Bnei Noach

Qual é a maior diferença entre o conceito judaico de D’us e o conceito cristão de Deus?

B”H

 

Qual é a maior diferença entre o conceito judaico de D’us e o conceito cristão de Deus?

 

Existem inúmeras diferenças fundamentais entre o judaísmo/noaísmo e o cristianismo.

O site Noaismo.info entende que a maior e mais importante diferença entre o conceito judaico de D’us e o conceito cristão de Deus é que, segundo o cristianismo, de acordo com o seu próprio fundador, Jesus, e com o próprio Evangelho, “Deus é espírito”. Ensina o chamado “novo testamento” que Jesus, depois de morto, “entrou no próprio céu para aparecer perante a pessoa de Deus.”

“Deus é uma Pessoa espiritual, o que significa que [ele] tem um corpo espiritual. Deus como indivíduo, como Pessoa com um corpo espiritual, tem um lugar de residência, e assim não pode estar em qualquer outro lugar ao mesmo tempo.

Deus é uma pessoa, um indivíduo, tanto quanto Jesus. E os cristãos, quando finalmente viverem no céu, verão Deus e também serão semelhantes a ele, mostrando que Deus é realmente uma pessoa e tem um corpo, bem como determinado lugar para estar” e viver, um lugar literal chamado “céu”.

Em contraste, o Rabi David Aaron explica que “‘Deus” é uma palavra de origem latina não encontrada na Bíblia original [a Torá], em hebraico. O nome na Bíblia que infelizmente foi traduzido como “Deus” é o tetragrama impronunciável escrito em português como Y/H/V/H — derivado das palavras em hebraico que significam “foi”, “é” e “será”.” Chamamos a abreviação Y/H/V/H de Hashém, termo hebraico que literalmente significa “o Nome”. Mas também é comum no judaísmo e no noaísmo a utilização da expressão hebraica En Sof — literalmente “O SEM FIM”, i.e., “O UM TODO-INFINITO” ou “O ILIMITADO” ou “O INTERMINÁVEL” — para denotar D’us. O Rabi David Aaron segue explicando que “o tetragrama Y/H/V/H sugere A PRESENÇA INFINITA, A REALIDADE SUPREMA, A Origem de toda a existência.

Ainda assim, a maioria das pessoas pensa que D’us é um ser — como você e eu, mas todopoderoso — e que, como nós, existe nesse mundo. Mas a Torá ensina que D’us não é um ser que existe na realidade. Hashém não existe na realidade — Hashém é A Realidade. Nós não somos a realidade. Nós existimos na realidade,  nós existimos em Hashém, dentro da realidade que é Hashém. Para encontrar D’us, você tem de se perguntar “Onde estou?” e não “Onde está D’us?”. D’us [O D’us da Torá, O D’us de Israel] não está em nenhum lugar específico. D’us é o lugar e é todos os lugares. Nós vivemos em D’us. D’us é o lugar em que existimos, a realidade dentro da qual existimos. [Por isso,] Hashém (“D’us”) não é masculino nem feminino, não é uma pessoa e não se parece com uma pessoa. Hashém não é equivalente a nenhum ser humano. Hashém (“D’us”) é A REALIDADE SUPREMA e INFINITA — Aquilo que abarca todo tempo, todo espaço e todo ser.”

Portanto, segundo o judaísmo e o noaísmo, como explica o Rabi Aryeh Kaplan: “D’us está tão elevado acima de nós (humanos) que é completamente impossível compreendê-LO de qualquer maneira. A essência de D’us não pode ser apreendida nem pelo pensamento.”

Porém, isto não é tudo. Mais do que “D’us ser incompreensível (a nós, humanos), nem sequer os anjos mais elevados e nem sequer os seres espirituais mais elevados podem compreender a verdadeira essência de D’us. Portanto, D’us PRÓPRIO é [inimaginável,] incognoscível, indescritível e inonimado.”

“Até mesmo o tetragrama que é chamado de “nome próprio” de D’us é apenas uma alusão, porque estamos nos referindo à REALIDADE ABSOLUTA, ORIGINAL e INFINITA que simplesmente foi, é e sempre será. Algo tão vasto e abstrato não cabe em qualquer imagem ou conceito.

Não compreendemos — na verdade, não podemos entender — Hashém, mas podemos ter — e já temos — uma relação com Hashém.” Diz-nos o Rabi David Aaron.

Em vista disto tudo, não é à toa que mesmo as pessoas que pensam em D’us como alguém, como um indivíduo, questionam: “Mas como é possível ele ser todopoderoso e saber todas as coisas e ainda não ter tido um começo (se ele é só uma pessoa)?”

Mas quando elas finalmente aprendem que D’us, Hashém, é EN SOF, O INFINITO — O TODOINFINITO —, então estes questionamentos se dissipam.

 

Veja também

https://a-fe-original–noaismo.info/2017/11/19/a-nao-espiritualidade-de-dus/

https://a-fe-original–noaismo.info/2017/07/01/dus-e-os-anjos/

https://a-fe-original–noaismo.info/2019/03/19/grandiosidade-de-dus-ou-infinitude-de-dus/

 

Por Noaismo.info

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Bnei Noach

A NÃO-espiritualidade de D’us

B”H

 

Na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH”: “Hashém”; “Moshé”; “Mishná”; “Yeshayáhu”; “Bereshít”.

 

A NÃO-espiritualidade de D’us

 

D’us NÃO é espírito, espiritual ou espiritualidade

 

Muitas pessoas pensam que se D’us não é material, ELE só pode ser espiritual. “O que mais D’us poderia ser se não espiritual?” O fato é que o judaísmo e o noaísmo tem enfatizado muito a questão da imaterialidade de D’us mas enfatizado pouco a questão da NÃO-ESPIRITUALIDADE de D’us, quer dizer, pouquíssimas vezes é abordado a Verdade de que D’us NÃO é espírito, de que D’us NÃO é um ser espiritual, de que D’us NÃO é espiritualidade. Quando dizemos que D’us não é físico, não estamos dizendo que ELE é espírito. Na verdade, D’us está além de ambos, do material e do espiritual, porque ambos são SUAS criações.

 

O texto abaixo é extraído de “The Jewish Understanding of God” (O Entendimento Judaico de Deus), © Morasha Syllabus project.

Traduzido por Noaismo.info: © 2015-2019 Noaismo.info

▪D’us é INCORPÓREO (NÃO-material/NÃO-físico)

 

1. Maimônides (Rabi Moshé Ben Maimon), Comentário sobre a Mishná, Ao Capítulo 10 do Tratado de Sanhedrin, Terceiro Princípio – Incorporeidade de D’us: ELE não é físico de forma alguma.

 

“D’us é totalmente imaterial. Isto significa que esta UNIDADE [que denominamos D’us] não é nem um corpo nem uma força física. Não podemos dizer que D’us se movimenta, está parado, ou existe em determinado lugar. Coisas assim não podem acontecer-LHE. Nossos Sábios ensinam que quando nossas sagradas Escrituras falam de D’us em termos físicos, tais como andar, estar de pé, sentar, falar – bem como todas as outras expressões similares – devem ser entendidas no sentido figurativo pois ELE não é um ser e nem uma força física. Não podemos conceber que D’us possua qualquer imagem ou forma[*].”

 

[* Que D’us criou o homem à SUA imagem (Bereshít {Gênesis} 1:27) significa que o homem compartilha das mesmas qualidades espirituais (atributos) que D’us emprega ao interagir com o mundo. Somente neste sentido é possível dizer que o homem parece-se com D’us.]

 

2. Rabi Yaakov Weinberg, Fundamentos e Fé, páginas 43-44 – O fato de que D’us não é físico significa que não podemos eludir SUA consciência.

 

“É necessário compreender e estar ciente da incorporeidade ou imaterialidade de D’us (da não-fisicalidade de D’us) porque se D’us habita no espaço, o homem pode ver-se livre DELE. Se D’us habita no espaço, ELE é limitado – ELE tem limites – [e é finito]. Um ser material não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Se O Onipotente está limitado no espaço, o homem pode eludir SUA consciência. Se o homem pode eludir SUA consciência, então D’us [não é D’us, e D’us] já não pode mais dizer à humanidade como agir. Quando alguém quiser fazer algo errado poderá certificar-se de que está escondido e de que assim escapará, convencido de que D’us nunca o saberá ou nunca irá encontrá-lo.

Se uma pessoa acredita que D’us é material, ela vai sentir-se capaz de escapar DELE. O raciocínio para essa conclusão é lógico: o ser humano procede naturalmente em concordância com suas crenças. Se uma pessoa assume a crença de que D’us é corpóreo, de que ELE habita no espaço [(quer dizer, de que D’us tem corpo e de que já que ELE tem corpo e obviamente não vive aqui na Terra, então, ELE reside no espaço]), então ela vai concluir intuitivamente que pode esconder-se DELE.”

Quando dizemos que D’us não é físico – que D’us não é um ser material – não estamos querendo dizer que D’us é, então, espírito – um ser espiritual. Na verdade, D’us está além de ambos, do material e do espiritual, porque ambos são SUAS criações. [D’us é O Criador de toda a existência, material e espiritual.]

 

3. Ibid. – D’us está além do espaço e do tempo.

 

“Embora o conceito da incorporeidade de D’us seja geralmente entendido, o conceito paralelo da SUA não-espiritualidade não é bem conhecido. Embora [(até mesmo dentro do próprio judaísmo)] D’us seja frequentemente referido como um “ser espiritual”[*], esse termo é aplicado indevidamente, por falta de outra palavra. Se um objeto material é definido como sendo limitado no tempo e no espaço, enquanto algo espiritual é limitado em termos de tempo mas não em termos de espaço, deve-se concluir que D’us não é nem material nem espiritual. O Onipotente não está limitado nem no espaço nem no tempo. Todos os seres materiais e espirituais foram criados por ELE, como está escrito: “No princípio D’us criou os céus e a terra” (Bereshít {Gênesis} 1:1).

 

[* Um texto judaico, por exemplo, diz: “D’us, que é todo espiritual”.]

 

Nossos Sábios aprenderam que “os céus” são uma referência às criações espirituais, como os anjos e o “Trono Celeste” [(os Ofaním e os Chaiót)], enquanto “a Terra” se refere a toda existência material. As almas dos seres humanos, também entidades espirituais, também foram criadas. Portanto, é errado descrever D’us em termos espirituais. D’us é único[ – singular –], nem físico nem espírito, O Criador tanto do mundo material quanto do mundo espiritual.

O versículo que Maimônides cita como prova da incorporeidade de D’us também pode ser aplicado à SUA não-espiritualidade. Ele cita o profeta judeu Yeshayáhu (Isaías 40:18, 25): “A quem, pois, podeis comparar Hashém (D’us)? Ou a que O podeis assemelhar?” Se D’us fosse material, ELE poderia ser comparado com tudo o que é material na criação. Da mesma forma, se ELE fosse espiritual, então ELE poderia ser comparado com qualquer coisa espiritual na criação. Nenhuma comparação pode ser feita, porque não existe nenhuma relação de qualquer tipo que possa descrever A Essência dO Criador. Nós podemos compreendê-LO somente em termos do relacionamento Criador-criação.”

 

[Portanto, como D’us é O Criador de tudo o que é matéria, obviamente ELE não é matéria. E do mesmo modo, como D’us é O Criador de tudo o que é espírito, obviamente ELE não é espírito. D’us está tão além de toda a espiritualidade quanto está de toda a fisicalidade. A Essência de D’us é tão incompreensível e inimaginável para as criaturas celestiais mais elevadas quanto o é para o homem. É totalmente impossível – tanto para os seres espirituais quanto para o homem – imaginar D’us. D’us está totalmente além da imaginação – nossa (humana), e mesmo da de todos os seres espirituais. D’us é absolutamente INIMAGINÁVEL – para todos os seres existentes, tanto espirituais quanto materiais. Assim como os humanos não sabem como D’us é, os seres espirituais também não sabem como D’us é. E assim como D’us em SI não reside no mundo físico, da mesma forma D’us em SI não reside no mundo espiritual. (Na verdade, D’us está em todos os lugares e simultaneamente em lugar algum.) E além de tudo isso, é fato também que não há, em toda a criação – em todo o mundo material e, inclusive, em todo o mundo espiritual – nenhum poder independente de D’us.

D’us, e SÓ D’us, é D’us – O Todo Infinito*.

 

* Quando dizemos que SÓ D’us é D’us, estamos dizendo que SÓ D’us sabe o que é D’us, isto é, SÓ ELE conhece a SI MESMO.

 

Tehilím (Salmos) 89: 7-9, 12:

“Quem, nos céus (nos mundos espirituais), pode comparar-se a Hashém? Quem, entre os seres celestes, é semelhante a Hashém? D’us é reverenciado entre (todos) os anjos (sem exceção alguma, sim,) temido por todos os que estão à SUA volta. Ó Hashém, D’us das Hostes, quem é poderoso como TU? TEUS são os céus (os mundos espirituais) e a terra, o mundo (material) e tudo o que ele contém, pois TU os fizeste.”

 

Yeshayáhu (o Profeta judeu Isaías) 46:5, 9:

“A quem ME assemelhareis, ou igualareis, ou comparareis, para considerar MEU equivalente? … EU sou D’us, e não há nenhum outro; somente EU sou D’us, e ninguém a MIM se compara.”

 

Devarím (Deuteronômio) 4:39:

“Saberás hoje, e considerarás no teu coração, que Hashém – ELE é O D’US, acima nos céus (isto é, acima nos mundos espirituais) e embaixo na terra (isto é, e embaixo no mundo material); não há nenhum outro.”

O seu deus é espírito? O seu deus é um ser espiritual? O D’us Único de Israel, Hashém, não é espírito, não é espiritual, não é espiritualidade. O D’us Único de Israel, Hashém, é O Criador da matéria e do espírito – O Criador da fisicalidade e da espiritualidade.]

 

 

© 2010 Tzipora Rottenberg;

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Bnei Noach

D’us e os anjos

B”H

 

Hashém (D’us/O CRIADOR) é O INFINITO, ou seja, O Não-humano (Não-físico) mas também O Não-espírito

 

 

O judaísmo é unicista, enquanto todas as outras religiões, em particular o cristianismo, são dualistas. Dualista quer dizer uma visão de mundo em que tudo está dividido em 2, em que tudo se divide em duas partes, ambas sempre opostas, contrárias, por exemplo: corpo X alma, deus X diabo, céu X inferno, salvação X condenação, bem X mal, etc.
O judaísmo tem uma visão unicista de todas as coisas, ou seja, não existem duas partes sempre opostas, mas tudo, TUDO MESMO, tem uma única origem, uma única fonte, e estão sob um mesmo controle. Em outras palavras, no judaísmo absolutamente tudo se resume a uma única palavra (um único denominador comum para todas as coisas), D’us.

Daí que, enquanto que no cristianismo o mal é separado do bem, então existem um responsável pelo bem e um responsável pelo mal, ou seja, existem deus e o diabo. E se existem anjos, então existem anjos bons e anjos maus, ou seja, anjos servidores de deus, e anjos rebeldes, que se rebelaram contra deus e não o servem, e ajudam a produzir o mal.

Mas o judaísmo entende que se os anjos existem, D’us os criou, e ELE MESMO então não pode ser um anjo, ainda que um super-anjo, um super-espírito, um espírito todopoderoso. Não, como D’us criou os humanos e então não é humano, D’us também criou os anjos e então também não é anjo (espírito). Sendo assim, todos os anjos (bem como absolutamente tudo) são criações de D’us e são Seus servidores, não havendo meios de conseguirem ou de poderem rebelar-se contra ELE.

Isso fica muito evidente numa benção judaica (do Sidúr) que diz:

“…o D’us Todopoderoso, O grande e santo REI, no céu e na terra. …do mundo mais elevado (ou seja, dos mundos espirituais) ao mais baixo (aqui na terra), TU és D’us. Bendito és TU, Hashém, D’us Todopoderoso, grande REI, …MESTRE de TODAS as criaturas…; TU és …a Vida de todos os mundos.”

E em seguida se diz:

“Bendito és TU, Hashém, nosso D’us, REI do universo, que …cria todas as coisas.”

E:

“REI, que por SI SÓ já é elevado desde antes dos tempos…”

E então (agora tratando mais detalhadamente sobre os anjos) se diz o seguinte:

“Bendito sejas eternamente, …nosso REI …que cria seres sagrados …que cria anjos servidores, e cujos anjos servidores se elevam TODOS nas alturas do universo e proclamam em TEMOR REVERENCIAL, …EM UNÍSSONO, as palavras do D’us vivo e MESTRE do Universo. TODOS ELES são amados, TODOS são puros, TODOS são poderosos, TODOS são sagrados, e TODOS realizam a vontade DE SEU CRIADOR, com temor e reverência. E TODOS ELES abrem “suas bocas” em santidade e pureza, …e abençoam e adoram, glorificam e revereciam, santificam e atribuem SOBERANIA a …D’us Todopoderoso … . TODOS ELES …com amor concedem um ao outro permissão para santificar SEU CRIADOR …com a fala pura e melodia sagrada; TODOS exclamam EM UNÍSSONO com TEMOR e declaram em REVERÊNCIA: Santo, Santo, Santo é Hashém … . E (todos os tipos de anjos que existem (são 3 categorias: Ofanim, Chaiot [lê, RRaiót] e Serafim)) oferecem louvor e dizem: Bendita seja a glória de Hashém do SEU lugar. Eles entoam doces melodias ao abençoado D’us; eles recitam hinos e cantam louvores ao REI, O D’us vivo e eterno …que em SUA bondade renova a cada dia, continuamente, a obra da criação (que naturalmente envolve tudo o que é espiritual: os mundos espirituais, os anjos) … . Bendito és Tu, Hashém”.

Portanto, como está claro nas palavras acima:

· D’us é D’us no céu e na terra, quer dizer, SÓ D’us é D’us seja nos mundos espirituais ou nos mundos físicos (não existe outro deus ou outros deuses, não existe mais do que UM ÚNICO SÓ D’us);

· D’us cria todas as coisas, quer dizer, ELE é O CRIADOR de tudo (inclusive do bem e do mal
(sobre isso, o texto de Isaías 45:6, 7, diz: “Nada há além de MIM; EU, SOMENTE, sou Hashém, e nenhum outro existe. EU formo a luz e crio a escuridão; EU faço a paz e sou EU QUEM cria o mal; EU sou Hashém que tudo faz.”));

· D’us é O MESTRE de todas as criaturas existentes, espirituais e físicas, e ELE PRÓPRIO é A PRÓPRIA VIDA de todas as vidas;

· D’us já existia antes de qualquer coisa, aliás, foi ELE QUEM criou tudo;

· e veja leitor que é afirmado sobre os anjos que “todos eles” (ou seja, sem exceção) são amados, puros e sagrados e que “todos realizam a vontade de” D’us, e que “todos eles” (todos os diferentes tipos de anjos) conjuntamente abençoam, adoram, glorificam, reverenciam, santificam e atribuem soberania a D’us (atribuir soberania, quer dizer, têm D’us como O Seu Único REI), e O louvam dizendo: “Bendita seja a glória de Hashém do SEU lugar”, ou seja, em outras palavras, bendito é D’us da onde ELE está. E onde D’us está? Em tudo (em todos) e em nada. Quer dizer, os próprios anjos cantam que nem sequer eles mesmos sabem o que D’us é. E D’us, “em SUA bondade renova a cada dia, continuamente,” toda a SUA criação, quer dizer, D’us não é apenas O CRIADOR de tudo, mas ELE é O Sustentador, O Mantenedor, de tudo, em outras palavras, D’us não apenas criou tudo lá atrás, ELE está criando todas as coisas constantemente (e isso inclue os próprios anjos (todos os mundos espirituais)).

Por tudo isso fica claro que não existe(m) anjo(s) mau(s), anjo(s) rebelde(s), anjo(s) caído(s). Não existe o diabo (lúcifer). Existe sim no judaísmo e no tanach [lê: tanárr] (a bíblia judaica) o satan, mas como mostra o texto acima, ele é um anjo como outro qualquer, ele não é criador do mal (nem de nada) e ele não é independente de D’us (como anjo algum é).

(E como não existem anjos iníquos, também não existem possessões ou exorcismos (de anjos).)

 

Por Noaismo.info

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Veja também

https://a-fe-original–noaismo.info/2018/10/24/existem-anjos-da-guarda/

 

https://a-fe-original–noaismo.info/2018/10/24/pode-se-vender-a-alma-ao-diabo/

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Bnei Noach

Qual é a prova lógica que há Um Só D’us?

A Fé Original: Noaismo.info

O Site de Bnei Noach do Brasil

 

B”H

 

[O que significa que há Um Só D’us?

E] qual é a prova lógica que há Um Só D’us?

 

Por Rabi Aron Moss (Chabad)

 

Pergunta:

Aceito que algum tipo de “Ser Superior” criou o universo. Mas por que não pode haver muitos desses seres? Existe alguma razão lógica para dizer que há Somente Um D’us?

 

Resposta:

A definição de D’us é: “UMA DIMENSÃO SEM DEFINIÇÃO”. D’us não pode ser definido, porque se eu O defino então eu O limito. E algo limitado não é D’us. Definindo algo, dou limites. Se por exemplo eu defino uma maçã como uma fruta doce redonda que é verde ou vermelha, sei que quando eu encontro uma fruta púrpura comprida ela não pode ser uma maçã. Uma maçã se limita a ser redonda, vermelha ou verde. Essa é a sua definição.

D’us não pode ser definido, porque definindo-O você está dizendo que há algo que ELE não pode ser; mas isso não pode ser verdade, porque D’us é Ilimitado.

É por isso que só pode haver UM D’us. Porque se você não tem uma definição, não há nada fora de você. Não pode haver “outro”.

Um exemplo: dois países vizinhos só podem ser chamados de dois países quando há uma fronteira entre eles. Mas se um país não tem fronteira, se não há um lugar definido onde ele acaba e o outro país começa, como se pode dizer que há dois países? D’us não tem nenhuma fronteira, então, como pode haver mais de um deus? Onde está o fim do primeiro deus e onde o outro começa, se não existe nenhuma linha divisória entre eles?

O ato de criação é o ato de fazer as fronteiras e desenhar as definições: esta é uma maçã e não uma banana, esta é a terra e esse é o mar. A criação tem definições. O CRIADOR não tem uma definição. Isso é o que O faz D’us. E é por isso que só pode haver apenas UM.

 

© Jabad (Chabad.org)

Traduzido do espanhol por Noaismo.info

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A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

A Prova da Existência de D’us, Parte 1

A Fé Original: Noaismo.info

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D’us existe?

Se D’us existe, qual é a prova de Sua Existência?

Por que D’us não SE “mostra” (SE revela) à Humanidade?

E se D’us existe, O QUE é D’us?

 

SIM, D’us existe. E a prova da Existência de D’us é a existência de Seu Povo. A prova da Existência de D’us é o FATO de que “ELE” MESMO criou e escolheu um povo para SI. E SIM, D’us já SE “mostrou” à Humanidade, só não sabe quem não quer.

A próxima Grande Festa Judaica de 2016 é PÊSSACH, de 22 a 30 de abril (14 a 22 de Nissan).

Saiba o que significa PÊSSACH e quais são as respostas às perguntas acima em:

 

· PÊSSACH – A FESTA DA LIBERDADE

 

· Três níveis de percepção do Divino

 

· As Dez Pragas do Egito

 

· O Milagre da Abertura do Mar

 

· MONTE SINAI: O ENCONTRO ENTRE D’US E ISRAEL

 

· A Unicidade de D’us

 

Confira também:

Seis textos especialmente selecionados para as questões

 

E para aprender sobre A Fé e O Caminho Espiritual Originais da humanidade, aqueles dados pelo PRÓPRIO D’us a todos os não-judeus, veja:

Palavras do Rebe a toda a humanidade (a todos os não-judeus do mundo)

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A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

A Prova da Existência de D’us, Parte 3

A Fé Original: Noaismo.info

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B”H

 

A Prova da Existência de D’us, Parte 3

 

Três níveis de percepção do Divino

A Hagadá de Pêssach, recitada durante o Sêder, conta a história de como o povo judeu, que começou como uma família de 70 pessoas, se tornou uma grande nação – o Povo escolhido por D’us para receber SUA Torá.


 

A Hagadá nos conta acerca de eventos que precedem e sucedem o Êxodo – a amarga escravidão sofrida por nossos antepassados, as Dez Pragas que venceram o Faraó, o Êxodo, a divisão do Mar e a outorga da Torá no Monte Sinai, entre outros. Mas, o clímax do processo de constituição dos judeus em uma nação ocorreu não em 15 de Nissan – dia do Êxodo e primeiro dia de Pêssach – mas 50 dias mais tarde, quando D’us SE revelou a todos os Filhos de Israel e lhes deu a Torá – um evento que é comemorado na festa de Shavuót.

As festividades de Pêssach e Shavuót são ligadas de forma indissolúvel. Começando na segunda noite de Pêssach e terminando no dia antes de Shavuót, fazemos a contagem do Ômer – um mandamento de grande significado místico. Durante os 49 dias dessa contagem, somos obrigados a trabalhar sobre nós mesmos e a aumentar nossa espiritualidade para que, em Shavuót, o dia cujo tema é nossa dedicação ao estudo e ao cumprimento da Torá, possamos estar em um nível espiritual mais elevado do que estávamos antes do início de Pêssach. O processo do crescimento espiritual que se inicia em Pêssach culmina, pois, em Shavuót.

A seguir analisaremos três marcos no processo que se iniciou quando Moshé foi enviado por D’us para libertar o Povo Judeu e que culminou com a Revelação Divina no Monte Sinai. Tais marcos são as Dez Pragas que se abateram sobre o Egito, a divisão do Mar de Juncos e o recebimento da Torá.

As Dez Pragas

Quando D’us SE faz ver a Moshé e lhe atribui a missão de voltar ao Egito e libertar o Povo Judeu da escravidão, o profeta responde: “Mas eles não acreditarão em mim, nem ouvirão minha voz, pois dirão: ‘HaVaYaH não apareceu a ti!'” (Êxodo, 4:1). D’us então lhe diz que tome seu cajado e o atire ao chão, e, ao fazê-lo, o cajado se transforma em uma serpente. HaVaYaH ordena que Moshé agarre o rabo da serpente, e ele obedece. A víbora volta a ser o cajado. D’us instrui Moshé a realizar esse milagre diante dos judeus para que “… creiam que HaVaYaH, D’us de teus pais – o D’us de Abrahão, o D’us de Isaac e o D’us de Jacob – apareceu a ti!” (Ibid, 4:5). Mas, caso um sinal não fosse suficiente para fazê-los acreditar, D’us dá a Moshé um segundo milagre, dizendo-lhe que se mesmo realizando os dois o povo não desse atenção a suas palavras: “Tomarás das águas do Nilo e derramarás no seco; e as águas que tomarás do rio tornarse-ão sangue no seco” (Ibid, 4:9).

Essa passagem da Torá deixa claro que D’us, que é Onisciente, sabia que a maneira mais rápida de fazer com que o Povo Judeu acreditasse NELE e em Moshé seria através da realização de milagres. Os judeus – escravizados, desesperados e desesperançados – necessitavam de milagres para acreditar que o D’us de seus antepassados não os tinha renegado. E assim, quando Moshé volta ao Egito, ele e seu irmão Aharon reúnem os anciãos judeus, diante de quem Moshé realiza os milagres, segundo as instruções Divinas. Ao testemunhar os milagres, “o povo acreditou, e compreenderam que HaVaYaH visitara os Filhos de Israel e vira sua aflição, e curvaram-se e se prostraram”. (Ibid, 4:31). Quando Moshé e Aharon, então, invadem o palácio do Faraó e exigem a libertação do Povo Judeu, eles não pedem misericórdia nem ameaçam com algum tipo de rebelião. Em vez disso, realizam milagres, exatamente como haviam feito antes perante os judeus. Pois D’us havia dito a Moshé: “E não vos escutará o Faraó, e porei Minha mão sobre o Egito, e tirarei os Meus exércitos, o Meu povo, os filhos de Israel da terra do Egito, com grandes juízos. E o Egito saberá que EU sou HaVaYaH, ao estender a Minha mão sobre o Egito, e tirarei os Filhos de Israel dentre eles”. (Ibid, 7:4-5). De fato, a confrontação entre o líder egípcio e Aharon e Moshé foi um duelo sobrenatural. Para provar ao Faraó que falavam em Nome de D’us, Aharon atirou o cajado de seu irmão e o transformou em serpente. Mas o Faraó chama seus sábios feiticeiros, que conseguem repetir o feito. O rei egípcio pressupõe que Moshé e Aharon são magos como os seus, e não leva a sério sua alegação de que falam em Nome do Altíssimo. É nesse ponto que o episódio das Dez Pragas se inicia.

A primeira delas transformou o Nilo em sangue. Aharon ergue o cajado e toca o Nilo, tornando suas límpidas águas sangue puro. Mas os feiticeiros egípcios conseguem replicar esse milagre, e o Faraó, assim sendo, imagina que Moshé e Aharon apenas executavam mágicas – prática comum no Egito. Os bruxos egípcios conseguem, pois, replicar a segunda praga, mas não a terceira, e dizem ao Faraó que essa última não era magia, mas “o dedo de D’us”. Mas o Faraó supõe que também a terceira deveria ser algum tipo de bruxaria mais elevada e que, certamente, os dois irmãos deviam ser melhores na magia que seus magos. Somente quando a sexta praga, a sarna, na realidade, bolhas que se transformavam em úlceras, causando grande sofrimento físico, assola o Egito, seus bruxos ficam totalmente desmoralizados. Pois, apesar de serem profundos conhecedores da magia negra, eles não conseguem proteger nem a si próprios. Tornava-se cada vez mais claro aos egípcios que Moshé não era um simples mago e que as pragas eram verdadeiramente obra de D’us.

À medida que as demais pragas trazem cada vez mais destruição e miséria ao Egito, os emissários do Faraó lhe imploram: “Até quando isto será um impedimento para nós? Envia os homens, e que sirvam HaVaYaH, seu D’us! Ainda não notastes que o Egito está perdido?” (Ibid, 10:7). Mas foi preciso que viesse a décima e última praga – a morte dos primogênitos – para finalmente quebrar o Faraó. Ele tinha sido alertado várias vezes por Moshé para que tivesse a chance de se arrepender, salvando a si próprio e a seu povo. Bem verdade que D’us endurecera o coração do Faraó, dificultando o seu arrependimento, sendo isto uma forma de punição por suas más ações – mas a porta do arrependimento nunca esteve totalmente fechada para ele. Mas, apesar das pragas e do sofrimento que se seguiu, o Faraó se recusou a ver a Mão de D’us. Suas racionalizações, seu desprezo pelos demais e sua teimosia levaram à sua trágica queda e à destruição de seu poderoso reino.

No que tange ao Povo Judeu, eles observaram as Dez Pragas dizimarem o Egito enquanto permaneciam a salvo. Claramente, isso não foi obra do acaso. Com cada praga que atingia o Egito, os judeus se convenciam de que o D’us de seus antepassados não os tinha abandonado. Tinha vindo resgatá-los da escravidão e do genocídio, e interferia abertamente em Seu mundo para punir aqueles que vitimavam o Seu povo. Vinha salvá-los com Sua mão poderosa e Seu braço estendido.

A divisão do Mar

No entanto, nem as Dez Pragas foram suficientes para convencer os egípcios de que foi D’us – e não Moshé e Aharon – quem viera libertar os judeus. Apenas alguns dias após permitir que o Povo Judeu deixasse o Egito, o Faraó e a totalidade de seu exército saem à caça dos fugitivos judeus para trazê-los de volta. Apesar do terror das pragas, os egípcios estavam tão confiantes na vitória que, nessa saída militar, adornam seus cavalos com ornamentos em ouro, prata e pedras preciosas.

O Povo Judeu havia deixado o Egito no dia 15 de Nissan. Em torno do dia 20, o Faraó e seu exército tinham-nos alcançado. E os judeus se vêem presos em uma armadilha: tinham atrás de si o Faraó e seus homens, e à sua frente o Mar de Juncos. Apesar de tudo o que tinham presenciado no Egito, ficaram desesperados e gritam a Moshé: “Foi porque não havia sepulcros no Egito que nos trouxeste para morrer no deserto? O que nos fizeste, ao nos tirar do Egito?” (Ibid, 14: 11). Cheios de temor, os judeus dizem a Moshé: “Deixa-nos e serviremos os egípcios. Pois nos é melhor servir os egípcios do que morrer no deserto!” (Ibid, 14: 12).

Moshé ora a D’us e ELE lhe ordena: “Toma teu cajado e estende tua mão sobre o mar e fende-o, e que os Filhos de Israel entrem pelo meio do mar, em seco”. (Ibid, 14: 16). As águas do Mar de Juncos se abrem, permitindo que os judeus atravessem. Os egípcios, que claramente não haviam aprendido a lição com as Dez Pragas, saem no seu encalço. Quando o exército do Faraó está no meio do mar, D’us começa a castigá-los. Em pânico, os egípcios exclamam: “Fugirei diante de Israel, pois HaVaYaH luta por eles contra o Egito!” (Ibid, 14: 25). Mas sua sorte já fora selada. Seguindo instruções Divinas, Moshé estende sua mão sobre o mar e, na manhã do 21° dia de Nissan, sétimo dia de Pêssach – que, na Terra de Israel, é o último dia da festividade – as águas voltam a se unir e engolem todo o exército do Faraó.

A divisão do Mar foi o ponto culminante do Êxodo, pois mesmo depois de os judeus terem fugido do Egito, o exército desse país permaneceu intacto e a ameaça da volta à escravidão ainda existia. No mar, os judeus foram perseguidos por uma força militar extremamente poderosa, que facilmente os teria vencido e capturado. Segundo o Midrash, havia 30 egípcios para cada judeu. Somente quando o mar se dividiu e engoliu o exército egípcio foi que o êxodo judeu realmente se completou. No 15º dia de Nissan – dia em que os judeus deixaram o Egito, primeiro dia de Pêssach – D’us puniu o Egito com a 10ª praga, mas os judeus deixaram o país como escravos em fuga. No 21º dia de Nissan, após a divisão do Mar, como vimos acima, os judeus se tornaram um povo verdadeiramente liberto. Contudo, há uma razão mais profunda para a divisão do mar ser mais importante do que as Dez Pragas. No Egito, os judeus presenciaram ocorrências sobrenaturais, mas quando o Mar de Juncos se abriu ao meio, todos os judeus adquiriram a condição de profetas. Está escrito no Midrash que mesmo o mais simples dos judeus “viu no Mar de Juncos o que não fora visto nem pelo profeta Ezequiel”, cuja visão da Carruagem Divina é a base do estudo da Cabalá. No Mar de Juncos, os Céus se abriram; todos os judeus, mesmo as crianças, tiveram uma visão do mundo infinito. Por essa razão foi naquele momento, e não antes – nem mesmo durante as pragas que se abateram sobre o Egito – que “o povo temeu HaVaYaH, e creram em HaVaYaH e em Moshé, Seu servo” (Ibid, 14:31).

Antes dessa experiência profética, os judeus haviam testemunhado vários milagres e maravilhas. Mas sua fé em D’us e em Seu emissário não era absoluta. Como fizera o Faraó, eles também poderiam ter racionalizado sobre o que ocorrera no Egito. Talvez as Dez Pragas tivessem sido uma coincidência – muito pouco provável, certo, mas ainda assim uma coincidência. Talvez houvesse alguma explicação natural para elas terem caído sobre os egípcios e não sobre os judeus. Talvez o Faraó e seus feiticeiros estivessem certos: Moshé e Aharon eram apenas super-magos que tinham conseguido manipular a natureza para destruir o Egito, enquanto protegiam os judeus.

Resumindo, pura e simplesmente, as Dez Pragas não eram prova suficiente – nem para os judeus, que entraram em pânico diante do mar, nem para os egípcios, que foram atrás deles.

Mas, com a divisão do mar, tais dúvidas se desvaneceram. Os egípcios por fim reconheceram A Verdade – infelizmente, quando já era tarde. Para os judeus, não se tratou de mais outro milagre, mas do ponto de partida para o objetivo supremo do Êxodo – o recebimento da Torá – que somente poderia ter ocorrido depois dos Filhos de Israel vivenciarem as revelações espirituais da divisão do mar. No sétimo e último dia de Pêssach todos os judeus se tornaram profetas. D’us SE tornou uma realidade tão palpável que, na Canção do Mar, entoada pelo Povo Judeu em louvor a D’us por sua salvação, as crianças proclamaram: “ESTE é meu D’us!”, indicando claramente perceber a Presença Divina.

A experiência profética que ocorreu no Mar de Juncos preparou os judeus para a Revelação Divina que iria ocorrer no Monte Sinai, apenas 50 dias após o Êxodo.

A Revelação Divina no Sinai

Se o povo vivenciou a visão de D’us durante a divisão do Mar, que necessidade haveria da ocorrência da Revelação Divina no Monte Sinai?

São muitas as respostas, mas talvez a principal seja que é extraordinariamente difícil negar um evento testemunhado por milhões de pessoas. Um único indivíduo pode fabricar ou imaginar uma história, e as pessoas podem optar por acreditar ou não em suas palavras. Mas é muito difícil convencer terceiros da veracidade de um evento envolvendo milhões de pessoas se tal evento não ocorreu.

Se não tivesse ocorrido a Revelação Divina no Sinai, seria possível questionar a origem Divina do judaísmo. Poder-se-ia alegar que Moshé foi um grande líder carismático, um mago; mas jamais um verdadeiro profeta de D’us. Poder-se-ia mesmo acusá-lo de ser um impostor ou simplesmente desacreditá-lo, rotulando-o de um esquizofrênico que, no entanto, acreditava ter ouvido o chamado da Voz de D’us. Mas, quando até o mais simples dos judeus se tornou um profeta à beira do Mar de Juncos e, em especial, quando todos eles – (três) milhões de pessoas – ouviram a Palavra de D’us aos pés do Monte Sinai, não mais havia lugar para dúvidas sobre a origem da Torá. Isto explica por que até mesmo os maiores oponentes de Moshé, como seu primo Côrach, não puderam negar ser ele um verdadeiro profeta de D’us. Durante sua longa jornada de 40 anos pelo deserto, muitos judeus falsamente acusaram Moshé de crimes terríveis – nepotismo, roubo, até mesmo de adultério – mas eles nunca ousaram sugerir que ele fosse impostor, charlatão ou alucinado. Pois que eles, afinal, tinham presenciado a Revelação de D’us e quando ELE PRÓPRIO chamou Moshé para ascender ao Monte Sinai para receber a Torá. D’us SE assegurou de que seria impossível alegar que SUA Torá era um relato de ficção. E é por essa razão que mesmo os maiores inimigos do Povo Judeu, mesmo aqueles que quiseram converter todos os judeus, nunca negaram a verdade histórica do judaísmo. (Veja

https://a-fe-original–noaismo.info/2016/09/05/nao-sao-similares-as-historias-de-moises-e-mohammad/   . )

Uma segunda razão para a Revelação Divina no Monte Sinai é que D’us transmitiu ao Povo Judeu os meios de se conectarem a ELE – e isto é feito através da Torá. Se ELE jamais SE tivesse revelado, as pessoas alegariam que a Torá era criação de Moshé. No Monte Sinai, D’us fez o Povo Judeu jurar que iria preservar a Torá: assim sendo, SUA Lei não poderia ser descartada com um código de leis criado pelo homem.

Através da Torá, D’us nos permitiu conectarmo-nos com ELE. Um homem pode considerar-se sábio e espiritualizado. Mas, pelo fato de ser finito, não pode compreender os Desígnios de D’us. O homem requer que D’us lhe aponte o que fazer. No Monte Sinai, D’us nos jogou uma corda que nos permite manter uma conexão com ELE. Quando estudamos a SUA Torá, absorvemos uma centelha de SUA Sabedoria Infinita. Quando realizamos SEUS mandamentos, tornamo-nos instrumentos no cumprimento de SUA Vontade na Terra. E quando estendemos a mão para ajudar os outros, tornamo-nos agentes da bondade e plenitude Divinas no mundo.

Cinquenta dias após deixarem o Egito, os judeus ouviram a Voz de D’us que lhes falava. O MESTRE do Universo proclamou os Dez Mandamentos que são o núcleo dos 613 Mandamentos da Torá. Quem lê a Torá em hebraico sabe que os Dez Mandamentos foram dirigidos na 2ª pessoa do singular. No Monte Sinai, D’us não SE dirigiu ao Povo Judeu como um todo. ELE falou pessoalmente a cada um de nós, pois a alma de cada um de nós esteve presente no Monte Sinai quando D’us SE revelou aos Filhos de Israel. E cada vez que abrimos a Torá, cada vez que a estudamos e praticamos o que nos ensina, estamos revivendo aquele dia tão monumental na história da humanidade.

A percepção do Divino

A Torá é eterna e é uma lição para todo judeu. Com efeito, a raiz da palavra Torá é Hora’á, que literalmente significa “instrução”. Cada vez que estudamos um trecho da Torá, devemos tirar uma lição do mesmo. Quais são, portanto, as lições transmitidas por nosso estudo dos três marcos que vimos acima: as Dez Pragas, a divisão do mar, e a Revelação Divina no Sinai? Estes marcos representam três estágios na percepção que a pessoa tem de sua relação com D’us. O primeiro ocorre quando se vivencia um milagre – um evento muitíssimo improvável: uma cura milagrosa, um socorro financeiro quando mais se necessita, a salvação em momento de extrema dificuldade, uma coincidência extraordinária ou qualquer evento que nos leve a crer que o mundo não funciona por si só. Os milagres servem para nos lembrar que há “Alguém” que rege os acontecimentos e que nos guarda. A isso o judaísmo chama de Divina Providência.

Mas os milagres são apenas o primeiro estágio de conscientização sobre o Divino, pois dificilmente causam uma impressão duradoura. A pessoa pode ficar grata e se sentir inspirada por um milagre, e isto pode fazê-la reconhecer o envolvimento de D’us em sua vida, mas, mais cedo ou mais tarde, poderá vir a acreditar que o milagre foi apenas uma grande coincidência. Os egípcios testemunharam eventos sobrenaturais – as Dez Pragas – mas os racionalizaram como coincidências infelizes ou mágicas usadas para manipular a natureza. No que tange aos judeus, apesar dos milagres que presenciaram, foi somente no Mar de Juncos que eles finalmente “creram em HaVaYaH e em Moshé, SEU servo”.

O segundo estágio da ligação com D’us é simbolizado pelo episódio no Mar de Juncos. Como está escrito no Talmud, nós, judeus, talvez não sejamos todos profetas, mas descendemos dos profetas. Todos nós, em maior ou menor grau, possuímos um pequeno dom para a profecia. Todos tivemos experiências espirituais. Para alguns, pode ser algo simples como receber uma mensagem em um sonho que se torna realidade; para outros, pode ser um sexto sentido aguçado; e para poucos judeus privilegiados, pode ser algo tão dramático como ver almas ou vivenciar uma experiência de quase-morte, em que a pessoa tem uma visão do mundo futuro. Uma experiência genuinamente espiritual causa uma impressão bem mais acentuada do que um milagre, pelo fato de ser muito mais difícil de atribuí-la a uma coincidência. Um milagre é uma improbabilidade estatística, mas uma percepção do mundo espiritual é algo vivenciado. É um evento que transforma a vida de quem a percebe.

Contudo, podemos perguntar-nos: como podemos saber se uma experiência espiritual não é produto da imaginação ou de um alucinógeno? Como diferenciar um profeta de um esquizofrênico? No antigo Israel, quem alegava ter recebido uma mensagem profética era rigorosamente examinado por verdadeiros profetas e sábios para verificar de quem se tratava – profeta ou louco. Uma experiência espiritual tem valor quando serve de ponto de partida para se chegar a um nível mais alto de conscientização do Divino, o que é alcançado através do estudo e da prática de SUA Sabedoria e Vontade.

O fato de uma pessoa realizar milagres não significa nada; afinal, os feiticeiros idólatras egípcios eram magos de grande alcance. E mesmo as vivências espirituais genuínas, por mais fascinantes que sejam, não conseguem mudar o mundo. A pessoa pode meditar e mesmo levitar dias inteiros, mas, com isso, não fará deste um mundo mais Divino. Por outro lado, aquele que se dedica a estudar a Sabedoria Divina e a verdadeiramente cumprir a Vontade Divina, praticando atos de santidade e bondade, faz muito mais do que meramente tocar os Céus: essa pessoa traz os Céus para a Terra. O homem pode ser um milagreiro, profeta ou sábio – pode estar na mais alta das montanhas e compreender tudo o que pode ser compreendido – contudo, ele nada mais é do que um ser humano finito, com os pés no chão. Acima dele está um D’us Infinito, que é desconhecido, impalpável e que não pode ser compreendido. Como pode, então, o homem finito, por maior que seja, alcançar O INFINITO? Sua própria libertação e a única libertação do mundo inteiro se dão quando O Altíssimo chega aqui embaixo e lhe diz, e diz a todos nós: “Estudem isto. Façam aquilo. E através de seu estudo de Minha Sabedoria e seu cumprimento de Minha Vontade vocês estão ligados a MIM”. Quando isto acontece, o homem e D’us se unem a um tal ponto em que não mais existem o finito na Terra e O INFINITO nos Céus. E passa a existir apenas UM.

 

 

Para A Prova da Existência de D’us, Parte 4, veja

· As Dez Pragas do Egito

Padrão
A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo

A Prova da Existência de D’us, Parte 4

A Fé Original: Noaismo.info

O Site de Bnei Noach do Brasil

 

B”H

 

A Prova da Existência de D’us, Parte 4

 

As Dez Pragas do Egito

Dez calamidades castigaram o Egito antes da saída dos filhos de Israel desta terra. Através delas, D’us demonstrou a toda humanidade o seu infinito poder.


 

O episódio das Dez Pragas, chamadas em hebraico de Makot Mitzrayim, literalmente Pragas do Egito, relatado e elucidado na Hagadá de Pêssach, consta no Livro do Êxodo. Numa primeira leitura, a aparente razão para tais calamidades foi a obstinada recusa do Faraó em obedecer a ordem de HaVaYaH de libertar Israel. No entanto, se este fosse o único propósito, um único golpe devastador teria sido suficiente. Por que, então, D’us optou por dez calamidades? Porque, através das Dez Pragas, HaVaYaH demonstrou não apenas ser O CRIADOR do Universo, mas SENHOR Único e Absoluto dos Céus e da Terra, JUIZ Supremo e FORÇA Regente da Natureza. No Egito, a contundente revelação da Onipotência Divina fez com que mesmo os mais incrédulos entre os Filhos de Israel fossem obrigados a reconhecer o ilimitado Poder Divino. O principal objetivo das múltiplas pragas foi, portanto, demonstrar a Israel que O D’us de seus ancestrais, D’us de Avraham, Yitzhak e Yaacov, é D’us Único, SENHOR sobre a natureza e sobre as outras nações, e que não há outro além DELE.

As pragas serviram também como o grande castigo pela escravidão, tortura e campanha de genocídio perpetrada pelos egípcios contra o Povo Judeu. Mas a Torá não é um simples compêndio de história judaica e o judaísmo não permite celebrar o sofrimento alheio, ainda que seja o dos inimigos de Israel. As Dez Pragas são relatadas na Torá e na Hagadá não como celebração da Justiça Divina, mas como fonte de lições espirituais.

A Criação e as Dez Pragas

O primeiro dos Dez Mandamentos afirma: “EU sou HaVaYaH, teu D’us, que te tirou do Egito da casa da escravidão”, e não, “Eu sou HaVaYaH, teu D’us, que criou o universo”. Explicam nossos Sábios que, através deste primeiro mandamento, D’us alerta os homens de que ELE não é apenas O CRIADOR, mas está presente e profundamente envolvido em cada detalhe da vida de cada uma de suas criaturas.

O conceito de CRIADOR do Universo é extremamente abstrato e a Criação é um dos grandes segredos do universo. O pouco que se sabe a respeito faz parte da Cabalá e vem sendo transmitido, de geração em geração, para uns poucos escolhidos entre os líderes espirituais do Povo Judeu. Em geral, o assunto é inacessível, mesmo aos mais eruditos. Já o episódio das Dez Pragas pode e deve ser aprendido por todos, inclusive as crianças. A razão é que, ainda mais do que a Criação, as Dez Pragas demonstram a Onipotência Divina em SUAS diferentes manifestações.

E, se durante a Criação, somente O PRÓPRIO CRIADOR estava presente, quando dos acontecimentos no Egito, milhões de judeus e egípcios testemunharam e vivenciaram os milagres realizados por D’us. E para os mais céticos que não aceitam a Torá como a Palavra de D’us, há documentos egípcios e evidências históricas e arqueológicas que atestam as terríveis catástrofes que se abateram sobre o Egito, na época em que ocorreu o Êxodo.

No decorrer das Dez Pragas, HaVaYaH revelou SEU controle absoluto sobre a natureza. Utilizando-SE de pragas naturais, manifestas, no entanto, de forma sobrenatural, demonstrou, que está simultaneamente na natureza e acima desta, pois ELE não é limitado por qualquer elemento de SUA criação. E, não foi simples coincidência o fato de ter optado por castigar o Egito com pragas relacionadas à natureza, pois, para os egípcios, o rio Nilo, os animais e o próprio Faraó eram considerados divindades. HaVaYaH quis demonstrar que nenhuma suposta divindade poderia deter SUA vontade, pois que cada elemento da natureza era SEU servo. D’us queria tirar dos judeus qualquer vestígio de paganismo porventura assimilado em sua longa permanência naquela terra. Além do mais, no Egito, idolatrava-se a matéria – a abundância e a fartura – e, ao transformar o Nilo em sangue, ao destruir as colheitas e os bens egípcios, D’us provou que a Terra inteira LHE pertence e que tudo que o homem possui advém DAQUELE que a tudo criou.

Os castigos que se abateram sobre todo o Egito não atingiram os judeus que lá viviam ou a terra de Goshem onde habitavam. Ao fazer esta distinção entre o opressor e o oprimido, manifestou-se no mundo terreno a Justiça Divina. Foi revelado ao homem que todos seus atos têm consequências, sejam bons ou ruins. As pragas revelaram, também, o poder e eficácia da oração e da ligação com D’us, pois foram as orações de Moshé que puseram fim a cada uma das pestilências.

Por que dez?

As Dez Pragas castigaram o Egito durante praticamente um ano, iniciando-se no fim do mês de Iyar e terminando apenas no dia 15 de Nissan. As primeiras sete pragas constam no Livro do Êxodo, na porção Va’eirá (7:19-9:35), e as últimas três na porção Bô (10:1-12:33).

A sequência de eventos que antecedem as pragas tem início quando o Faraó se recusa a obedecer à ordem Divina transmitida por Moshé e Aharon: “Envia MEU povo para que festejem para MIM no deserto” (5:2). O rei do Egito responde com insolência: “Quem é HaVaYaH para que eu escute SUA voz e deixe partir o Povo de Israel? Não conheço HaVaYaH e também não despacharei Israel” (5:2). E, num gesto desafiador, decide afligir ainda mais os Filhos de Israel. Ordena a seu povo que não mais entreguem aos judeus a palha necessária para a confecção dos tijolos; a partir de então lhes caberia o esforço adicional de buscar a matéria-prima para cumprir suas cotas diárias. O não-cumprimento era punido com tortura física. Seu sofrimento tornara-se ainda mais insuportável e, ao ser questionado por Moshé, D’us responde: “Agora verás o que farei ao Faraó”. Nosso profeta e toda a humanidade iriam testemunhar como  HaVaYaH redimiria o SEU povo.

A pergunta, porém, permanece: Por que, ao invés de atingir os egípcios com um único golpe, D’us optou por um processo gradual e crescente? Por que foram necessárias Dez Pragas? Segundo nossos Sábios, são inúmeros os motivos. O Midrash revela que cada praga foi consequência direta de uma ação específica e equivalente mau-trato, tortura ou crueldade perpetrados pelos egípcios contra os Filhos de Israel. A Justiça Divina determinara que os egípcios deveriam ser punidos “medida por medida” pelas crueldades cometidas contra SEU Povo. Além do mais, a sucessão de pragas e os avisos que as precederam eram necessários para dar ao Faraó a oportunidade e o tempo de reconsiderar suas ações, arrependendo-se da crueldade perpetrada contra os judeus. Somente após o rei do Egito ter “endurecido seu coração” e, repetidamente, se recusado a libertar o povo judeu, as portas do arrependimento finalmente se fecharam. O Rav Maimônides explica que, às vezes, o castigo que D’us impõe a quem cometeu um grave pecado é privá-lo da possibilidade de se arrepender. Este é o significado da expressão usada na Torá, “endurecerei o coração do Faraó”.

As Dez Pragas formam um sistema coerente, de intensidade crescente. A cada recusa do Faraó em atender a ordem Divina de deixar Israel partir, uma nova calamidade se abate sobre o Egito. As primeiras nove são divididas em três séries, de três pragas cada, que se sucedem de acordo com um plano. Cada série aumenta em progressão em direção a um clímax, sendo que a última serve de prelúdio para a décima praga – a Morte dos Primogênitos. Em cada série D’us manifesta SEU poder, mudando o curso das leis da natureza em uma das três esferas da Criação – a terra, a atmosfera e os céus.

Segundo Rabi D. Isaac Abravanel, um dos objetivos das pragas era convencer o Faraó, seu povo e, consequentemente, toda a humanidade de três verdades fundamentais sobre D’us: SUA Existência, SUA Divina Providência – ou seja, que a Mão de D’us está presente em tudo o que acontece na vida dos homens e das nações – e SUA Onipotência. Por isto, a primeira praga de cada grupo é precedida por uma declaração que caracteriza um desses princípios.

A primeira série: sangue, rãs e piolhos

“Assim falou D’us: ‘Nisto saberás que sou HaVaYaH'” (7:17). A afirmação indica que o objetivo da primeira série é estabelecer a inegável existência de um D’us Único, CRIADOR Absoluto e SENHOR do Universo.

A primeira praga atinge o Nilo – considerado pelos egípcios uma divindade. Rashí, o comentarista clássico da Torá, explica que, como havia escassez de chuvas no Egito, a principal fonte de água era este rio que, ao extravasar, irrigava a terra. Por isso os egípcios o consideravam a divindade responsável pelo seu sustento. Quando, seguindo a ordem Divina, Aharon golpeia o Nilo com seu cajado, não só suas águas, mas as de todo o Egito, transformam-se em sangue. A primeira praga veio para demonstrar aos egípcios que sua “divindade, o rio”, não era capaz de deter a Vontade dO CRIADOR. O Midrash explica que, para os judeus, a transformação das águas do Nilo em sangue foi muito significativa, pois compreenderam que D’us estava punindo os egípcios por terem jogado nas águas daquele rio o sangue de seus filhos.

Pela segunda vez o Faraó se recusa a libertar Israel. D’us, então, ordena a Aharon que estenda novamente a mão sobre o Nilo. Rãs, cujo coaxar enchia os ares, emergem do rio e se multiplicam incessantemente, invadindo as casas egípcias. A segunda praga era a prova de que não só o Nilo não conseguira deter a Vontade dO CRIADOR, mas que, ao produzir as rãs, o próprio rio estava a SEU serviço.

Uma terceira praga castiga o Egito, após nova recusa do Faraó em se dobrar perante D’us. Após Aharon ter golpeado o pó com o cajado, seguindo a ordem Divina, a terra de todo o Egito se transforma em piolhos e pequenos insetos, que picam mortalmente os egípcios e seus animais. Foi no decorrer desta terceira praga que os feiticeiros egípcios alertam seu rei que Moshé e Aharon não eram magos nem tampouco eram “as ocorrências” fruto de algum tipo de feitiçaria. Eram enviados de D’us. Segundo o Midrash, foi no final dessa praga que os judeus pararam de trabalhar para os egípcios.

Esta primeira série de pragas foi lançada por Aharon e não por Moshé, porque este tinha um débito de gratidão com as águas do Nilo e com a terra do Egito. Quando Moshé nasceu, sua mãe, para salvá-lo do édito infanticida egípcio, colocou-o numa cesta sobre o rio e as águas o mantiveram vivo, conduzindo-o até Batiá, filha do Faraó, que o resgatou. A terra também o ajudou, pois encobriu o corpo de um algoz egípcio, que Moshé matara para salvar a vida de um judeu. D’us, portanto, incumbiu Aharon de lançar as primeiras três pragas, porque, como ELE PRÓPRIO afirma, “as águas que cuidaram de ti quando foste lançado ao Nilo…e a terra que veio em teu auxílio quando mataste o egípcio…não é justo que por ti sejam amaldiçoadas”.

A segunda série: animais selvagens, peste e sarna

Iniciando o segundo grupo, a quarta praga é precedida pela declaração Divina: “Para que saibas que sou HaVaYaH no meio da terra” (8:18). Por todo o Egito, bandos de animais selvagens, cobras e escorpiões atacam os egípcios, mesmo dentro de seus lares, e destroem tudo que encontram pelo caminho. Mas, como D’us afirmara, “Separarei nesse dia a terra de Goshem”, nenhum destes animais adentrou na terra onde habitavam os judeus. Segundo Rashí, numa clara demonstração de SEU Poder, mesmo os judeus que estavam em outros lugares não foram atacados.

A quinta praga é uma peste fatal que mata os animais domésticos dos egípcios que pastavam nos campos, inclusive os carneiros, que eram considerados um de seus deuses. No entanto, nenhum animal de qualquer judeu foi atingido. Segundo Rabi Alkabetz, a partir daquele momento o sofrimento egípcio se tornou tão intenso, que até o Faraó já estava disposto a ceder. D’us, no entanto, endureceu-lhe o coração, pois queria que os Filhos de Israel vissem a totalidade e abrangência de SUA Força e aprendessem a NELE ter fé.

A sexta praga que atinge os egípcios e seus animais, geralmente chamada de sarna, era na realidade, bolhas que se transformavam em úlceras, causando grande sofrimento físico. Mesmo os feiticeiros egípcios foram atingidos pela doença.

Esta segunda série de pragas foi uma clara demonstração de que a Providência Divina, a Mão de D’us, está presente em tudo o que acontece. O fato de nenhum judeu ter sido atingido era mais uma prova de que D’us controla tudo que ocorre no mundo, inclusive o comportamento dos animais e as aflições físicas.

O terceiro grupo: granizo, gafanhotos e escuridão

O objetivo desta última série de pragas, anunciado pela declaração “Para que saibas que não há ninguém como EU, em toda a Terra” (9:14), foi demonstrar o infinito poder de D’us. Um outro propósito para a ação Divina é revelado por Moshé, quando informa ao Faraó que, apesar de merecer morrer, sua vida fora poupada para que ele reconhecesse a grandeza de D’us Único e Verdadeiro. “Para que MEU NOME seja anunciado em toda a terra” (9:16), afirma D’us. E para que fosse transmitido, de geração em geração, o relato do que estava ocorrendo no Egito, ou seja, a manifestação explícita de SUA Vontade.

Na sétima, uma violenta tempestade de granizo assola o país. O mundo nunca vira algo igual. Muito menos o Egito, onde, devido à escassez de chuva, este fenômeno meteorológico era desconhecido. Havia um aspecto sobrenatural nesta praga: o granizo vinha acompanhado de fogo. Dois elementos opostos – o fogo e a água – conciliados a fim de mostrar a Onipotência Divina. Antes da sétima praga, D’us alertou os egípcios para procurarem abrigo durante a chuva de granizo, pois, nenhum ser vivo e nenhum vegetal escapariam incólumes. E os que acreditaram nas palavras de Moshé procuraram abrigo, tanto para si como para seu gado.

Na oitava praga, um vento do leste trouxe em seu bojo nuvens de gafanhotos, que escureceram os céus. Os insetos devoraram cada folha verde que, porventura, sobrevivera ao granizo e às pragas anteriores. Invadiram os lares e os campos egípcios e trouxeram ruína total ao país, já praticamente destruído pelas catástrofes anteriores. Pela primeira vez, o Faraó reconhece seus erros, mas ainda permaneceu firme na determinação de não deixar partirem os judeus.

Quando a nona praga se abateu sobre o Egito, uma “escuridão tangível”, impenetrável, tão densa que apagava qualquer luz, envolveu o país por seis dias. Mais uma vez, um fenômeno natural – a escuridão – se manifestou de forma sobrenatural, pois enquanto nos lares egípcios não era possível acender uma luz, nos lares judaicos, havia luz abundante. Os egípcios, tomados de pavor, permaneceram imóveis onde se encontravam. Ao descrever a praga, a Torá menciona “escuridão e trevas”: escuridão no sentido físico e trevas no sentido espiritual. A Torá nos ensina que esta praga refletia o egoísmo prevalente no Egito: “Não via nenhum homem a seu irmão”, pois cada egípcio via somente a si próprio; assim aconteceu durante a praga da escuridão, ninguém se mexeu para socorrer o outro, pois a ajuda mútua não fazia parte de sua visão de mundo.

A décima praga: a morte dos primogênitos egípcios

A décima e última praga é amplamente anunciada por Moshé, que alerta o Faraó que, por volta da meia-noite, D’us, ELE PRÓPRIO, passaria sobre o Egito e golpearia todos os primogênitos – filhos de homens ou de animais.

Era o clímax de todas as anteriores. Seu aspecto de punição é imensamente mais severo do que o das outras, cujo principal objetivo era incutir nos egípcios a fé em D’us. Durante esta praga, D’us, JUIZ Supremo, executou o castigo, “medida por medida”, pelo decreto de extermínio que o Egito lançara contra o Povo Judeu. O Faraó, que emitira a ordem de que todo menino judeu fosse afogado no Nilo, e os egípcios, que a haviam executado, presenciaram a morte de seus primogênitos na noite que antecedeu o Êxodo. À meia-noite, todos os primogênitos egípcios faleceram a um só tempo. (As únicas exceções foram o Faraó, ele próprio um primogênito, e sua filha Batiá, sua primogênita, que salvou Moshé do édito infanticida de seu próprio pai.

Veja

https://a-fe-original–noaismo.info/2018/03/01/os-nomes-de-moises-batia/  .) D’us poupou-lhe a vida porque, às margens do Mar de Juncos, no episódio da abertura do mar, ele ainda iria testemunhar, uma vez mais, o ilimitado poder de D’us. (Em A Prova da Existência de D’us, Parte 5. Link abaixo.)

Naquela fatídica noite nenhum judeu faleceu; D’us postergou até mesmo a morte dos que haviam terminado seu tempo na Terra. Demonstrava assim, mais uma vez, a clara distinção entre os oprimidos e os opressores. Naquela noite, os Filhos de Israel vivenciaram uma nova dimensão da Justiça Divina e tiveram a certeza que D’us MISERICORDIOSO os libertara da escravidão.

Uma dimensão mística das Dez Pragas

A Cabalá revela que a alma humana é composta de dez pontos de energia – dez características – que correspondem aos dez fluxos de Energia Divina, denominados de Sefirot, na Cabalá. Ao ser humano foi dado o livre arbítrio, a opção de utilizar estas características tanto para o bem quanto para o mal.

O antigo Egito – sociedade baseada na idolatria, imoralidade e total falta de respeito pela vida e dignidade humana – representa a corrupção de cada uma das Dez Sefirot. Por este motivo, foram dez as pragas que atingiram o país. As calamidades foram fruto inevitável da crueldade egípcia, consequências espirituais que se manifestaram fisicamente. Por outro lado, ensina a Cabalá, os Dez Mandamentos, outorgados 50 dias após o Êxodo do Egito, no Monte Sinai, são o “antídoto” das Dez Pragas. Pois se as Pragas refletiram a perversão dos dez atributos da alma humana, os Dez Mandamentos refletem sua retificação espiritual.

O relato das Dez Pragas é fonte de inúmeras lições espirituais. A principal é que a corrupção espiritual, a maldade e a injustiça criam entidades espirituais negativas que acabam voltando-se contra seu próprio criador. Em contraponto, os Dez Mandamentos nos revelam que a ligação com D’us, a bondade e a justiça são o caminho para que a alma humana se manifeste em toda a sua harmonia e esplendor, canalizando bênçãos naturais e sobrenaturais para este nosso mundo físico.

 

Bibliografia

· Hagadá de Pêssach, com comentários do Talmud e literatura rabínica, Fundação J. Safra, 2007

· The Call of the Torah – Shemot, Rabbi Elie Munk, Artscroll Mesorah Series.

· The Sepharadic Heritage Haggadah, The Sutton Edition, Rabinos Elie Mansur, David Sutton e Hillel Yarmove, Art Scroll Sepharadic Mesorah Series, 2006

 

 

 

Para A Prova da Existência de D’us, Parte 5, veja

· O Milagre da Abertura do Mar

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