Shabat, festas judaicas e os Bnei Noach

 

O Shabát e as festividades judaicas não devem ser observados pelos Bnei Noach (noaítas). Por que?

Diz a Torá em Bereshít/Gênesis 8:22: “Dia e noite eles não descansarão”. Daqui aprendem os sábios no Talmúd (Sanhedrín 58b) que um “gentio que descansa, é passível de pena de morte”.

O conceito de “descanso” aqui se refere a tomar um dia da semana como dia de descanso religioso, quer dizer, em nome de D’us, mesmo que não o sétimo dia da semana. O conceito de “morte” aqui se refere à morte celestial, não à morte por uma corte terrestre.

Esta idéia está mencionada na lei judaica (halachá) em Rambám (Rabi Maimônides), Leis dos Reis, cap. 10, lei 9. Isto significa que os gentios tem proibida a observância do Shabát [incluindo honrá-lo, já que não se honra um ritual]. Isto não quer dizer que eles não podem descansar no sentido literal da palavra, e sim que esse descanso não pode ser em honra ao fato de que D’us criou o universo em seis dias e no sétimo dia descansou.

Por sua vez, em Shemót/Êxodo 31:12-17 a Torá diz claramente que o sétimo dia judaico é um dia para a festividade exclusiva para o povo judeu.

 

“12. D’US disse a Moshé

13. para falar aos israelitas e lhes dizer: Devem todavia cumprir os MEUS shabatót. É um sinal entre EU e vocês por todas as gerações, para fazer com que [os povos] compreendam que EU, D’US, os estou fazendo santos.

14. (Por conseguinte,) cumpram o Shabát como algo sagrado para vocês. Todo aquele que fizer trabalho (durante a festa do Shabát) será cortado espiritualmente de seu povo, e por conseguinte, todo aquele que o viole será condenado à morte.

15. Façam o seu trabalho durante os seis dias da semana, mas façam no sétimo dia [a festa do] Shabát de Shabatót, [uma festa] sagrada para D’US. Quem fizer qualquer trabalho no sétimo dia será condenado à morte.

16. Os israelitas, deste modo, farão o Shabát, e o dia de fazê-lo será um dia de repouso por todas as gerações, como pacto eterno.

17. É um sinal entre EU e os israelitas de que durante os seis dias da semana D’US fez o céu e a terra, mas no sétimo dia deixou de trabalhar e retirou-SE para o espiritual.”

 

Rabi Ráshi, um dos principais comentaristas da Torá, explica sobre o versículo 13 acima que a idéia de “um sinal” é que é uma mostra da grandeza do povo judeu que D’us lhes legou o Shabát. Logo ele explica que fazer com que compreendam se refere a que todas as nações do mundo saibam queEU, D’US, os estou fazendo santos”, ou seja, que D’us santifica o povo judeu com o Shabát.

Assim também todas as festividades mencionadas na Torá são sinais do vínculo entre o povo judeu e Hashém e se aplica à mesma lei [explicada por Rabi Maimônides,] de modo que os gentios não devem observar essas festas.

As exceções a esta regra são as festas do Rósh Hashaná, quando comemoramos a criação da humanidade — de todos os seres humanos —, e Ióm Kipúr, o dia da expiação.

O Talmúd (Rosh Hashaná 16a) explica que Rósh Hashaná é o dia do Julgamento Divino para todos os seres humanos e Ióm Kipúr, o dia da expiação, é o dia em que é selado esse julgamento. Daqui surge que estas duas festas têm relação com os gentios também.

No entanto, essa relação não é com os preceitos específicos de cada uma destas festas, como escutar o som do Shofár [e quanto mais tocá-lo] no Rosh Hashaná e jejuar no Ióm Kipúr, mas com o conteúdo conceitual da festa: Rosh Hashaná como o dia do julgamento e da aceitação de Hashém como REI sobre toda a criação e Ióm Kipúr como o dia da expiação das transgressões e do perdão divino.

A forma adequada que um gentio pode passar estes dias é recitando salmos. Todos os salmos. Em Ióm Kipúr pode-se adicionar, em algum momento do dia, uma confissão dos pecados do ano anterior, e inclusive de anos anteriores. Mas não como uma obrigação.

Rabino Tuvia

 

© Rabi Tuvia
© Projeto Noaismo Info: traduzido do espanhol por © Projeto Noaísmo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

Bnei Noach e o Yom Kipur e Sucot

Perguntas & Respostas

 

Por Rabi Asher Cacua

 

Pergunta:

Qual é o nosso papel, como noaítas (bnei Nôach), nas festividades de Ióm Kipúr e Sucót?

 

Resposta:

Graças a Hashém se aproxima o dia da festividade de Yóm Kipúr. Nos encontramos agora nos dias intermediários entre Rosh Hashaná e Ióm Kipúr. Sabemos que em Rosh Hashaná são julgadas todas as pessoas neste mundo, judeus e não-judeus, e que Hashém decreta neste dia as coisas que hão de acontecer no novo ano, como por exemplo, quem vai morrer e quem vai viver, as guerras que virão ou não, quem adoecerá e quem não, é decretado cada real que vamos receber no novo ano etc. Isto pode parecer “predestinação” mas não o é, já que muitas coisas podem ser mudadas se fazemos teshuvá, e este é precisamente o objetivo destes dias antes de Ióm Kipúr e do próprio Yom Kipúr, pois no Ióm Kipúr tudo será selado.

 

A diferença entre os povos das nações e o povo judeu é que O CRIADOR nos deu — a nós judeus — mandamentos específicos, ou seja, ELE deu mandamentos concernentes ao povo judeu, como jejuar em Yom Kipur, somado a todas as demais Halachót como não banhar-se neste dia, não calçar sapatos de coro etc, apenas para mencionar algumas. Mas os bnei Noach (Noaítas) não podem fazer estas coisas neste dia nem sequer de maneira voluntária, enquanto que, por outro lado, podem (sim) fazer outras coisas como abençoar os alimentos, recitar algumas rezas etc. Fazer estas coisas seria cometer chidúsh dat, ou em outras palavras, inventar uma religião ou repudiar sua identidade noaítica.

 

Por outro lado dizer que vocês não podem nem sequer fazer uma introspecção e analisar seus atos, seus erros, estabelecer metas para si mesmos para melhorarem etc, seria equivocado, quer dizer, é um bom conselho que o noaíta procure nestes dias analisar o seu rumo, como melhorar, aprofundar e fortalecer a sua Emuná (fé), bitachón (confiança em D’us) e compreensão da unicidade de Hashém.

 

Quanto à Sucót, o mesmo que foi dito acima até agora se aplica aqui, não há que se construir sucá nem fazer nada das coisas (referentes a Sucót).

 

Rabino Asher Cacua.

© Rabi Asher Cacua
© Projeto Noaismo Info: traduzido do espanhol por © Projeto Noaísmo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

As Sete Leis de Noá da Torá são eternas para os Bnei Noach assim como o povo judeu também é eterno

As Sete Leis de Noá da Torá são eternas para os Bnei Noach assim como o povo judeu também é eterno

 

Por Projeto Noaísmo Info e O Rebe

 

Desde que o ser humano foi criado por Hashém que toda a humanidade está sujeita ao cumprimento das Sete Leis Divinas Universais, primeiramente dadas a Adám e Chavá (Adão e Eva), e posteriormente dadas a Nôach (Noá) e Naamá, e finalmente reveladas a toda a humanidade através da Torá, entregue por Hashém a Moshé (Moisés) e ao povo judeu no monte Sinái em 2448 depois da Criação.
Portanto, diferente das 613 mitsvót judaicas que foram surgindo gradativamente desde Avrahám (Abraão) (o primeiro judeu) até a entrega da Torá no Sinái, as Sete Leis Universais existiram desde sempre. E o surgimento do povo judeu se deu exatamente por causa delas, das Leis Universais de Hashém, ou seja, o povo judeu surgiu não para por um fim nelas, mas para protegê-las (do esquecimento das nações por causa de rejeição e abandono).
Todas as nações — todos os povos — são criações de D’us, obviamente. O povo judeu também é criação de D’us. Mas, mais do que apenas ser criação de D’us, o povo judeu foi escolhido por D’us para servi-LO eternamente (nunca O abandonando por completo, nunca O esquecendo por completo) e para representá-LO diante de todas as nações do mundo*. (* “Uma nação de sacerdotes — o povo a quem ELE escolhera para SI, para receber SUA Torá e para servir de guia e inspiração [espiritual e moral] aos demais povos do mundo. Ensinamos ao mundo o monoteísmo e lhes demos a nossa Torá, que é a base da civilização e da fé entre os homens.” – Revista Morashá) Assim, mesmo que a partir de então todas as pessoas do mundo abandonassem seu CRIADOR e se esquecessem de SUAS Leis Universais, o povo judeu estaria ali servindo como um lembrete, um aviso Divino, para elas.
Mas, se — como está evidente acima — o povo judeu tem uma missão divina diferente da missão divina de todas as outras nações, o que torna o judeu diferente do não-judeu? Qual é a diferença entre o judeu e o não-judeu?
O próprio Rebe, o Rabi Menachem Mendel Schneerson, o líder espiritual da nossa geração, responde:

“Somos todos iguais, biologicamente e fisiologicamente. Só que o papel do judeu é diferente do papel do não-judeu. D’us fez estas distinções e ninguém pode mudar isso. A diferença entre judeus e não-judeus se expressa em relação à observância da Torá. Se requer que o povo judeu observe 613 mitsvót da Torá e que os gentios do mundo só cumpram as Sete Leis Noaíticas (Universais). Esta não é uma responsabilidade pequena, já que é um ingrediente essencial na criação do mundo.”

O povo judeu é diferente dos povos não-judeus porque recebeu do MESMO CRIADOR 613 mandamentos: as Sete Leis Universais (sim, os judeus não estão dispensados delas) acrescidas de 606 mandamentos. Isto é o que identifica o judeu, esta é a sua identidade, esta é a Identidade Judaica (estar sujeito ao cumprimento de 613 mandamentos divinos).
Se o povo judeu surgiu para assegurar que todas as pessoas do mundo NUNCA se esquecessem das Sete Leis Universais de Hashém, então, assim como o povo judeu é eterno, assim também as Sete Leis Universais de Hashém são eternas para todos os povos. Como Hashém é eterno, nada do que ELE cria se desfaz. Portanto, as Sete Leis Universais de Hashém são eternas, vão existir para sempre. E para serem cumpridas por quem? Pelos não-judeus, é óbvio. Então os não-judeus também existirão para sempre, pois também são criações de Hashém. E dessa maneira, portanto, o mesmo se dá com o povo judeu e com as 613 mitsvót da Torá, cada um também existirá para sempre.
“Assim como D’us é eterno, também é eterna a sua aliança com o povo judeu.”
“Assim como D’us é eterno, assim também o povo judeu é eterno.”
“A Torá é eterna, e tudo o que nela está escrito também é eterno.”
“Nosso interesse (dos judeus) não é eliminar as nações do mundo, mas refiná-las. Elas não deixam de existir após a conclusão do processo de refinamento (do mundo). Mesmo no futuro (messiânico), as nações continuarão a existir.” Continue lendo “As Sete Leis de Noá da Torá são eternas para os Bnei Noach assim como o povo judeu também é eterno”

Nova Página do Site

Apresenta

 

Pela graça de D’us, uma nova página no site

 

https://a-fe-original–noaismo.info/o-que-e-o-refinamento-do-mundo-dos-nao-judeus/

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

Proselitismo inconsciente

PROSELITISMO INCONSCIENTE

Se você deseja se converter ao judaísmo, faça-o da maneira correta e sem buscar caminhos duvidosos, e pare de convencer a todo mundo de que eles também têm de fazê-lo. Acredite você ou não, nem todos querem se converter ao judaísmo, e [tais pessoas realmente] são felizes com as suas 7 leis noaíticas. E pare de negar a existência das 7 leis só por causa do seu ego. A negação é apenas uma amostra de tudo o que você ignora. Se você quer ser judeu…ande, seja feliz, se esforce… quem disse que o caminho do convertido é fácil? E deixe os outros serem felizes com as suas 7 leis.
Por que negar as 7 leis existentes antes de “Matán Torá” (Entrega da Torá) apenas por causa do seu ego e do proselitismo inconsciente?
A sabedoria consiste [em estar-se ciente de] que nem todos têm de ser iguais a você e [de que] sempre há uma resposta adequada para cada coisa.

Rabino Asher Cacua
(Maio 2020)

© Har Hamoriáh
© Traduzido do espanhol por Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

Por que há discordância entre os próprios rabinos sobre a prática noaica?

Bendito é Hashém!

 

Nova página do Site:

https://a-fe-original–noaismo.info/por-que-ha-discordancia-entre-os-proprios-rabinos-sobre-a-pratica-noaica/

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

NOVA PÁGINA PARCIALMENTE PUBLICADA

O Projeto Noaísmo Info — o site Bnei Noach — tem o prazer de anunciar que a nossa nova página já está parcialmente publicada

 

https://a-fe-original–noaismo.info/o-rebe-diz-nao-a-judaizacao-de-bnei-noach/

Leia se tiver coragem!

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

Bnei Noach podem celebrar as Festividades Judaicas ou alguma delas?

Perguntas & Respostas

 

P: Bnei Noach podem celebrar as Festividades Judaicas ou alguma delas?

 

R: O Shulchan Aruch Bnei Noach — o livro The Divine Code (“O Código Divino”), conhecido no hebraico como Shéva Mitsvót Hashém (“As Sete Mitsvót [Universais] de Hashém”) —, do Rabi Moshe Weiner, publicado pela Organização Internacional Ask Noah, é enfatico:

“Qualquer mandamento [de se celebrar] um dia sagrado judaico está proibido para um gentio(*). E práticas relacionadas especificamente com esses dias, tais como [por exemplo] comer pão sem levedura no Pêssach, agitar uma folha de palmeira (luláv) ou sentar-se em uma sucá em Sucót, jejuar em Ióm Kipúr, tocar shofár no Rósh Hashaná, também são impróprios para um gentio. Tudo isso porque [se ele faz essas coisas] ele está cumprido um dia sagrado que ele não foi mandado cumprir, e é uma proibição que alguém faça seu próprio dia sagrado devido a que está proibido criar uma outra religião(**.

 

* Isso inclui o Shabát, pois “Havayah falou a Moshé, dizendo-lhe para falar aos benêi Yisrael e dizer-lhes: Há épocas especiais que vocês devem celebrar como feriados sagrados a Havayah. São as seguintes Minhas festividades: … o sétimo dia é um Shabát … um feriado sagrado para Havayah.” (Levítico/Vayicrá 23, A Torá Viva, Rabi Aryeh Kaplan, Maayanot.) “Vede [benêi Yisrael], Havayah vos deu o Shabát.” (Êxodo/Shemót 16:6, 29). Como diz o Rabi Aryeh Kaplan: “O Shabát foi outorgado ao povo judeu quando receberam o maná pela primeira vez.” E como diz a Revista Morashá: “O Shabát — o único ritual judaico que é um dos Dez Mandamentos — é a primeira de todas as festas [judaicas], porque é a primeira a ser mencionada na Torá (Levítico, 23:2-3). Diz a Torá: “(O Shabát) é um sinal entre MIM (Havayah) e os benêi Yisrael para sempre” (Êxodo, 31:17). Apesar de muitos não o saberem, qualquer Shabat é o dia mais sagrado do ano judaico, até mesmo mais do que Ióm Kipúr (Shulchán Arúch, Órach Chaím, 242:1).” (© Instituto Morashá de Cultura.)

A única exceção é a celebração de Rósh Hashaná, por se tratar do dia da Criação da Humanidade (Adám e Chavá).

 

** Pois ele não é judeu e está praticando um mandamento especificamente judaico, então isso não é nem noaísmo nem judaísmo, logo, é outra coisa — é criar outra religião.)”

 

The Divine Code, Terceira Edição, versão inglesa autorizada do original em hebraico: Sheva Mitsvot Hashem, por Rabi Moshe Weiner, 2018 Ask Noah International.

© Ask Noah International
© Rabi Moshe Weiner
© Rabi Dr. Michael Schulman
Traduzido por Projeto Noaismo Info: © Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

Bnei Noach podem aderir à Cashrút?

 

Bnei Noach e Casher

Perguntas & Respostas

 

Pergunta:
Deu D-us os mandamentos dos alimentos cashér e daquilo que não constitui alimentos cashér (Levítico 11) para toda a humanidade?

 

Resposta:
Há dois detalhes na própria Torá que devem ser levados em consideração. O versículo 2, que diz: “Falai aos filhos de Israel”, e não: ‘falai aos filhos de Adám’, que significaria ‘falai a toda a humanidade’. E todas as vezes em que se diz: “para vós”, ou seja, “para vós os judeus” (versículos 4-8, 10-12, 20, 23, 26-31, 35, 38), e não para os não-judeus.

Portanto, tudo o que é ordenado no capítulo 11 de Levítico se aplica exclusivamente ao povo judeu. Ou, como Ráshi diz: “Para os outros povos do mundo D-us não proibiu nada” para se alimentarem*◇.

 

* Atentando-se para o que diz o Rabi Dr. Michael Schulman (Diretor da Ask Noah International): “Sujeito à qualificação para evitar comer qualquer coisa que possa ser imanentemente prejudicial à saúde física, ou seja, que seja venenosa, ou que seja alérgica à pessoa.”

◇ A única exceção sendo a própria mitsvá noaítica de não comer o membro de um animal ainda vivo.

 

O Rabi Pinchas Taylor (Chabad), explicando sobre o que é cashér, diz:

“Sem dúvida, não há nada mais mal compreendido na fé judaica do que as leis e o significado da cashrút, as leis alimentares da Torá. Enquanto quase todo mundo já ouviu falar da idéia de manter a lei de cashér, poucos conhecem seus meandros e significado. Cashér não tem a ver com salmão defumado, panquecas de batata e sopa de bolinhas de matsá. Em vez disso, chineses, italianos, mexicanos e alimentos de todas as outras etnias podem ser potencialmente cashér. Cashér também não é comida que foi simplesmente “abençoada pelo rabino”.

Cashér é o plano de dieta para a alma [judaica], na medida em que eles são os alimentos prescritos por D’us na Torá para consumo pelo povo judeu.

Todos os animais terrestres e aves devem ser mortos através da shechitá, ritual tradicional de abate[*]. Se o animal morre por qualquer outro meio, não é cashér. Além disso, deve-se mencionar que o nervo ciático, o sangue e as gorduras proibidas também são proibidos e devem ser extraídos após o abate.

Além disso, leite e carne não podem ser consumidos juntos. Os subprodutos de qualquer animal cashér, como ovos ou leite, também são cashér, e os de um animal não cashér não são. Parenteticamente, os insetos também são proibidos.”

 

* O Dr. Tali Loewenthal (Chabad) explica:
“A Torá ordena ao judeu que use o método da shechitá para que os judeus possam comer carnes.

Antes de Nôach, as pessoas não podiam comer carne. Então, em uma lei dada por D’us a Nôach depois do Dilúvio, comer carne se tornou permitido desde que o animal seja morto antes. Nós geralmente entendemos esta lei, que se aplica a toda a humanidade, como uma exigência para que se evite a crueldade desumana aos animais.

Para o judeu existem ainda outras restrições com regras adicionais que se aplicam [exclusivamente] a nós.” Estas são as leis da Cashrút.

Ele (o Dr. Tali Loewenthal) continua explicando, e fala sobre um detalhe praticamente desconhecido dos não-judeus:

“Ainda tem mais. Para o Povo Judeu na época de Moshé, a carne só podia ser consumida quando fizesse parte de um sacrifício trazido ao Santuário. De certo modo, a carne era considerada sagrada. Então, logo antes de entrarem na Terra de Israel, foi dito ao Povo Judeu que eles poderiam comer carne, mas somente se eles abatessem os animais de uma forma especial (que é a shechitá). Este método foi revelado a Moshé no Sinai. Era o modo de abate usado no Santuário e no Templo, e ainda é usado por aquele que faz o abate (shochét) nos dias de hoje.”

 

Retornando ao Rabi Pinchas Taylor, como ele salienta, O PRÓPRIO D’us nos revela o motivo das leis da cashrút unicamente para os judeus (assim como todas e quaisquer mitsvót que foram ordenadas apenas aos judeus):
“EU sou Havayáh, seu D’us, que separou vocês (judeus) dentre todas as nações. Vocês (judeus) devem distinguir entre os animais que são cashér e aqueles que são não-cashér; entre as aves que são cashér e aquelas que são não-cashér. Não se façam repugnantes através de animais, aves ou qualquer criatura que se arrasta sobre a terra que EU distingui para vocês (judeus) como sendo não-cashér. Vocês (judeus) serão santos para MIM, pois EU, D’us, sou santo, e EU separei vocês (judeus) dentre as nações para serem MEUS.[*]” (Vaicrá/Levítico 20:24-26)

* A Torá Edição Yad Mordechai explica sobre esses versículos:
“EU sou Havayáh, vosso D’us, que [a vós judeus] vos distingui dos outros povos dando-vos MINHAS leis [supra-racionais]. [Vós judeus] deveis ser peritos e experientes nas leis do abate ritual[, pois] o consumo de animais abatido incorretamente [a vós judeus] vos torna espiritualmente impuros. Portanto, [vós judeus] deveis ser capazes de facilmente distinguir entre o abate ritual correto, que deixa o animal espiritualmente puro, de modo que ele não [a vós judeus] vos impurifica espiritualmente quando o comeis, e o abate ritual incorreto, que torna o animal espiritualmente impuro, de modo que ele [a vós judeus] vos impurifica espiritualmente se o comeis. Similarmente, [vós judeus] deveis ser hábeis na diferenciação entre o abate ritual que torna a ave impura e o abate ritual que deixa a ave pura. Assim, [vós judeus] não vos fareis execráveis por causa do consumo de qualquer animal ou ave espiritualmente impuro, ou ainda por causa do consumo de todo ser que rasteja sobre a terra que EU distingui de outros seres semelhantes proibindo-o para vós [judeus], porque consumi-lo [a vós judeus] vos torna espiritualmente impuros. [Vós judeus] sereis santos para MIM, porque EU, D’us, sou santo. EU [a vós judeus] vos distingui de todos os povos dando-vos todas essas leis [supra-racionais] para que [vós judeus] sejais MEUS. Se [vós judeus] rejeitardes essas leis [supra-racionais], perdereis tanto o privilégio de serdes ‘MEUS’ como MINHA proteção Divina que o acompanha. Ademais, não é por nenhum sentimento pessoal que deveis evitar tudo o que EU vos proíbo. Ao contrário, [vós judeus] deveis reconhecer que, se não fosse por MEUS decretos, poderíeis facilmente comprazer-vos com elas, mas [vós judeus] vos abstendes de fazê-lo pura e simplesmente porque EU as proíbo a vós [judeus].”

 

Ele prossegue:

“A base da observância de todos os mandamentos da Torá é que eles são dados por D’us para o benefício da humanidade. Para cada mitsvá, há um benefício e uma razão. Em alguns casos, a razão e o benefício parecem facilmente discerníveis, enquanto em outros estão além da compreensão mortal.

Três Categorias de Mandamentos da Torá

No judaísmo, existem três tipos de mandamentos: mishpatím, edót, e chukím. Os mishpatím são éditos completamente lógicos que facilitam uma sociedade estável. Estas regras básicas incluem advertências contra roubo, assassinato, ou envolvimento em promiscuidade. Por causa da flagrante obviedade destas leis, a humanidade estaria inclinada para muitas delas mesmo que a Torá não fosse dada.

A segunda categoria, edót, são testemunhos de eventos da experiência histórica judaica coletiva, por exemplo, comer matsá em Pêssach. Mesmo que ninguém pudesse inesperadamente imaginar estes eventos, seus valores comemorativos soam suficientemente verdadeiros com a mente racional para aceitar sua observância.

O último tipo, os chukím, são comandos supra-racionais. Estes são os decretos que transcendem a lógica humana. O judeu deve aderir à sua observância simplesmente por causa da instrução divina, sem ter qualquer conhecimento de sua razão ou benefício.

De modo mais geral, os mandamentos da Torá podem ser divididos em duas categorias: lógicos e supra-lógicos — aqueles que transcendem a lógica. Na tradição judaica, as leis de cashér são classificadas como supra-racionais. Se elas fossem apenas um guia de saúde, não seriam categorizadas como tais. Além disso, se manter cashér fosse puramente um benefício para a saúde física, D’us certamente as teria incluído em suas instruções para a humanidade em geral, e não apenas para a nação judaica, pois D’us SE preocupa com o bem-estar de todas as Suas criaturas.”

E como o Rabi Dr. Michael Schulman também deixa claro, não faz nenhum sentido um gentio não comer algum dos alimentos proibidos aos judeus (como, por exemplo, porco ou camarão) porque tem nojo dele apenas pelo simples fato de que ele foi proibido para o judeu. A verdade é que, com isso, ele quer encobrir sua verdadeira motivação que é assumir sobre si o mandamento ritual judaico (no todo ou em parte).
E quanto ao judeu, Ráshi diz: “Rabi Elazar ben Azariá disse: ‘(É de Levítico 20:26 que) aprendemos que um judeu não deve dizer: ‘o porco me causa nojo’, mas deve dizer: ‘eu realmente queria/poderia (comê-lo) mas não vou fazer (isso) porque meu PAI (Hashém) impôs estes decretos sobre mim (judeu)’. Por isso a Torá diz: ‘EU separei vocês (judeus) dentre as nações para serem MEUS’, o que vem ensinar que a própria distinção dos outros povos deve ser feita em honra do MEU NOME (Havayáh) e aceitando sobre si o jugo de D’us.”

 

© Projeto Noaismo Info (traduções do inglês por Projeto Noaismo Info)
© Rabi Pinchas Taylor
© Rabi Dr. Michael Schulman
© Chabad
© Vaicrá: Levítico, Edição Yad Mordechai, compilado e adaptado por Rabi Moshe Wisnefsky, Centro Bait Judaico, 2017

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)