH e quais são as respostas às perguntas acima em:

 

· PÊSSACH – A FESTA DA LIBERDADE

 

· Três níveis de percepção do Divino

 

· As Dez Pragas do Egito

 

· O Milagre da Abertura do Mar

 

· MONTE SINAI: O ENCONTRO ENTRE D’US E ISRAEL

 

· A Unicidade de D’us

 

Confira também:

Seis textos especialmente selecionados para as questões

 

E para aprender sobre A Fé e O Caminho Espiritual Originais da humanidade, aqueles dados pelo PRÓPRIO D’us a todos os não-judeus, veja:

Palavras do Rebe a toda a humanidade (a todos os não-judeus do mundo)

https://a-fe-original–noaismo.info/copyright/

 

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A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

A Prova da Existência de D’us, Parte 2

A Fé Original: Noaismo.info

O Site de Bnei Noach do Brasil

 

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A Prova da Existência de D’us, Parte 2

 

PÊSSACH – A FESTA DA LIBERDADE

O Êxodo do Egito, celebrado na festa de Pêssach, permeia toda a lei e a tradição judaicas. A Hagadá, texto lido durante o Sêder, ensina que em cada geração é dever de todo judeu sentir-se como se ele próprio tivesse saído do Egito.


 

Efetivamente, a Torá nos (a nós judeus) ordena “…para que todos os dias da tua vida te recordes do dia da tua saída da terra do Egito” (Deuteronômio 16:3). Instrui-nos, também, que se acaso nossos filhos nos perguntarem por que seguimos esses mandamentos, deveremos responder: “…pelo que HaVaYaH me fez quando saí do Egito” (Êxodo 13:8).

A lei judaica e seus mandamentos estão vinculados ao Êxodo. O primeiro dos Dez Mandamentos é a afirmação Divina de que ELE é HaVaYaH, nosso D’us, que nos tirou da terra do Egito, da casa da escravidão (Êxodo 20:2). Ao invés de SE declarar como O CRIADOR de todo o universo, D’us apresenta-SE como O responsável por ter libertado o povo judeu da servidão egípcia.

O Talmud menciona que o povo judeu necessita, sempre, de um sinal de seu vínculo com D’us, representado através da colocação dos tefilín e da observância do Shabát (Eruvin 96a). A Torá menciona quatro vezes o mandamento do uso dos tefilín, duas das quais relacionando-o com o Êxodo: “E será para ti como um sinal sobre tua mão e como lembrança entre teus olhos, para que esteja a Lei de HaVaYaH em tua boca; pois com mão forte te tirou HaVaYaH do Egito” (Êxodo 13:9). E, mais adiante: “E será como um sinal sobre tua mão e por meio de filactérios (tefilín) entre teus olhos, porque com mão forte nos tirou HaVaYaH do Egito” (Êxodo 13:16).

O mandamento de guardar o Shabát também é associado com o Êxodo: “Guardarás o dia do Shabát para santificá-lo, como te ordenou  HaVaYaH, teu D’us…E de que servo foste na terra do Egito, e que de lá te tirou HaVaYaH, teu D’us, com mão forte e braço estendido; portanto te ordenou HaVaYaH guardar o dia de Shabát” (Deuteronômio 5:12-15).

É evidente que o Êxodo foi de grande importância histórica para o povo judeu. Mas por que estaria relacionado com os mandamentos religiosos? E por que, milhares de anos mais tarde, somos obrigados a lembrá-lo e a transmiti-lo a nossos filhos?

Lições do Êxodo

Na Torá vemos que D’us apresenta-se sob vários Nomes. Mas há dois destes que são, quase sempre, utilizados: um é Elohím, enquanto o outro é composto de quatro letras hebraicas: yud, hei, vav, hei. Este último Nome, que jamais pode ser pronunciado, nem mesmo nas orações(*), é traduzido como “meu SENHOR” ou “O ETERNO”.

(* A única forma dO NOME autorizada para a pronúncia das quatro letras é HaVaYaH (Havaiá).) 

 

Os nossos sábios assinalam que o nome Elohím tem o mesmo valor numérico que a palavra “natureza”. Isto representa o envolvimento de D’us com o mundo no curso natural dos acontecimentos, quando o homem é julgado com rigor e justiça. O Nome de quatro letras representa o atributo Divino da misericórdia, quando ELE julga o homem, repleto de perdão e de imerecida bondade, realizando milagres e maravilhas.

Uma leitura atenta da Torá revela que apesar da idolatria que predominava no Egito, os egípcios acreditam em D’us. Ao serem surpreendidos com a praga dos piolhos, os conselheiros do faraó aconselham-no com as palavras: “Isto é o dedo de D’us” (Elohím) (Êxodo 8:15). E, no entanto, quando Moisés se encontrou diante do faraó e lhe transmitiu a ordem de D’us de libertar o povo judeu, o faraó lhe responde que como desconhecia HaVaYaH (o Nome de quatro letras), não libertaria o povo de Israel (Êxodo 5:2).

Apesar de os egípcios terem conhecimento da existência de D’us, ainda assim adoravam outros deuses e a própria natureza, por acreditar que cada um desses fosse uma fonte independente de poder no mundo. Até mesmo o Rio Nilo e o faraó eram tidos pelos egípcios como divindades a serem reverenciadas.

Não se trata de simples coincidência o fato de que o D’us dos hebreus tivesse castigado o Egito com pragas relacionadas à natureza. O rio adorado pelos egípcios vira um mar de sangue e suas terras, colheitas, posses e corpos são presa de uma série de catástrofes.

D’us ridiculariza tudo aquilo em que acreditavam. E ainda assim, o faraó não percebe ou finge não perceber que HaVaYaH, D’us de Israel, e o D’us da natureza (Elohím) são UM ÚNICO e MESMO, e que não há outras forças reinantes no mundo. D’us então ordena a Moisés que transmita este aviso ao faraó: “Assim falou HaVaYaH, D’us dos hebreus: Envia o Meu povo para que ME sirva. Porque desta vez EU mandarei todas as Minhas pragas a teu coração, a teus servos e a teu povo, para que saibas que não há como EU em toda a terra. Pois agora poderia estender Minha mão e ferir a ti e a teu povo com a pestilência, e serias aniquilado da terra. Entretanto, por isto é que te fiz ficar, para mostrar-te Minha força, e para que MEU Nome seja anunciado em toda a terra” (Êxodo 9:13-16). A mensagem é clara: o mundo não havia sido criado por D’us para ser abandonado nem tampouco deixado ao acaso das vicissitudes do destino, especialmente quando um perverso faraó acreditava reinar, supremo. Que os maus saibam disto e que a ruína do Egito lhes sirva de lição. E quanto aos bons e justos deste mundo, ainda que temporariamente se vejam cercados de problemas e sofrimento, devem ter a certeza de que D’us está sempre presente, a seu lado, em pleno controle de Seu mundo.

Aí está contida uma lição fundamental do Êxodo. Para que os homens não errassem como o fizeram os egípcios, o primeiro dos Dez Mandamentos é a revelação Divina de que ELE é HaVaYaH que tirou os judeus da escravidão no Egito. Se D’us SE tivesse revelado como O CRIADOR de tudo, poderíamos também acreditar que ELE estivesse confinado a este mundo tão natural por ELE criado. Os relatos celebrados em Pêssach nos lembram que só há Uma Única Fonte de todas as forças existentes no mundo. O mesmo D’us que fez de todos os rios do Egito mares de sangue, ESTE mesmo D’us pode fazer cair de joelhos o mais poderoso dos impérios, ao passo que pode elevar os escravizados e oprimidos às maiores alturas espirituais e materiais. Assim sendo, o Êxodo nos ensina que D’us está contido na natureza e além. ELE é Onipresente, está em todas as partes – nos Céus e, também, como ELE PRÓPRIO ordena a Moisés que diga ao faraó – “no meio da terra” (Êxodo 8:18).  HaVaYaH ouve nossas preces, realiza milagres e está sempre atento aos atos e pensamentos mais recônditos de todos os seres. E, mais ainda, com SUA ubiqüidade, dá forma ao curso dos eventos, ainda que nem sempre nos apercebamos disto. Em verdade, como pregam os místicos, ELE define tudo o que é real: apesar de o homem ser dotado de livre arbítrio, tudo o que ocorre provém de D’us. Não há força, poder ou razão de ser que não seja a SUA. A Torá assim o atesta: “(Pergunta…) se tentou D’us vir e tomar para SI uma nação do meio de outra nação por meio de provas, de sinais e de milagres, como tudo o que fez por vós HaVaYaH no Egito, diante de vossos olhos? A ti foi mostrado para que soubesses que HaVaYaH, ELE é D’us, e não há outro além d’ELE” (Deuteronômio 4:34-35).

Os sinais entre D’us e o povo judeu – o Shabát, a colocação dos tefilín e vários outros – têm uma razão específica para estar correlacionados com o Êxodo. É um lembrete eterno de que D’us preocupa-SE e está profundamente envolvido com os problemas dos homens. E, por isso, há um propósito Divino em se guardar os SEUS mandamentos. Com a libertação do povo judeu do Egito e a subseqüente outorga da Torá, D’us revelou-SE diante de toda uma nação. Com isto, ELE ensinou ao homem que este tem um propósito na vida e, portanto, receberia leis e diretrizes para poder cumprir sua missão pessoal e coletiva. Nós somos obrigados a nos lembrar disto todos os dias de nossa vida.

O dom da liberdade

Logo após libertar o povo judeu do jugo egípcio, D’us lhes outorga a Torá. É importante notar que quando D’us primeiro se manifesta a Moisés, ELE emite a seguinte ordem: “Porque… depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis D’us sobre este monte” (Êxodo 3:12). Tratava-se do Monte Sinai, local onde o povo judeu iria receber os mandamentos Divinos, com o encargo de mantê-los e transmiti-los a todas as gerações futuras.

Vemos, na Torá, que da mesma forma como D’us tem vários Nomes, ELE também tem várias formas de descrever SEU relacionamento com o povo judeu. ELE os chama de “Meus filhos”, “Meu primogênito”, entre várias outras formas carinhosas. Mas, também, com freqüência, os declara “Meus servos”. A interpretação para tal é que por tê-los salvo do faraó, D’us tornou-SE o novo Senhor dos judeus. Pois que está escrito: “…EU sou HaVaYaH, vosso D’us, que vos tirei da terra do Egito. E guardareis todos os MEUS estatutos e todos os MEUS decretos, e os cumprireis; EU sou HaVaYaH” (Levítico 19: 36-37). Em outras passagens, D’us dita ao povo judeu que seu propósito na vida é temer e servir ELE: “E agora, ó Israel, o que pede HaVaYaH, teu D’us, de ti? Apenas que temas HaVaYaH, teu D’us, que andes em todos os SEUS caminhos, ames e sirvas HaVaYaH, teu D’us, com todo o teu coração e com toda a tua alma; que guardes os mandamentos de HaVaYaH e os SEUS estatutos que EU te ordeno hoje, para o teu bem” (Deuteronômio 10:12-13).

Teria sido a liberdade adquirida durante o Êxodo uma troca de propriedade, ainda que por um Senhor infinitamente superior? Isto parece contradizer o próprio espírito de liberdade advindo da libertação.

Em verdade, o temor a D’us, da forma como é definido pela Torá e desde que adequadamente aplicado, constitui o próprio significado de liberdade. É a compreensão de que “não há outro além d’ELE” a permitir que o homem seja realmente livre, a optar por não fazer o mal a despeito das forças externas ou impulsos internos que pendam para o outro extremo. Este conceito é ensinado em um relato da Torá: quando o faraó ordenou que todos os recém nascidos judeus do sexo masculino fossem atirados ao mar, duas mulheres hebréias recusaram-se a cumprir a ordem. “E temeram D’us as parteiras, e não fizeram como lhes havia falado o rei do Egito, e deixaram os meninos viver” (Êxodo 1:17). Seus nomes eram Shifrá e Puá, que os sábios identificaram como Yochéved e sua filha Miriam. Como recompensa por terem temido D’us, desafiando a maligna ordem do faraó, ELE as recompensou fazendo delas a mãe e a irmã de Moisés. Este seu filho e irmão tornar-se-ia não apenas o líder do povo judeu em sua libertação do jugo egípcio, mas também o maior profeta de D’us de todos os tempos.

A lição contida neste relato é o segredo da verdadeira libertação do homem. Enquanto o homem temer e obedecer D’us, nenhum outro temor ou receio o deverá abater. Ele é livre para escolher a verdade, a justiça e o caminho da correção, a despeito dos imperativos e ameaças dos faraós de nosso mundo. Assim sendo, não é de surpreender que outros povos historicamente se tenham inspirado no Êxodo em sua luta pela liberdade. Os Estados Unidos, em particular, ao lutar contra os ingleses por sua independência e em sua luta interna pelos direitos civis de seus cidadãos, evocaram a memória do Êxodo dos judeus do Egito. Em referência direta à saída do povo judeu da escravidão para a liberdade, os fundadores da nação americana cunharam a frase: “Rebelar-se contra a tirania é obedecer D’us”.

A obediência a D’us é, de fato, o ponto máximo da revolta contra a tirania. No momento em que o homem percebe que D’us não é apenas Elohím, mas também HaVaYaH, O BONDOSO, AQUELE que controla todas as ocorrências, nesse momento já não há mais nada ou ninguém a temer. Apesar de não o perceber, o faraó nada mais é do que um joguete nas mãos do D’us Vivo de Israel. Isto é ilustrado por um fascinante ensinamento chassídico. A Torá nos conta que antes de lançar a oitava praga contra os egípcios, D’us ordena a Moisés ir ao palácio do faraó e, mais uma vez, exigir dele a libertação do povo judeu. D’us diz a Moisés: “Vem ao faraó” (Êxodo 10:1). A escolha das palavras é estranha; a ordem deveria ter sido “Vá ao faraó”. Os místicos judeus explicam que D’us de fato dizia a Moisés “Vem COMIGO ao faraó. Juntos entraremos no palácio da grande serpente. Juntos descobriremos o segredo mais cuidadosamente guardado pelo mal: o fato de que este mal, de fato, não existe. E quando aprenderes este segredo, nenhum mal há de te derrotar. Quando verdadeiramente absorveres este segredo, tu e teu povo serão verdadeiramente homens livres”.

A suprema libertação

A certa altura do Sêder de Pêssach, abrimos as portas para receber o espírito do profeta Eliahu, ou Elias. Também lhe dedicamos uma taça de vinho – a quinta taça do Sêder. Em seu tempo, o profeta Eliahu declarou a D’us que todo o povo judeu O havia abandonado (Reis 19:10). E, por este motivo, o profeta visita todas as casas nos Sedarim de Pêssach para testemunhar que, apesar dos milhares de anos de exílio e mesmo nas circunstâncias de maior provação, o povo judeu permaneceu fiel a HaVaYaH, e continua celebrando a outorga desse SEU presente – a liberdade.

O profeta Eliahu também visita o Sêder pelo fato de este ser não apenas uma comemoração do passado, mas uma exaltação ao futuro. O Êxodo e todos os seus milagres, a libertação do povo judeu e sua jornada para a Terra Prometida, prenunciam um futuro de uma redenção ainda maior. Há um ensinamento que nos diz que o profeta Eliahu será aquele a anunciar a chegada dessa nova era.

Em nossas orações, denominamos a festa de Pêssach de Zman Heruteinu, a “época de nossa liberdade”. Não nos referimos à mesma como “época de nosso júbilo”. Isto porque, apesar de suas maravilhas e milagres extraordinários, e apesar de ter sido feita justiça, não nos rejubilamos com o sofrimento e a morte de outros povos.

A libertação final, no entanto, será uma era de júbilo perene e ilimitado para todos os povos. Enquanto o primeiro Êxodo só envolveu o povo judeu, o próximo irá incluir o mundo todo(*). Todos os judeus retornarão à Terra de Israel e lá viverão em segurança para sempre. Toda a humanidade somente conhecerá a paz e a prosperidade. Não mais haverá sofrimento individual nem coletivo. Enfermidades, pobreza, ignorância, angústia e mesmo morte serão fenômenos do passado. E aqueles que já deixaram este mundo retornarão ao nosso convívio.

(* Porque o mundo inteiro então não só acreditará na existência do Elohím, mas O conhecerá – o mundo todo conhecerá HaVaYaH.)

 

Ainda iremos nos reunir, todos, em Jerusalém, como proclamamos na conclusão do Sêder de Pêssach. Pois que HaVaYaH nos prometeu, em Miquéias 7:15, …“Como nos dias de tua saída do Egito, EU te mostrarei maravilhas”. Que seja a SUA vontade que isto ocorra de pronto, ainda em nossos dias.

 

 

Para A Prova da Existência de D’us, Parte 3, veja

· Três níveis de percepção do Divino

Padrão
A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

A Prova da Existência de D’us, Parte 3

A Fé Original: Noaismo.info

O Site de Bnei Noach do Brasil

 

B”H

 

A Prova da Existência de D’us, Parte 3

 

Três níveis de percepção do Divino

A Hagadá de Pêssach, recitada durante o Sêder, conta a história de como o povo judeu, que começou como uma família de 70 pessoas, se tornou uma grande nação – o Povo escolhido por D’us para receber SUA Torá.


 

A Hagadá nos conta acerca de eventos que precedem e sucedem o Êxodo – a amarga escravidão sofrida por nossos antepassados, as Dez Pragas que venceram o Faraó, o Êxodo, a divisão do Mar e a outorga da Torá no Monte Sinai, entre outros. Mas, o clímax do processo de constituição dos judeus em uma nação ocorreu não em 15 de Nissan – dia do Êxodo e primeiro dia de Pêssach – mas 50 dias mais tarde, quando D’us SE revelou a todos os Filhos de Israel e lhes deu a Torá – um evento que é comemorado na festa de Shavuót.

As festividades de Pêssach e Shavuót são ligadas de forma indissolúvel. Começando na segunda noite de Pêssach e terminando no dia antes de Shavuót, fazemos a contagem do Ômer – um mandamento de grande significado místico. Durante os 49 dias dessa contagem, somos obrigados a trabalhar sobre nós mesmos e a aumentar nossa espiritualidade para que, em Shavuót, o dia cujo tema é nossa dedicação ao estudo e ao cumprimento da Torá, possamos estar em um nível espiritual mais elevado do que estávamos antes do início de Pêssach. O processo do crescimento espiritual que se inicia em Pêssach culmina, pois, em Shavuót.

A seguir analisaremos três marcos no processo que se iniciou quando Moshé foi enviado por D’us para libertar o Povo Judeu e que culminou com a Revelação Divina no Monte Sinai. Tais marcos são as Dez Pragas que se abateram sobre o Egito, a divisão do Mar de Juncos e o recebimento da Torá.

As Dez Pragas

Quando D’us SE faz ver a Moshé e lhe atribui a missão de voltar ao Egito e libertar o Povo Judeu da escravidão, o profeta responde: “Mas eles não acreditarão em mim, nem ouvirão minha voz, pois dirão: ‘HaVaYaH não apareceu a ti!'” (Êxodo, 4:1). D’us então lhe diz que tome seu cajado e o atire ao chão, e, ao fazê-lo, o cajado se transforma em uma serpente. HaVaYaH ordena que Moshé agarre o rabo da serpente, e ele obedece. A víbora volta a ser o cajado. D’us instrui Moshé a realizar esse milagre diante dos judeus para que “… creiam que HaVaYaH, D’us de teus pais – o D’us de Abrahão, o D’us de Isaac e o D’us de Jacob – apareceu a ti!” (Ibid, 4:5). Mas, caso um sinal não fosse suficiente para fazê-los acreditar, D’us dá a Moshé um segundo milagre, dizendo-lhe que se mesmo realizando os dois o povo não desse atenção a suas palavras: “Tomarás das águas do Nilo e derramarás no seco; e as águas que tomarás do rio tornarse-ão sangue no seco” (Ibid, 4:9).

Essa passagem da Torá deixa claro que D’us, que é Onisciente, sabia que a maneira mais rápida de fazer com que o Povo Judeu acreditasse NELE e em Moshé seria através da realização de milagres. Os judeus – escravizados, desesperados e desesperançados – necessitavam de milagres para acreditar que o D’us de seus antepassados não os tinha renegado. E assim, quando Moshé volta ao Egito, ele e seu irmão Aharon reúnem os anciãos judeus, diante de quem Moshé realiza os milagres, segundo as instruções Divinas. Ao testemunhar os milagres, “o povo acreditou, e compreenderam que HaVaYaH visitara os Filhos de Israel e vira sua aflição, e curvaram-se e se prostraram”. (Ibid, 4:31). Quando Moshé e Aharon, então, invadem o palácio do Faraó e exigem a libertação do Povo Judeu, eles não pedem misericórdia nem ameaçam com algum tipo de rebelião. Em vez disso, realizam milagres, exatamente como haviam feito antes perante os judeus. Pois D’us havia dito a Moshé: “E não vos escutará o Faraó, e porei Minha mão sobre o Egito, e tirarei os Meus exércitos, o Meu povo, os filhos de Israel da terra do Egito, com grandes juízos. E o Egito saberá que EU sou HaVaYaH, ao estender a Minha mão sobre o Egito, e tirarei os Filhos de Israel dentre eles”. (Ibid, 7:4-5). De fato, a confrontação entre o líder egípcio e Aharon e Moshé foi um duelo sobrenatural. Para provar ao Faraó que falavam em Nome de D’us, Aharon atirou o cajado de seu irmão e o transformou em serpente. Mas o Faraó chama seus sábios feiticeiros, que conseguem repetir o feito. O rei egípcio pressupõe que Moshé e Aharon são magos como os seus, e não leva a sério sua alegação de que falam em Nome do Altíssimo. É nesse ponto que o episódio das Dez Pragas se inicia.

A primeira delas transformou o Nilo em sangue. Aharon ergue o cajado e toca o Nilo, tornando suas límpidas águas sangue puro. Mas os feiticeiros egípcios conseguem replicar esse milagre, e o Faraó, assim sendo, imagina que Moshé e Aharon apenas executavam mágicas – prática comum no Egito. Os bruxos egípcios conseguem, pois, replicar a segunda praga, mas não a terceira, e dizem ao Faraó que essa última não era magia, mas “o dedo de D’us”. Mas o Faraó supõe que também a terceira deveria ser algum tipo de bruxaria mais elevada e que, certamente, os dois irmãos deviam ser melhores na magia que seus magos. Somente quando a sexta praga, a sarna, na realidade, bolhas que se transformavam em úlceras, causando grande sofrimento físico, assola o Egito, seus bruxos ficam totalmente desmoralizados. Pois, apesar de serem profundos conhecedores da magia negra, eles não conseguem proteger nem a si próprios. Tornava-se cada vez mais claro aos egípcios que Moshé não era um simples mago e que as pragas eram verdadeiramente obra de D’us.

À medida que as demais pragas trazem cada vez mais destruição e miséria ao Egito, os emissários do Faraó lhe imploram: “Até quando isto será um impedimento para nós? Envia os homens, e que sirvam HaVaYaH, seu D’us! Ainda não notastes que o Egito está perdido?” (Ibid, 10:7). Mas foi preciso que viesse a décima e última praga – a morte dos primogênitos – para finalmente quebrar o Faraó. Ele tinha sido alertado várias vezes por Moshé para que tivesse a chance de se arrepender, salvando a si próprio e a seu povo. Bem verdade que D’us endurecera o coração do Faraó, dificultando o seu arrependimento, sendo isto uma forma de punição por suas más ações – mas a porta do arrependimento nunca esteve totalmente fechada para ele. Mas, apesar das pragas e do sofrimento que se seguiu, o Faraó se recusou a ver a Mão de D’us. Suas racionalizações, seu desprezo pelos demais e sua teimosia levaram à sua trágica queda e à destruição de seu poderoso reino.

No que tange ao Povo Judeu, eles observaram as Dez Pragas dizimarem o Egito enquanto permaneciam a salvo. Claramente, isso não foi obra do acaso. Com cada praga que atingia o Egito, os judeus se convenciam de que o D’us de seus antepassados não os tinha abandonado. Tinha vindo resgatá-los da escravidão e do genocídio, e interferia abertamente em Seu mundo para punir aqueles que vitimavam o Seu povo. Vinha salvá-los com Sua mão poderosa e Seu braço estendido.

A divisão do Mar

No entanto, nem as Dez Pragas foram suficientes para convencer os egípcios de que foi D’us – e não Moshé e Aharon – quem viera libertar os judeus. Apenas alguns dias após permitir que o Povo Judeu deixasse o Egito, o Faraó e a totalidade de seu exército saem à caça dos fugitivos judeus para trazê-los de volta. Apesar do terror das pragas, os egípcios estavam tão confiantes na vitória que, nessa saída militar, adornam seus cavalos com ornamentos em ouro, prata e pedras preciosas.

O Povo Judeu havia deixado o Egito no dia 15 de Nissan. Em torno do dia 20, o Faraó e seu exército tinham-nos alcançado. E os judeus se vêem presos em uma armadilha: tinham atrás de si o Faraó e seus homens, e à sua frente o Mar de Juncos. Apesar de tudo o que tinham presenciado no Egito, ficaram desesperados e gritam a Moshé: “Foi porque não havia sepulcros no Egito que nos trouxeste para morrer no deserto? O que nos fizeste, ao nos tirar do Egito?” (Ibid, 14: 11). Cheios de temor, os judeus dizem a Moshé: “Deixa-nos e serviremos os egípcios. Pois nos é melhor servir os egípcios do que morrer no deserto!” (Ibid, 14: 12).

Moshé ora a D’us e ELE lhe ordena: “Toma teu cajado e estende tua mão sobre o mar e fende-o, e que os Filhos de Israel entrem pelo meio do mar, em seco”. (Ibid, 14: 16). As águas do Mar de Juncos se abrem, permitindo que os judeus atravessem. Os egípcios, que claramente não haviam aprendido a lição com as Dez Pragas, saem no seu encalço. Quando o exército do Faraó está no meio do mar, D’us começa a castigá-los. Em pânico, os egípcios exclamam: “Fugirei diante de Israel, pois HaVaYaH luta por eles contra o Egito!” (Ibid, 14: 25). Mas sua sorte já fora selada. Seguindo instruções Divinas, Moshé estende sua mão sobre o mar e, na manhã do 21° dia de Nissan, sétimo dia de Pêssach – que, na Terra de Israel, é o último dia da festividade – as águas voltam a se unir e engolem todo o exército do Faraó.

A divisão do Mar foi o ponto culminante do Êxodo, pois mesmo depois de os judeus terem fugido do Egito, o exército desse país permaneceu intacto e a ameaça da volta à escravidão ainda existia. No mar, os judeus foram perseguidos por uma força militar extremamente poderosa, que facilmente os teria vencido e capturado. Segundo o Midrash, havia 30 egípcios para cada judeu. Somente quando o mar se dividiu e engoliu o exército egípcio foi que o êxodo judeu realmente se completou. No 15º dia de Nissan – dia em que os judeus deixaram o Egito, primeiro dia de Pêssach – D’us puniu o Egito com a 10ª praga, mas os judeus deixaram o país como escravos em fuga. No 21º dia de Nissan, após a divisão do Mar, como vimos acima, os judeus se tornaram um povo verdadeiramente liberto. Contudo, há uma razão mais profunda para a divisão do mar ser mais importante do que as Dez Pragas. No Egito, os judeus presenciaram ocorrências sobrenaturais, mas quando o Mar de Juncos se abriu ao meio, todos os judeus adquiriram a condição de profetas. Está escrito no Midrash que mesmo o mais simples dos judeus “viu no Mar de Juncos o que não fora visto nem pelo profeta Ezequiel”, cuja visão da Carruagem Divina é a base do estudo da Cabalá. No Mar de Juncos, os Céus se abriram; todos os judeus, mesmo as crianças, tiveram uma visão do mundo infinito. Por essa razão foi naquele momento, e não antes – nem mesmo durante as pragas que se abateram sobre o Egito – que “o povo temeu HaVaYaH, e creram em HaVaYaH e em Moshé, Seu servo” (Ibid, 14:31).

Antes dessa experiência profética, os judeus haviam testemunhado vários milagres e maravilhas. Mas sua fé em D’us e em Seu emissário não era absoluta. Como fizera o Faraó, eles também poderiam ter racionalizado sobre o que ocorrera no Egito. Talvez as Dez Pragas tivessem sido uma coincidência – muito pouco provável, certo, mas ainda assim uma coincidência. Talvez houvesse alguma explicação natural para elas terem caído sobre os egípcios e não sobre os judeus. Talvez o Faraó e seus feiticeiros estivessem certos: Moshé e Aharon eram apenas super-magos que tinham conseguido manipular a natureza para destruir o Egito, enquanto protegiam os judeus.

Resumindo, pura e simplesmente, as Dez Pragas não eram prova suficiente – nem para os judeus, que entraram em pânico diante do mar, nem para os egípcios, que foram atrás deles.

Mas, com a divisão do mar, tais dúvidas se desvaneceram. Os egípcios por fim reconheceram A Verdade – infelizmente, quando já era tarde. Para os judeus, não se tratou de mais outro milagre, mas do ponto de partida para o objetivo supremo do Êxodo – o recebimento da Torá – que somente poderia ter ocorrido depois dos Filhos de Israel vivenciarem as revelações espirituais da divisão do mar. No sétimo e último dia de Pêssach todos os judeus se tornaram profetas. D’us SE tornou uma realidade tão palpável que, na Canção do Mar, entoada pelo Povo Judeu em louvor a D’us por sua salvação, as crianças proclamaram: “ESTE é meu D’us!”, indicando claramente perceber a Presença Divina.

A experiência profética que ocorreu no Mar de Juncos preparou os judeus para a Revelação Divina que iria ocorrer no Monte Sinai, apenas 50 dias após o Êxodo.

A Revelação Divina no Sinai

Se o povo vivenciou a visão de D’us durante a divisão do Mar, que necessidade haveria da ocorrência da Revelação Divina no Monte Sinai?

São muitas as respostas, mas talvez a principal seja que é extraordinariamente difícil negar um evento testemunhado por milhões de pessoas. Um único indivíduo pode fabricar ou imaginar uma história, e as pessoas podem optar por acreditar ou não em suas palavras. Mas é muito difícil convencer terceiros da veracidade de um evento envolvendo milhões de pessoas se tal evento não ocorreu.

Se não tivesse ocorrido a Revelação Divina no Sinai, seria possível questionar a origem Divina do judaísmo. Poder-se-ia alegar que Moshé foi um grande líder carismático, um mago; mas jamais um verdadeiro profeta de D’us. Poder-se-ia mesmo acusá-lo de ser um impostor ou simplesmente desacreditá-lo, rotulando-o de um esquizofrênico que, no entanto, acreditava ter ouvido o chamado da Voz de D’us. Mas, quando até o mais simples dos judeus se tornou um profeta à beira do Mar de Juncos e, em especial, quando todos eles – (três) milhões de pessoas – ouviram a Palavra de D’us aos pés do Monte Sinai, não mais havia lugar para dúvidas sobre a origem da Torá. Isto explica por que até mesmo os maiores oponentes de Moshé, como seu primo Côrach, não puderam negar ser ele um verdadeiro profeta de D’us. Durante sua longa jornada de 40 anos pelo deserto, muitos judeus falsamente acusaram Moshé de crimes terríveis – nepotismo, roubo, até mesmo de adultério – mas eles nunca ousaram sugerir que ele fosse impostor, charlatão ou alucinado. Pois que eles, afinal, tinham presenciado a Revelação de D’us e quando ELE PRÓPRIO chamou Moshé para ascender ao Monte Sinai para receber a Torá. D’us SE assegurou de que seria impossível alegar que SUA Torá era um relato de ficção. E é por essa razão que mesmo os maiores inimigos do Povo Judeu, mesmo aqueles que quiseram converter todos os judeus, nunca negaram a verdade histórica do judaísmo. (Veja

https://a-fe-original–noaismo.info/2016/09/05/nao-sao-similares-as-historias-de-moises-e-mohammad/   . )

Uma segunda razão para a Revelação Divina no Monte Sinai é que D’us transmitiu ao Povo Judeu os meios de se conectarem a ELE – e isto é feito através da Torá. Se ELE jamais SE tivesse revelado, as pessoas alegariam que a Torá era criação de Moshé. No Monte Sinai, D’us fez o Povo Judeu jurar que iria preservar a Torá: assim sendo, SUA Lei não poderia ser descartada com um código de leis criado pelo homem.

Através da Torá, D’us nos permitiu conectarmo-nos com ELE. Um homem pode considerar-se sábio e espiritualizado. Mas, pelo fato de ser finito, não pode compreender os Desígnios de D’us. O homem requer que D’us lhe aponte o que fazer. No Monte Sinai, D’us nos jogou uma corda que nos permite manter uma conexão com ELE. Quando estudamos a SUA Torá, absorvemos uma centelha de SUA Sabedoria Infinita. Quando realizamos SEUS mandamentos, tornamo-nos instrumentos no cumprimento de SUA Vontade na Terra. E quando estendemos a mão para ajudar os outros, tornamo-nos agentes da bondade e plenitude Divinas no mundo.

Cinquenta dias após deixarem o Egito, os judeus ouviram a Voz de D’us que lhes falava. O MESTRE do Universo proclamou os Dez Mandamentos que são o núcleo dos 613 Mandamentos da Torá. Quem lê a Torá em hebraico sabe que os Dez Mandamentos foram dirigidos na 2ª pessoa do singular. No Monte Sinai, D’us não SE dirigiu ao Povo Judeu como um todo. ELE falou pessoalmente a cada um de nós, pois a alma de cada um de nós esteve presente no Monte Sinai quando D’us SE revelou aos Filhos de Israel. E cada vez que abrimos a Torá, cada vez que a estudamos e praticamos o que nos ensina, estamos revivendo aquele dia tão monumental na história da humanidade.

A percepção do Divino

A Torá é eterna e é uma lição para todo judeu. Com efeito, a raiz da palavra Torá é Hora’á, que literalmente significa “instrução”. Cada vez que estudamos um trecho da Torá, devemos tirar uma lição do mesmo. Quais são, portanto, as lições transmitidas por nosso estudo dos três marcos que vimos acima: as Dez Pragas, a divisão do mar, e a Revelação Divina no Sinai? Estes marcos representam três estágios na percepção que a pessoa tem de sua relação com D’us. O primeiro ocorre quando se vivencia um milagre – um evento muitíssimo improvável: uma cura milagrosa, um socorro financeiro quando mais se necessita, a salvação em momento de extrema dificuldade, uma coincidência extraordinária ou qualquer evento que nos leve a crer que o mundo não funciona por si só. Os milagres servem para nos lembrar que há “Alguém” que rege os acontecimentos e que nos guarda. A isso o judaísmo chama de Divina Providência.

Mas os milagres são apenas o primeiro estágio de conscientização sobre o Divino, pois dificilmente causam uma impressão duradoura. A pessoa pode ficar grata e se sentir inspirada por um milagre, e isto pode fazê-la reconhecer o envolvimento de D’us em sua vida, mas, mais cedo ou mais tarde, poderá vir a acreditar que o milagre foi apenas uma grande coincidência. Os egípcios testemunharam eventos sobrenaturais – as Dez Pragas – mas os racionalizaram como coincidências infelizes ou mágicas usadas para manipular a natureza. No que tange aos judeus, apesar dos milagres que presenciaram, foi somente no Mar de Juncos que eles finalmente “creram em HaVaYaH e em Moshé, SEU servo”.

O segundo estágio da ligação com D’us é simbolizado pelo episódio no Mar de Juncos. Como está escrito no Talmud, nós, judeus, talvez não sejamos todos profetas, mas descendemos dos profetas. Todos nós, em maior ou menor grau, possuímos um pequeno dom para a profecia. Todos tivemos experiências espirituais. Para alguns, pode ser algo simples como receber uma mensagem em um sonho que se torna realidade; para outros, pode ser um sexto sentido aguçado; e para poucos judeus privilegiados, pode ser algo tão dramático como ver almas ou vivenciar uma experiência de quase-morte, em que a pessoa tem uma visão do mundo futuro. Uma experiência genuinamente espiritual causa uma impressão bem mais acentuada do que um milagre, pelo fato de ser muito mais difícil de atribuí-la a uma coincidência. Um milagre é uma improbabilidade estatística, mas uma percepção do mundo espiritual é algo vivenciado. É um evento que transforma a vida de quem a percebe.

Contudo, podemos perguntar-nos: como podemos saber se uma experiência espiritual não é produto da imaginação ou de um alucinógeno? Como diferenciar um profeta de um esquizofrênico? No antigo Israel, quem alegava ter recebido uma mensagem profética era rigorosamente examinado por verdadeiros profetas e sábios para verificar de quem se tratava – profeta ou louco. Uma experiência espiritual tem valor quando serve de ponto de partida para se chegar a um nível mais alto de conscientização do Divino, o que é alcançado através do estudo e da prática de SUA Sabedoria e Vontade.

O fato de uma pessoa realizar milagres não significa nada; afinal, os feiticeiros idólatras egípcios eram magos de grande alcance. E mesmo as vivências espirituais genuínas, por mais fascinantes que sejam, não conseguem mudar o mundo. A pessoa pode meditar e mesmo levitar dias inteiros, mas, com isso, não fará deste um mundo mais Divino. Por outro lado, aquele que se dedica a estudar a Sabedoria Divina e a verdadeiramente cumprir a Vontade Divina, praticando atos de santidade e bondade, faz muito mais do que meramente tocar os Céus: essa pessoa traz os Céus para a Terra. O homem pode ser um milagreiro, profeta ou sábio – pode estar na mais alta das montanhas e compreender tudo o que pode ser compreendido – contudo, ele nada mais é do que um ser humano finito, com os pés no chão. Acima dele está um D’us Infinito, que é desconhecido, impalpável e que não pode ser compreendido. Como pode, então, o homem finito, por maior que seja, alcançar O INFINITO? Sua própria libertação e a única libertação do mundo inteiro se dão quando O Altíssimo chega aqui embaixo e lhe diz, e diz a todos nós: “Estudem isto. Façam aquilo. E através de seu estudo de Minha Sabedoria e seu cumprimento de Minha Vontade vocês estão ligados a MIM”. Quando isto acontece, o homem e D’us se unem a um tal ponto em que não mais existem o finito na Terra e O INFINITO nos Céus. E passa a existir apenas UM.

 

 

Para A Prova da Existência de D’us, Parte 4, veja

· As Dez Pragas do Egito

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