Você não precisa se converter para nem uma religião para ir para o Céu

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(Projeto Noaismo Info),
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Você não precisa se converter para nem uma religião para ir para o Céu

 

Por Rav Itzhak Pollack

 

Todas as religiões lhe vendem um pedaço do céu se você se afilia a elas. No judaísmo, contrário à crença popular de ter de pertencer a alguma religião (principalmente cristã) para ir para o céu, não é preciso ser judeu para ir para o céu. Alguém que não é judeu pode se aperfeiçoar espiritualmente e pode, inclusive, assegurar um lugar no Mundo Por Vir e não precisa se converter para isto.

A obrigação de cumprir as mitsvót (os Mandamentos entregues por D’US para Moisés no Monte Sinai) da Torá é apenas para os judeus. No entanto, a mesma Torá ordena Sete Mandamentos que são temas gerais para os não-judeus, subdividindo-se estas sete leis em 70 decretos, e Rabi Maimônides afirma: “Qualquer nao-judeu que cumpra os sete mandamentos para servir D’US pertence aos justos entre as nações do mundo e têm sua porção no Mundo Por Vir.”

Os Sete Mandamentos Universais da Torá são:

1. Crer apenas em Hashém
2. Não maldizer O SEU NOME
3. Não assassinar
4. Não roubar
5. Não cometer atos sexuais ilícitos
6. Não comer carne (ou qualquer parte) de animal que está vivo
7. Estabelecer tribunais de justiça

[Para ver onde na bíblia (Torá) se encontram estas Leis Divinas para todos os povos do mundo, veja:

Curso Bnei Noach parte 8

E para ver dentre as Sete Leis Noaíticas quais são as maiores e quais as menores, veja:

Leis Noaíticas da menor à maior

.]

 

[Nota do Projeto Noaísmo Info:
Ainda assim, ao se deparar pela primeira vez com os Sete Mandamentos Universais da Torá, muitos questionam…]
“E o shabát? O shabat não foi dado desde o começo para a humanidade, para todos? Como não observá-lo?”

O Rav Itzhak Pollack prossegue explicando:
“Onde se diz isso (que o shabat foi dado desde o começo para toda a humanidade)? A ordem de observar o shabat se dá só depois de Yaacov, para os filhos de Yaacov. O que havia antes era um dia de repouso, mas nada que ver com as mitsvót dadas aos judeus para observarem shabat.
Shabat é uma mitsvá direta para o povo judeu. Mas o fato de torná-lo um dia especial para os demais povos não o fazem incorrer em uma transgressão. O que caracteriza transgressão é celebrá-lo como judeus.”

[De toda forma, alguns ainda podem indagar:]
“Desde o começo do mundo o sétimo dia foi santificado. Então, o sétimo dia já não era sagrado antes da nação de Israel existir?”

Sobre isto, quem responderá agora é o Rabi Dr. Michael Schulman, diretor da organização internacional Ask Noah (Ask Noah International), organização esta que, graças a D’US, reconhece o Projeto Noaismo Info:
“O 7º dia não foi desde o início denominado “santo” por D’US. Isso não aconteceu até ELE tê-lo dito pela primeira vez, a qual foi para os israelitas, um mês depois que ELE os tirou do Egito. Naquele momento, D’US ordenou uma “santidade” (a palavra em hebraico significa literalmente “separação”) para o 7º dia apenas para eles, através de Moisés, no versículo de Êxodo 16:23. D’US disse (as palavras de Gênesis 2:3) em conexão com a primeira sexta-feira na qual os israelitas estavam colhendo o maná que D’US enviou do céu para eles comerem. Em outras palavras, a primeira vez que D’US fez esta declaração (de Gênesis 2:3) foi para os israelitas um mês e poucos dias depois que ELE os tirou do Egito. Este versículo significa: “D’US abençoou o sétimo dia” enviando uma porção dobrada de maná na sexta-feira para que os judeus pudessem comer a outra metade (desta porção dobrada) de maná no sábado, quando ele não caía (embora em todos os outros dias qualquer maná que sobrasse apodrecesse), e “ELE o declarou ‘santo’ (ou seja, separado)” retendo o maná no sábado para que os judeus não saíssem dos limites de seu acampamento para colhê-lo. (Veja Rashi.)”

[E, contudo, alguns ainda afirmam categoricamente:]
“Isaías cap. 56. Todos podem e devem cumprir o Shabat.”
[Ou:] “(O Shabat) Deve ser cumprido não apenas pelos filhos de Israel mas também pelos filhos dos estrangeiros. Isaías 56:6 é uma referência a todos os gentios.”

Agora, a questão é, como podem afirmar que o texto que fala dos (filhos dos) estrangeiros que se agregaram à (nação judaica de) Hashém, ou seja, se converteram ao judaísmo, refere-se a todos os gentios do mundo que permanecem gentios? Lugar algum de Isaías 56 trata de gentios que são gentios, que não se converteram ao judaísmo, cumprirem Shabat. Como também o explica o Rabi Dr. Michael Schulman, da Ask Noah International:
“O texto hebraico literal não diz simplesmente “estrangeiro” (“nechar”), diz “ben-hanechar”: o filho do estrangeiro, que vem a se juntar ao ETERNO, ou seja, a pessoa (não-judia) que se converte para se tornar judeu, na Aliança judaica com O ETERNO. Refere-se a alguém que era originalmente gentio e que então se converteu (ao judaísmo) para se tornar judeu.”
O comentarista Ibn Ezra explica:
“O filho do estrangeiro: os verdadeiros (autênticos) conversos.”

Portanto, como conclue o nosso prezado Rabino do Projeto, o Rav Shimshon Bisker, de Israel, o Rabino Orientador do Projeto Noaísmo Info (autor de mais de 40 livros):
“O ben-Noach (noaíta/não-judeu que assume sobre si a observância dos Sete Mandamentos Universais da Torá para servir D’US) não é obrigado a observar o shabat.
Fazer a vontade de Hashém (D’US) é o principal (inclusive quando o nosso desejo e os nossos sentimentos são diferentes).
Tudo o que não é propício de fazer não tem recipiente de suportar, portanto, gera danos.
Não se deve estimular um ben-Noach a cumprir shabat, inclusive parcialmente [nota do Proj.: seja “lembrando-o” mas não “guardando-o”, seja abstendo-se das melachot mas quebrando pelo menos uma].”

 

Por Rav Itzhak Pollack (e Rabi Dr. Michael Schulman e Rav Shimshon Bisker)
Traduzido do espanhol (e do inglês) por Projeto Noaísmo Info: © Projeto Noaismo Info

© Rav Itzhak Pollack
© Rabi Dr. Michael Schulman (asknoah.org)
© Rav Shimshon Bisker
© Projeto Noaismo Info

 

Quer aprender mais sobre o judaísmo, ou sobre os Mandamentos Universais da Torá (ou sobre Bnei Noach — ou o movimento Bnei Noach da Torá), ou sobre Hashém, ou sobre a conversão ao judaísmo (que, como explicado nesta matéria, não é obrigatória), ou sobre o shabát ou outras práticas judaicas? Acesse a nossa livraria virtual, a Livraria virtual Projeto Noaismo Info (ou entre em contato conosco):

Curso Bnei Noach parte 30 – ESPECIAL: LIVRARIA virtual Projeto Noaismo Info

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Como alguém conecta-se a D’US?

APRESENTA

 

Como conectar-se a D’US

 

Mitsvá vem da palavra hebraica que significa Conexão.
Cada ação ou relação é uma oportunidade para uma Mitsvá, uma oportunidade para nos conectarmos com nós mesmos, com os outros, com a Criação e com O INFINITO CRIADOR. O oposto também é verdade.
O sistema inerente de livre escolha abre a possibilidade de Averá. Embora esta palavra seja comumente traduzida como “transgressão” ou “pecado”, a raiz da palavra em hebraico é Avar, que significa “outro lado”, sugerindo a ideia de separação.
Assim como uma Mitsvá é uma conexão (ligação, vínculo), uma Averá é uma separação.

Na vida, cada pensamento, palavra e ação pode, ou trazer conexões mais profundas com nós mesmos, com os outros e com O CRIADOR de toda a Vida, ou levar a um afastamento e separação mais profundos de nós mesmos, dos outros e da FONTE de Toda a Vida.
Nós temos a livre escolha, vamos escolher sabiamente.
Rabi Pinson

Por Rabi DovBer Pinson
Traduzido do inglês por Projeto Noaísmo Info: © Projeto Noaismo Info

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As suas almas que reencarnam e a sua alma que não reencarna

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As suas almas que reencarnam e a sua alma que não reencarna

Por Rabi DovBer Pinson

 

Guilgul: Reencarnação das Suas Almas
A Torá fala [por exemplo] do encontro entre Moshe, a alma de Hevel/Abel, e Yitro, a alma de Kayin/Cain, e sua reconciliação.

Existe o nosso eu autobiográfico, o “eu” pessoal, que inclui a nossa forma particular de pensar, de sentir e de interagir com os outros. É a isto que você costuma se referir quando diz ‘eu me conheço’. O que você está realmente dizendo é que você conhece sua história.

Cada pessoa tem sua própria história. Quando uma pessoa nasce, ela nasce com uma alma individual com um tipo particular de alma. Imagine uma folha de papel em branco, simbolizando o início da vida de alguém. Ela está vazia; experiências de vida ainda não foram escritas nela. Por outro lado, esta folha em branco já tem uma tonalidade, uma textura e um peso. Algumas folhas de papel têm uma tonalidade amarela; outras têm uma tonalidade azul mais sutil, e outras são cinzas. Algumas são foscas e outras são mais brilhantes.

Todos nós temos inclinações naturais e modos de ser, mesmo antes de nossa história de vida começar a se desdobrar. Uma pessoa está mais inclinada a ser generosa e outra está mais inclinada a ser contida. Tais são os matizes particulares no fundo de nossa história, informando como a história será vista e compreendida. Cada dia e cada momento estamos ‘escrevendo’ nossa história. Nossos pensamentos, ações e experiências estão sendo impressos em nosso papel, em nossas Nefesh, Ruach e Neshamá particulares.

Diferentes personalidades vão experimentar o mesmo evento de forma diferente, de acordo com sua ‘tonalidade’ ou tipo de alma. Todas as variedades de almas, com suas diferentes percepções e histórias de vida, estão enraizadas em diferentes partes da alma primordial de Adam Kadmon/Adão Primordial[*]. Algumas almas estão enraizadas na ‘cabeça’ deste ser, e algumas se derivam de suas ‘mãos’, ‘coração’, ou ‘pés’.

[* Adam Kadmon não se trata do primeiro ser humano, mas de um mundo ou um plano da realidade.]

Almas ‘cabeça’ podem gravitar em direção a atividades intelectuais, enquanto almas ‘mãos’ podem tender a trabalhar com destreza manual. As almas ‘coração’ podem transbordar de emoção ou devoção, e as almas ‘pés’ podem ser orientadas para estilos de vida ativas e movimentadas. Os padrões genéticos do nosso corpo físico, juntamente com a nossa educação, condicionamento e ambiente, são todas expressões providenciais do nosso tipo de alma.

Cada imagem da alma é holográfica; uma alma ‘cabeça’ não carece de coração, e uma alma ‘coração’ tem alguns atributos ‘cabeça’. Cada expressão distinta da alma primordial possui todas as capacidades de pensar, sentir, trabalhar e se mover. No entanto, alguém nascido com uma alma ‘cabeça’ que decide se ocupar com atividades e preocupações da alma ‘mão’, está agindo contra sua verdadeira natureza. Isto impede que a pessoa se realize plenamente.

Para ser um ser humano plenamente realizado e atualizado, precisamos articular quem realmente somos, nossa expressão distinta da alma precisa ser totalmente expressa. Este é o nosso Tikun ou aperfeiçoamento….

…Todos nós temos áreas de singularidade ou especialidade onde brilhamos, e outras áreas onde não brilhamos tanto. Algumas pessoas são humanitários notavelmente compassivos e ainda acham desafiador se relacionar com suas próprias famílias. Alguns se destacam nas relações familiares e são pais, filhos, irmãos ou irmãs exemplares, mas enfrentam dificuldades na hora de fazer caridade e desfazer-se de seu dinheiro suado. As áreas em que brilhamos mais intensamente estão diretamente relacionadas às nossas raízes particulares dentro da alma coletiva de Adam. Nosso eu consciente, incluindo nossas ações, palavras, pensamentos, experiências e memórias, são expressões de nossa alma pessoal. Isto é o que a nossa alma é para a eternidade.

Como princípio geral, nossa individualidade ou brilho especial, aquela parte de nossa alma que se manifestou como nossa singularidade, não reencarna. Ela não precisa reencarnar porque através de seu desenvolvimento, seus desafios e sucessos, ela já alcançou plenamente o Tikun nesta vida. As partes de nós que precisam ser reencarnadas e re-pessoalizadas são os aspectos de nossa alma com os quais tivemos pouca experiência nesta vida….

 

Por Rabi DovBer Pinson
Traduzido do inglês por Projeto Noaísmo Info: © Projeto Noaismo Info

© Rabi DovBer Pinson
© Projeto Noaismo Info

Em memória de e para a elevação da alma de A.R.

 

O Rav Shimshon Bisker também trata de temas como alma, reencarnação…, em alguns de seus livros. Adquira os livros digitais do Rav Shimshon Bisker na Livraria virtual Projeto Noaismo Info:

Curso Bnei Noach parte 30 – ESPECIAL: LIVRARIA virtual Projeto Noaismo Info

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26a Parte do Curso Bnei Noach

B”H

 

Parte 26 do Mini Curso Virtual Gratuito de Introdução ao Tema de Bnei Noach

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O Curso Bnei Noach do Projeto Noaismo Info é composto de um conjunto de páginas correlacionadas. Cada nova página é uma nova lição. Porém, como página não possui Tag, quando publicamos uma nova página (uma lição nova do Curso) publicamos também um post que direciona para a página em questão, de modo que cada post possui as Tags (assuntos) daquela página.

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE JESUS E DO CRISTIANISMO PARTE 3 (Rabi Maimônides)

apresenta:

 

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE JESUS E DO CRISTIANISMO PARTE 3 (Rabi Maimônides)

 

Por Rambám ou Rabi Maimônides (Moshé ben Maimon)

 

Queridos irmãos judeus, é muito importante que todos vocês prestem atenção e escutem o que vou lhes expor.
Saibam que a nossa Torá é o Verdadeiro e Autêntico Ensinamento Divino e foi-nos dado por intermédio de Moshé, o mestre de todos os profetas. Por meio de SUA Torá, D’us nos distinguiu do resto da humanidade (Deut. 10:15). Isto não aconteceu por causa dos nossos méritos, mas sim, foi um ato de bondade Divina, porque nossos pais reconheceram Hashém e O veneraram (Deut. 7:7-8).
Desde os tempos da outorga da Torá, (os reis das nações, instigados por muita inveja,) tentaram derrubar nossa religião pela força, pela violência e pela espada. A sua verdadeira intenção é frustrar Hashém, mas ninguém pode frustrá-LO. As nações que querem nos aniquilar pela violência fazem parte de um dos dois grupos cuja meta é frustrar a vontade Divina.
O segundo grupo consiste nos mais inteligentes e mais educados entre as nações, como os romanos, persas e gregos. Eles também tentam derrubar nossa religião e erradicar nossa Torá, mas eles o fazem por meio de argumentos.
Nem uma dessas estratégias (conversão obrigatória e conversão por argumentação) terá sucesso (Isaías 54:17). Hashém, que é A VERDADE, os ridiculariza, porque eles tentam atingir uma meta inalcançável.

Depois disso surgiu uma nova seita (os notsrím ou cristãos) que combinou as duas estratégias, a saber, a conquista (força bruta) e a persuasão, em uma, porque acreditava que este método seria mais eficaz para eliminar todos os vestígios da nação judaica e da religião judaica. Essa seita, portanto, resolveu reivindicar a profecia e inventou uma nova doutrina (bem como inventou também um novo livro “sagrado”: o “novo testamento”), contrária à nossa religião que é verdadeiramente de origem Divina, afirmando que foi igualmente outorgada por D’us. Em outras palavras, a nova seita (o cristianismo) dizia acreditar no mesmo D’us mas que ela seria a receptora de uma nova série de preceitos. Com isto ela tinha a esperança de destruir a nossa Torá. (Com este método — o de afirmar que O MESMO D’us outorgou uma nova revelação —) ela esperava suscitar dúvidas e criar confusão, já que uma se opõe à outra e ambas supostamente emanam de uma fonte Divina, o que levaria à destruição de ambas as religiões. Tal é o plano notável inventado por um homem que é invejoso e impertinente. Ele vai se esforçar para matar seu inimigo e salvar sua própria vida, mas se perceber que é impossível alcançar seu objetivo, ele planejará um esquema pelo qual ambos serão mortos.

O primeiro a imaginar e adotar este plano foi Yêshu Hanotsrí — Jesus o cristão (que seus ossos se covertam em pó). Ele era judeu porque sua mãe era judia, embora seu pai fosse gentio. De acordo com os princípios da nossa lei, uma criança nascida de uma judia e um gentio, ou de uma judia e um escravo, é uma criança judia legítima (Yebamot 45a). Jesus é apenas figurativamente denominado um filho ilegítimo [observação: na verdade, a ilegitimidade de Jesus se deve a ele ser fruto de adultério]. Ele impeliu as pessoas a acreditar que ele era um profeta enviado por D’us para esclarecer as perplexidades na Torá, e que ele era o Messias que foi previsto por todos e cada um dos profetas. A interpretação dele da Torá e seus preceitos foi tal que levou a sua total anulação — à abolição de todos os seus mandamentos e à violação de suas proibições. Os Sábios judeus (não os romanos ou Pôncio Pilatos), ao estarem cientes de seus planos, antes que sua reputação se espalhasse entre todo o nosso povo, aplicaram-lhe a punição apropriada (a pena de morte. Em outra parte, o Rabi Maimônides diz: “Jesus, que imaginava ser o messias[,] foi executado pela corte”, pelo Sanhedrín (As Leis dos Reis XI, 4). Isso é assim porque, na verdade, Jesus viveu uns 100 anos antes da data que lhe foi estabelecida pelos edomitas).

O profeta Daniel já havia aludido a ele quando predisse a queda de um ímpio e apóstata entre os judeus que se esforçaria para destruir a Lei (a Torá), reivindicar as profecias (messiânicas) para si mesmo, e alegar descaradamente que realiza “milagres” e que é o Messias (etc.) como está escrito (Daniel 11:14[, 36-39]): “Filhos renegados de teu povo tentarão se exaltar para estabelecer uma nova visão (de como “servir D’us”), mas fracassarão. E o (suposto) “rei (messias)” agirá segundo seus impulsos e se glorificará e se exaltará acima de todos os deuses (das nações); ele (também) dirá coisas estranhas contra O D’us dos deuses; ele (por fim) prosperará (entre as nações) até que seja apaziguada a ira de D’us, quando será cumprido o que ELE determinou. (Esse falso messias cristão, Jesus,) não terá consideração pelo D’us de seus antepassados (judeus, por parte de mãe), nem por Israel (seu povo de nascimento), nem por qualquer outro deus terá consideração, porque se considerará como estando acima de tudo (i.e., ele se considerará O PRÓPRIO CRIADOR de todas as coisas). … A quem o reconhecer (quer dizer, a quem o aceitar) ele concederá (na verdade, parecerá àqueles que o aceitam que é ele quem lhes estará concedendo) poder sobre multidões, honrarias e, mediante um certo preço, lhe destinará terras.”

Muito tempo depois (uns 150 anos após a sua verdadeira data de existência), os descendentes de Esaú (edomitas) criaram uma religião (a Igreja) atribuindo-a (diretamente) a Yêshu (pois eles até mesmo modificaram o tempo em que ele viveu), embora (obviamente) ele mesmo não a tenha estabelecido (pois ele viveu uns 150 anos antes dela*). E (apesar de que ele esperava conseguir extinguir, aniquilar, a Torá e com ela o povo judeu), na realidade, (suas pregações) não representaram nenhuma ameaça de extinção de Israel (de todo o povo judeu e o judaísmo), já que houve (e por todo o sempre haverá) indivíduos e comunidades cuja fé não se abalou (e nunca se abalará) por causa dele, visto que suas inconsistências eram (e sempre serão) tão transparentes para cada um. Finalmente, demos um basta nisso quando ele caiu em nossas mãos; seu destino é bem conhecido (i.e., ele foi capturado, julgado, condenado e executado por “nossas mãos”, pelos próprios judeus, pelo Sanhedrín, o tribunal judaico).

 

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Nota do Projeto Noaísmo Info

Um professor judeu nos forneceu a seguinte explicação:
“A opinião geral das fontes judaicas é a de que o culto que começou a adorá-lo (a Yêshu) muitos anos após a sua morte foi iniciado por um grupo de judeus idumeus.
Os idumeus eram originalmente edomitas pagãos, que foram forçados (em violação à Lei da Torá) a se converterem ao judaísmo pelos hasmonianos quando conquistaram Edom.”

O Rabi Abraham ibn Ezra (1089-c.1167) explica:
“Os idumeus foram os primeiros a acreditar nos ensinamentos daquele homem (Jesus).”
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* Apesar da Igreja não ter sido fundada por ele, ainda assim ela seguiu a própria conduta dele e seus ensinamentos, daí que o próprio Rabi Maimônides em outra parte diz: “Ele (o próprio Yêshu) fez os judeus serem mortos pela espada, seus remanescentes espalhados e humilhados, a Torá ser alterada e a maior parte do mundo errar e servir um outro deus e não” O CRIADOR, O D’us da Torá, O D’us de Israel, Hashém (As Leis dos Reis XI, 4).

 

Depois de Yêshu apareceu o louco (Muhammad/Maomé). Ele seguiu os passos de seu antecessor e tentou nos converter. Ele acrescentou o objetivo da aquisição do poder político para subjugar os povos sob seu domínio e assim inventou sua conhecida religião (o islamismo). Estes (dois) homens (Yêshu e Muhammad) se propuseram a colocar suas falsas idéias no mesmo nível da nossa religião que é a única Divina. Mas somente um tolo que não sabe nada dessas duas religiões (cristianismo e islamismo) iria comparar a nossa Fé dada pelo PRÓPRIO D’us com idéias e práticas religiosas inventadas por humanos. Só uma pessoa desinformada poderia pensar que a nossa religião tem algo em comum com essas (duas ou com qualquer outra) ou que a nossa religião pode ser comparada às crenças inventadas por humanos.
Os princípios dessas outras religiões (cristã e maometana) que se assemelham aos princípios das Escrituras Originais (as Escrituras Judaicas) não têm um significado mais profundo, mas são imitações superficiais, copiados e modelados a partir deles. Eles (Yêshu e Muhammad) modelaram suas falsas religiões sobre a nossa, a fim de se auto glorificarem, e satisfazerem suas (toscas) fantasias de que são semelhantes a tal e tal (personagem bíblica ou profeta, i.e., semelhantes aos verdadeiros servos de D’us, como Avrahám, Moshé ou David, por exemplo). No entanto, os sábios judeus nunca cairam em suas farsas. Consequentemente (estes dois homens, Yêshu e Muhammad) tornaram-se objetos do escárnio e do ridículo, do mesmo modo que alguém ri e sorri para um macaco quando imita as ações dos homens.

Hashém nos avisou (há muito tempo atrás) através do profeta Daniel que isso iria acontecer. Hashém revelou que no futuro apareceria alguém e anunciaria uma religião parecida com a verdadeira, com um novo livro de escrituras (Daniel 7:8). Obviamente este versículo se refere à uma pessoa, e ela estabelecerá uma religião parecida com a Torá de Hashém e ela se proclama um profeta. Daniel ainda indica que esta pessoa se empenhará em abolir e alterar a nossa Torá (e até mesmo o nosso calendário). Ele declara: “Ele procurará mudar os tempos e a lei (Daniel 7:25).”
Hashém informou a Daniel que ELE destruirá essas (falsas) religiões que são parecidas com a verdadeira (Daniel 7). Hashém nos assegurou através de SEUS profetas que Israel é indestrutível e imperecedouro e nunca deixaremos de ser o SEU povo; é impensável a destruição e o desaparecimento de Israel do mundo (Malaquias 3:6; Jeremias 31:37; Levítico 26:44). Depositem, queridos irmãos judeus, sua confiança nestas Escrituras verdadeiras.

Queridos irmãos judeus, a nossa fé nunca será destruída. Anunciem publicamente (os princípios básicos singulares da nossa Torá).
Creio plenamente que Hashém é UM e ÚNICO, que ELE é O CRIADOR, que não há unidade que é, de forma alguma, como a DELE, e que somente ELE é o nosso D’us — ELE foi, ELE é e ELE será.
Moshé é SEU profeta que falou com ELE (como nem um outro, e por isso mesmo) ele é o mestre de todos os profetas e ele é superior a todos os outros profetas, tanto antes quanto depois dele.
Hashém não mudará nem trocará a Torá. Hashém nunca dará outra Torá.
Lembrem-se, meus queridos irmãos judeus, que nunca antes ou depois uma nação inteira testemunhou uma revelação de D’us ou contemplou SEU esplendor. Este grande evento (da outorga da Torá no Monte Sinai) foi incomparável e único na história da humanidade. O PRÓPRIO D’us revelou a SI MESMO (não a um único indivíduo ou a um pequeno grupo de “escolhidos” mas) ao povo judeu (a 3 milhões de pessoas simultaneamente) (Deut. 4:32).

(Porém, infelizmente, de qualquer forma, o surgimento dessas falsas religiões, o cristianismo e o islamismo, já estava profetizado) na nossa Torá, o verdadeiro Ensinamento Divino. Hashém prognosticou que enquanto estivermos no exílio, as nações do mundo nos forçarão a seguir suas religiões, como está escrito: “E Hashém vos espalhará entre os povos e ficareis poucos em número entre as nações às quais Hashém vos conduzirá. E servireis ali (a visão que eles têm de) deus que são obra de (escrituras inventadas pelas próprias) mãos de homens (o “novo testamento” e o corão), (um conceito de deus proveniente da religião simbolizada pela) madeira (ou cruz) e (um conceito de deus proveniente da religião simbolizada pela) pedra (a rocha/caaba)”; “e Hashém te espalhará por todos os povos, desde uma extremidade da terra até a outra extremidade da terra; e servireis ali aos povos servidores de outras divindades que não conheceste tu nem teus antepassados; ao pau (ou cruz, um símbolo do cristianismo) e à pedra (ou rocha/caaba, um símbolo do islamismo) (Deut. 4:27-28; 28:64)”.

Os maometistas (muhammadistas) dizem que Deut. 18:15 e Gênesis 17:20 referem-se a Muhammad (Maomé). Citar esses versículos como provas é ridículo e absurdo ao extremo. Nem os próprios (judeus) apóstatas, que enganam ou iludem os outros com tais versículos, acreditam nisso ou nutrem quaisquer ilusões sobre isso. O propósito deles ao citar esses versículos é ganhar o favor aos olhos dos gentios, demonstrando que eles acreditam na declaração do corão (ou alcorão) de que Muhammad foi mencionado na Torá. Mas os próprios maometistas (muçulmanos) não acreditam em seus próprios argumentos, não os aceitam nem os citam, porque são manifestamente falaciosos. Visto que os muçulmanos não conseguiram encontrar uma única prova em toda a Bíblia, nem uma referência ou possível alusão a seu profeta que pudessem utilizar, eles foram forçados a nos acusar, dizendo: “Vocês alteraram o texto da Torá, e eliminaram todos os vestígios do nome de Muhammad dela”. O motivo dessa acusação reside, portanto, na ausência de qualquer alusão a Muhammad na Torá (até mesmo referente a Gênesis 17:20). Note, nos Salmos 120:5, a distinção entre Kedár e os filhos de Ismael, pois o louco e imbecil (Muhammad) é da linhagem dos filhos de Kedár, como eles (os maometistas) prontamente admitem(*.

* “Muhammad era descendente de Kedar.”
Extraído de um site islâmico.

 

Metsudat David comenta sobre “Meshech e Kedar — referente aos governos das nações do mundo, sob os quais o povo judeu está exilado.”)

 

Quanto à Deut. 18:15, a Torá fala de um profeta “do meio de vocês, de seus irmãos”, que obviamente não pode ser Muhammad. Todo profeta que Hashém nos enviar, será do meio de vocês, a saber, ele será um de vocês, isto é, ele será um judeu (Deut. 18:10-15). É obviamente claro que o profeta mencionado aqui não será uma pessoa que produzirá uma nova lei ou fundará uma nova religião.

É um fato estabelecido que Moshé, nosso mestre, é o profeta supremo. O mashíach será mais sublime e mais reverenciado do que qualquer outro profeta, exceto Moshé. E, não existe outra fé nem outra Torá além daquela que recebemos. Nem um outro mandamento seria posteriormente revelado. Qualquer profeta, sem importar sua linhagem, que diz que um dos preceitos da Torá foi abolido, contradiz e nega a declaração de Moshé: “pertencem a nós e a nossos filhos para sempre…todas as palavras desta Torá” (Deut. 30:12; 13:1; 29:28). Portanto, temos de denunciá-lo como falso profeta e se tivermos o poder de condená-lo à morte, temos de fazê-lo. (Inclusive) desconsideraremos qualquer milagre que tenha feito. Sim, qualquer pessoa que falsamente pretende ser um profeta deve ser condenada à morte (Deut. 13:3-4, 6, 11; 18:20).

Quanto ao mashíach (o verdadeiro messias), sabemos que ele se revelará na Terra de Israel. Mas ninguém saberá absolutamente nada sobre como ele vai se revelar antes disso acontecer. O mashíach não será uma pessoa que se poderá identificar anteriormente como o filho de tal e tal e de uma certa família. Ele será desconhecido antes de sua revelação, mas os sinais e milagres que ele fará serão prova de que ele é o verdadeiro mashíach.
Os cristãos erroneamente atribuem poderes maravilhosos a otó haísh — “aquele homem” (Jesus) — tais como ressuscitar os mortos e outros milagres. Mesmo isto não (é o suficiente para) nos convencer de que ele é o mashíach. Somos informados explicitamente sobre o fator de maior importância que desqualifica um profeta: se ele disser qualquer coisa que contradiga a profecia de Moshé, nosso mestre.

 

Por Rambám ou Rabi Maimônides

Baseado em “A Epístola do Iêmen”, Editora Maayanot, e na versão disponível em The Sefaria Library (tradução © Projeto Noaismo Info).
Reorganizado por © Projeto Noaismo Info

Site Bnei Noach (BRA)_Bnei Noach_Filhos de Noé_Leis Universais_Noaismo.info

© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

Você sabia? (Sobre Israel e o pecado e a doença)

Você Sabia?

 

No momento da entrega da Torá, o Povo de Israel não só foi curado de todas as suas doenças, mas também foi libertado do Anjo da Morte. Se os judeus não tivessem pecado (após a entrega da Torá), eles nunca mais teriam ficado doentes e nunca mais teriam morrido. Entretanto, seus pecados trouxeram de volta para si mesmos a praga da doença e da morte. (Mas,) com a chegada do Mashíach que traz a redenção, voltaremos a esse estado de saúde e vida eterna, breve em nossos dias.

 

© Rabi Yitzchak Ginsburgh
© Gal Einai
© Traduzido por Projeto Noaismo Info

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Uma Mensagem do Rabi Eli Levy

Uma Mensagem do Rabi Eli Levy (Chabad)

 

Bereshít – Uma recordação da infância

 

Estimados Leitores:

Como todo começo, Bereshít (Gênesis), o primeiro livro da Torá, oculta os segredos e as chaves da humanidade como um todo. Do mesmo modo que na vida de um indivíduo as recordações da infância ficam profundamente gravados, assim também os acontecimentos do Bereshít são chaves para o progresso de toda a humanidade.

Um detalhe interessante é a expulsão do primeiro homem Adám junto com sua mulher Chavá do Gan Éden. O homem e a mulher são criados na perfeição pelas mesmas mãos de D’us numa sexta à tarde. No Jardim do Éden eles têm todos os manjares da terra disponíveis, não existe o mal, nem a morte, nem as doenças, não há dor e eles não têm de se esforçar para subsistirem, tudo é perfeito.

Até que o homem peca e é expulso para um lugar no qual deve se esforçar para conseguir sustento, a mulher deve sofrer para ter e criar seus filhos, a luta contra o mal é constante, a dor e a morte são algo cotidiano.

A Chassidút nos ensina que a razão que D’us teve para criar o mundo é conseguir que este mundo de obscuridade com nosso esforço se transforme em um lugar para a divindade, por isso podemos dizer com segurança que o objetivo não era o paraíso, D’us queria que o humano lute e supere os obstáculos da vida. Então, por que não o criou diretamente neste mundo (obscuro)? Para que lhe mostrar o caramelo e depois tomá-lo?

Justamente essa era a vontade divina. Como na psicologia humana sempre buscamos voltar a esses momentos lindos da infância, assim também D’us queria que saibamos que o mundo em seu estado original é um verdadeiro paraíso, e está em cada um de nós voltar a recuperá-lo. O mal, a dor, a morte e a fome são apenas passageiros e circunstanciais, D’us nos deu as forças para revertê-los e, com a chegada do Mashíach, voltarmos a esse Éden.

 

Por Rabi Eli Levy
© Jabad.com (Chabad)

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O Judaísmo Rabínico é autêntico?

O Judaísmo Rabínico é autêntico?

Reflexões sobre a Torá viva

 

O que realmente significa ser fiel a si mesmo e às origens?

 

Por Professora Yael Shahar

 

O Povo do Livro (Não escrito)

Considerando o lugar de destaque da Torá escrita em nossos rituais comunais, muitas vezes surpreende aqueles que conhecem os judeus apenas como “o povo do Livro” que a maior parte da observância judaica não se encontra na Torá escrita. Pelo contrário, a lei judaica é a lei casuística, ou “jurisprudência”, construída ao longo de séculos de circunstâncias e respostas. A compilação quintessencial da lei judaica não é a Torá escrita, mas o Talmúd, um compêndio do tamanho da Enciclopédia Britânica que sintetiza 800 anos de discussões, argumentos, contos populares e até mesmo humor sobre o caminho certo para viver, como nação e como indivíduos.

E o Talmúd, por sua vez, esteve mergulhado por 15 séculos de discussões e respostas às circunstâncias em mudança, até os dias atuais. Assim, pode-se dizer que a Torá escrita é a base da lei judaica, da mesma forma que a Constituição Americana é a base da lei americana.

O que é o “judaísmo autêntico”

O judaísmo que conhecemos hoje — o judaísmo rabínico — seria irreconhecível para um judeu que vivia no tempo dos juízes. Aliás, o mesmo se aplicaria à lei judaica durante a Monarquia Davídica; também poderia ser irreconhecível para aqueles que estavam no Sinai.

Há aqueles que argumentam que este processo de reinterpretação contínua tornou o judaísmo de nossos dias menos “autêntico” do que o dos tempos dos nossos antepassados. Parece haver uma suposição implícita de que a Lei Judaica representada pela Torá escrita é de alguma forma mais autêntica do que a lei rabínica posterior.

Por trás deste argumento está a premissa de que “os rabinos” tinham segundas intenções que os motivou a se desviar da Torá escrita. E, no entanto, não é realmente possível atribuir segundas intenções aos Tanaím – os sábios e gigantes espirituais do período da Mishná – ou Amoraím – do período da Guemará –, simplesmente porque eles nunca representaram uma instituição unificada; a habilidosa redação do Talmúd apresenta uma imagem de unidade que nunca existiu de fato. Os sábios citados no Talmúd representavam diferentes grupos e subgrupos, alguns dos quais ficaram pelo caminho, enquanto outros ganharam o dia.

A lei rabínica é simplesmente a evolução das normas judaicas sobreviventes, incluídas as normas não escritas que se entrelaçaram com a lei escrita, e até podem tê-la precedida. Halachá incorpora não apenas um código religioso, mas também a lei civil, e durante a maior parte da história judaica, continuou funcionando como tal. As comunidades judaicas eram socialmente e legalmente autônomas, e viviam segundo suas próprias leis dentro dos impérios não-judeus maiores. Enquanto elas eram limitadas em alguns aspectos, eram autogovernadas em outros.

Embora grande parte da legislação discutida no Talmúd fosse inaplicável no exílio, sua legislação civil evoluiu para um sólido sistema econômico e social. De fato, uma das coisas mais fascinantes sobre o Talmúd (tal como é atualmente impresso) é que você pode realmente traçar a evolução do nosso atual sistema jurídico judaico lendo “do centro para a periferia” da página impressa: da Mishná para Guemará para Tosafót e comentários posteriores. Bases de dados modernas de responsas, como o Sefaria.org, lhe permitem continuar o processo além dos limites da página escrita, com responsas que chegam até os dias atuais.

A crescente Árvore da Vida

Tudo isto é para dizer que a halachá é um sistema vivo, que respira. Não é por acaso que a Torá é chamada de “árvore da vida”; ela cresce, ainda que lentamente, em resposta às circunstâncias em mudança. Voltando à analogia da lei constitucional dos EUA, podemos realmente dizer que a lei dos EUA não é “autêntica” a menos que descartemos todas as emendas e retornemos à Constituição “pura”?

Em outras palavras, admiramos a “autenticidade” das crianças. Mas o adulto é menos autêntico, simplesmente porque ele tem se adaptado às inúmeras circunstâncias que a vida tem colocado em seu caminho? Alguém diria que a criança é mais autêntica do que, digamos, um estudioso que tem passado toda a sua vida aprendendo e crescendo em seu campo, ou um músico que tem passado toda a sua vida aperfeiçoando sua arte?

Da mesma forma, o judaísmo tal como existe hoje em dia é uma cultura mais madura, tendo lidado com as vicissitudes do exílio e da falta de habitação. Não é menos autêntico do que o dos nossos ancestrais distantes. É o produto das mesmas forças que nos criaram, assim como o judaísmo de nossos ancestrais foi um produto das forças que os moldaram e definiram. Dizer que nosso judaísmo é menos autêntico por se adaptar ao seu entorno é um pouco como dizer que um pardal é menos autêntico que um velociraptor!

O Contrato com a Eternidade

Além do mais, se acreditamos que D’us tem algo a ver com nossa história, devemos ver que a Torá é dada continuamente pela mesma mão que coloca estes desafios em nosso caminho e exige que nos adaptemos a eles. A parte mais radical da frase “Torá miSinai” — Torá do Sinai — não é a noção de que a Torá foi dada de uma vez por todas. Em vez disso, é que, ao aceitar a Torá, concordamos, como nação, em nos associarmos a algo fora de nós mesmos e sermos moldados por essa força, para melhor ou para pior.

Esta é uma forma de parceria muito diferente à do Contrato Social, pelo qual os indivíduos desistem voluntariamente de certos direitos em troca de segurança. No nosso caso, concordamos em nos render, não nos direitos, mas na vontade nacional, e o fizemos cegamente, confiando em que a outra metade da parceria sabe o que está fazendo. Esta pode ser uma das razões pelas quais damos tanta ênfase ao livre-arbítrio no nível individual — porque no nível social, nós nos rendemos quase que totalmente, tendo concordado em seguir as regras que aceitamos com fé cega.

Podemos dizer que a sociedade moldada pelo nosso respeito por essas regras é inautêntica? Nós, como o músico que foi moldado por sua arte, ou o estudioso por seu aprendizado, somos o produto do que temos produzido, sob orientação da circunstância. Nós temos honrado nossa parte da Torá permitindo que ela nos molde como uma nação. Porém, ela tem sido moldada por nós também.

Para as nações, como para os indivíduos, as vicissitudes da vida são parte daquilo que nos torna quem somos; nós internalizamos suas lições e as tornamos parte de nós. Não é que nos afastamos de quem éramos — é que crescemos para abranger cada vez mais o nosso entorno. Ao fazer isso, não nos tornamos “outros”. Pelo contrário, nos tornamos “mais”.

 

Por Professora Yael Shahar

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Que tipo de livro é a Bíblia (Torá)?

 


“Toda a Torá foi dada para tornar este mundo físico um lugar espiritual e harmônico.” — Rabi Eli Levy (Chabad)


Que tipo de livro é a Bíblia (Torá)?

 

Por Rabi Eli Brackman (Chabad)

 

Nos últimos anos tem havido uma enorme quantidade de livros sobre a Bíblia que servem como guia para diferentes áreas da vida e perspectivas.

É possível encontrar livros sobre a Bíblia como literatura, Bíblia como arqueologia, Bíblia como poesia, Bíblia como história, Bíblia como filosofia, Bíblia como código para a ciência política e Bíblia como guia para a sabedoria nos negócios.

Em um livro muito intrigante do rabino Jonathan Sacks, The Home that we Build Together (O Lar que Vamos Construir Juntos), ele argumenta que a Bíblia Hebraica pode ser usada como um livro de texto sobre como construir uma sociedade multicultural bem-sucedida no século 21 no Reino Unido.

Similarmente, no livro Jewish Wisdom for Business Success: Lessons from the Torah and Other Ancient Texts (Sabedoria Judaica para o Sucesso nos Negócios: Lições da Torá e Outros Textos Antigos), o rabino Levi Brackman argumenta que os textos antigos da Torá podem servir como uma fonte de sabedoria e perspicácia sobre como ter êxito nos negócios.

Enquanto a sabedoria da Torá pode ter algo a dizer ao mundo contemporâneo da política e dos negócios, isto não é essencialmente o que a Torá é e pode levar a interpretações errôneas.

A Torá é essencialmente um trabalho espiritual destinado a aproximar uma pessoa de D’us e assegurar a vivência de uma vida ética e moral entre essa pessoa e sua família e vizinhos.

Isto é indicado no Mishnê Torá do rabino Maimônides (1138-1204), leis de Chanucá (Ch. 3), onde ele afirma que o propósito da Bíblia Hebraica é trazer paz ao mundo.

Para ser claro isto não significa que este é um trabalho sobre a resolução de conflitos a nível geopolítico, mas principalmente sobre a paz entre vizinhos e a harmonia familiar.

Toda a Torá é para este propósito — trazer paz entre uma pessoa e outra.

As histórias da Torá devem ser vistas de maneira similar. Não é um livro de história ou política — deve-se ver a Torá como um texto relevante para o desenvolvimento pessoal e espiritual da pessoa.

No pacto do Monte Sinái os judeus aceitaram um sistema de lei, social e espiritual, ao qual foram obrigados, além das leis universais da sociedade.

O D’us da Bíblia Hebraica é a fonte da moralidade e a Bíblia é o código de ética absoluto. “A Torá é o Ensinamento DIVINO para o povo judeu e para a humanidade.” A Bíblia Hebraica ensina como o indivíduo pode se aproximar de D’us e se tornar um ser humano mais espiritual e moral.

A Torá não é um livro de política ou história, mas de ensinamentos morais para a própria vida pessoal.

 

© Rabi Eli Brackman

Traduzido do inglês por Projeto Noaismo Info

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© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach)

 

Você sabia que a Bíblia (Torá) tem uma mensagem para você, não-judeu?

Se você ainda não conhece esta mensagem, para conhecê-la, acesse

https://a-fe-original–noaismo.info/2016/01/29/o-caminho-espiritual-do-nao-judeu/

e ler

https://a-fe-original–noaismo.info/2016/03/08/bnei-noach-o-caminho-da-tora-para-os-nao-judeus/

 

Dedicado a Natan S. O., e em homenagem ao Rebe anterior (o sexto Rebe de Lubavitch), Rabi Yosef Yitschak Schneersohn.