A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo, Vídeo

No que os judeus e os noaítas acreditam?

A Fé Original: Noaísmo.info

O Site Bnei Noach

 

B”H

No que os judeus acreditam?
Visão Judaica X Visão Cristã

 

Por Rabino Gilberto Ventura

 

O Projeto Noaismo Info apresenta esse vídeo do Rabino Gilberto Ventura para todos os cristãos (e pessoas de outras fés) que realmente queiram aprender quais são algumas das diferenças mais fundamentais entre o judaísmo e o cristianismo, como:
Qual o papel dos mandamentos?
Quem cria o mal? D’us ou Satanás?
Como os judeus expiam o pecado se não tem mais sacrifícios no templo?

É interessante e importante também aprender que a Fé Judaica é a Fé da Torá, e que a Fé da Torá não é apenas a Fé Judaica, mas é também a Fé Noaica (ou seja, a fé referente ao Pacto Universal feito com Nôach (Noé ou Noá) depois do dilúvio) ou Fé Noaítica (quer dizer, a Fé dos noaítas, os não-judeus que abandonam suas religiões e aderem à crença na Torá e no D’us de Israel, Hashém (também chamado de O ETERNO), mas que não se convertem ao judaísmo). Portanto, segundo a Torá, a Palavra Original de D’us, D’us deu dois Caminhos Espirituais para toda a humanidade, um, o judaísmo para os próprios judeus, e o outro, o noaísmo (ou o movimento bnei noach) para os não-judeus. Assim, devemos ressaltar que o noaísmo não é um ramo do judaísmo. Nós não somos judeus. Nós não nascemos de mãe judia e não nos convertemos ao judaísmo. Porém, devemos ressaltar também que o noaismo não é um ramo do cristianismo. Nós não somos cristãos (não somos yeshuanistas). Nós não cremos mais em novo testamento (ou brit hadashá). Nós abandonamos totalmente a crença em Jesus (em todas as suas formas: como messias, como filho unigênito de D’us, como co-criador do universo, como deus encarnado, como anjo materializado, como profeta, como rabino, etc). Inclusive, não cremos que algum Yeshua ben (filho de) Miriam (Maria) é hamashíach. Nós também não somos messiânicos (os autointitulados “judeus” messiânicos, que não são judeus coisa alguma, e sim cristãos fantasiados de judeus), e nem os messiânicos são noaítas. Os messiânicos são cristãos que se passam por judeus. Para que? Para querer dizer que existe pelo menos um grupo de “judeus” que acredita em Jesus (a quem chamam de Yeshua). Os messiânicos são cristãos que fingem ser judeus para tentarem fisgar judeus desinformados e não praticantes.

É até interessante que muitos Bnei Noach ou noaítas são ex-messiânicos, mas que, infelizmente, mesmo tendo deixado essa forma de cristianismo, muitos ainda se apegam ao costume de se judaizarem (de quererem continuar com práticas religiosas judaicas, mais especificamente, de quererem continuar copiando-as), seja por “sentirem” que possuem uma alma ou um coração judaico, seja por desejarem a conversão, seja por pensarem que a judaicidade* deveria ser uma questão universal (i.e., que a judaicidade deveria ser praticada por todo o mundo, e não apenas pelos próprios judeus).

 

* Dentro do próprio judaísmo temos dois aspectos de serviço espiritual a D’us. Um, é a Fé Judaica, que também pode ser chamada exatamente e simplesmente de judaísmo, a qual é universal, porque é a Fé da Torá, e é a mesmíssima Fé que a Fé Noaítica. O outro, é a Judaicidade, ou seja, a identidade judaica e a natureza judaica. A prática judaica, naturalmente e logicamente, não é universal, é particular, ou seja, cabe apenas aos próprios judeus. A Judaicidade (ou judeidade) é definida apenas dentro do próprio judaísmo, ela é definida apenas pelos próprios judeus. Não somos nós não-judeus que definimos quem é e quem não é judeu. É muita petulância querermos achar ou pensar que sim.

 

Portanto, o esclarecimento da Fé Judaica é também simultaneamente um esclarecimento da Fé Noaítica, da Fé dos noaítas ou Bnei Noach, da Fé do movimento bnei noach (sim, o noaísmo se trata de um movimento, não é uma religião). Enquanto é esclarecido a diferença entre a crença judaica e a crença cristã, ao mesmo tempo é esclarecido também a diferença entre a crença noaítica (a crença bnei noach) e a crença cristã/messiânica.

 

 

Observação: o que o Rabino Gilberto Ventura diz sobre o dia de Shabát, deve ser entendido da maneira correta, que o aspecto festivo ritualístico é particular, ou seja, foi dado por D’us apenas aos judeus, mas que a instrução por trás do mandamento religioso judaico, a idéia de separar um momento da semana para a espiritualidade, isso sim pode ser feito por qualquer pessoa (e na verdade, em qualquer dia).

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A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Bnei Noach, Judaísmo, PDF

Um alerta especialmente para os judeus (Cuidado com os autointitulados judeus messiânicos)

Projeto Noaísmo Info (A Fé Original da Humanidade)

O Site Bnei Noach

 

B”H

 

Um alerta do site Noaismo.info especialmente para os judeus
(as informações a seguir também são úteis para os não-judeus):

Cuidado com os autointitulados “judeus” messiânicos

 

Por Noaismo.info (baseado em Jews For Judaism)

 

Você sabia que existe um ramo do cristianismo cujos adeptos não se dizem cristãos, cujos adeptos se dizem judeus, e mais ainda, cujos adeptos se dizem judeus que encontraram e aceitaram o mashíach (messias)? Pois é, existe esse ramo do cristianismo sim. E o que é pior, esse ramo do cristianismo se autoapresenta como judaísmo messiânico.

A questão é, se existe um judaísmo messiânico, esse judaísmo é o próprio judaísmo autêntico, ou seja, aquilo que hoje é chamado de judaísmo ortodoxo. Se existem judeus messiânicos, os verdadeiros judeus messiânicos são os judeus autênticos (lê-se, os judeus ortodoxos). Isso é assim porque o judaísmo ensina a vinda do mashíach e todos os judeus a aguardam. Mas, para criar confusão entre judeus e não-judeus, um certo ramo de cristianismo teve a audácia de se autointitular e se apresentar para o mundo como o judaísmo messiânico, e seus adeptos como os judeus messiânicos. Por isso, cuidado com os autointitulados judeus messiânicos.

A cada ano, 1.000 grupos missionários cristãos evangélicos hebraizados (ou cristãos hebraístas) gastam mais de 300 milhões de dólares visando o povo judeu em todo o mundo, apresentando-se como judeus, para atrair judeus para a conversão. Nos últimos anos, estes grupos missionários conseguiram converter 350.000 judeus em todo o mundo. Eles apresentam o cristianismo sob o disfarce de judaísmo por chamarem seus clérigos ou pastores de “rabinos” e suas igrejas evangélicas de “sinagogas messiânicas”, por chamarem Jesus Cristo de Yeshua HaMashiach e o Novo Testamento de Brit HaChadasha, que significa Nova Aliança, por chamarem sua religião cristã de Judaísmo Messiânico, por não usarem a cruz e usarem símbolos judaicos, e por usarem nomes hebraicos e cantarem canções judaicas tradicionais. Esse ramo do cristianismo, o cristianismo hebraizado ou hebraísta (a que podemos chamar também de yeshuanismo), é composto por cristãos evangélicos. A igreja católica romana não pratíca mais a conversão de judeus.

Denominando a si mesmos de judeus para Jesus, cristãos hebreus, judeus messiânicos, eles celebram as festas judaicas com uma interpretação cristã. Eles realizam os serviços de Shabát, e usam kipá, talít e tsitsít para criarem a impressão de que um judeu pode ser cristão e ainda manter sua identidade judaica. Usando os Rolos da Torá, a iluminação das velas de Shabát (recitando as bênçãos — as bênçãos das velas de Shabát iniciam o dia de se fazer o Shabát), Kidúsh (bênção que inicia o ritual do Shabát) e Hamôtsi (bênção das duas chalót)*, eles fazem com que os judeus não afiliados se sintam confortáveis e bem-vindos em suas igrejas, pois eles sabem que qualquer judeu, mesmo um não afiliado, se sente desconfortável em uma igreja típica (um culto estranho para um deus estranho).

* Daqui depreendemos o motivo dos gentios ex-messiânicos quererem judaizar o movimento Bnei Noach. Eles permanecem judaizados pensando que não há problemas em manterem os rituais judaicos uma vez que já não acreditam mais em Jesus (Yeshua) e nem utilizam mais o seu nome nas bênçãos. (E a questão que surge quanto a isso é: mas se AGORA também sabem que não são judeus, que nunca foram, por que mantêm — querem manter  — os rituais judaicos?)

 

Assim, tais igrejas realmente conseguem a façanha de fazerem não-judeus ignorantes do judaísmo pensarem que são judeus e de fazerem judeus igualmente ignorantes do seu próprio judaísmo pensarem que AINDA* são judeus. Um judeu ex-cristão hebraizado (que abandonou esse ramo do cristianismo depois de uma reunião com o Rabi Dr. Jacob Immanuel Schochet, do Chabad, que também foi o primeiro rabino supervisor da Ask Noah International) admite:
“Os únicos judeus que pareciam aceitar Jesus como o Messias eram judeus ignorantes do judaísmo.” E, “fui forçado a admitir que nem um único judeu dentre as pessoas que afirmavam ser judeus messiânicos jamais soube o que era o judaísmo autêntico.”
Geralmente, tudo o que os judeus ignorantes do judaísmo sabem é que Jesus foi judeu e que os judeus não acreditam em Jesus.

* Segundo a Torá, o nascido de mãe judia que se converte para outra religião deixa de ser judeu.

 

Esses missionários cristãos hebraizados são tão obcecados por quererem converter judeus que recentemente nos EUA e no Canadá eles se apresentaram como judeus ortodoxos e se infiltraram nas sinagogas.

Os missionários cristãos hebraizados podem alegar que existem mais de 300 “provas” bíblicas de que Jesus, chamado por eles de Yeshua, é o mashíach. Um exame cuidadoso dessas passagens, no contexto (e dentro da sua essência natural — judaica), imediatamente refuta esta alegação. Algumas dessas passagens são baseadas em traduções incorretas, a maioria são citadas fora de contexto e são baseadas em raciocínio circular, e algumas são realmente baseadas em textos totalmente fabricados. Assim, 300×0 ainda é 0!

É interessante notar que atualmente quase todos os teólogos cristãos admitem o fato de que o cristianismo original (de quase 100 anos antes da era civil) nasceu dentro do judaísmo e de que Jesus e seus discípulos eram inicialmente todos judeus (eles foram educados segundo as linhas judaicas e se consideravam judeus). Alguns poucos rabinos e judeus afirmam que Jesus é uma mitologia, que ele não existiu de verdade, que ele não foi uma pessoa histórica, e, parcialmente, eles estão corretos (levando em conta que o Jesus eclesiástico do primeiro século da nossa Era realmente não existiu, pois o Jesus em que ele foi baseado, o verdadeiro Jesus, nasceu em 90 antes da nossa Era e morreu em 54 antes da nossa Era. O cristianismo romano modificou a sua data de existência*) (veja:
https://a-fe-original–noaismo.info/2017/12/20/site-bnei-noach-a-verdadeira-historia-de-jesus-e-do-cristianismo/ ).

* Por isso não há historiadores do primeiro século da nossa Era que falam da existência desse Jesus.

 

Por fim, temos a intrigante questão: o cristianismo (não importa qual o ramo, se é o hebraizado ou não) é idolatria? Há um consenso entre todos os judeus de todas as épocas de que PARA um judeu o cristianismo é sim idolatria. Porém, não há um consenso sobre se o cristianismo é idolatria para os próprios não-judeus. A verdade é que alguns rabinos dizem que sim, que o cristianismo é idolatria mesmo para os gentios, e que alguns rabinos dizem que o cristianismo NÃO é idolatria para os gentios* ▲. Como resolvemos este impasse? Com a verdade de que não importa se o cristianismo (ou, na verdade, qualquer religião gentílica) é ou não é idolatria para os gentios, o fato é que todas e quaisquer religiões são invenções dos próprios humanos (portanto, mentiras, falsidades e enganações — ainda que possuam nelas algum elemento da Verdade) (e não se deve dar origem à religiões, diz-nos Rabi Maimônides) e todos os humanos devem seguir apenas os Mandamentos que O PRÓPRIO D’us do judaísmo, Hashém, deu na SUA Palavra, na Torá, para toda a humanidade através de Moshé no Sinái em 2448 desde a Criação (a Única, portanto, a Verdadeira Revelação Divina). Assim, não importa se alguma religião gentílica ensina as chamadas Sete Leis de Noá (Noé) (do mesmo modo como mencionam os Dez Mandamentos) e se os seus adeptos seguem-nas (porque são ensinamentos de sua religião), isso não é Noaísmo e esses religiosos (sejam cristãos ou yeshuanistas, maometistas, ou outros) não são Noaítas (Noahites, no inglês).

* Por causa disso alguns desses rabinos se equivocam em suas próprias palavras e acabam afirmando que um gentio pode ser cristão ou que um cristão não necessita abandonar o cristianismo para servir D’us (como uma boa pessoa). Essas afirmações realmente servem apenas para cristãos desavisados ou desatentos (ignorantes por absoluto de Hashém e da Torá). Quanto a que um gentio pode ser cristão, poder e dever são duas coisas distintas. Qualquer um pode qualquer coisa. Não significa que deva. Então, alguém pode ser cristão mas isso não significa que deva ser cristão. Que qualquer pessoa pode ser um bom cristão, qualquer pessoa de qualquer religião, ou sem religião, pode ser uma boa pessoa. Que bons cristãos (mesmo sendo cristãos) serão recompensados (por suas boas ações) por Hashém, quaisquer boas pessoas de todas as religiões, ou sem religião, serão divinamente recompensadas por suas boas ações.
Boas ações não tem nada a ver com princípios de fé corretos.

 

▲ De qualquer modo, veja

https://a-fe-original–noaismo.info/2016/10/10/site-bnei-noach-os-gentios-os-nao-judeus/

 

Nós, do site a-fe-original–noaismo.info, declaramos que somos Noaítas (Bnei Noach, no hebraico), que seguimos o Noaísmo, portanto, não-judeus que devotam Hashém cumprindo SUAS Mitsvót Universais. Não somos cristãos nem somos cristãos hebraizados/hebraístas ou yeshuanistas nem maometistas. Não acreditamos em Jesus ou Yeshua nem em Muhammad (Maomé) ou em quaisquer outros falsos profetas. Não acreditamos no novo testamento ou brit hachadasha nem no Alcorão ou Quran ou em quaisquer outros livros dos outros falsos profetas.

 

Por Noaismo.info (baseado em Jews For Judaism)

https://a-fe-original–noaismo.info/site-bnei-noach-copyright/

O Projeto Noaismo Info tem o prazer, o orgulho e a honra de apresentar à Comunidade Judaica de Língua Portuguesa o Panfleto:
Sete Respostas Para os Messiânicos.

Acesse o link abaixo para baixar gratuitamente o panfleto no formato PDF 

7 Respostas para os Judeus Para Jesus (Jews For Judaism_Noaismo.info)

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A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

O Judaísmo Rabínico é autêntico?

A Fé Original: Noaismo.info

O Site Bnei Noach

 

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O Judaísmo Rabínico é autêntico?

Reflexões sobre a Torá viva

 

O que realmente significa ser fiel a si mesmo e às origens?

 

Por Professora Yael Shahar

 

O Povo do Livro (Não escrito)

Considerando o lugar de destaque da Torá escrita em nossos rituais comunais, muitas vezes surpreende aqueles que conhecem os judeus apenas como “o povo do Livro” que a maior parte da observância judaica não se encontra na Torá escrita. Pelo contrário, a lei judaica é a lei casuística, ou “jurisprudência”, construída ao longo de séculos de circunstâncias e respostas. A compilação quintessencial da lei judaica não é a Torá escrita, mas o Talmúd, um compêndio do tamanho da Enciclopédia Britânica que sintetiza 800 anos de discussões, argumentos, contos populares e até mesmo humor sobre o caminho certo para viver, como nação e como indivíduos.

E o Talmúd, por sua vez, esteve mergulhado por 15 séculos de discussões e respostas às circunstâncias em mudança, até os dias atuais. Assim, pode-se dizer que a Torá escrita é a base da lei judaica, da mesma forma que a Constituição Americana é a base da lei americana.

O que é o “judaísmo autêntico”

O judaísmo que conhecemos hoje — o judaísmo rabínico — seria irreconhecível para um judeu que vivia no tempo dos juízes. Aliás, o mesmo se aplicaria à lei judaica durante a Monarquia Davídica; também poderia ser irreconhecível para aqueles que estavam no Sinai.

Há aqueles que argumentam que este processo de reinterpretação contínua tornou o judaísmo de nossos dias menos “autêntico” do que o dos tempos dos nossos antepassados. Parece haver uma suposição implícita de que a Lei Judaica representada pela Torá escrita é de alguma forma mais autêntica do que a lei rabínica posterior.

Por trás deste argumento está a premissa de que “os rabinos” tinham segundas intenções que os motivou a se desviar da Torá escrita. E, no entanto, não é realmente possível atribuir segundas intenções aos Tanaím – os sábios e gigantes espirituais do período da Mishná – ou Amoraím – do período da Guemará –, simplesmente porque eles nunca representaram uma instituição unificada; a habilidosa redação do Talmúd apresenta uma imagem de unidade que nunca existiu de fato. Os sábios citados no Talmúd representavam diferentes grupos e subgrupos, alguns dos quais ficaram pelo caminho, enquanto outros ganharam o dia.

A lei rabínica é simplesmente a evolução das normas judaicas sobreviventes, incluídas as normas não escritas que se entrelaçaram com a lei escrita, e até podem tê-la precedida. Halachá incorpora não apenas um código religioso, mas também a lei civil, e durante a maior parte da história judaica, continuou funcionando como tal. As comunidades judaicas eram socialmente e legalmente autônomas, e viviam segundo suas próprias leis dentro dos impérios não-judeus maiores. Enquanto elas eram limitadas em alguns aspectos, eram autogovernadas em outros.

Embora grande parte da legislação discutida no Talmúd fosse inaplicável no exílio, sua legislação civil evoluiu para um sólido sistema econômico e social. De fato, uma das coisas mais fascinantes sobre o Talmúd (tal como é atualmente impresso) é que você pode realmente traçar a evolução do nosso atual sistema jurídico judaico lendo “do centro para a periferia” da página impressa: da Mishná para Guemará para Tosafót e comentários posteriores. Bases de dados modernas de responsas, como o Sefaria.org, lhe permitem continuar o processo além dos limites da página escrita, com responsas que chegam até os dias atuais.

A crescente Árvore da Vida

Tudo isto é para dizer que a halachá é um sistema vivo, que respira. Não é por acaso que a Torá é chamada de “árvore da vida”; ela cresce, ainda que lentamente, em resposta às circunstâncias em mudança. Voltando à analogia da lei constitucional dos EUA, podemos realmente dizer que a lei dos EUA não é “autêntica” a menos que descartemos todas as emendas e retornemos à Constituição “pura”?

Em outras palavras, admiramos a “autenticidade” das crianças. Mas o adulto é menos autêntico, simplesmente porque ele tem se adaptado às inúmeras circunstâncias que a vida tem colocado em seu caminho? Alguém diria que a criança é mais autêntica do que, digamos, um estudioso que tem passado toda a sua vida aprendendo e crescendo em seu campo, ou um músico que tem passado toda a sua vida aperfeiçoando sua arte?

Da mesma forma, o judaísmo tal como existe hoje em dia é uma cultura mais madura, tendo lidado com as vicissitudes do exílio e da falta de habitação. Não é menos autêntico do que o dos nossos ancestrais distantes. É o produto das mesmas forças que nos criaram, assim como o judaísmo de nossos ancestrais foi um produto das forças que os moldaram e definiram. Dizer que nosso judaísmo é menos autêntico por se adaptar ao seu entorno é um pouco como dizer que um pardal é menos autêntico que um velociraptor!

O Contrato com a Eternidade

Além do mais, se acreditamos que D’us tem algo a ver com nossa história, devemos ver que a Torá é dada continuamente pela mesma mão que coloca estes desafios em nosso caminho e exige que nos adaptemos a eles. A parte mais radical da frase “Torá miSinai” — Torá do Sinai — não é a noção de que a Torá foi dada de uma vez por todas. Em vez disso, é que, ao aceitar a Torá, concordamos, como nação, em nos associarmos a algo fora de nós mesmos e sermos moldados por essa força, para melhor ou para pior.

Esta é uma forma de parceria muito diferente à do Contrato Social, pelo qual os indivíduos desistem voluntariamente de certos direitos em troca de segurança. No nosso caso, concordamos em nos render, não nos direitos, mas na vontade nacional, e o fizemos cegamente, confiando em que a outra metade da parceria sabe o que está fazendo. Esta pode ser uma das razões pelas quais damos tanta ênfase ao livre-arbítrio no nível individual — porque no nível social, nós nos rendemos quase que totalmente, tendo concordado em seguir as regras que aceitamos com fé cega.

Podemos dizer que a sociedade moldada pelo nosso respeito por essas regras é inautêntica? Nós, como o músico que foi moldado por sua arte, ou o estudioso por seu aprendizado, somos o produto do que temos produzido, sob orientação da circunstância. Nós temos honrado nossa parte da Torá permitindo que ela nos molde como uma nação. Porém, ela tem sido moldada por nós também.

Para as nações, como para os indivíduos, as vicissitudes da vida são parte daquilo que nos torna quem somos; nós internalizamos suas lições e as tornamos parte de nós. Não é que nos afastamos de quem éramos — é que crescemos para abranger cada vez mais o nosso entorno. Ao fazer isso, não nos tornamos “outros”. Pelo contrário, nos tornamos “mais”.

 

Por Professora Yael Shahar

© Yael Shahar

Traduzido do inglês por Noaismo.info

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Bnei Noach, Judaísmo, Perguntas & Respostas (e Guia Bnei Noach)

Perguntas sobre judaísmo e noaísmo

A Fé Original: Noaismo.info

O Site Bnei Noach

 

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Perguntas & Respostas

 

Por Rabi Ari Shvat

 

Pergunta 1:

O que é religião do ponto de vista da Torá?
O que é fé e crença e confiança?
Qual é a diferença e sua relação com a religião?
Por favor me ajude a entender.

 

Resposta:

O judaísmo não é uma “religião”, mas sim um conjunto de ideais e o modo de vida através dos quais D’us pode ser visto pela humanidade através das 613 Mitsvót de cada judeu e, especialmente, através da nação judaica.
Cremos em um Perfeito D’us Monoteístico, cuja perfeição se vê através das ações que ELE nos ordenou fazer para sermos devotos, e acreditamos e confiamos que ELE governa o mundo da maneira perfeita (que inclui nos dar o Livre Arbítrio), e temos fé em que este é o caso, inclusive quando não entendemos.
Isto não é uma fé cega, mas uma confiança baseada em 3.700 anos de ver a grandeza da criação, os benefícios e a genialidade da Torá, e a confiabilidade através da qual ELE administra o mundo dos indivíduos e da história, especialmente a história judaica, lentamente avançando a humanidade para uma maturidade moral, incluindo o nosso Livre Arbítrio.
Em suma, nosso PAI amoroso tem três “papéis” básicos que se harmonizam e interagem: ELE é O CRIADOR, O DADOR da Torá, e O D’us que zela por nós, e dirige a história e a nossa vida cotidiana.

 

Pergunta 2:

É o Noaísmo (ou Noaitísmo*) um ramo do Judaísmo?

* Em inglês, popularmente grafado Noahidism por causa da forma popular Noahide.

 

Resposta:

O judaísmo não é apenas a nossa religião mas também a nossa nação: o povo de Israel. Consequentementemente, apenas os membros da nação judaica fazem parte do judaísmo [n.t.: certamente no sentido de Judaicidade]. Por outro lado, apesar de que o papel e a observância dos Noaítas são muito importantes e com o devido respeito que realmente merecem, eles (os noaítas/Bnei Noach) não são parte da nação judaica nem do judaísmo, a menos que desejem se converter.

 

© Rabi Ari Shvat

Traduzido do inglês por Noaismo.info © Noaismo.info

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A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA

A Fé Original: Noaismo.info

O Site Bnei Noach

 

B”H

 

Nas palavras transliteradas, “CH” deve ser pronunciado como “rr” e “SH” como “ch”.

 

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

OS TREZE PRINCÍPIOS DE FÉ DA TORÁ (DA FÉ JUDAICA/NOAICA)

 

Os Treze Princípios de Fé Judaica do Rabi Maimônides são uma das declarações mais claras e concisas da crença judaica. São, de fato, sua pedra fundamental. Maimônides foi o maior codificador e filósofo na História Judaica. Também conhecido como Rambám (Rabênu Moshé ben Maimon), Maimônides estudou a totalidade da literatura judaica sagrada e codificou os princípios do judaísmo. O Povo Judeu aceitou esses princípios como a crença clara e inequívoca do judaísmo.

Nosso propósito aqui é apresentar e discutir brevemente cada um dos Treze Princípios de Fé de Maimônides. Esses treze enunciados são a essência da crença judaica. Ao estudá-los, aprendemos sobre o que torna único o judaísmo: aquilo no que nós, judeus, cremos; por que cremos no que cremos; e porque não é possível para o Povo Judeu adotar as crenças e práticas de outras religiões.

Os Treze Princípios de Fé da Torá

Primeiro Princípio:

“Creio com plena fé que D’us é O CRIADOR de todas as criaturas e as dirige. Só ELE fez, faz e fará tudo”.

O Primeiro Princípio de Maimônides é a crença na existência de D’us. Este é o princípio fundamental do judaísmo, o pilar de todos os demais. O judaísmo se  inicia e termina em D’us. Como escreve Maimônides: “A base fundamental e pilar da sabedoria é a compreensão de que há uma EXISTÊNCIA inicial que fez todo o restante existir”. Tudo o mais nos Céus e na terra apenas existe como resultado da realidade de SUA existência (Yad, Yesodey HaTorah 1:1).

Segundo o judaísmo, D’us é a origem, essência e vida de tudo. D’us não é apenas um conceito religioso, mas a Realidade Absoluta. O judaísmo ensina que somente D’us é real, e a existência de tudo é tênue e condicionada à Vontade d’ELE. Muitas pessoas têm certeza de sua própria existência, mas questionam a existência Divina.

O judaísmo nos ensina que a existência Divina é certa e absoluta, ao passo que a de todo o restante é questionável. Ademais, o judaísmo afirma que D’us é completamente independente de toda a Sua criação, ao passo que tudo o que existe é completa e incessantemente dependente d’ELE. Isto significa que D’us não apenas criou tudo o que existe, mas ELE também o mantém, constantemente.  Nos livros sagrados judaicos encontramos com frequência que um dos nomes de D’us é HaMakom – “O Lugar”.  A razão para essa denominação, segundo o Midrash, é que “D’us é o lugar do mundo, mas o mundo não é o lugar de D’us”. Isso significa que o mundo existe dentro de D’us, e não que há um D’us nos reinos espirituais e um universo físico que existe fora d’ELE.

A Cabalá ensina que o maior milagre de todos, possibilitado por um D’us onipotente, é que um mundo finito existe dentro d’O INFINITO sem se tornar inexistente pela infinitude.  O mandamento de acreditar em D’us é o primeiro dos Dez Mandamentos: “Eu sou HaVaYaH, teu D’us…”.

Segundo Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR é Único. Não há unicidade igual à d’ELE. Só ELE é nosso D’us; ELE sempre existiu, existe e existirá”.

A proclamação fundamental da fé judaica, que os judeus devem recitar diariamente, duas vezes ao dia, é o Shemá Israel, “Escuta, Israel! HaVaYaH é nosso D’us, HaVaYaH é um só!” (Deuteronômio, 6:4). Ao recitar o Shemá, afirmamos nossa fé em D’us e proclamamos SUA unicidade.

A unicidade Divina é um princípio central do judaísmo. A existência e a unidade de D’us andam lado a lado. O judeu que não crê na unidade absoluta de D’us, na verdade não crê em D’us, ou melhor, crê em um deus que não existe.

A unicidade de D’us é um tema complexo, muito além do escopo deste trabalho; mas é essencial observar o seguinte. Crer na unidade Divina significa não atribuir poder a nada ou ninguém a não ser a D’us. ELE é o único MESTRE do Universo. Não podemos sequer atribuir poder independente a anjos (quaisquer que sejam), muito menos a objetos inanimados, tais como  os corpos celestiais, ou a seres humanos.

Muitas religiões creem em D’us, mas também em outras forças independentes no universo, ou possuem um conceito diferente da unidade Divina. Cada nação tem seu próprio caminho (não-judaico) para chegar a D’us e sua própria maneira (não-judaica) de se relacionar com ELE. Contudo, como D’us SE revelou a todo o Povo Judeu no Monte Sinai e lhes deu a SUA Torá, ELE exige do Povo Judeu que acredite em SUA unicidade absoluta e incomparável[*.

* Mas não nos esqueçamos de que ESTE MESMO D’us, O D’us de Israel, O D’us da Torá, é O CRIADOR de todas as coisas, O ÚNICO CRIADOR de tudo, O REI do universo, que SE revelou a Adám e Chavá (Adão e Eva) e a Nôach e Naamá e sua família, dando lhes mitsvót universais. Isto é o Noaísmo. E, portanto, o Noaísmo também requer que se acredite na unicidade absoluta e incomparável de Hashém.]

 

O judaísmo ensina que a unidade de D’us não é como a de uma espécie, que engloba muitos indivíduos. Para um judeu atribuir a D’us qualquer tipo de divisão – mesmo entre as Sefirot – é pura idolatria. E este é um dos poucos pecados que um judeu não pode cometer nem ao custo de sua própria vida.

A unicidade de D’us significa que ELE é uno, singular e indivisível. Significa que ELE é a única Realidade e fonte de poder no mundo. Nada se compara a ELE, nem o anjo mais elevado nem o mais santo entre os humanos. Um judeu que questiona a unidade Divina viola o segundo dos Dez Mandamentos: “Não terás outros deuses diante de MIM” (Êxodo, 20:3).

Terceiro Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR não possui um corpo. Conceitos físicos não se aplicam a ELE.  Não há nada que se assemelhe a ELE”.

O Terceiro Princípio é que D’us não é físico, não tem corpo. Como D’us é infinito, os conceitos de fisicalidade(*) não se aplicam a ELE, em hipótese alguma, pois tudo o que é físico é, por definição, finito. O universo, por exemplo, em sua imensidão, é finito. O conceito de infinitude, portanto, apenas se aplica a D’us.

(* Aqui inclue-se a questão de gênero.)

 

É importante observar que a Torá fala, com frequência, de D’us como se ELE tivesse atributos físicos (como “os olhos de D’us”) e como se ELE tivesse reações humanas (D’us “se recorda”, ou “se zanga”). Quando se refere a D’us, a Torá emprega metáforas para que até mesmo uma criança possa relacionar-se com seus ensinamentos. Se, em vez de dizer, “D’us se zangou”, a Torá dissesse que “o Atributo de Guevurá Divina foi despertado”, muitos de nós não entenderíamos o que a Torá estava a nos transmitir.

Podemos perguntar: “Se D’us  é Onipotente, o que O impede  de assumir forma física ou humana?” (*) Na verdade, o princípio de que a fisicalidade não se aplica a D’us parece desafiar o conceito de que D’us é onipotente. Diante de tais paradoxos, devemos ter em mente que, pelo fato de D’us estar acima de quaisquer limitações, não podemos empregar a lógica humana para  O entender. Isso não significa que a crença em D’us é ilógica. Significa que como um ser finito não pode entender O INFINITO, tudo o que podemos conhecer acerca de D’us é o que ELE nos fez conhecer através de SUA Torá. Quanto a questionar  se D’us pode assumir forma física ou humana, isso não é nada diferente do que perguntar se D’us pode cometer suicídio ou criar uma divindade mais forte do que ELE ou mesmo uma pedra que ELE mesmo não consiga levantar. Esses paradoxos não se aplicam a uma EXISTÊNCIA Onipotente e, de fato, são insolúveis e intermináveis. Considerem o seguinte: como D’us é Onipotente, ELE pode, sim, criar uma pedra que ELE PRÓPRIO não consiga levantar, mas, como ELE é Onipotente, após ter criado essa tal pedra, ele consegue levantá-la.

(* Na verdade, sendo D’us O INFINITO, SUA INFINITUDE já SE encontra dentro mesmo de toda a fisicalidade. Portanto, este entendimento nada tem a ver com a falsa crença de uma encarnação.)

 

A mente humana, finita e falível, conhece apenas uma parte infinitesimal acerca do universo finito em que habitamos. Muito menos é o que sabemos sobre D’us.

O pouco que sabemos é o que D’us nos revelou através de SUA Torá. Na Torá, ELE nos diz que ELE não muda. Isso é fácil de entender: como D’us é atemporal, e a mudança é uma função do tempo, o conceito de mudança não se aplica a D’us. Portanto, ELE, por definição, não faz nada que possa causar uma mudança em SI MESMO. SUA infinitude, SUA onipotência, SUA unicidade, SUA eternidade e SUA não-fisicalidade, entre todos os SEUS demais atributos, são atemporais e, portanto, eternos e imutáveis.

Quarto Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR é o primeiro e o último”.

O Quarto Princípio envolve a eternidade absoluta de D’us. Nada mais compartilha SUA qualidade Eterna. A Torá discute esse ponto repetidamente.

No Terceiro Princípio acima, vimos que D’us é uma EXISTÊNCIA atemporal: os conceitos de tempo não se aplicam a ELE. ELE é o primeiro e o último, no sentido de que como ELE está além do tempo, os conceitos de antes, durante e depois não se aplicam a ELE. ELE não teve começo e não tem fim.

Muitas pessoas perguntam: “D’us criou tudo, mas quem O criou?”.  A resposta, obviamente, é: ninguém. A criação implica em um início, que é uma função de tempo. E D’us é atemporal, eterno: ELE sempre existiu e sempre existirá. Portanto, D’us não teve origem nem criador. O universo, no entanto, teve um início, e sua origem é D’us.

A Teoria da Relatividade nos ensina que o espaço e o tempo são atributos da matéria. Isso significa que quando D’us criou um universo físico, ELE também criou o espaço e o tempo. Como D’us precede a SUA criação, os conceitos de matéria, espaço e tempo não se aplicam a ELE, de forma alguma. Muitos perguntam: “Quanto tempo D’us esperou  antes de criar o universo?”.  A resposta, novamente, é que antes da criação do universo, o conceito  de tempo não existia. Não se pode falar de tempo antes da Criação. D’us criou tudo o que existe, inclusive o conceito de tempo, e continua a manter toda a Criação, incessantemente.

Quinto Princípio:

“Creio com plena fé ser adequado orar somente aO CRIADOR. Não se deve rezar para ninguém ou nada mais”.

O Quinto Princípio nos ensina que é absolutamente proibido orar a qualquer outro que não seja D’us. Para o judeu, é pura idolatria orar até mesmo aos mais elevados anjos Divinos. Como D’us é A Realidade Absoluta – pois ELE é uno, ilimitado e eterno – não há lugar para qualquer outro poder independente no universo. Como D’us é O INFINITO, está em toda parte e prontamente acessível a qualquer um (judeu ou não-judeu). Por ser a única Realidade no universo, não apenas seria profano, mas também ilógico orar a qualquer outro que não ELE.

O judaísmo proíbe totalmente que haja um intermediário entre um judeu e D’us (e por extensão, também o noaísmo, entre um noaíta e D’us). Podemos pedir que alguém nos abençoe e mesmo que ore por nós, mas não oramos a nenhum intermediário – nem a um anjo, nem a outro ser humano, independentemente de quão santificado possa ser. Podemos pedir a outros que orem por nós, mas isso também não nos isenta de nossa obrigação diária de orar a D’us.

Sexto Princípio:

“Creio com plena fé que todas as palavras dos profetas (judeus) são autênticas”.

O Sexto Princípio refere-se à profecia.

A profecia é um elemento necessário da religião, porque para que D’us INFINITO e o homem finito tenham um relacionamento significativo, há que haver alguma forma de comunicação entre os mesmos. O homem não pode viver de acordo com a Vontade Divina a menos que D’us a revele a ele. A função do profeta é transmitir as mensagens Divinas, seja ao indivíduo seja às nações.

É importante observar que uma pessoa que realiza milagres ou prevê com precisão o futuro não é, necessariamente, um profeta. Os feiticeiros do Faraó também conseguiam realizar milagres – fazer a água virar sangue, entre outros – e, com certeza, não eram profetas de D’us. Um verdadeiro profeta judeu não é simplesmente alguém que consegue realizar milagres – mas um servo de D’us, totalmente devotado à Torá e a seus mandamentos.

A função de um profeta judeu é fortalecer a fé do povo no Todo Poderoso e em SUA Torá. Se alguém alegando ser profeta se opõe à Torá de qualquer maneira que seja, ele é um falso profeta, não importa quantos milagres consiga realizar.

Sétimo Princípio:

“Creio com plena fé que a profecia de Moshé Rabênu é verdadeira. Ele foi o mais importante de todos os profetas, antes e depois dele”.

Diferentemente das demais religiões, o judaísmo não atribui poder divino algum a seus patriarcas, profetas e líderes. A Torá ensina que Moshé, o maior de todos os profetas, era um simples ser humano, nascido de pais humanos como qualquer um de nós. Ele era o mais humilde dos homens e chegou ao mais elevado nível espiritual que um ser humano pode atingir. Ele soube compreender a Divindade em um grau que superou qualquer ser que existiu.

Diferentemente dos demais profetas, antes e depois dele, Moshé falou com D’us “face a face”, como amigos que conversam entre si. Ele foi, portanto, o canal usado por D’us para transmitir SUA Torá ao Povo Judeu. Moshé apenas repetiu o que D’us lhe disse, e, portanto, qualquer profeta que contradissesse suas palavras, estaria contradizendo as palavras do Altíssimo.

É fundamental observar, como ensina Maimônides, que o Povo Judeu não acredita em Moshé por causa dos milagres que realizou. Milagres não comprovam nada: feiticeiros e idólatras também conseguem realizar atos sobrenaturais. Acreditamos em Moshé não por causa das 10 Pragas e da Divisão do Mar, mas pelo ocorrido no Monte Sinai. A Revelação Divina no Sinai é a única prova real de que a profecia de Moshé foi verdadeira. A Torá ensina que D’us disse a Moshé: “Eis que EU venho a ti, na espessura da nuvem, para que o povo ouça enquanto EU falo contigo, e também em ti crerão para sempre” (Êxodo, 19:9). (Três) milhões de judeus testemunharam essa Revelação Divina, que finalmente consolidou a alegação de Moshé de que ele era emissário de D’us.

Como ele foi o maior de todos os profetas – nem mesmo o Mashiach será um profeta de seu calibre – não aceitamos que qualquer pessoa que alegue ser profeta tente refutar sua profecia. Não o aceitaríamos, independentemente de quão grandes fossem seus milagres. Como cremos em Moshé devido à Revelação Divina no Sinai, e não devido aos milagres que realizou, os milagres realizados por outra pessoa não têm precedência sobre a Torá, em hipótese alguma.

Oitavo Princípio:

“Creio com plena fé que toda a Torá que se encontra em nosso poder foi dada a Moshé Rabênu”.

O Oitavo Princípio significa que a Torá que nos foi entregue por Moshé foi originada por D’us. A Torá é a “Palavra de D’us”, não de Moshé. D’us transmitiu a Torá a Moshé, letra por letra, e ele meramente as escreveu como um secretário que ouve um ditado. Ele foi o “secretário” de D’us.

Segundo o judaísmo, a Torá é a Sabedoria Divina. Como seu Autor é perfeito e eterno, assim é a Torá. Se um ser humano tivesse escrito a Torá, até alguém tão sagrado quanto Moshé, estaria sujeita a correções e mudanças. Como foi escrita por D’us, é imutável. É por isto que, segundo a Lei Judaica, um pergaminho de Torá não pode conter erro algum: se apenas uma única letra estiver faltando ou incorreta, todo o Sêfer Torá fica invalidado.

Cada letra, palavra ou versículo da Torá são igualmente sagrados. O judeu que diz que D’us deu a Torá toda à exceção de uma única palavra, que foi composta por Moshé e não por D’us, é um cético da pior espécie.

Cada mandamento dado a Moshé no Monte Sinai foi entregue juntamente com uma explicação. Pois está escrito: (Sobe a MIM, ao monte…); e dar-te-ei as tábuas de pedra, a Torá e instruções” (Êxodo, 24:12). “Torá” refere-se à Torá Escrita, enquanto “instruções” são sua interpretação. A Torá Escrita não pode ser entendida sem sua interpretação. Essa interpretação é o que chamamos de Torá Oral.

Nono Princípio:

“Creio com plena fé que esta Torá não será alterada, e que nunca haverá outra dada pelo CRIADOR”.

O Nono Princípio é o que verdadeiramente diferencia o judaísmo de todas as demais religiões. Esse princípio ensina que a Torá é permanente e imutável. Por esta razão os judeus não se podem converter a nenhuma outra religião – porque o judaísmo não aceita que se mude a Torá – Escrita e Oral – de forma alguma. D’us nos diz em Sua Torá: … “Não acrescentareis nem subtraireis nada disso” (Deuteronômio, 13:1).

A Torá tem 613 mandamentos (para o povo judeu) (e mandamentos de moralidade para os não-judeus). Nem um ser humano, nem mesmo um grande profeta pode agregar, subtrair ou mudar qualquer um deles. Todas as leis rabínicas instituídas por nossos Sábios têm que ser uma ramificação de um desses 613 mandamentos – não um novo mandamento em si mesmo. A Torá e seus mandamentos são a Constituição do Povo Judeu. Nossos sábios e juízes podem interpretar a Lei e reforçá-la. Contudo, não podem adulterá-la. Por exemplo, ninguém – nem um rabino nem mesmo um profeta – pode decretar que as leis de cashrút não mais se aplicam ou então mudar o dia em que guardamos o Shabát.  É permissível decretar leis rabínicas para fortalecer as leis bíblicas, mas está além do poder de qualquer ser humano modificar lei alguma da Torá.

D’us deu a Torá (das 613 Leis) apenas ao Povo Judeu. Outras religiões adaptaram-na ou a modificaram. Isso pode ser aceitável para eles, mas certamente não para o Povo Judeu. Alguém (judeu ou não-judeu) que alega ser profeta e tente mudar um pingo da Torá para o Povo Judeu, é um falso profeta. O mesmo se aplica se essa pessoa tentasse ensinar que os mandamentos dados ao Povo de Israel são temporários, e não perpétuos.

A Torá – Sabedoria e Vontade de D’us – é inalterável e intocável. Tentar encontrar falhas nela – mudá-la de alguma forma – é buscar falhas em seu AUTOR. Assim como D’us é Eterno e Imutável, também  o é a Torá. As circunstâncias que determinam as leis da Torá podem mudar – por exemplo, na ausência do Templo Sagrado, somos incapazes de cumprir muitos dos mandamentos da Torá. Da mesma forma, durante a Era Messiânica – uma era de paz e prosperidade universal – muitas das leis da Torá, tais como as relativas ao roubo e homicídio, deixarão de ser válidas. Mas isso não significa que a Torá mudará, e sim, que algumas de suas leis não mais serão aplicáveis.

Há uma declaração no Livro de Isaías sobre a entrega de uma nova Torá, no futuro. Isso significa que na Era Messiânica, nossa compreensão da Torá será tão mais profunda do que é hoje – já que a Sabedoria Divina cobrirá a Terra – que aparentará ser uma nova Torá. No entanto, será a mesma Torá, porque, apesar de ter mudado o mundo, D’us e SUA Sabedoria não mudarão.

Décimo Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR conhece todos os atos e pensamentos do ser humano. Como está escrito (Salmos, 33:15), “ELE analisa os corações de todos e perscruta todas as suas obras”.

O Décimo Princípio diz que D’us é Onisciente: ELE sabe tudo o que ocorre no universo e tudo o que os homens fazem. Esse princípio nega a opinião daqueles que alegam que… “HaVaYaH abandonou o Seu mundo…” (Ezequiel 9:9).

Esse princípio é fundamental não apenas para o judaísmo, mas para qualquer religião, pois um D’us que não é onisciente não é D’us. Não conhecer todos os atos e pensamentos humanos implica em falibilidade e limitações, e D’us é infalível e ilimitado. Para poder julgar o homem com justiça, D’us precisa conhecer seus pensamentos, palavras e atos.

Décimo-primeiro Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR recompensa aqueles que cumprem SEUS preceitos e pune quem os transgride”.

O Décimo-primeiro Princípio nos ensina que D’us não é apenas O CRIADOR do Universo e seu Legislador, mas também seu Juiz. O judaísmo rejeita, com veemência, o conceito do Deísmo – de que D’us criou o mundo e depois o abandonou. Sabemos perfeitamente que a justiça humana falha – vemos pessoas justas sofrerem e pessoas más prosperarem – mas o judaísmo nos ensina que, no fim das contas, nesta vida ou na outra, D’us aplica a justiça. É importante notar que como D’us é infinito e eterno, atemporal, também o são Suas recompensas e punições.

A maior recompensa Divina possível é o Mundo Vindouro, ao passo que o maior castigo possível é ser banido do mesmo. Portanto, D’us pode recompensar alguém com júbilo infinito ou sofrimento. Aqueles que perpetram a maldade neste mundo devem saber que, um dia, D’us os responsabilizará por seus atos e os punirá, de acordo. É importante que não interpretemos o conceito de recompensa e castigo do judaísmo de maneira infantil. Recompensa é a consequência direta de se ligar à Origem de Toda a Vida, ao passo que a punição é o sofrimento que se segue ao distanciamento da pessoa de D’us. Cada vez que um ser humano realiza um ato de bondade, de nobreza ou de santidade, ele fortalece sua conexão com D’us. Por outro lado, cada vez que ele comete uma ação reprovável ou viola a Vontade Divina, ele enfraquece essa conexão. O propósito dos mandamentos da Torá é fortalecer nosso vínculo com D’us.

Décimo-segundo Princípio:

“Creio com plena fé na vinda de Mashíach (o verdadeiro messias). Mesmo que demore, esperarei por sua vinda a cada dia”.

A crença na vinda do Mashíach é um dos princípios fundamentais do judaísmo. Infelizmente, esse conceito criou muitas divisões e disputas entre indivíduos, nações e religiões. Cada pessoa e cada grupo religioso têm direito a ter suas próprias opiniões, inclusive sobre a identidade do Messias, sobre quando ele virá e sobre o que ocorrerá na Era Messiânica.

No entanto, é importante observar o seguinte: o judaísmo apresentou ao mundo o conceito do Mashiach. Portanto, se buscamos conhecer objetivamente o assunto, temos que procurar em sua fonte original.

Segundo o judaísmo, para que um homem seja o Messias, é necessário que preencha as seguintes condições: seus pais precisam ter sido judeus e ele precisa ser descendente da Casa de David. Portanto, o Messias e todos os seus antepassados paternos têm que pertencer à tribo de Yehudá. Um Cohen ou Levi, por exemplo, não pode ser o Messias.

O Mashiach será um grande  líder e um profeta, um Tzadíc e um Sábio que irá seguir meticulosamente a Torá Escrita e a Torá Oral. Ele irá liderar todos os judeus de volta ao caminho do judaísmo e fortalecerá o cumprimento de suas leis.

Além de possuir tais qualidades, há certas coisas que o Messias precisa fazer (durante o decorrer da era messiânica) para comprovar ser quem é. Precisa construir o Templo Sagrado de Jerusalém e reunir todos os judeus que vivem na Diáspora e levá-los à Terra de Israel. Ele, então trará uma era de paz para todo o mundo. Liderará este mundo à sua perfeição e levará todos os seres humanos – judeus ou não – a servirem D’us em unidade.

Na Era Messiânica, não haverá idolatria, roubo nem injustiça. Não haverá guerras nem fome.  A inveja e a competição deixarão de existir, pois todas as coisas boas abundarão e todos os tipos de delícias serão comuns como o pó da terra. A principal ocupação da humanidade será conhecer D’us. Nas palavras do profeta Isaías:  “… porque a Terra estará repleta do conhecimento de HaVaYaH, como as águas cobrem o mar” (Isaías, 11:9).

Décimo-terceiro Princípio:

“Creio com plena fé na Ressurreição dos Mortos que ocorrerá quando for do agrado dO CRIADOR”.

O Décimo-terceiro Princípio envolve a ressurreição dos mortos. A importância desse conceito é nos ensinar que na Era Messiânica D’us aperfeiçoará o mundo, mesmo retroativamente. Além de ninguém morrer, mesmo os já falecidos voltarão à vida.

A ressurreição dos mortos é um dos fundamentos do judaísmo.  O Décimo-terceiro Princípio nos ensina que apesar do histórico de guerras e sofrimento do mundo, tudo terminará com um final feliz. D’us recompensará os justos do mundo, judeus ou não, com uma recompensa eterna.

Conclusão

Neste trabalho, explicamos muito brevemente os Treze Princípios de Fé de Maimônides. Eles constituem os pilares do judaísmo (e por extensão, do noaísmo).

Antes de concluir, temos de fazer a seguinte observação. O judaísmo pertence exclusivamente ao Povo Judeu. Os Treze Princípios de Fé de Maimônides, portanto, apenas têm relevância para os judeus (e por extenção, para os Bnei Noach, enquanto exatamente Princípios de Fé). Outras religiões têm seus próprios profetas, livros sagrados e ideias sobre D’us.

O judaísmo ensina que não é necessário ser judeu para [(ser uma boa pessoa e ser devidamente recompensado por D’us. Mas muito mais do que isso, qualquer não-judeu pode)] conseguir ligar-se a D’us, receber a recompensa Divina e ter um lugar no Mundo Vindouro. Basta ser uma pessoa justa e viver uma vida de integridade, justiça e bondade [por verdadeiramente conhecer D’us e servi-LO corretamente, em outras palavras, por ser um Devoto de Hashém entre as nações,  um cumpridor de SUA vontade – de SUAS Mitsvót Universais – revelada na Torá dada por Moshé ao povo judeu no Monte Sinái -, ao abandonar as religiões e retornar às suas origens, às suas raízes, espirituais: o Noaísmo.] D’us tem muitos filhos, e ELE tem diferentes expectativas de Seus filhos (judeus e não-judeus. Enquanto o) cristianismo é, no pensamento cristão,  o caminho certo para os cristãos, e o Islã é, no pensamento maometista, o caminho certo para os muçulmanos, o judaísmo é o único caminho para os judeus. É fundamental para todos os judeus entenderem e praticarem o judaísmo. Os Treze Princípios de Fé de Maimônides resumem a sua essência: aquilo em que nós, judeus, cremos, e por que o Povo Judeu deve permanecer fiel, para sempre, à Torá e a seus mandamentos.

– Instituto Morashá de Cultura

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Para verificar a importância dos Treze Princípios para os Noaítas:

MANDAMENTOS DIVINOS PARA TODOS OS DESCENDENTES DE NOÉ

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