Bnei Noach

Os três tipos de descendentes de Noá / os Dez Mandamentos Noaíticos / as Três Leis Devocionais dos Noítas

A Fé Original: Noaismo.info

O Site de Bnei Noach do Brasil

 

B”H

 

# Os três tipos de Descendentes de Noá
# Os Dez Mandamentos Noaíticos
# As Três Leis Devocionais dos Noítas

Quem é o sábio das nações
O que é noaísmo e judaísmo

 

Perguntas & Respostas

 

Por Noaismo.info

 

Eu ouvi dizer que há diferentes tipos de benêi Nôach (e eu não consigo entender isso). Isso é verdade? E se sim, por que e quantos?

(Respondendo também a:
Quem é o sábio das nações?)

 

Há diferentes tipos de benêi Nôach.
São três tipos no total, sendo o mais básico exatamente o significado mais básico da expressão benêi Nôach, o significado literal e simples, “filhos ou descendentes (físicos) de Noá”. Em outras palavras, qualquer pessoa.

Depois, há um tipo de “descendente de Noá” que apenas aparenta ser um noaíta.
Esse é aquela pessoa que pratíca as Sete Leis de Noá mas sem saber que elas são Leis Divinas, Leis que foram dadas pelo PRÓPRIO D’us para toda a humanidade, Leis de Hashém (Mitsvót) que o mundo todo deve seguir (ele não sabe que elas são Leis e que são chamadas de Leis de Noá ou Leis dos descendentes de Noá).
Ele as cumpre mas ele não é um noaíta, ele não segue o noaísmo (na verdade ele nem sabe da existência disso ou o que é isso).
Ele as cumpre apenas porque elas são “Leis racionais”. Ele as cumpre por achar que se trata de uma questão de lógica. Ele acredita em Deus, mas ele não conhece Hashém ou a Torá. Ele pode praticar estas Leis até mesmo por causa de sua religião (mas é óbvio que se ele as cumpre devido à sua religião, tal religião não é fundamentada em Hashém e na Torá). Tal pessoa pode muito bem ser relativamente inteligente e boa. Isso é louvável. E mesmo sem saber do noaísmo, sem ser um noaíta, mas porque as pratíca, essa pessoa será devidamente recompensada por Hashém. Porém, nas próprias palavras do Rabi Maimônides, “ela não é um guer tosháv, nem é devota de Hashém entre os gentios, e nem é sábia.”

Quando um não-judeu conhece Hashém baseado na Torá através do povo judeu, e ele adota para si mesmo o noaísmo, então ele se torna um noaíta — um descendente espiritual de Noá. Neste caso, o noaíta pratíca suas Leis não apenas por questão intelectual ou de lógica, por serem racionais, antes, as próprias Leis já não são mais apenas meras “regras sociais” ou “regras religiosas”, elas são Mitsvót, quer dizer, Leis Divinas (Leis de Hashém). E a partir daqui entramos então em uma outra dimensão. O noaíta finalmente aprende e entende que existem outras TRÊS Leis aparte das Sete básicas e que estas TRÊS Leis são na verdade o fundamento (a base) das Sete Leis mais básicas, o fundamento de sua Fé, o fundamento do noaísmo.

Três Leis aparte das Sete Leis básicas iniciais?
Sim.

Os mandamentos judaicos são 613 e a base deles são aqueles que nós conhecemos como ‘os Dez Mandamentos’.
Agora, você sabia que a base dos mandamentos noaíticos (não judaicos) também são Dez — Dez Mandamentos Noaíticos (mas que são denominados ‘Sete’* porque são divididos em dois grupos, um de Três e um de Sete)?
E quais são estas Três Mitsvót não incluídas nas Sete?

* Certamente que se a base dos mandamentos noaíticos fosse chamada de “Dez Mandamentos”, isso causaria uma tremenda de uma confusão com os “Dez Mandamentos” (judaicos). Por isso foi denominada “Sete Mandamentos”.

 

Enquanto que as Sete Mitsvót são Leis Morais, as outras Três são Leis Espirituais (ou Leis Devocionais), que podem ser resumidas em quatro ou três palavras-chave:
Hashém-Torá-Moshé-Espiritualidade,
ou então,
Hashém-Torá-Moshé (Moshé/Moisés também representando então o povo judeu).
Como noaíta, a pessoa vem a conhecer Hashém e passa a servi-LO entendendo que foi Hashém QUEM ordenou as Sete Leis a toda a humanidade na Torá através de Moshé e, desde então, do povo judeu, e, que Hashém não deu nenhuma religião a ninguém.
E como foi dito, estas TRÊS Mitsvót são o fundamento das Sete Leis mais básicas, o fundamento da Fé Noaítica, o fundamento do noaísmo.
Assim, estas são as Três Mitsvót Devocionais antes das Sete:

1. Conhecer Hashém
(a primeira e maior mitsvá universal espiritual/devocional não é simplesmente acreditar em algum deus, nem mesmo sequer simplesmente crer no D’us, mas conhecer O Hashém, como está escrito (no Livro bíblico de benêi Nôach, o Gênesis): “E O Hashém D’us ordenou ao (ser) humano”.);

2. Conhecer a Torá
(estudando-a e aprendendo-a com o povo de Israel, com os judeus, que, como disse o profeta judeu Yeshaiáhu (Isaías), são as verdadeiras testemunhas de D’us — as Testemunhas de Havayáh:
“Diz Havayáh, teu CRIADOR, ó (filhos de) Yaacóv, AQUELE que te formou, ó (nação de) Israel: … Vocês são Minhas testemunhas, declara Havayáh, e Meus servos, a quem EU escolhi, de modo que vocês conhecerão e acreditarão em MIM, e entenderão que EU sou ELE; antes de MIM nada foi criado por um deus, e depois de MIM não haverá!” (43:1, 10)
Pois, “foi mostrado a vocês (judeus) para saber que Havayáh é Haelohím — O D’us, e não há ninguém além DELE.” (Devarím/Deuteronômio 4:35-39)
Através da entrega da Torá de Hashém para os judeus no Har Sinái, “o mundo viu uma nação conhecedora de D’us” — nas palavras do Rabi Maimônides (Hilchót Avodát Kochavím Vechukót Hagoím). E naquela ocasião, foi revelado que já existia uma Torá para os gentios — as Sete Mitsvót Universais — que foi dada a Adám e Chavá e a Nôach e Naamá. Em outras palavras, desde a criação da humanidade já existia uma Torá Universal. E 2448 anos depois, veio a existir também uma Torá Judaica — uma Torá especificamente judaica, particular (exclusiva) dos judeus.); e,

3. Ao cumprir as Duas Mitsvót Universais Devocionais acima, os noaítas (os não-judeus que tornaram-se devotos de Hashém) consequentementemente cumprem a Terceira Mitsvá Espiritual:
“Não se deve permitir dar origem a alguma religião.” (Rabi Maimônides, As Leis dos Reis 10:9)
(Hashém deu à humanidade espiritualidade — uma natureza espiritual — não religião.
E além disso, não-judeu algum consegue conhecer Hashém e a Torá e o Noaísmo através de alguma religião. Apenas através do vulgarmente chamado ‘Judaísmo’ — mais precisamente Os Princípios de Fé da Torá é que é possível chegar à Verdade da espiritualidade. Apenas o ‘Noaísmo’ e o ‘Judaísmo’ são Revelações de Hashém. Todas as religiões, qualquer uma delas*, são invenções.

* Isso inclui o cristianismo (incluindo a sua vertente hebraísta: os messiânicos), o kardecismo e o maometismo (muhammadismo).

Enquanto que um não-noaíta pode (ou não) se identificar com alguma religião, qualquer uma delas, é óbvio que o noaíta, que é a pessoa que é devota de Hashém, só se identifica com o próprio noaísmo, não com qualquer religião. Ele sabe que todo e qualquer fundador das religiões é falso profeta e que toda e qualquer escritura das religiões não é a Palavra de Hashém (a propósito, é interessante parar para pensar no fato de que de todos os livros sagrados de todas as religiões, apenas a Torá — querendo dizer todo o Tanách (bíblia judaica) — contém a Própria Assinatura de Hashém, o Nome essencial de D’us, Havayáh).
Como afirma o Rabi Tzvi Freeman do Chabad:
“A Torá [é] a mensagem de D’us para toda a humanidade.”).

 

O noaíta portanto pratíca antes das Sete Categorias de Leis Divinas Universais as Três Leis Divinas Devocionais: ele conhece Hashém (através da Torá), ele conhece a Torá (através dos judeus), e conhecendo Hashém e a Torá ele não inventa religiões e sai das religiões e exerce sua fé praticando suas Mitsvót. Obviamente, o Caminho Espiritual do noaíta é o noaísmo; a Fé (ou os Princípios de Fé) do noaíta é o noaísmo*.

* “Noaísmo”, de Noá + ismo, mas não significando, como já foi exposto, que foi fundado por Noá ou que os noaítas são seguidores (discípulos) de Noá (da mesmíssima forma que “Judaísmo” não significa que foi fundado por Judá (Yehudá) ou que os judeus são seguidores (discípulos) de Judá).
O noaísmo também é chamado de movimento Bnei Noach.

Noaísmo é o nome que se dá ao Conjunto de Princípios de Fé e Princípios de Valores Humanos dados pelo PRÓPRIO Hashém de maneira universal, i.e., para toda a humanidade — esta é a Torá noaítica. Enquanto que judaísmo é o nome que se dá ao mesmo Conjunto de Princípios de Fé e Princípios de Valores Humanos dados pelo PRÓPRIO Hashém só que em mais detalhes e de maneira particular, i.e., em especial para um povo inteiro mas um único povo, os judeus, porém, acrescidos de rituais (que são as Mitsvót Edót, sinais e símbolos identificadores e testemunhais, por isso exclusivos dos judeus) e de outros tipos de leis (como por exemplo, as territoriais; etc) — esta é a Torá israelítica.

 

Foi do noaíta que o Rabi Maimônides falou quando escreveu:
“Qualquer pessoa que aceita o cumprimento destas Sete Categorias de Mitsvót e é cuidadosa na sua observância, (quando ela mora na Terra de Israel na época do Templo Sagrado ela) é chamada de residente estrangeiro (guer tosháv, ou, quando não assim, ela então) é considerada como um dos devotos de Hashém entre os gentios (também considerada como gentio justo e/ou gentio sábio) e terá o mérito de compartilhar do Mundo Vindouro.
Isto se aplica somente quando ela as aceita e cumpre, porque Hashém, abençoado Seja, ordenou-lhes isto na Torá e nos informou através de Moshé Rabênu (nosso mestre) que mesmo previamente os descendentes de Noá foram obrigados a cumpri-las.”

Como vemos claramente, o noaíta só é noaíta porque ele é “um gentio devoto de Hashém”, ele devota Hashém, ele é servo de Hashém. Como noaíta ele é chamado por vários nomes além de noaíta (ou então Bnei Noach) e devoto (ou servo) de Hashém entre as nações. Ele também é conhecido como justo das nações e/ou sábio das nações. ‘Justo’ porque pratíca a Vontade Divina pelas Mitsvót Universais. ‘Sábio’ porque como declara um dos sete versículos da bíblia judaica (Tanách) que o Rabi Dr. Jacob Immanuel Schochet (do Chabad, o primeiro rabino supervisor da Ash Noah, Instituição judaica criada como uma resposta à Campanha do Rebe do Chabad de divulgar as Mitsvót Hashém Universais a toda a humanidade), recomendou para as crianças noaítas aprenderem e recitarem:
“A sabedoria é o temor de Hashém e a inteligência é saber evitar o mal (mediante o temor de Hashém).” (Jó 28:28)
E também como declara o Tehilím/Salmos 111:10:
“O princípio da Chochmá/sabedoria é o temor (reverência) de Hashém — (é) (discernimento) bom senso para todos os que realizam os mandamentos de D’us.”
Como dissemos, um não-noaíta pode ser uma pessoa relativamente boa e inteligente, mas se ele não devota Hashém, como ele pode ser um gentio justo? Se ele não devota Hashém, como ele pode ser um gentio sábio?
O Pirkêi Avót, Capítulo 3 Mishná 17, já dizia:
“Rabi Elazár ben Azariá disse: Se não há Lei Divina — Torá, não há conduta social adequada; se não há conduta social adequada, não há Lei Divina — Torá. Se não há sabedoria, não há temor a D’us; se não há temor a D’us, não há sabedoria. Se não há conhecimento, não há entendimento; se não há entendimento, não há conhecimento.”

O livro “Sháar HaEmuná Ve’Iesód HaChassidút, Entrada da Porta do Beit Yaakóv” do Rabi Gershon Chanoch Henoch Leiner de Radzin, explica (conforme comentário do Rabi Betzalel Edwards):

“A crença em D’us (Hashém) nos leva a temê-LO, o que motiva uma pessoa a observar os mandamentos da Torá. No entanto, este temor (a D’us) é um medo que nasce da consciência da transcendência absoluta de D’us. Assim, seria mais precisamente chamado de “consciência” ou “reverência” da Divindade.”
E o livro prossegue (agora conforme o autor, o Rabi Gershon):
“O Zôhar escreve: “No princípio criou D’us …”. Este é o primeiro mandamento, que se chama “Temor a Hashém”. Desta forma, o mundo inteiro depende deste mandamento. Assim, o temor de Hashém é a própria soberania de D’us e contém dentro de si todos os mandamentos da Torá.
[Mas aí, diante disso tudo, vem a questão:]
Se a pessoa não conhece a Torá, ou a recompensa e a punição por manter ou transgredir seus mandamentos, ou AQUELE que criou a Torá e a dá a Israel (e uma parte à humanidade), como então ela pode temer D’us e guardar Seus mandamentos? Por esta razão [está escrito]: “Conhece (tu) O D’us de vossos pais (Adám e Nôach) e serve-O.” Pois se alguém não conhece AQUELE que lhe deu a Torá (Universal) e lhe ordenou que a guardasse, como então pode temê-LO e cumprir Seus mandamentos?”

Portanto, sábio é a pessoa que conhece e teme (reverencia) Hashém, e que O devota, cumprindo Seus mandamentos. Mas para isso, os não-judeus têm de saber da existência de uma Torá Universal, de uma Torá para os não-judeus, as Sete Categorias de Mitsvót Noaíticas. E foi por isso mesmo que o Rabi Maimônides legislou:

“Da boca do Todopoderoso, Moshé, nosso mestre, ordenou-nos (a nós judeus, em todas as épocas e lugares,) a obrigar todos os habitantes do mundo a aceitar sobre si mesmos os mandamentos Divinos (Mitsvót) dados aos descendentes de Nôach.”

Resumindo, temos Três tipos de descendentes de Noá.
Um é qualquer indivíduo, pois qualquer um é descendente de Noá.
O outro, é o descendente de Noá que cumpre parcialmente as Mitsvót Noaíticas (sem saber disso).
Ele — parcialmente — as cumpre ou porque são leis sociais (daí ele pode até mesmo ser ateu), ou porque são leis religiosas (quer dizer, porque são regras de sua religião). Mas, obviamente, ele não é noaíta, ele não segue o noaísmo, ele não devota Hashém.
E por fim, temos o descendente espiritual de Noá, o noaíta. Ele segue o Noaísmo, ele devota Hashém, por isso é um noaíta. O noaíta é o devoto de Hashém entre as nações. O noaíta é o justo das nações. O noaíta é o sábio das nações.
O noaíta pratíca todas as Mitsvót Noaíticas, a Torá para os não-judeus.
A base das Mitsvót Noaíticas são os Dez Mandamentos Noaíticos — os Dez Mandamentos dos noaítas (que não é a mesma coisa que os Dez Mandamentos judaicos).
Os Dez Mandamentos Noaíticos são divididos em dois grupos, sendo o mais famoso aquele que foi denominado de “Sete Leis”. Estas Sete Leis são as Leis Morais mais básicas, o mínimo a ser cumprido. Pois o máximo compõe-se de várias dezenas.
O outro grupo dos Dez Mandamentos Noaíticos é o das Três Leis Devocionais, que são na verdade o próprio fundamento das Sete Leis mais básicas. As Três Leis Devocionais dos noaítas são o fundamento da Fé Noaítica, o fundamento do noaísmo.
Estas são conhecer Hashém e devotá-LO, estudar a Torá com o Povo de Hashém, os judeus, e, não inventar religiões e abandoná-las (que, como já exposto, inclui, obviamente, cristianismo e islamismo).

Por Noaismo.info

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Bnei Noach

Nova página do site noaismo.info

A Fé Original: Noaismo.info

O Site de Bnei Noach do Brasil

 

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No mês de aniversário do site A Fé Original: Noaismo.info ( ), uma nova página, Graças a D’us.

 

Confira:

https://a-fe-original–noaismo.info/palavras-do-rebe-a-toda-a-humanidade-a-todos-os-nao-judeus-do-mundo/

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Judaísmo

Qual é a atitude judaica com relação a Jesus?

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A Fé Original: Noaismo.info

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Qual é a atitude judaica com relação a Jesus?

 

Por Michael Asheri

 

O judaísmo não deve nada ao cristianismo, muito obviamente, mas não é tão óbvio o fato de que o cristianismo não deve quase nada ao judaísmo. As duas religiões têm pouco, se é que têm alguma coisa, em comum.

Com frequência, não-judeus perguntam a judeus: “Qual é a atitude judaica com relação a Jesus?” A resposta honesta a essa pergunta é: “A atitude judaica para com Jesus é exatamente a mesma que a atitude cristã para com Maomé.” Esta é uma resposta precisa e um paralelo válido. Maomé apareceu quando o cristianismo já estava com diversos séculos de existência e afirmou ser o último dos profetas. Ele reconheceu tanto a Bíblia quanto o Novo Testamento como livros verdadeiros e tanto os profetas hebraicos quanto Jesus como homens santos. Contudo, alegou que sua revelação era a verdadeira e final, suplantando tudo o que havia acontecido antes. Isto é quase o mesmo que Jesus fez, ou pelo menos o que seus seguidores fizeram. Reconheceram a Bíblia, chamaram os profetas e as figuras da Torá de portadores da verdade, mas terminaram dizendo que sua revelação tornava as leis da Torá letra morta, porque a aceitação de Jesus tomava seu lugar. As declarações dos cristãos culminaram na doutrina de que Jesus era Deus encarnado, afirmação que ninguém jamais fez a respeito de Maomé.

É seguramente relatado que o Islã conquista mais convertidos a cada ano do que todas as religiões do mundo juntas, inclusive todas as seitas cristãs. Apesar disso, e apesar do reconhecimento de Jesus como um santo profeta pelo Islã, a maioria dos cristãos ficaria em posição difícil se tivesse de dizer em que ano ou até mesmo em que século nasceu Maomé. Essa atitude, com modificações no grau de conhecimento, descreve a visão que os judeus têm de Jesus. Sabemos que ele viveu e temos uma vaga idéia do que pregou, mas é só. A idéia disseminada de que os judeus, embora rejeitando a reivindicação de Jesus à divindade, consideram-no um grande mestre e uma grande figura moral é completamente falsa. Não aceitamos suas reivindicações e somos indiferentes a seus ensinamentos; simplesmente não estamos interessados nele ou no que disse, assim como os cristãos não estão interessados em Maomé.

Quanto ao Novo Testamento, os judeus que se deram ao trabalho de lê-lo descobriram estar em desacordo com grande parte do que ele contém. Quando lemos no Evangelho segundo Mateus, 8, 21-22: “E outro de seus discípulos lhe disse: “Senhor, permite-me que primeiramente vá sepultar meu pai.” E Jesus, porém, disse-lhe: “Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos””, mal sabemos que lição extrair disso. A idéia de que é possível a um homem salvar a sua alma deixando insepulto o corpo de seu pai é algo que a mente judaica é incapaz de aceitar. Dizer que o fim, neste caso a salvação da alma, justifica os meios provoca a resposta judaica de que um fim que emprega esses meios não é um fim que nos interesse.

Pouco sentido há em ir além nas doutrinas contidas no Novo Testamento, exceto para dizer que elas explicam, em grande parte, a assinalada falta de sucesso que os cristãos experimentaram em converter os judeus à sua religião. Na realidade, o paganismo dos gregos, em sua época, fez maiores incursões em Israel do que o cristianismo jamais foi capaz de fazer.

Quando os meus alunos nos Estados Unidos me perguntavam: “Devemos respeitar a religião de nossos vizinhos?”, minha resposta era: “Claro que não. Mas vocês devem respeitar seus vizinhos, e por isso não podem encontrar falhas na religião deles, porque fazê-lo seria desrespeitá-los como pessoas.” Uma vez que quase não existe um terreno comum entre o cristianismo e o judaísmo, apesar da divulgação de concepções errôneas em contrário, é provável que qualquer discussão de religião com os não-judeus seja uma perda de tempo, e os judeus são aconselhados a dela se absterem. A franqueza, em particular, pode facilmente levar a ressentimentos; há muitas coisas que é melhor deixar de dizer.

 

Por Michael Asheri em “O Judaísmo Vivo: as tradições e as leis dos judeus praticantes”, Imago Editora, 1987.

Michael Asheri é escritor e antropólogo.

 


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Bnei Noach

D’us e As Orações

B”H

 

É chegada a hora da Verdade.

 

 

Torá e Judaísmo e Fé Bnei Nôah (A Verdadeira Fé dos não-judeus) são construídos sobre o princípio firme e inabalável de que todas as pessoas têm uma alma Divina (criada à imagem de D’us), e por isso têm acesso a D’us o tempo todo.

A Torá (A Única e Verdadeira Palavra de D’us) pertence a todas as pessoas. A Torá é a Divina verdade – um projeto para a vida, consistindo em conhecimento e informação dadas a todas as pessoas para orientá-las para encontrar seu caminho neste mundo.

Infelizmente, as religiões dos não-judeus não ensinaram a pura verdade, mas sua versão distorcida da verdade. Quantas pessoas foram magoadas por acreditar inocentemente em seus mestres, somente para depois (algumas mais tarde que outras, e algumas ainda não) descobrir como aqueles professores desrespeitaram a verdade?

Há mais de três mil anos a Torá foi outorgada no Monte Sinai para o Povo Judeu (para aproximadamente 3 milhões de pessoas simultaneamente) e por meio deles para o mundo todo. D’us estava nos dizendo “EU dei Minha verdade a todos, e cada um de vocês tem acesso a ela.”

Endeusar indivíduos é proibido no Judaísmo. A idolatria é um pecado cardinal. Adoramos apenas D’us e somente D’us (discernindo que D’us não é humano (nunca o foi)). Não devemos reconhecer nenhum humano como único filho de D’us ou como o único divino. Todas as pessoas são sagradas e têm acesso direto a D’us. Todos nós temos acesso direto a D’us o tempo todo por meio de nossas almas Divinas.

Portanto, quando orar, converse diretamente com D’us, e exclusivamente com ELE, sem usar o nome de ninguém, sem ser em nome de ninguém. Tenha como exemplo de orações o Livro dos Salmos. Observe a drástica diferença entre as orações do Livro dos Salmos e as orações, por exemplo, dos cristãos. Observe atentamente o fato de que oração alguma do Livro dos Salmos é feita em nome ou no nome de alguém. Todas as orações de todos os salmistas eram e foram conversas entre eles mesmos e D’us (direto a D’us, direto com D’us), sem nenhum intermediário, sem nenhum mediador. Eles pediram (diretamente) a D’us, eles louvaram (diretamente) D’us (sem o nome de ninguém).

Se uma pessoa acredita em D’us, que necessidade tem ela de algum intermediário? D’us é infinito (na verdade, D’us é O Infinito). D’us está em toda parte. Dizer que ELE precisa de um mediador para ouvir nossas orações é negar SUA Infinitude. Portanto, um dos fundamentos da Verdadeira Fé é acreditar que toda oração deve ser dirigida diretamente a D’us (quer dizer, sem ser em nome de alguém).

 

Por pt.chabad.org, por Noaismo.info, e por Rabi Aryeh Kaplan.

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Bnei Noach

Os Gentios (os não-judeus)

B”H

 

Os Gentios (os não-judeus)

 

Por Mechon-mamre.org

 

A Torá sustenta que os gentios justos de todas as nações (aqueles que observam as Sete [Categorias de] Leis de Noach (Noé), listadas abaixo) têm um lugar no Mundo Vindouro. Mas nem todos os gentios religiosos ganharão a vida eterna em virtude de observarem a sua religião[*]:

[* Quer dizer, ter religião ou ser religioso não é sinônimo de se ser gentio justo (pois que o próprio termo gentio justo já é sinônimo de devoto de Hashem).]

Por exemplo:

• Embora se reconheça que os muçulmanos [possuem um conceito unitário de Deus], nem sequer aqueles que seguem os princípios de sua religião podem ser considerados justos aos olhos de D’us, porque eles não aceitam que a Torá (o Pentateuco) nas mãos dos judeus hoje seja a Torá original ditada por D’us [no Monte Sinai] e eles não aceitam as Shéva Mitsvót Nôach, Sete Leis de Noé, como obrigatórias a eles.

• Enquanto os cristãos geralmente aceitam a Bíblia Hebraica como verdadeiramente de D’us, muitos deles (aqueles que aceitam a chamada divindade de Jesus/Yeshu) são idólatras de acordo com a Torá, [pecado este] punível com a morte, e certamente não desfrutarão do Mundo Vindouro. Mas não é só ser um membro de uma denominação em que a maioria são crentes na Trindade que é idolatria, mas a prática idólatra pessoal[*], independentemente da filiação do indivíduo.

[* Como por exemplo, acreditar que D’us tem inimigos ou um arquiinimigo, que existe um inimigo criador do mal, que D’us é pessoa, que D’us é espírito (ser espiritual), que D’us sacrificou um humano, e ainda, que D’us sacrificou um humano pelos pecados de toda a humanidade, que um humano participou na criação do mundo, que tem de se orar para um humano (nesta última questão, alguns cristãos podem argumentar que não oram para Jesus/Yeshu mas apenas em seu nome. No entanto, o chamado novo testamento deixa claro que mesmo “apenas” pedir ao Pai “em nome do seu filho” significa na verdade “falar diretamente com o próprio filho”, sim, orar ao filho, e também deixa claro que o filho não leva orações para o Pai visto que a única coisa que importa para o Pai é que se acredite no filho (João 14:13-14; 16:26-27)).]

[(Para os mitos sobre os Bnei Noach,veja
https://noahidebr.com/2016/09/01/the-sons-of-noahos-filhos-de-noah/
)]

Ao contrário da crença popular, a Torá não sustenta que os judeus são necessariamente melhores que as outras pessoas simplesmente porque são judeus. Embora sejamos o povo escolhido de D’us, não acreditamos que D’us escolheu os judeus por causa de qualquer superioridade inerente. De acordo com uma história no Talmud, D’us ofereceu a Torá a todas as nações da terra, e os judeus foram os únicos que a aceitaram. De acordo com outra história, ofereceu-se a Torá aos judeus e eles aceitaram-na somente porque D’us susteve uma montanha sobre suas cabeças! Outra história tradicional sugere que D’us escolheu os judeus porque eram os mais humildes das nações, e seu sucesso seria atribuído ao poder de D’us em vez de a sua própria capacidade. Claramente, estas não são idéias de um povo que pensa que são inerentemente melhores do que outras nações.

Por causa da aceitação da Torá, os judeus têm um status especial aos olhos de D’us, mas perdem esse status especial quando abandonam a Torá. Além disso, as bênçãos que os judeus recebem de D’us por aceitarem a Torá vêm com um preço elevado: os judeus têm uma responsabilidade [espiritual/moral] maior do que os não-judeus. Enquanto os não-judeus só são obrigados a obedecer as sete categorias de leis dadas a Noé, os judeus são responsáveis pelo cumprimento das 613 mitsvot (leis) da Torá, assim, D’us punirá os judeus por fazerem muitas coisas que não seriam um pecado para os não-judeus.

As Sete Leis de Noé

De acordo com a tradição da Torá, quando D’us salvou Noé e sua família do dilúvio, ELE lhes deu sete mandamentos para observarem. Estes mandamentos são conhecidos como os mandamentos noaicos ou os mandamentos noaíticos (dos noaítas). [Na Torá (bíblia), os mandamentos noaicos NÃO são:
(1.) enumerados como sete,
(2.) denominados mandamentos ou mandamentos noaicos,
(3.) nem mesmo caracterizados como mandamentos (eles nem sequer possuem o formato de mandamentos).
É a tradição que aponta sete mandamentos na Torá – primeiramente a partir de uma série de referências específicas para punições dadas aos não-judeus para esses tipos de transgressões* – e compila a lista de sete.
(* Veja
https://noahidebr.com/2016/02/04/as-sete-leis-de-noe-no-talmud-da-babilonia-sanhedrin-56a/
No artigo do Rabi Adin Steinsaltz)]

Os mandamentos noaicos são:

não cometer idolatria;
não cometer blasfêmia;
não cometer assassinato;
não ter relações sexuais proibidas;
não cometer roubo;
não comer carne de um animal vivo;
estabelecer tribunais de justiça para punir os infratores das outras seis leis.

Estes mandamentos podem parecer bastante simples e diretos, e muitos deles são reconhecidos pela maioria do mundo como princípios morais sólidos. Mas de acordo com a Torá apenas os gentios que observam estas leis porque elas lhes foram ordenadas por D’us na Sua [Eterna e Imutável] Torá é que desfrutarão da vida no Mundo Vindouro [(esses são os gentios justos ou justos entre as nações, também denominados os sábios entre as nações, pois são devotos de Hashem entre as nações), agora,] se estas leis são observadas pelos gentios porque elas parecem razoáveis ou se estas leis são observadas por eles porque eles pensam que elas lhes foram ordenadas por D’us por quaisquer outros meios que não o da Sua [Eterna e Imutável] Torá [(em outras palavras, se estas leis são observadas por eles até mesmo porque, de alguma maneira, as suas próprias religiões ensinam-nas)], eles poderiam muito bem não obedecê-las[, a uma, ou a algumas,] no âmbito do Mundo Vindouro[*].

[* Pois poderiam argumentar que, exatamente por estes mesmos meios que não o da Torá (sonhos, visões, chamados, inspirações, profecias, etc), eles receberam novas revelações “de D’us” ordenando-lhes a não obedecê-las (fosse a nenhuma delas ou a algumas delas) (que é o que de fato ocorre na criação das religiões, como de fato ocorreu nos casos do cristianismo e do maometismo (mohammadismo), que seus “profetas” tiveram “novas revelações” e criaram suas religiões abandonando assim a doutrina dos mandamentos universais de Hashem e os substituindo por novas palavras “divinas”).]

Os mandamentos noaicos são obrigatórios para todas as pessoas [em todas as épocas e em todos os lugares], porque todas as pessoas são descendentes de Noé e sua família. As 613 mitsvot da Torá, por outro lado, só são obrigatórias para os descendentes daqueles que aceitaram os mandamentos no Sinai e para aqueles que assumem o jugo dos mandamentos voluntariamente (por conversão). Alguns dizem que os mandamentos noaicos são aplicados de forma mais branda para não-judeus do que os mandamentos correspondentes para judeus, porque os não-judeus não têm o benefício da Torá Oral para guiá-los na interpretação das leis. Alguns rabinos europeus (presumivelmente por causa do medo de represálias de seus vizinhos cristãos, famosos pela sua violência para com os judeus) têm ido tão longe ao ponto de dizer que adorar a D’us na forma de um homem constitui idolatria para um judeu, [pecado este] punível com a morte, mas que o culto cristão de Jesus/Yeshu não constitui idolatria [para os gentios]. Na verdade, qualquer idolatria para a qual um judeu é punido com a morte também um não-judeu é punido com a morte, incluindo adorar um homem como deus.

Neste site, fornecemos (dentro do possível) uma exposição completa das Sete Leis, incluindo muitos detalhes que não poderiam ser adivinhadas a partir da lista acima.

Termos usados para gentios

Parece que alguns gentios preferem o termo mais neutro não-judeu, porém, poucos hoje se sentem insultados por serem chamados de gentios, o termo clássico para nações que aparece frequentemente em traduções da Bíblia. Ao usá-la aqui, certamente não temos nenhuma intenção de ofender ninguém; aliás, nem sequer teríamos escrito este artigo se fôssemos faltar com respeito e carinho para com os gentios.

A palavra hebraica ou iídiche que se usa com mais frequência para um não-judeu é goy. A palavra goy significa nação, e se refere ao fato de que goyim são membros de outras nações, ou seja, outras nações que não os Filhos de Israel. Não há nada inerentemente insultuoso na palavra goy. Na verdade, a Bíblia ocasionalmente se refere ao povo judeu usando o termo goy. Mais notavelmente, em Êxodo 19:6, D’us diz que os Filhos de Israel serão “um reino de sacerdotes e uma nação santa”, ou seja, uma goy cadosh. Porque os judeus tiveram tantas más experiências com antissemitas não-judeus ao longo dos séculos, o termo goy assumiu algumas conotações negativas, mas em geral o termo não é mais insultuoso do que a palavra “gentio”.

Os termos mais insultuosos para não-judeus são shiksa (feminino) e shkutz ou sheketz (masculino). Pode-se concluir que estas palavras são derivadas da raiz hebraica Shin-Cuf-Tsadic, significando repugnante ou abominação. A palavra shiksa, mais comumente usada para se referir a uma mulher não-judia que está namorando ou casada com um homem judeu, deveria dar alguma indicação de quão fortemente os judeus se opõem à idéia de casamentos mistos. O termo shkutz ou sheketz é mais comumente usado para se referir a um homem antissemita. Ambos os termos podem ser usados de uma forma menos grave, mais na brincadeira, mas em geral, em todo o caso, devem ser usados com precaução; na verdade, nós, pessoalmente, só usamos esses termos para nos referirmos a “judeus” apóstatas cujo comportamento é repugnante.

Casamentos Mistos

A Torá não permite ou mesmo reconhece casamentos entre judeus e gentios, se realizados, apesar da proibição. A punição para judeus por esse tipo de casamento é serem cortados do povo judeu e do Mundo Vindouro, [não importa] se o casal se casou formalmente de acordo com a lei secular ou se apenas vivem juntos.

A Torá Escrita afirmou que os filhos de tais uniões seriam afastados do povo judeu (Deuteronômio 7:3-4), e a experiência tem mostrado muito bem a verdade desta passagem: filhos de casamentos mistos raramente são criados como judeus; eles normalmente são educados na fé do parceiro não-judeu ou não-religioso. Este fato pode refletir que os judeus que não casam entre si não estão profundamente comprometidos com a sua religião em primeiro lugar (se estivessem, por que eles iriam casar-se com alguém que não a compartilha?), daí que as estatísticas são suficientemente alarmantes para ser uma questão de grande preocupação para a comunidade judaica.

Alguns judeus ortodoxos chegam ao ponto de afirmar que o casamento misto é realizar o que Hitler não conseguiu: a destruição do povo judeu. Isso pode parecer uma visão extrema, um exagero, mas ilustra vividamente como muitos judeus levam a sério a questão de casamentos mistos. No entanto, atualmente a maioria dos judeus fora da terra de Israel estão tomando parceiros conjugais não-judeus.

Se o cônjuge não-judeu verdadeiramente compartilha os mesmos valores que o cônjuge judeu, então o não-judeu é bem-vindo a converter-se, e se o não-judeu não compartilha os mesmos valores, então o casal não deve se casar em primeiro lugar. Embora a conversão apenas para permitir que um gentio se case com um judeu não seja legítima, muitos gentios inicialmente consideram a conversão após encontrarem um cônjuge judeu potencial, e depois, no final, tornam-se um convertido sincero antes do casamento.

Conversão

Em geral, judeus não tentam converter não-judeus ao judaísmo. Na verdade, de acordo com a Halachá (Lei Judaica), os rabinos deveriam supostamente fazer três tentativas vigorosas para dissuadir uma pessoa de querer se converter ao judaísmo.

Como a discussão acima explica, os judeus têm um monte de responsabilidades que os não-judeus não têm. Para ser considerado uma pessoa boa e justa aos olhos de D’us, um não-judeu precisa seguir apenas os sete mandamentos noaicos, enquanto um judeu tem de seguir todos os 613 mandamentos dados na Torá. Se o potencial converso não for seguir a essas regras extras é melhor para ele ou ela permanecer gentio, e uma vez que os judeus são responsáveis uns pelos outros, também é melhor para nós que essa pessoa permaneça gentia. A tentativa rabinicamente designada para dissuadir um convertido se destina a certificar-se de que o convertido em potencial é sério e disposto a assumir toda essa responsabilidade extra.

Uma vez que uma pessoa tenha decidido se converter, o prosélito deve começar a aprender a lei e os costumes judaicos, e começar a observá-los. Este processo de ensino geralmente leva pelo menos um ano porque o convertido em potencial é incentivado a experimentar cada um dos feriados judaicos; no entanto, a quantidade real de estudo exigido irá variar de pessoa para pessoa (por exemplo, um convertido que foi criado como um judeu pode não precisar de qualquer educação adicional, enquanto outra pessoa precise de vários anos).

Concluído o ensino, o prosélito é apresentado a um Beit Din (Corte Rabínica) que o examina e determina se ele ou ela está pronto para tornar-se um judeu. Se o prosélito passar neste exame oral, são realizados os rituais de conversão. Se o convertido é do sexo masculino, ele é circuncidado (ou, caso ele já tenha sido circuncidado, um pontinho de sangue é extraído para efeitos de uma circuncisão simbólica). Ambos os convertidos, homem e mulher, são imersos no micvê (um banho ritual utilizado para a purificação espiritual). Dá-se ao convertido um nome judeu e então ele ou ela é introduzido na comunidade judaica.

Na teoria, uma vez concluída o processo de conversão, o convertido é judeu tanto quanto uma pessoa nascida na religião. Na prática, o convertido é geralmente tratado com cautela, com precaução, visto que já tivemos um monte de experiências ruins com os convertidos que mais tarde voltaram à sua antiga fé, no todo ou em parte.

 

Por Mechon-mamre.org

© Mechon-mamre.org

© Noahidebr 2015-2019

 

Traduzido do inglês por Noahidebr/Bnei Noach Brasil © 2015-2019 Noahidebr

http://noahidebr.com/copyright/

 

Veja também:

­

https://noahidebr.com/palavras-do-rebe-a-toda-a-humanidade-a-todos-os-nao-judeus-do-mundo/

 

Padrão
A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

Não são similares as histórias de Moisés e Mohammad?

A Fé Original: Noaismo.info

O Site de Bnei Noach do Brasil

 

Esta foi a 1a matéria depois que o blog tornou-se site.

 

B”H

 

Na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH” (exemplos: “Hashém”, etc.), e, (na transliteração dos termos hebraicos) o “ch” tem som de “RR” (exemplos: “Côrach”, “barúch”, etc.).

 

Não são similares as histórias de Moisés e Mohammad?

 

Por Rabi Shmary Brownstein (Chabad)

 

Pergunta:

No meu entendimento, o islamismo e o cristianismo começaram com um “profeta” divulgando que ele mesmo tivera um sonho em que D’us lhe aparecera e o escolhera como o Seu mensageiro.

Não deu D’us a Torá a Moisés enquanto ele estava no topo do Monte Sinai longe do resto dos judeus que estavam lá em baixo à sua espera? Não é isto similar às histórias de Jesus e Mohammad, já que na verdade não havia ninguém lá para verificar sem nenhum equívoco se D’us havia dado alguma coisa a Moisés?

[Então,] como o judaísmo é diferente?

 

Resposta:

Na verdade, há uma grande diferença entre o judaísmo e as outras religiões. Embora a maior parte da Torá tenha sido dada por D’us a Moisés que posteriormente a transmitiu ao povo, há uma diferença importante. Moisés não teve de convencer o povo de que ele era o profeta de D’us, porque cada um deles ouviu D’us falar com ele quando eles estavam no Monte Sinai.

Nas palavras de Rabi Maimônides (Rambám):

“Os judeus não acreditaram em Moisés, nosso mestre, por causa dos milagres que ele realizou. Sempre que a crença de qualquer pessoa é baseada em milagres, (o compromisso do) seu coração tem suas limitações, pois é possível realizar um milagre através de mágica ou feitiçaria.

Todos os milagres realizados por Moisés no deserto não se destinavam a servir como prova de sua profecia, mas sim foram realizados com um propósito. Era preciso afogar os egípcios, então ele dividiu o mar e os afundou nele. Precisávamos de comida, então ele nos forneceu maná. Estávamos com sede, então ele bateu na rocha (e nos forneceu água). Os seguidores de Côrach (Corá) se amotinaram contra ele, então a terra os tragou. O mesmo se aplica aos outros milagres.

Qual é a fonte da nossa crença nele? A revelação no Monte Sinai. Os nossos olhos viram, e não os de um estranho. Os nossos ouvidos ouviram e não os de outro. Havia fogo, raios e trovões. Ele entrou na espessura da nuvem; a Voz falou com ele e nós A ouvimos: “Moisés, diga-lhes tal e tal coisa …”

Assim, é relatado (em Deuteronômio 5:4): “Face a face HaVaYaH (D’us) falou convosco do meio do fogo”, e afirmado (em Deuteronômio 5:3): “HaVaYaH (D’us) não fez esta aliança com os nossos pais, mas conosco, todos nós aqui vivos neste dia.”

Como se sabe que a revelação no Monte Sinai por si só é a prova de que a profecia de Moisés é verdadeira e inquestionável? É declarado (em Êxodo 19:9): “HaVaYaH (D’us) disse a Moisés: ‘Eis que EU venho a ti, na espessura da nuvem, para que o povo ouça enquanto EU falo contigo, (de modo que) também em ti crerão para sempre.'” Parece que antes de isto acontecer, eles não acreditavam nele com uma fé que duraria para sempre, mas sim com uma fé que teria permitido suspeitas e dúvidas.” – Mishnê Torá, Hilchot Yesodei Hatorá 8:1.

Ao longo de todo o exílio judaico muitos foram céticos de vários ensinamentos rabínicos, como os saduceus e os primeiros cristãos. No entanto, quando se trata da entrega da Torá no Sinai à nação judaica, há uma história indisputada, sem oposição por milênios (não contestada durante milênios).

 

Veja:

– A Verdade Histórica da Revelação Divina no Sinai
https://a-fe-original–noaismo.info/2015/09/19/a-verdade-historica-da-revelacao-divina-no-sinai/

– A Autoria da Torá
https://a-fe-original–noaismo.info/2015/09/19/a-autoria-da-tora/

– Conhecimento e Fé
https://a-fe-original–noaismo.info/2015/09/19/conhecimento-e-fe/

– Os Fundamentos do Judaismo
https://a-fe-original–noaismo.info/2015/09/19/os-fundamentos-do-judaismo/

 

Rabi Shmary Brownstein para O Website de Judaismo – Chabad

 

© Chabad.org

Traduzido do inglês por Noaismo.info: © 2015-2019 Noaismo.info

https://a-fe-original–noaismo.info/copyright/

Padrão
Bnei Noach

Os 13 Princípios da Fé Noaítica, o cristianismo e o islamismo

A Fé Original: Noaismo.info

O Site de Bnei Noach do Brasil

 

B”H

 

Os 13 Princípios da Fé Noaítica, o cristianismo e o islamismo

 

 

Porque cristãos e muçulmanos não são Bnei Noach

 

A vida noaítica (i.e., a vida do noaíta (dos Benêi Nôach/Filhos de Noá)) é totalmente distinta da vida judaica. Ainda assim, a Fé Noaítica é idêntica à Fé Judaica, pois, na verdade, trata-se da mesma Fé, a Fé em Hashém e na Sua Eterna Torá.
Os 13 Princípios da Fé do Judaísmo identificam aqueles que são judeus de fato. Os 13 Princípios da Fé do Judaísmo também servem para identificar aqueles que são Bnei Noach de fato.

 

Por Chaim Szwertszarf e Rosa Szwertszarf

 

QUEM É JUDEU [E QUEM É BEN NOACH (NOAÍTA)] de acordo com Rabi Maimônides

 

Você é JUDEU? [Você é BEN NOACH (NOAÍTA)]?
Consulte o Rabi Maimônides

 

(Por Rosa Szwertszarf)

 

Maimônides – Rabi Moisés ben Maimon, conhecido também como Rambám (1135-1204), viveu numa época de glórias dos árabes que impunham aos povos conquistados a religião islâmica, proibindo entre outras, as religiões judaica e cristã. Diferentemente da inquisição, não se importavam com a fé praticada nos lares, cujo interior consideravam sagrado, contanto que os judeus assumissem publicamente o islamismo. Para fugir às perseguições, comunidades [judaicas] inteiras adotaram publicamente o islamismo continuando a professar o judaísmo em casa. Isso gerou sérios conflitos pessoais e atritos com os que não se submetiam à conversão pública. Influenciados pela cultura islâmica, convertidos começaram a aceitar a idéia de que, na realidade, não havia grande diferença entre o judaísmo e o islamismo, podendo-se ser “judeu” e maometano ao mesmo tempo. Para esses, Maimônides formulou os 13 princípios básicos que definem e caracterizam a religião judaica [e consequentemente a doutrina noaítica] e, nos quais, um judeu [e também um noaíta] devem acreditar. Os 13 princípios são:

 

1. D’us existe;

2. D’us é único no absoluto sentido da palavra. Não só D’us existe, e não só ELE é O CRIADOR mas ELE é O ÚNICO CRIADOR;

3. D’us é incorpóreo. D’us não possui corpo. D’us não possui forma. Não podemos descrevê-LO nem definí-LO com a nossa linguagem;

4. D’us é eterno, sem princípio nem fim. ELE não é uma entidade criada;

5. não existem outros deuses (é a ELE e a mais ninguém que se deve adorar). ELE é O ÚNICO que criou e conduz o mundo, e portanto, O ÚNICO que tem poder de intervir na nossa existência [(e em qualquer existência)] e consequentemente é O ÚNICO a Quem devemos dirigir as nossas preces;

6. existe a profecia autêntica;

7. Moisés é o maior profeta, não houve antes dele, nem haverá depois quem o iguale;

8. a Torá, conforme nós a conhecemos (tanto a escrita quanto a oral), foi dada por D’us a Moisés e por ele transmitida até as nossas gerações. Moisés recebeu diretamente de D’us, no monte Sinai, duas Toroth: uma escrita e a outra oral;

9. a Torá é imutável;

10. D’us sabe tudo a nosso respeito: ações e pensamentos;

11. existe o princípio de compensação e castigo;

12. o mashíach (o verdadeiro messias) virá, e embora demore, sua vinda deve ser aguardada diariamente;

e, 13. existe o princípio da ressurreição.

 

(Por Chaim Szwertszarf)

 

Rabi Maimônides estabeleceu os 13 princípios como definição válida de judeu [e também de noaíta], como uma maneira segura de identificação do povo judeu [e também dos Bnei Noach].
Os princípios escolhidos eliminam, sucessivamente, as outras religiões que não aceitam a verdade de um ou outro princípio estabelecido.
Assim, o primeiro princípio, que proclama a existência de D’us, elimina todos os ateus.
O segundo princípio elimina todos que acreditam na existência de mais de Um D’us, ou que D’us não é uma unidade absoluta (exemplo, a trindade).
O terceiro princípio elimina a antropomorfia (i.e., que D’us tem corpo).
O quarto princípio elimina aqueles que afirmam que a matéria é eterna.
O quinto elimina todos aqueles que se dirigem às criações como se elas estivessem investidas de poderes de decisão, pois todas elas só podem seguir o destino (caminho) que lhes foi designado.
O sexto elimina os que não acreditam em profecia, elemento fundamental da religião, ou que nem sempre a profecia é verdadeira. De acordo com esse princípio, o profeta fala SEMPRE verdade.
O sétimo elimina aqueles que reconhecem outro profeta completo e máximo, além de Moisés (exemplo, Jesus (Yeshua), Maomé, etc).
O oitavo elimina os críticos que acham que a Torá (Pentateuco) não foi escrita por Moisés, mas que é obra posterior, escrita por diversos autores.
O nono elimina todas as novas mensagens que pretendem substituir ou acrescentar ou diminuir do que está escrito no Pentateuco (exemplo, o Novo testamento, o Coran, etc).
O décimo elimina os que, embora acreditem na existência de D’us, acham que D’us não tem mais contato com suas criaturas.
O décimo primeiro elimina aqueles que acham que não existe justiça Divina. As coisas acontecem naturalmente.
O décimo segundo elimina aqueles que dizem que o Messias já se revelou em absoluto.
O décimo terceiro elimina aqueles que não acreditam na ressurreição dos mortos.

É INTERESSANTE NOTAR QUE OS 13 PRINCÍPIOS QUE DEFINEM O JUDEU [E TAMBÉM O NOAÍTA] NÃO FALAM EM PRATICAR OS MANDAMENTOS MAS, SÓ SE REFEREM A IDÉIAS, QUE DEPENDEM EXCLUSIVAMENTE DA FÉ. E MAIMÔNIDES CONCLUI QUE O PROBLEMA DO CUMPRIMENTO DOS MANDAMENTOS É DO LIVRE ARBÍTRIO DE CADA JUDEU [E TAMBÉM DE CADA NOAÍTA], I.E., O QUE O JUDEU ESCOLHE FAZER NÃO MUDA O SEU JUDAÍSMO, ELE CONTINUA A SER JUDEU[, E TAMBÉM O QUE O NOAÍTA ESCOLHE FAZER NÃO MUDA O SEU NOAÍSMO, ELE CONTINUA A SER NOAÍTA].
SE O NASCIDO DE MÃE JUDIA RESOLVE ADOTAR QUALQUER OUTRO SÍMBOLO QUE O IDENTIFIQUE COMO PERTENCENTE AO POVO JUDEU, MAS NÃO TEM FÉ EM QUALQUER DOS 13 PRINCÍPIOS, BASTA QUE NÃO ACEITE UM DELES, ESSA PESSOA PODE SER MUITO SIMPÁTICA E, ATÉ, GRANDE CONTRIBUINTE E BENFEITOR DAS CAUSAS JUDAICAS, MAS ISSO NÃO FAZ DELE JUDEU. [ASSIM TAMBÉM AQUELE QUE ASSUME AS SETE LEIS NOAÍTICAS (DE NOACH), MAS NÃO TEM FÉ EM QUALQUER DOS 13 PRINCÍPIOS, BASTA QUE NÃO ACEITE UM DELES, ESSA PESSOA PODE SER BONDOSA, GENEROSA, HONESTA, ETC, MAS ISSO NÃO FAZ DELA NOAÍTA.] É NECESSÁRIO ACREDITAR COM PERFEITA FÉ NOS 13 PRINCÍPIOS QUE SÃO EXCLUDENTES. A AÇÃO, A PRÁTICA RIGOROSA DA HALACHÁ (LEI JUDAICA) [PARA O JUDEU, OU ENTÃO DAS SETE LEIS NOAÍTICAS PARA O NOAÍTA,] NÃO O TRANSFORMA EM JUDEU [OU ENTÃO EM NOAÍTA] SE ELE DEIXAR DE ACREDITAR EM UM DOS 13 PRINCÍPIOS.
O IMPORTANTE NÃO É A PRÁTICA, ISSO É UM PROBLEMA DE CADA UM QUE COLHERÁ OS FRUTOS DA JUSTIÇA DIVINA MAS SIM, A CONVICÇÃO. NÃO É O CONHECIMENTO DA VERACIDADE DO JUDAÍSMO MAS SIM A FÉ.
IDENTIDADE É UMA QUESTÃO DE SENTIR UMA VERDADE, DE TER FÉ NESSA VERDADE.
PARA SER IDENTIFICADO COMO JUDEU [OU ENTÃO COMO NOAÍTA] TEM SE QUE TER FÉ PERFEITA.

 

[(Nota adicional do site Noaismo.info:

Apenas para reforçar a questão acima tratada, da diferença entre fé e a prática das mitsvót, o Rabi Marc D. Angel explica similarmente:

“Os judeus não deixam de ser judeus se violam a Halachá – o código de leis do judaísmo.”

“A Halachá reconhece como judeu aquele que nasce judeu (que nasce de mãe judia), quer observe ou não as mitsvot.”    )]

 

Rabi Maimônides formulou e anunciou os 13 princípios básicos para definirem, incluirem e excluirem uma pessoa no rol de judeu [e também de noaíta]. Ele afirma: 

Basta não acreditar em um dos princípios enumerados, para que a pessoa não esteja mais incluída na Comunidade [Judaica, ou então entre os Bnei Noach]. Porém se acreditar em TODOS os 13 princípios, e a pessoa venha a transgredir os Mandamentos, ele é judeu [ou então noaíta] para os efeitos aqui mencionados, só que um judeu [ou então um noaíta] pecador e terá que prestar contas.
[No Judaísmo,] as consequências de quem não aceita os 13 princípios são muito graves e são pomo de discórdia no seio da Comunidade. Os responsáveis devem se preocupar com esse problema. Pois a pessoa que não aceita os princípios, está excluído, de acordo com a Halachá, da identidade judaica e por conseguinte da religião.

Explanações sobre alguns dos 13 princípios.

– Sexto princípio.

Como reconhecer um Profeta

Ele deve: ser um Tsadíc (Justo), um sábio na Torá, dominar os seus impulsos em cada instante em todos os casos e situações, e, cujo comportamento é extremamente refinado.
O Profeta não pode declarar que a mensagem que D’us mandou, por seu intermédio, é para anular qualquer um dos mandamentos da Torá, pois isto é profecia falsa e, o Profeta, portanto, é falso.
O Profeta deve ser solicitado pelas lideranças, como teste, para predizer uma série de acontecimentos futuros, E TODOS devem acontecer.
Esses eventos que o Profeta prediz devem se referir a coisas boas, porque profecias ruins podem não acontecer, já que o ruim só acontece como castigo e, basta que haja arrependimento, e a profecia não se realizará, por isso, não é um meio seguro para se confirmar se é um verdadeiro ou falso Profeta. Como aconteceu com Jonas, no caso de Ninvé.

A profecia

A função básica da profecia é ensinar os mandamentos de D’us, seja para tirar dúvidas, seja para recriminar os que não seguem o caminho dos Justos.
O sexto princípio de Maimônides, existe a profecia autêntica, se lê assim: “eu acredito, em perfeita fé, que todas as palavras dos profetas são verdadeiras”. E deve ser entendido como:
1. todos os nossos [(dos judeus)] Profetas são verdadeiros;
2. todos os ensinamentos e pronunciamentos que constam na Bíblia [Judaica, Tanách,] são verdadeiras profecias.

– Sétimo princípio.

Nos “13 princípios”, o sétimo se lê assim: eu acredito em perfeita fé que a profecia de Moisés, foi verdadeira (real) e que ele é o primeiro (o maior) de todos os profetas (tanto) os que o antecederam como os que o seguiram.
Ao se declarar que a profecia de Moisés é verdadeira e, portanto, Moisés um verdadeiro Profeta, implica que a Torá escrita e a Torá verbal são todas verdadeiras, já que todas nos foram profetizadas por um único e mesmo Profeta: Moisés.
Ao se afirmar que Moisés foi o primeiro (principal) Profeta – implica que Moisés alcançou o estágio mais alto que um ser humano pode alcançar. Essa observação é de Maimônides que diz ter Moisés alcançado o estágio de anjo. Só um véu não o permitiu ver a essência Divina. Esse véu existiu porque, ele, Moisés, era de carne e osso. Não era uma falha voluntária mas estrutural.
Em outras palavras, significa que nenhum ser vivo pode subir mais alto, em santidade, que Moisés. E ninguém podia entender melhor as profecias que ele. Se por hipótese aparecesse um Profeta igual a Moisés, não poderia saber mais que Moisés. Se esse hipotético Profeta fizesse declarações proféticas, só podiam ser iguais ao que Moisés falou. Caso contrário seria um falso Profeta.
Isto está implícito em:
que Moisés foi o primeiro (principal) dos Profetas que viriam antes dele ou depois dele.
Assim, a afirmação do sétimo princípio diz que acreditamos que ninguém tem autoridade para desmentir ou alterar a (torah moshe) Torá de Moisés, sob pena de ser considerado um falso Profeta.

– Oitavo princípio.

Maimônides enumerou os [13] princípios que determinam quando um judeu [ou então um noaíta] pode ser definido como tal.
No princípio anterior (o 7° princípio), demonstramos a importância de se reconhecer em Moisés o Profeta verdadeiro. A consequência é que a Torá também é verdadeira, “in totum”, por ser uma profecia de um Profeta verdadeiro. Assim, estaria implícito no sétimo princípio o reconhecimento de que a Torá foi dada por D’us (Torá min hashamáyim). Maimônides, no entanto, amplia esse conceito através do oitavo princípio. Considero este princípio de muita importância e muito atual, numa época em que há tantos intérpretes do significado do judaísmo, por isso, acho importante e esclarecedora a transcrição literal das palavras de Maimônides.
“Oitavo princípio, heiót hatorá min hashamáyim, ser a Torá outorgada por D’us. Nós acreditamos que a Torá completa que se encontra, no presente, em nossas mãos, foi-nos dada através de Moisés Rabênu, e que é inteiramente a palavra de D’us. Moisés tinha plena consciência de estar recebendo a Torá de D’us e que ele só devia funcionar como um “escriba” (secretário) a quem se dita e ele transcreve os acontecimentos, as narrativas e os Mandamentos. Por isso ele é chamado o Mechokék, o escriba.
Todas as palavras [registradas na Torá] são a palavra de D’us e tudo é a Torá perfeita, completa, pura, santa e verdadeira.
Aquele que afirma que [uma única palavra, ou algumas, ou todas] as palavras ou narrativas foram escritas por Moisés, por sua própria iniciativa, é considerado por nossos Sábios e nossos Profetas como o pior dos apóstatas.”
Para resumir: hatorá min hashamáyim (i.e., que foi D’us QUEM deu a Torá) é um dos princípios básicos. O descrente desse princípio está sujeito a ser excluído do seio do judaísmo.
Basta que alguém duvide de uma única palavra da Torá, como não sendo de origem Divina, para ser equiparado a quem nega a Torá toda, com todas as consequências daí provenientes.
O oitavo princípio vem alertar que não é suficiente acreditar que Moisés foi Profeta e que as profecias dele são verdadeiras. É só duvidar em que a Torá que se encontra atualmente conosco é toda ela uma profecia única transmitida a Moisés por D’us para que a pessoa seja considerada apóstata.
Maimônides, em sua obra Mishnê Torá, codifica: aquele que, publicamente, nega a origem Divina (sinaítica) da Lei Oral é igual a qualquer outro apikoros.
Maimônides nos transmite o seu recado:
a) judeu [ou então noaíta] é aquele que aceita [toda] a Torá como sendo de origem Divina
b) a Torá se compõe da Lei Escrita e da Lei Oral e
c) quem não aceita esse princípio não faz parte da comunidade judaica [ou então dos Bnei Noach].

– Nono princípio.

Os [13] princípios formam a base da fé judaica [e noaica]. São princípios gerais que são válidos para todos aqueles que aceitam o monoteísmo.
Onde Maimônides inicia a singularizar a fé judaica [e noaica] é no oitavo princípio que proclama e demonstra que a Torá (escrita e oral) é a palavra de D’us transmitida a Moisés para ser ensinada ao povo de Israel [e também aos Bnei Noach].
Aceitar a Torá como a palavra Divina é suficiente para caracterizar o judeu [ou então o noaíta]? Não.
O que define a fé judaica [e noaica] é a imutabilidade da Torá.
Não é suficiente aceitar Moisés como Profeta mas sim como o maior Profeta, e não é suficiente aceitar a Torá como sendo min hashamáyim (dada por D’us), é preciso aceitar a sua imutabilidade.
Tudo o que está escrito na Torá (na escrita e na oral) deve ser seguido como sendo o mandamento de D’us. Portanto, a palavra da Torá é definitiva. Essa afirmação é genuinamente judaica.
Se um Profeta declarar que D’us o encarregou de ab-rogar, modificar, anular, acrescentar ou diminuir qualquer coisa seja da Torá escrita ou da Torá oral, deve ser considerado como falso Profeta e condenado à morte, ainda que tenha provocado milagres em outras oportunidades. Como exemplo Maimônides cita: na Torá está escrito que quando se penalizar o criminoso, deve se aplicar o princípio de “olho por olho e dente por dente”. Essa expressão foi interpretada por nossos sábios na Torá Oral, como significando multá-lo, em dinheiro, o equivalente ao prejuízo causado, pela incapacitação do indivíduo, devido a perda de um olho ou de um dente. Se algum Profeta insistir que D’us lhe afirmou, numa visão profética, que essa sentença deve ser entendida literalmente, i.e., arrancar um olho ou um dente do criminoso, ele é um falso Profeta e deverá ser punido com a morte.
De uma certa maneira, quando se trata da Torá Oral, que é a parte do Talmud e onde as leis e procedimentos são referidos aos rabinos pode haver alguma hesitação quanto à sua imutabilidade. Por isso é conveniente trazer alguns versículos que reforçam esse princípio em sua relação à Torá Oral.
Deuteronômio 17:8, 9, 10 e 11 fala longamente sobre a autoridade exclusiva dos rabinos.
Nos dois últimos princípios, 8 e 9, afirma-se que a Torá (escrita e oral) é toda ela uma profecia. Como profecia ela é inteiramente verdadeira. Se verdadeira, devemos aceitá-la tal como ela é, sem argumentação, dúvidas ou contestação, porque, embora nem sempre por nós compreendida, nem por isso é menos verdadeira.

– Décimo segundo princípio.

A Era Messiânica
Livre arbítrio não quer dizer que a pessoa pode agir de uma maneira ou de outra apenas seguindo a sua vontade. Não. Livre arbítrio significa ter conhecimento das consequências do ato e arcar com elas.
É no conhecimento das consequências, que podemos afirmar que a escolha é livre. Essa qualidade divina só pode ser exercida por existirem o bem e o mal, a recompensa e o castigo todos eles sujeitos à leis preestabelecidas por D’us.
É evidente que D’us não iria criar as coisas que conhecemos como o mal para ter existência eterna, seja o mal representado pelo impulso que lhe dá origem, seja pelo castigo, que é o mal que o pecador sofre. Há de haver um tempo limite para a sua existência. O mal, nas estruturas de origem Divina, há de sucumbir e, em seu lugar, só o bem terá existência.
Ou seja, há de surgir um mundo perfeito. Sem a existência daquilo que conhecemos como o mal. Só o bem terá existência eterna.
Esse tempo seria os dias messiânicos.

A esperança nacional.

Ao mandar Moisés ir ao Egito de encontro à comunidade judaica para desencadear o processo liberatório e formação nacional, ele pergunta a D’us: e se me indagarem como é o nome desse D’us que te mandou (e que deverá permanecer para sempre nosso D’us nacional), qual o nome que deverei dar? – e D’us revela o nome que define em três palavras a história judaica: “eheie asher eheie”, “estive com eles nesta diáspora e permanecerei com eles nas futuras diásporas”, ou seja, é um povo que, graças à sua missão nacional, durará por todas as gerações futuras. E por essa razão, tanto na sua terra, Israel, ou na diáspora, poderá ter a sua existência ameaçada, contestada, mas jamais eliminada. A sua missão fará com que tenha uma existência eterna.
Cumprida a sua missão, o seu Messias virá para tirá-lo de todas as diásporas para que se instalem, definitivamente, na terra de Israel.
O Messias, do povo judeu, existe e só aguarda o momento oportuno para guiá-lo.
A data da vinda não pode ser revelada porque a vinda dele depende de fatores históricos e do cumprimento, antes, da missão do povo judeu [(a obrigação de ensinar a todos os povos as Shéva Mitsvót Hashém leBenêi Nôach – literalmente, “Sete Leis de Hashém para os Filhos de Noá” –, as Sete Categorias de Leis dadas pelo Próprio D’us a toda a humanidade, de modo que todos os não-judeus aceitem-nas e cumpram-nas, tornando-se assim Bnei Noach (Filhos Espirituais de Noá, patriarca não-judeu da humanidade moderna) ou Gentios Justos – não-judeus devotos de Hashém)]. Assim se verifica que essa ideia, a messiânica, é a verdadeira alma nacional, que deu e dá esperança à sobrevivência do povo judeu e ânimo para continuar com a sua missão de mensageiro da palavra Divina.

A ideia universal.

Sendo a era messiânica para todas as nações, a vinda de Mashíach, do verdadeiro Messias, é de interesse de toda a humanidade e portanto é uma esperança universal.

É um princípio que define o judaísmo [e também o noachdút (noaísmo)].

Os princípios que definem o judaísmo [e também o noachdút (noaísmo)] são três: a) que a Torá é eterna e imutável, i.e., nada pode ser diminuído nem acrescido (Torá min hashamáyim) (pois, a Torá foi dada por D’us); b) que Moisés foi o maior profeta e ninguém jamais o sobrepujará, substituirá ou igualará, em consequência, sua palavra é a final; c) que a revelação de Messias é ainda esperada.

Os tempos messiânicos por Maimônides:

“Os tempos messiânicos serão os tempos em que voltará a existir o reino em Israel e voltarão (todos os judeus) à Eretz (Terra de) Israel e este rei (Messias), será muito exaltado. … Farão a paz com ele todos os povos, e todas as nações estarão submissas a sua grande justiça e as maravilhas que se realizarão por seu intermédio. … Nada mudará na realidade (a existência) do povo judeu a não ser que a realeza voltará (ao povo de) Israel.”
Como vemos, Maimônides não somente faz questão de sublinhar que os tempos messiânicos serão historicamente (e politicamente) normais mas, principalmente, que Messias será um homem de carne e osso, um grande líder, um rei descendente da estirpe do rei Davi, e apesar de ser o homem mais poderoso do mundo, será um homem sábio, justo e santo e que exercerá sua liderança para aperfeiçoar a humanidade e assim prepará-la para o Mundo Por Vir.
Mas esse conceito de Messias não deve confundir o leitor a pensar que Maimônides apenas prevê um acontecimento político, longe disso. E por isso vejamos como Maimônides anuncia o 12° e penúltimo princípio.
“Acreditamos e afirmamos que Messias virá, e ainda que demore, esperaremos por ele.
Acreditamos que Messias será superior e terá maior eminência e prestígio do que qualquer outro rei que já reinou. Essa crença em Messias está de acordo com as profecias que dizem respeito a ele por todos os profetas desde Moisés até Malachí [Malaquias]. E aquele que duvida de sua vinda, ou que duvida de sua estatura exaltada (como rei), nega a Torá.
Incluído neste 12° princípio está que todo rei de Israel tem que ser descendente da casa de Davi e de Salomão.”

Vejamos mais algumas palavras de Maimônides sobre Messias:
“Nesses dias [messiânicos], (o cumprimento de) todos os mandamentos retornará ao seu estado inicial. Ofereceremos sacrifícios, observaremos os anos sabáticos e de jubileu, de acordo com os detalhes mencionados na Torá.
Qualquer judeu [ou então noaíta] que não acredita em Messias [(como uma pessoa real, um homem que será um rei,)] ou que não aguarda a sua vinda, nega não somente os mais essenciais ensinamentos dos profetas, mas também os da Torá e Moisés, nosso mestre.”
“O Messias não mudará nada da Torá. A Torá que temos agora, com todas as leis e mandamentos, permanecerá para sempre.”
“O Messias deve ser um indivíduo imerso no estudo da Torá e seus mandamentos; como Davi, seu ancestral, ele deve seguir ambas as Toroth, a Torá escrita e a Torá oral; conduzir todos os judeus de volta à Torá. Ele levará todos os homens a servir a D’us em unicidade.”
“Nossos sábios e profetas não ansiaram pela era messiânica com o fito de governar o mundo e dominar os não-judeus. Não desejavam que as nações os honrassem ou que pudessem [resumir a vida a apenas] comer, beber e estar alegres. Só desejavam uma coisa e, isto era, serem livres e independentes de modo que pudessem se envolver no estudo da Torá e sua sabedoria.”
“Na era messiânica não haverá guerra, nem fome. Inveja e competição deixarão de existir. A principal ocupação da humanidade será somente a busca em conhecer D’us[, Hashém, o D’us Único de Israel].”

Esta é a ideia messiânica que Maimônides nos ensina sobre Messias e a era messiânica.

Que Messias venha em breve e ainda em nossos dias.

 

Por Chaim Szwertszarf

© Chaim Szwertszarf, Setembro 1995, Rio de Janeiro – Brasil

O site Noaismo.info dedica este artigo a Luis Claudio Rodrigues e família, e, à elevação da alma de Janete Duarte Rodrigues.

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