A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Bnei Noach, Guia Bnei Noach, Perguntas & Respostas (e Guia Bnei Noach)

Bnei Noach e o Shemá — PARTE 2

Bnei Noach e o Shemá — PARTE 2

 

Por Projeto Noaismo Info & Rav Shimshon Bisker

 

Vimos na Primeira Parte ( https://a-fe-original–noaismo.info/2016/03/06/site-bnei-noach-noaitas-e-o-shema-israel/ ) que o Rabino do Chabad, Tzvi Freeman, ele mesmo o editor do site Chabad.org, citou o Rabi Azulai ou Chidá como autoridade neste tema, concordando com ele que se os Bnei Noach ou noaítas querem recitar o Shemá, que recitem apenas a primeira frase, ou seja, o primeiro versículo (Deut. 6:4).

O nosso querido Rabino Consultor do Projeto Noaísmo Info, o Rav Shimshon Bisker, de Israel, explicou para o Projeto Noaísmo Info:

“Em relação a um noaíta ou Ben Noach recitar as três partes do Shemá Israel:

Apesar de não haver nenhuma proibição de um Ben Noach ler as três partes do Shemá, pois são passagens da Torá e um Ben Noach pode ler a Torá, de toda forma, no que diz respeito à recitação, aconselho somente a primeira parte, e, se quiser recitar mais, também a segunda, porém, não a terceira (volto a ressaltar que não há proibição em ler as três). Por que? Pois o tema principal da primeira parte é receber o jugo de Hashém, e isso o Ben Noach também é obrigado. O tema principal da segunda parte é o recebimento de todos os Preceitos, e, não recai sobre o Ben Noach todos os Preceitos. Porém, como também trata do tema da recompensa quando se faz a Vontade de Hashém e a sentença de quando não se faz, se quiser recitar, pode recitar, e ter em mente (quando ler sobre o cumprimento dos Preceitos) que para ele recai somente as Leis referentes aos Bnei Noach. Porém, a terceira (Números 15:37-41) não recomendo, pois o tema principal é o tsitsit, Preceito o qual não compromete o Ben Noach. É isso!”

 

Para uma versão alternativa do Shemá Israel devidamente apropriada para ser recitada pelos noaítas (Bnei Noach), revisada e aprovada pelo próprio Rav Shimshon Bisker, veja ou baixe (gratuitamente em PDF) O Guia Bnei Noach de Bênçãos e Orações Diárias:
https://a-fe-original–noaismo.info/2017/09/09/site-bnei-noach-guia-de-bencaos-e-oracoes-diarias-para-os-bnei-noach/

 

(PARA O PDF)

Bnei Noach oram? Como são as preces dos Bnei Noach? — Guia/Sidur Bnei Noach

 

Por Projeto Noaísmo Info & Rav Shimshon Bisker

© Rav Shimshon Bisker
© Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

https://a-fe-original–noaismo.info/site-bnei-noach-copyright/

Padrão
A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

A Disputa de Rambán (Rabi Nachmânides)

 

A Disputa de Ramban (Disputa de Barcelona)

 

Disputas religiosas entre judeus e seguidores de outras religiões aparecem pela primeira vez nos tempos bíblicos. Avrahám debateu a crença em um D’us com o Rei Nimrod e seus seguidores. O confronto de Eliahu com os profetas de Baal teve elementos de um debate religioso. Numerosos sábios da Mishná e do Talmud foram forçados a participar de discussões religiosas com pagãos ou cristãos de origem judaica. Josefo registrou um debate com o antijudaico grego Ápion, chamando-o de Contra Ápion. Com a ascensão do cristianismo, tais debates tornaram-se mais frequentes, especialmente a partir do século XII. O debate mais famoso foi o da disputa de Rabí Moshé ben Nachmán Gerond, conhecido também pelo acróstico de seu nome, Rambán (não confundir com Rambám, Rabí Moshé ben Maimón ou Maimônides), e para todo o mundo não-judaico com o nome de Nachmânides (1195-1270)*. Tal debate é único na medida em que foi o mais justo e melhor registrado de todos os incidentes desse tipo.

 

* Rambán nasceu de uma família nobre de renomados e proeminentes talmudistas, no ano 1195. Seu principal mestre de Talmúd foi o Rabí lehudá ben Iakar, e estudou a Cabalá com o Rabí Ezrá e o Rabí Azríel. À idade de 16 anos já dominava o Talmud com todos os seus comentários, e escreveu um comentário-defesa chamado Milchamot.

Quando Rambán tinha 60 anos de idade, um judeu apóstata, disfarçado de católico devoto, Pablo Christiani (ou, Paulus Christianus), desafiou os judeus para uma disputa religiosa. O debate deveria ocorrer em Barcelona, e para obter a presença do Rambán, o Rabino de Gerona — sua cidade natal (Espanha) —, este apóstata induziu Jaime I de Aragón (Aragão) (“o Conquistador”, 1208-1276) a convocá-lo, pelo que, contra a sua vontade, Rabí Moshé se viu obrigado a viajar até a Corte Real de Barcelona. Na verdade, Rambán já tinha um estreito relacionamento com o rei Jaime. O rei Jaime era um homem muito versado que empregava muitos judeus como funcionários e ignorava as exigências papais de se livrar de seus burocratas judeus.

 

Em 1263, na cidade espanhola de Barcelona, Rambán foi ordenado pelo rei Jaime I da Espanha a debater publicamente a religião judaica com oficiais da Igreja (na verdade, da Igreja religiosa católica fundada por Santo Domingo em 1216 e que desempenhou um papel de extrema importância na Inquisição). O rei concordou com o pedido do Rambán de que lhe fosse permitido falar livremente, desde que ele não denegrisse o cristianismo. A disputa se deu em quatro dias entre 20 de julho e 27 de julho de 1263 (a saber, nos dias: 20/7 (sex.); 23/7 (seg.); 26/7 (qui.); e, 27/7 (sex.)). Essas quatro sessões foram realizadas no palácio do rei com a participação de judeus e cristãos, incluindo o rei. Rambán manteve um registro do debate, que sobreviveu. Havia quatro questões principais:

 

Primeiro, os cristãos tentaram provar no Tanách (bíblia Judaica) que Yeshu (Jesus, o cristão) é o mashíach, e que o mashíach já tinha vindo, e então perguntaram por que os judeus não acreditavam nisso. Rambán refutou suas aparentes provas das Escrituras e argumentou convincentemente que se os judeus da época de Yeshu, que o haviam ouvido e visto pessoalmente, não acreditavam em Yeshu e haviam permanecido judeus fiéis, como se poderia esperar qualquer ação diferente dos judeus 1.200 anos depois?

 

Segundo, em resposta à crença cristã de que Yeshu é o mashíach, Rambán se referiu a numerosas passagens bíblicas que afirmam que o mashíach trará paz ao mundo e unirá a humanidade para seguir a verdadeira fé [que é o Noaísmo]. No entanto, argumentou Rambán, desde a época de Yeshu o cristianismo não governou o mundo. Além disso, salientara Rambán: “Desde esta época, o mundo foi preenchido de violência e injustiça e os cristãos derramaram mais sangue que todos os outros povos”. Apontou também o fato de que Roma, que outrora dominara o mundo, havia entrado em declínio no momento em que aceitara o cristianismo.

 

Terceiro, Rambán demonstrou como a crença cristã na Trindade e no nascimento de Yeshu não podiam ser acreditados por nenhum judeu pensante. A Trindade é pura adoração de ídolos, pois é a crença em três pessoas “divinas”, enquanto o nascimento virginal é totalmente estranho à tradição e lógica judaicas. Curiosamente, os missionários cristãos [incluindo atualmente os chamados messiânicos (cristãos travestidos de “judeus”)] ainda tentam convencer os judeus da verdade de sua religião, e a refutação de suas chamadas provas é exatamente a mesma que o Rambán usou há mais de 700 anos.

 

Quarto, os cristãos argumentaram que a humanidade está condenada ao inferno por causa do pecado de Adám e Chavá, e que somente a crença em Yeshu pode salvá-la desse destino. Rambán argumentou que tal afirmação não poderia ser provada, pois qualquer um pode dizer o que quiser a respeito do outro mundo. A crença em Yeshu não muda o sofrimento e a morte decretada sobre a humanidade neste mundo, o que de fato teria sido uma prova poderosa da veracidade do Cristianismo. Rambán ainda argumentou logicamente que D’us não faria a alma de uma pessoa sofrer por causa dos pecados de outra.

 

No final do debate, o rei presenteou o Rambán com 300 moedas de ouro e declarou que nunca havia ouvido ninguém tão errado defender tão bem seu caso. No entanto, isso não é o fim da história. Uma semana após o debate, o rei veio à sinagoga de Barcelona para dar uma palestra sobre o cristianismo – uma palestra na qual a presença dos judeus era obrigatória. Tendo mais ou menos derrotado a Igreja, Rambán, para escapar da ira católica, teve de fugir da Espanha*. Ele imigrou para Êrets Israel, onde morreu em 1270, à idade de 75 años. Ele foi enterrado em Haifa (Háifa).

Rambán produziu, pelo menos, cinquenta obras, na maior parte comentários sobre o Talmúd e Halachá.

 

* Os inimigos de Israel fingiram ter ganho o debate e, através de sua propaganda maliciosa, espalharam essa notícia distorcida por toda a Espanha. Indignado, Rambán publicou a verdadeira história do debate (o livro “Sefer Havikuach”) e, para dar-lhe veracidade oficial, teve seu texto ratificado pelo monarca. Entretanto, apesar do fato de Rambán não ter publicado nada que não tivesse sido expresso no debate, com o consentimento do rei, ele foi processado pelos influentes frades dominicanos através do papa Clemente IV, e posteriormente condenado ao exílio, por “blasfêmias”. Aos 72 anos, Rambán partiu para a Terra de Israel.

 

Organizado por Projeto Noaismo Info
© Projeto Noaismo Info: traduzido do espanhol e do inglês por © Projeto Noaísmo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

https://a-fe-original–noaismo.info/site-bnei-noach-copyright/

 

Dedicado à A. G. W. T. e família.

Padrão
Bnei Noach, Judaísmo

Frase: A verdadeira proximidade de D-us…

Frase

“A verdadeira proximidade de D-us é quando a pessoa não considera os benefícios que ela vai ganhar observando a Torá e as mitsvót, mas simplesmente ela quer estar perto de D-us como uma meta em si mesma.”
— Rabi Menachem Mendel Schneerson, o Rebe
(Líder espiritual da geração)

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

https://a-fe-original–noaismo.info/site-bnei-noach-copyright/

Padrão
Bnei Noach

Por que há discordância entre os próprios rabinos sobre a prática noaica?

Bendito é Hashém!

 

Nova página do Site:

https://a-fe-original–noaismo.info/site-bnei-noach-por-que-ha-discordancia-entre-os-proprios-rabinos-sobre-a-pratica-noaica/

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

Padrão
Bnei Noach, Perguntas & Respostas (e Guia Bnei Noach)

As Bnei Noach e o cobrir a cabeça

As noaítas (Bnei Noach/Filhas de Noá) e o cobrir a cabeça

 

PERGUNTAS & RESPOSTAS

 

Por Projeto Noaismo Info (e “The Divine Code” de acordo com o Rabi Shmuel Binjamini) e Rav Shimshon Bisker

 

PERGUNTA:
A mulher Bnei Noach casada deve cobrir o cabelo ou não? Quero muito saber.

 

RESPOSTA:
Ninguém menos que o Rabi Zalman Nechemia Goldberg, um membro do Supremo Tribunal Rabínico em Jerusalém e o presidente do Beit Din Eretz Hemdah — Gazit, chamou de “um ‘Shulchan Aruch LeBnei Noach'” (‘Shulchán Arúch dos Benêi Nôach’) a obra The Divine Code do Rabi Moshe Weiner (Chabad), de Jerusalém, publicado pela Organização Internacional Ask Noah. E, por mais estranho que pareça, de um livro de 704 páginas (o e-book tem 12092 páginas) apenas um único parágrafo (e a sua nota — também um único parágrafo) trata da questão do cobrimento da cabeça de uma mulher noaíta casada (em contraste com a importância dada a isto por mulheres gentias recém noaítas vindas dos messiânicos). O que diz tal parágrafo?

Diz (e nós estamos nos baseando no que nos foi explicado pelo Rabi Shmuel Binjamini — entre colchetes):
[Em um ambiente em que o cabelo causa provocação (atração)] seria bom se uma mulher casada cobrisse seu cabelo ao estar fora de sua casa ou na presença de outros homens que não o seu marido.”

E sua nota explica:
“O Tratado Sanhedrin 58b (Talmúd*) afirma que este era o costume das mulheres gentias na época talmúdica e em épocas anteriores como um sinal claro para distinguir (publicamente) as mulheres casadas das mulheres solteiras. Embora não seja habitual as mulheres gentias fazerem isso hoje em dia em muitas sociedades, no entanto, [em ambientes em que o cabelo causa provocação (atração)] seria digno uma mulher casada modesta e piedosa cobrir seu cabelo.”
© Rabi Moshe Weiner
Traduzido por Projeto Noaismo Info: © Projeto Noaismo Info

E como nos explicou o Rabi Shmuel Binjamini, este não é o caso do Brasil uma vez que aqui em nosso país o cabelo não causa provocação ou atração.

 

* O texto do Talmud citado na nota diz: “Quando ela (uma descendente de Noá) é liberada de seu relacionamento [conjugal]? …A partir do momento que ela expõe sua cabeça no mercado [isto é, em público]. Desde que as mulheres casadas cobriam o cabelo, mesmo entre os gentios, ao expor seu cabelo ela prova que não deseja mais permanecer com ele.”

 

Aí está tudo o que o livro (e também o Talmúd) diz sobre o antigo costume das gentias casadas cobrirem a cabeça.
Não diz que tinha de ser o cabelo inteiro, como algumas hoje fazem com lenço.
Não diz que tinha de ser apenas com lenço.
Nem diz que tinha de ser o tempo todo, mas apenas em público, ou quando se estava perante outros homens.
E o único motivo disso era para mostrar visivelmente em público para os homens que ela é casada e para então distinguir-se das solteiras (e não para, D’us não o permita, (copiar e) parecer-se com uma judia, o que é errado).

Como vemos em novelas e filmes de época, de fato, as mulheres não-judias casadas, quando saiam de suas casas, cobriam suas cabeças (com chapéus, lenços ou véus). O livro “O império da beleza” de Mark Tungate afirma: “As exigências da modéstia impunham que as mulheres casadas (da Idade Média) cobrissem o cabelo com lenços ou chapéus amarrados no pescoço.”

 

De toda forma, sabemos que no Brasil há um rabino que realmente impõe que as mulheres noaítas cubram o cabelo (com lenço) e ainda mais, por todo o tempo, independentemente de se ela está em casa ou na rua, de se ela está sozinha ou com alguém.
Devemos sempre estar alertas e tomarmos cuidado com rabinos que querem judaizar os Bnei Noach (para que os Bnei Noach não busquem a conversão), “já que um ben Noach não deve querer parecer e agir como judeu; e existe uma pressão errônea quanto a
 isso.” (Rav Shimshon Bisker)

Agora, apesar do que está escrito no “The Divine Code”, o nosso querido Rabino Consultor do Projeto Noaísmo Info, o Rav Shimshon Bisker, de Israel, o responsável pelo Curso Completo Para Bnei Noach, e autor de 40 livros, explica:
“Quanto às mulheres noaítas (bnei Noach) cobrirem o cabelo, não é necessário. Está explicitamente escrito na Halachá (Lei Judaica) que é costume das mulheres de Israel cobrir o cabelo. Essa é uma lei que compromete somente as mulheres de Israel. Não me parece bom exigir algo de alguém que não são obrigados. Portanto, tanto as noaítas solteiras quanto as casadas não precisam cobrir o cabelo em absoluto, somente se vestir e se comportar de forma recatada de acordo com o costume do local onde vivem.”
© Rav Shimshon Bisker
© Projeto Noaismo Info

Ou, como diz o Rabi Shmuel Binjamini quanto a esse último ponto:
“Se a mulher noaíta estiver discreta em termos brasileiros já está bom. A idéia é (a mulher) ser discreta e não ser provocativa (atrativa), é só isso.”

E certamente que “em termos brasileiros” exclui-se o cobrir a cabeça das gentias (casadas e solteiras).

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

https://a-fe-original–noaismo.info/site-bnei-noach-copyright/


 

Observação (por questão de informação e curiosidade):

Agora, é importante e interessante também entendermos como o cobrimento de cabelo se aplica às judias.

1. Trata-se de uma mitsvá, Lei Divina, um mandamento de Hashém para a judia casada;
2. Tem de se cobrir todo o cabelo (e não simplesmente cobrir a cabeça);
3. Não tem nada a ver (a princípio) com tzniút — modéstia ou recato;
4. Não se trata de um sinal externo para as pessoas, mas de um sinal entre a própria judia casada e Hashém.

Tudo isso é evidente nessa explicação (abaixo) do Chabad e do próprio Rebe:

§ Pode-se ver que desde os primeiros dias de sua liderança, o Rebe promove e restaura a mitsvá de cobrimento do cabelo para mulheres [judias] casadas e observantes. Ele procurou estabelecer que o cobrimento do cabelo era uma lei judaica e não um costume obscuro que pertencia a outra época. O Rebe afirmou que a lei judaica exige que todo — e não apenas parte — do cabelo de uma mulher casada seja coberto (Maguén Avrahám, Órach Chaím 75:2, Tsémach Tsédec, Responsa Even Haezer 139).

Ele queria suplantar a aversão generalizada de parecer diferente e “judeu demais” com um forte senso de identidade e orgulho; ainda assim, ele era sensível à preocupação de uma mulher com sua aparência. Por este motivo, o Rebe advogou o uso de perucas em vez de lenços, que ele reconheceu como uma opção pouco atraente e até insustentável para a maioria das jovens judias da América. O Rebe temia que a maioria das mulheres, mesmo as mais devotas, não usasse lenços de forma consistente e de maneira a cobrir todo o cabelo. O Rebe estava preocupado com aquelas (mulheres observantes) cujos envolvimentos profissionais e sociais impediriam cobrir o cabelo com lenços ou chapéus. Sem a opção de uma peruca, muitas mulheres não considerariam o cobrimento do cabelo. O incentivo do Rebe à peruca é uma ilustração inicial de como ele caracteristicamente canalizaria os mais recentes avanços dos dias modernos para o propósito da Torá e das mitsvót.

A princípio, a posição do Rebe não era popular. Muitas mulheres simplesmente não queriam cobrir o cabelo, enquanto outras achavam a noção de uma peruca totalmente estranha. Mostrando paciência e extraordinária sensibilidade às questões psicológicas e sociológicas em jogo, o Rebe persistiu em seus esforços. Eventualmente, valeu a pena. No final da década de 1960, a ardente promoção de perucas do Rebe levou à adoção de usar uma como norma na maioria dos círculos ortodoxos.

 

[Em um discurso de 1954, o Rebe explicou:]

“Quando uma judia [casada] anda na rua sem cobrir o cabelo, não há uma diferença [espiritual] perceptível [para si mesma] entre ela e os outros. No entanto, quando ela usa uma peruca (sheitel), pode-se dizer que ali está uma mulher religiosa judia*. Devemos fazer o que D’us nos ordenou fazer.

…A diferença entre uma peruca e um lenço é a seguinte: é fácil tirar um lenço, o que não acontece com uma peruca. Por exemplo, quando alguém está em uma reunião e usa uma peruca, mesmo que o Presidente entre, ela não a tira. Isto não é assim com um lenço que pode ser facilmente removido…

…No passado, o costume era cortar ou raspar completamente o cabelo (e cobri-lo com um lenço**). Mais tarde, o uso de perucas tornou-se um costume generalizado — especialmente hoje, quando se pode comprar perucas de várias cores, que podem ser ainda mais agradáveis [ou bonitas] do que o próprio cabelo.

Deixe a mulher [judia casada] refletir sobre este assunto. Não demora nem uma hora nem meia hora de contemplação. Por que ela realmente não quer usar uma peruca mas apenas um lenço? Porque ela sabe que não se pode tirar uma peruca quando ela está andando na rua ou [quando ela está] em uma reunião, enquanto se pode mover um lenço para cima e às vezes retirá-lo por completo.”

 

* “D’us preenche o céu e a terra” e o humano se encontra em Sua presença em todos os lugares e em todos os momentos.

** Na época talmúdica, as mulheres usavam um “radíd” (ou, “redidí”) (רָדִיד), um lenço maior sobre um chapéu menor, que cobria suas cabeças. Assim, mesmo que o cabelo saísse da primeira cobertura, os fios eram cobertos pelo radid (veja Talmúd Ketubót 72a).

 

Claramente, o Rebe desejava inspirar as mulheres a usar perucas e permanecer firmes nesta observância diante das pressões sociais. Uma leitura mais cuidadosa, no entanto, revela nuances adicionais dignas de menção. Primeiro, a atenção do Rebe a quão profundamente a identidade de uma mulher está ligada à sua aparência. Ele entendeu o quão crítico era este fator na decisão de uma mulher sobre a cobertura do cabelo.

O Rebe chegou ao ponto de afirmar que as perucas podem até ser mais atraentes que o próprio cabelo. Em comparação com as [perucas] que as mulheres podem ter usado nas gerações anteriores, as novas perucas, disse o Rebe, eram atraentes. É instrutivo que o Rebe não teve nenhuma objeção a perucas que melhoram a aparência de uma mulher; pelo contrário, ele incentivou as mulheres a aproveitar sua disponibilidade. Ainda hoje, persiste em muitas mentes a noção errônea de que a cobertura do cabelo deve prejudicar a atratividade de uma mulher casada (o que leva à onipresente pergunta de por que é útil cobrir o cabelo com uma peruca atraente) [Veja
https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/793693/jewish/Cobrir-o-Cabelo.htm ]. As palavras do Rebe lançam luz sobre a abordagem apropriada a esta mitsvá.

Curiosamente, o Rebe não forneceu razões filosóficas ou místicas para a mitsvá [judaica de cobrimento do cabelo]. Para muitas mulheres (e homens), nenhuma razão será suficientemente convincente. Em vez disso, o Rebe enfatizou que a observância de todas as mitsvót (incluindo o cobrimento do cabelo) é, em primeiro lugar e acima de tudo, baseada na subserviência da pessoa à vontade de D’us:
‘As palavras de nossa Torá da Verdade são completamente verdadeiras, perpétuas e eternas em todos os lugares e em todos os tempos.’

Existem comunidades em que as perucas não são consideradas halachicamente aceitáveis, com base na sua semelhança com o cabelo de uma mulher. Em outras, as mulheres usam perucas mas as cobrem parcialmente com um lenço ou chapéu para sinalizar que estão cobrindo o cabelo. O Rebe recebeu mulheres com antigas tradições de cobrir completamente o cabelo com lenços apertados e/ou usar uma cobertura dupla (isto é, um chapéu sobre uma peruca). O Rebe acreditava que não havia obrigação haláchica de cobrir a peruca.

© Chabad.org
Traduzido do inglês por Projeto Noaismo Info: © Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

https://a-fe-original–noaismo.info/site-bnei-noach-copyright/

 

Portanto, como vimos acima, existem gritantes diferenças entre a judia casada cobrir seu cabelo e o antigo costume quando a gentia casada cobria sua cabeça. Enquanto para a judia casada trata-se de ter de cobrir todo o cabelo, para a gentia casada tratava-se de apenas cobrir a cabeça em público. E enquanto para a judia casada trata-se de uma mitsvá, quer dizer, de um mandamento de Hashém para ela, e de uma mitsvá que (a princípio) nada tem a ver com modéstia ou recato, e que é um sinal para si mesma da sua distinção* das mulheres das nações, para a gentia casada tratava-se de um costume não-judaico visto pelos Sábios do Talmúd como um exemplo de humildade perante Hashém, e elogiado por eles, e de um sinal público para os homens de que ela é casada. Porém, como reconhecido pelo próprio “The Divine Code”, tal costume caiu em desuso, e como aclarado pelo Rabino Orientador do Projeto Noaísmo Info, o Rav Shimshon Bisker, para as judias sim isto se trata de uma obrigação, de um dever, pois é uma Lei, enquanto que para as noaítas obviamente não (e portanto “elas não precisam cobrir o cabelo em absoluto“).

 

* O próprio Rebe esclarece sobre os “sinais da relação especial de D’us com os judeus[:] obviamente, quando um sinal é usado para diferenciar uma entidade de outra, ele tem de ser exclusivo da entidade escolhida. Da mesma forma, os sinais que distinguem os judeus das outras nações devem ser associados exclusivamente aos judeus.
É muito importante fortalecer “os sinais que distinguem entre Israel e as nações”.” Assim, aquilo que constitui o sinal que distingue as judias casadas das não-judias tem de ser exclusivo delas (como cobrir todo o cabelo). As não-judias (mesmo as noaítas) que copiam as judias, que passam a parecer-se com as judias, comete um erro gravíssimo, o pecado de Chidúsh Dat.

Por Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

https://a-fe-original–noaismo.info/site-bnei-noach-copyright/

 

Veja também

https://a-fe-original–noaismo.info/2017/12/01/site-bnei-noach-noaitas-e-o-vestir-se/

 

https://a-fe-original–noaismo.info/2019/07/18/site-bnei-noach-tzniut-modestia/

Padrão