Curso Bnei Noach parte 27

O PROJETO NOAÍSMO INFO APRESENTA

 

MINI CURSO GRATUITO DE INTRODUÇÃO AO TEMA DE BNEI NOACH

 

Idealizado por Projeto Noaísmo Info
Seleção, Organização, Edição: Proj. Noaismo Info

(Veja as palavras do próprio Rav Shimshon Bisker, de Israel, o Rabino Consultor do Projeto Noaísmo Info, sobre o trabalho do Proj. Noaismo Info, e sobre a menção de outros rabinos no Curso Bnei Noach, em:
ABERTURA DO CURSO SOBRE BNEI NOACH)

 

BNEI NOACH: VIGÉSIMA SÉTIMA PARTE

Por Rabi Tuvia Serber (Chabad e Ask Noah International)
Traduzido do espanhol por Projeto Noaísmo Info

 

RESPONSABILIDADE PARA BNEI NOACH

 

Esta lição tem como objetivo explicar a responsabilidade que tem cada Ben e Bat-Noach diante dO CRIADOR e diante do resto dos seres humanos.

Dividiremos isto em três assuntos:

1. A partir de que momento se está obrigado a cuidar dos Preceitos de Bnei Noach?

2. O versículo diz: “diante de um cego não porás obstáculo”. Bnei Noach estão obrigados a cuidar desta questão? Ou seja, qual é a responsabilidade de um ser humano em relação a outro ser humano a este respeito?

3. O versículo diz “há de advertir teu povo”, ou seja, qual é a responsabilidade de um ser humano em garantir que outros seres humanos não transgridam os Preceitos que lhes correspondem?

 

1.
No judaísmo existe o conceito de Bar-Mitsvá (para homens) e Bat-Mitsvá (para mulheres), que é o momento a partir do qual um rapaz e uma moça são responsáveis de cumprir os Preceitos positivos e precaver-se dos Preceitos negativos.

Ademais, existe o conceito de educação. Isto se refere à responsabilidade dos pais de educar seus filhos. Isto se aplica inclusive antes da idade na qual os jovens já passam a ser responsáveis por si mesmos. A razão disto é para que, quando chegar o momento adequado, a observância dos Preceitos não seja novidade para o jovem.

O momento de Bar-Mitsvá é aos 13 anos. O momento de Bat-Mitsvá é aos 12 anos (as mulheres amadurecem intelectualmente e emocionalmente antes dos homens).

A fonte de onde aprendemos estas idades é uma discussão entre os sábios judeus. Há duas opiniões básicas:

Uma.
Na Parashá (porção semanal) Vaishlách (Bereshít/Gênesis 34:25) está a história da violação de Diná, filha de Iaacov. A Torá relata que Shimon e Levi, irmãos de Dina, matam todos os habitantes da cidade de Shechém por terem encoberto e aceitado a violação de Dina (Rambam [Rabi Maimônides], Ramban [Rabi Nachmânides]).

A Torá chama ambos com o nome “ish” que em hebraico significa “homem”. Daqui aprendemos que a partir dos 13 anos um rapaz se torna homem. É claro que isto se aplica unicamente à responsabilidade frente à observância dos Preceitos da Torá. A idade na qual a sociedade considera um rapaz como um homem varía segundo a época e a cultura de cada lugar.

A idéia por detrás deste conceito é que, naturalmente um rapaz aos 13 anos e uma moça aos 12 anos já tem uma consciência mais desenvolvida para poderem ser responsáveis de suas ações diante de D’US e diante de seus próximos.

Duas.
Todas as medidas de tempos e de idades que aparecem na Torá têm a categoria de “Lei dada [por D’US] para Moshé no Monte Sinai”. De acordo com esta opinião, a obrigação judaica de cumprir Preceitos aos 13 anos não tem nada que ver com a maturidade ou o discernimento; é uma Lei supra-racional. Os sábios dizem claramente que esta categoria de Leis apenas se aplica aos judeus e não aos Bnei Noach. [O próprio Rebe, por exemplo, explicitamente declara quanto às “Leis supra-racionais de medidas — que [elas] não se aplicam a não-judeus”.]

Como se aplicam estas duas opiniões aos Bnei Noach?

De acordo com a primeira opinião, o momento a partir do qual um rapaz e uma moça passam a ser responsáveis é 13 e 12 anos respectivamente. Esta é uma questão de natureza, portanto, se aplica também aos Bnei Noach. A natureza de todos os seres humanos é basicamente a mesma, independentemente de se são judeus ou não.

De acordo com a segunda opinião devemos dizer que a idade de responsabilidade para Bnei Noach varía conforme a capacidade intelectual e emocional de cada rapaz e moça. Não há uma idade estipulada e concreta. (Segundo esta segunda opinião o versículo no qual se baseia a primeira opinião para dizer que são 13 anos, não é mais que uma história na qual vemos expressada a Lei. Mas a história não é a fonte da Lei).

Surge de vários livros e escritos [e também das considerações do próprio Rebe, o Rav Menachem Mendel Schneerson,] que a segunda opinião é a correta para considerar a idade a partir da qual são responsáveis os rapazes e moças não-judeus.

[Portanto, não cabe aos Bnei Noach as idades de 13 e 12 anos para os jovens se tornarem responsáveis do cumprimento das Leis Noaíticas.] O conceito de amadurecimento para um rapaz e para uma moça [para tornarem-se obrigados a cuidar dos Preceitos Noaíticos] vai depender, para os Bnei Noach, de sua compreensão, para uns mais cedo, para outros mais tarde.

 

2.
Diz a Torá: “diante de um cego não porás obstáculo” (Vaicrá/Levítico 19:14). Este versículo significa que não se pode dar um mau conselho a outra pessoa que não conhece sobre o tema em questão.

Este conceito, halachicamente falando, se aplica unicamente aos judeus e não aos Bnei Noach. Ou seja, não há uma obrigação concreta de ser cuidadoso com esta idéia.

Contudo, em um caso no qual uma pessoa causa de forma direta dano a outra a partir de seu conselho, por exemplo, forçando a seguir sua opinião ou conselho, isso está proibido até mesmo para Bnei Noach. [Em outras palavras] se alguém diretamente causa que, faz com que, outro cometa uma transgressão, isto está proibido inclusive para os Bnei Noach.

Mas se uma pessoa simplesmente deu seu parecer sobre um assunto, sem necessariamente forçar que se cumpra sua opinião e sem assegurar que é a única e verdadeira forma de fazer as coisas ou de pensar, mesmo que não era o melhor conselho, não se considera que transgrediu ter colocado um obstáculo no caminho de outro — para Bnei Noach.

Portanto, resumindo, se é um caso de Bnei Noach: se a pessoa está forçando a outra a necessariamente seguir um caminho que é errado, está proibido, mas se simplesmente a pessoa está dando seu conselho, não há proibição de Bnei Noach deste versículo de “diante de um cego não porás obstáculo”.

 

3.
Diz a Torá: “há de advertir teu povo” (Vaicrá/Levítico 19:17), ou seja, quando uma pessoa vê que outra está agindo em oposição à Torá, deve ocupar-se de adverti-la e apartá-la de seu erro.

Bnei Noach estão obrigados a cuidar deste assunto também. É importante atentar-se à forma, ao momento, e ao lugar em que se dá a advertência. Há Leis sobre isto também.

Esta obrigação é uma obrigação racional que não está diretamente ligada ao versículo. O versículo em si é uma indicação para o povo judeu. Mas é sabido que os Preceitos racionais também são parte das obrigações de Bnei Noach, apesar de não haver um versículo escrito que o indique diretamente (Ramban).

Também se poderia dizer que esta obrigação está incluída dentro do Preceito de Bnei Noach de estabelecer leis sociais. (Pelo menos segundo a opinião de Ramban, não a de Rambam).

Na história que vimos no começo da lição, que Shechém, filho de Chamor, sequestra e viola Diná, filha de Iaacóv, o sábio Nachmânides questiona porquê toda a cidade teve de ser castigada devido à prática de seu príncipe, Shechém, em vez de apenas ele ter sido morto. Por que mataram toda a cidade? Porque os habitantes da cidade não advertiram o seu príncipe de que o que ele estava fazendo era mau, assim nos explica Ramban. Então, sem dúvida, toda a cidade de Shechém, e Shechém propriamente dito, era Bnei Noach, não eram descendentes de Avrahám e Isaac e Iaacóv. Se eles não o advertiram e por isso foram severamente castigados, então, aprendemos, se bem não a questão do castigo, mas sim aprendemos que um noaíta (ben-Noach) tem a obrigação de, quando vê outro noaíta fazendo algo que não lhe corresponde segundo as Sete Leis de Bnei Noach, adverti-lo, e podemos dizer que isto está incluído dentro do conceito de “Diním”, de leis sociais. Um dos Sete Preceitos de Bnei Noach é estabelecer juízes. E uma das funções de juiz é advertir o seu povo para que faça as coisas como corresponde e não faça aquilo que está proibido fazer.

 

Através da observância destes Preceitos Universais vamos chegar rapidamente à época do Mashíach, quando se cumprirá o que está escrito em Tsefaniá/Sofonias 3:9: “Pois, então, ME voltarei para as nações com uma língua clara, para chamar todos em NOME de D’US, para servi-LO ombro a ombro.”

 

(O curso prossegue na próxima parte.)

 

Por Rabi Tuvia Serber (Diretor do Beit Chabad de La Plata, Buenos Aires, Argentina, e, rabino associado à organização Ask Noah International)
Traduzido do espanhol por Projeto Noaísmo Info: © Projeto Noaismo Info

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