Curso Bnei Noach parte 22

O PROJETO NOAÍSMO INFO APRESENTA

 

MINI CURSO GRATUITO DE INTRODUÇÃO AO TEMA DE BNEI NOACH

 

Idealizado por Projeto Noaísmo Info
Seleção, Organização, Edição: Proj. Noaismo Info

(Veja as palavras do próprio Rav Shimshon Bisker, de Israel, o Rabino Consultor do Projeto Noaísmo Info, sobre o trabalho do Proj. Noaismo Info em:
ABERTURA DO CURSO SOBRE BNEI NOACH)

 

BNEI NOACH: VIGÉSIMA SEGUNDA PARTE

Por Rabi Avraham Chaim Bloomenstiel (conteúdo extraído do Curso “As Leis Noaíticas” em inglês)
Traduzido do inglês por Projeto Noaísmo Info

 

[COMO CONHECEMOS A VONTADE DE D’US]

 

A Torá estabelece dois relacionamentos ideais com D’US. Um é o do judeu, conhecido como Judaísmo, regulado pelo pacto do Sinai. O outro é o do gentio, originalmente regulado pelos pactos de Nôach e Adám, conhecido como o pacto noaítico [ou o pacto do Arco-Celeste].
A mera crença em D’US ou em princípios não é suficiente. A Torá nos exige que nos desenvolvamos; que realizemos a vontade de D’US neste mundo. [E] apenas D’US pode nos dizer o que é bom e o que é mau. Devemos buscar a orientação de D’US. Mas como conhecemos a vontade de D’US? A resposta é: mitsvót. [“A Torá é a sabedoria de D’US e as mitsvót, SUA vontade.” Disse o Rebe.] Ambos os pactos incluem mitsvót — mandamentos divinos — que expressam as expectativas de D’US quanto à humanidade. O pacto sinaítico, judaico, inclui 613 mitsvót — leis divinas. O pacto noaítico contém 7 categorias de mitsvót (mandamentos) que incluem mais de 30 mitsvót no total.
As mitsvót são muito mais do que apenas leis — são um meio direto de conexão com D’US. Portanto, as mitsvót devem ser estudadas, perseguidas, amadas e realizadas com imensa alegria e gratidão pelas oportunidades que elas apresentam.

A observância das Leis Noaíticas é uma obrigação para todos os não-judeus. Muitas pessoas vão achar surpreendente [mas] foi no Monte Sinai que D’US fez algo único na história da humanidade. ELE SE revelou não para um indivíduo nem para um punhado de pessoas, mas para toda uma nação [3 milhões de pessoas simultaneamente]! De acordo com a Torá (Êxodo 34:10, Deuteronômio 4:34) este é um evento que nunca aconteceu antes e nunca voltará a acontecer. Nem uma época ou povos têm visto nada parecido. [Como diz o rabi Shimon Dovid Cowen: “A “Voz” que falou no Sinai para toda a humanidade não foi simplesmente uma profecia (a de Moisés), mas uma manifestação sem precendentes de D’US ELE MESMO.”] Isto significa que o Sinai ocupa um lugar especial na história da humanidade. [Daí que] nem uma outra religião pode reivindicar a unidade que O D’US de Israel pode. Esta identidade singular é absolutamente necessária para conhecer O D’US verdadeiro. Embora existam religiões que alegam ser, de alguma forma, servas do mesmo D’US professado pelo povo judeu, elas não podem escapar do fato de que D’US estabeleceu para SI MESMO uma identidade singular. Essa identidade está intrinsecamente relacionada com as experiências do Êxodo e do Sinai. Não apenas isso, mas D’US é O D’US dos filhos de Israel. Mesmo ELE sendo O D’US de toda a humanidade, D’US se identifica com Israel já que é para eles que ELE deu a SUA Torá. [Porém, apesar disso tudo] ESTE não é apenas um D’US de um povo em particular, Israel, mas O D’US de toda a humanidade.

É através desta Torá, como dito acima, que todas as nações obtêm a bênção e o conhecimento de D’US. Qualquer pessoa que afirma que seu deus é o mesmo D’US da revelação do Sinai, mas que os Filhos de Israel no Sinai não conheciam este deus, ou que este deus tem um povo escolhido diferente, ou que não há nada de sagrado na Torá, ou que a Torá de hoje não é a mesma Torá de antes, ou afirma que não é necessário manter a Torá, esta pessoa não serve o mesmo D’US do povo judeu, e tem entendido mal algo essencial sobre D’US.

 

[MAIS ALGUNS PONTOS INTERESSANTES SOBRE A TORÁ — A PALAVRA ORIGINAL DE D’US — A SEREM CONSIDERADOS

 

A Talmudic University of Florida observa:
“Noach nasceu no ano 1056 da Criação, o Dilúvio ocorreu em 1656, e ele morreu em 2006, dez anos após a Dispersão [que ocorreu em 1996] (capítulo 11 de Bereshít/Gênesis). Avraham nasceu em 1948; assim, ele conheceu Nôach e tinha 58 anos quando Nôach morreu. É fascinante que de Adam a Abraão houve uma tradição boca a boca abrangendo apenas quatro pessoas: Adão, Lemeque, Noé e Abraão. [(Lemech, pai de Nôach, nasceu em 874, que era a idade que Adám tinha então. Adám ainda viveu mais 56 anos depois do nascimento de Lémech.)] Da mesma forma, Moisés, por meio de quem a Torá foi dada, viu Kehat que viu Jacó que viu Abraão. Consequentemente, não houve mais do que sete pessoas que carregaram a tradição [das histórias do começo do livro de Bereshít até depois do dilúvio] em primeira mão desde Adám até a geração que recebeu a Torá. [(Se bem que, mesmo Moshé já conhecendo estas histórias por tradição, ainda assim tudo o que ele escreveu na Torá foi ditado palavra por palavra por Hashém.)]”

A Talmudic University of Florida também explica:
“Em muitas religiões não-judaicas (por implicação, não-noaíticas), a Torá, os Profetas e os Escritos — o Tanach — são todos tratados com igual autoridade. Algumas até tratam os profetas posteriores com maior autoridade do que a própria Torá.
Não é assim que a Torá é vista pelos judeus, e por extensão, pela fé noaítica (fé Bnei Noach). Nós consideramos que a Torá, os Profetas e os Escritos são hierárquicos — há uma ordem de maior e menor autoridade.
No topo desta hierarquia estão os cinco livros da Torá escrita — o Chumash. Eles são a cristalização final e permanente da vontade de D’US para a humanidade. A Torá nunca será substituída ou revogada por qualquer outro pacto ou revelação futura.
No reino textual, a Torá é o texto principal para derivar a lei e a prática tanto para os judeus como para os noaítas (Bnei-Noach).”

E o rabi Zvi Aviner explica:
“Os Sete Mandamentos Noaíticos são um conjunto de princípios morais que precederam os Dez Mandamentos de Moisés dados para Israel no monte Sinai. Eles foram dados para Adão e Noé, e então incorporados aos Dez Mandamentos. Enquanto os Dez Mandamentos foram dados para Israel como parte de se tornar uma “Nação Santa de Sacerdotes”, o conjunto das Leis de Noé foi dado para toda a humanidade. Alguns dos dez mandamentos, portanto, não pertencem às nações, como a observância do sagrado Shabát.”

Resumindo:

“O SIGNIFICADO DAS INSTRUÇÕES DIVINAS

Para compreender o significado pleno das sete leis você deve primeiro reconhecer que a Torá (ou seja, os Cinco Livros de Moshé) não é meramente um livro de histórias sobre as primeiras gerações da humanidade, e sobre os filhos de Israel, seu êxodo do Egito e suas vicissitudes pelo deserto etc. Você também deve reconhecer que a Torá é muito mais do que um documento legal que enumera os preceitos prescritos pelo CRIADOR.

De um ponto de vista mais amplo, a Torá é, e deve ser vivida como, uma revelação do PRÓPRIO CRIADOR, e em particular de SUA Vontade. Na linguagem do Zohar: “Hashém e a Torá são Um”.

Como revelação da Vontade do ONIPOTENTE, a Torá pode ser descrita como um manual para a vida, apresentanda àqueles que a estudam como as instruções de funcionamento do “FABRICANTE”. Vendo a Torá desta maneira, as leis dos Bnei Noach não podem ser consideradas meras exigências técnicas que Hashém faz para os seres humanos, antes, as leis noaíticas são a verdadeira revelação da Vontade de Hashém.

Ao comprometer-se a cumprir estes mandamentos a pessoa está manifestando a Vontade do ONIPOTENTE em nossa realidade mundana. As expectativas que Hashém tem do que podemos alcançar na prática como seres humanos, como SUAS criações, dependem da, e na prática passam pela, aceitação e compromisso de praticar as sete Leis dos Bnei Noach.

Mais ainda, como manifestações da Vontade Divina estas sete leis são, de fato, parte do mecanismo do universo — elas são a luz, a energia e as forças que fazem com que o universo funcione.” — Rav Yitzchak Ginsburgh]

 

COMO ALGUÉM SE TORNA UM BEN-NOACH

 

Para se tornar um ben-Noach ou noaíta, deve-se aceitar as Sete Mitsvót sobre si mesmo com a convicção de que elas são divinamente ordenadas, tendo sido ordenadas para o mundo por D’US, através de Moshé (Moisés), que reafirmou o pacto selado com Adám e depois com Nôach. Do Sinai em diante, a expectativa de D’US para a humanidade era dela observar as leis noaíticas não por elas terem sido ordenadas para Adão ou Noé, mas por elas terem sido reafirmadas por Moisés no Sinai. Para os Bnei Noach hoje, o Sinai é a origem, o propósito e a motivação para manter as leis noaíticas. Ao aceitar as Sete Mitsvót como tais, a pessoa se torna “MiChassidéi Umót HaOlám”, um Gentio Devoto (Piedoso) — [sendo esse] o status mais alto que pode ser alcançado por um Ben-Noach. Ben-Noach e Bat-Noach significam, respectivamente, um Filho de Noé e uma Filha de Noé. Bnei Noach é a forma plural destes dois termos. Em português, o termo usado para um Ben ou Bat-Noach é Noaíta.

 

[DECLARAÇÃO BNEI NOACH / CERTIFICADO BNEI NOACH]

 

Embora qualquer aceitação pessoal das Sete Mitsvót seja suficiente, faz sentido lógico captar a intenção da aceitação na forma de um juramento verbal que enumera as 7 Mitsvót e indica a motivação para aceitá-las. Qualquer texto que cumpra esses objetivos é suficiente. Por exemplo:

“Aceito sobre mim os Sete Mandamentos dos Filhos de Noé da Torá, incluindo as proibições gerais e específicas de idolatria, assassinato, roubo, imoralidade sexual, blasfêmia, comer carne desagregada de um animal vivo e os mandamentos gerais e específicos para estabelecer um sistema de justiça, como foi ordenado a Noé, a Adão e a seus descendentes, pela boca do SANTO, CRIADOR do universo, tal como reiterado e transmitido por SEU servo Moisés na entrega da Torá no Sinai.”

Qualquer aceitação pessoal ou privada das Sete Mitsvót é suficiente. A halachá (lei religiosa decisiva) é que não há nenhuma necessidade de, nem benefício por, se aceitar as Sete Mitsvót ante um Beit Din. Tal aceitação perante um Beit Din não terá efeito algum no status religioso de Ben-Noach, na sua capacidade de cumprir suas mitsvót, ou no mérito que ele recebe por cumprir as mitsvót.

Ao exposto acima, acrescentarei as próprias palavras do rabi Maimônides escritas em resposta a uma pergunta sobre o mérito que os não-judeus recebem:
“Quanto à sua pergunta sobre as nações gentias, você deve saber que D’US deseja o coração e que as coisas seguem as intenções do coração. Portanto, nossos rabinos, sábios da verdade, que a paz esteja com eles, disseram que “os devotos das nações gentias têm uma participação no Mundo Vindouro.” Isso se eles têm alcançado o que é apropriado para obter o conhecimento do Criador… então, sem dúvida, qualquer um que tenha melhorado sua alma com as virtudes corretas, a sabedoria e a fé no CRIADOR, bendito é ELE, certamente está entre aqueles destinados para o mundo por vir”.
(Teshuvos haRambam VeIgrosov II 23b, Leipzig, 1859)

Em lugar algum aqui o rabi Maimônides exige a aceitação das leis noaíticas perante um beit din. Na verdade, o rabi Maimônides não menciona tal requisito em nenhum de seus escritos. Ao contrário, o rabi Maimônides declara explicitamente nesta carta que o mérito do Mundo Vindouro, a identidade de MiChassidéi Umót HaOlám, depende do coração — da aceitação pessoal das leis noaíticas segundo a reafirmação do Sinai. Não existe uma única fonte, em qualquer lugar, em toda a Literatura da Torá, que exija a aceitação das leis noaíticas ante um beit din para se tornar MiChassidéi Umót HaOlám em nossos dias.

Portanto, em resumo, esta aceitação não requer um Beit Din [ou um rabino ou a assinatura de um rabino] nem testemunhas, mas pode ser realizada de forma individual ou pessoal. Não há um texto estabelecido para esta aceitação; na verdade, o rabi Maimônides diz que esta é uma questão inteiramente dependente do coração. No entanto, se alguém preferir recitar um texto, sugerimos o acima.

[E quanto às Sete Leis citadas acima, lembremos que elas são Sete Categorias de Leis, portanto, elas] incluem, mas não se limitam a:

• Honrar os pais,
• Crueldade para com os animais,
• Relações interpessoais,
• Caridade,
• Cuidar dos doentes,
• Oração e bênçãos,
• Educar as crianças nas Leis Noaíticas.

 

(Continua.)

 

Por Rabi Avraham Chaim Bloomenstiel
Traduzido do inglês (e do espanhol) por Projeto Noaísmo Info: © Projeto Noaismo Info

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