A Fé da Torá (Judaica/Noaítica), Judaísmo, Perguntas & Respostas (e Guia Bnei Noach)

Bnei Noach podem aderir à Cashrút?

A Fé Original: Noaismo.info

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B”H

 

Bnei Noach e Casher

Perguntas & Respostas

 

Pergunta:
Deu D-us os mandamentos dos alimentos cashér e daquilo que não constitui alimentos cashér (Levítico 11) para toda a humanidade?

 

Resposta:
Há dois detalhes na própria Torá que devem ser levados em consideração. O versículo 2, que diz: “Falai aos filhos de Israel”, e não: ‘falai aos filhos de Adám’, que significaria ‘falai a toda a humanidade’. E todas as vezes em que se diz: “para vós”, ou seja, “para vós os judeus” (versículos 4-8, 10-12, 20, 23, 26-31, 35, 38), e não para os não-judeus.

Portanto, tudo o que é ordenado no capítulo 11 de Levítico se aplica exclusivamente ao povo judeu. Ou, como Ráshi diz: “Para os outros povos do mundo D-us não proibiu nada” para se alimentarem*◇.

 

* Atentando-se para o que diz o Rabi Dr. Michael Schulman (Diretor da Ask Noah International): “Sujeito à qualificação para evitar comer qualquer coisa que possa ser imanentemente prejudicial à saúde física, ou seja, que seja venenosa, ou que seja alérgica à pessoa.”

◇ A única exceção sendo a própria mitsvá noaítica de não comer o membro de um animal ainda vivo.

 

O Rabi Pinchas Taylor (Chabad), explicando sobre o que é cashér, diz:

“Sem dúvida, não há nada mais mal compreendido na fé judaica do que as leis e o significado da cashrút, as leis alimentares da Torá. Enquanto quase todo mundo já ouviu falar da idéia de manter a lei de cashér, poucos conhecem seus meandros e significado. Cashér não tem a ver com salmão defumado, panquecas de batata e sopa de bolinhas de matsá. Em vez disso, chineses, italianos, mexicanos e alimentos de todas as outras etnias podem ser potencialmente cashér. Cashér também não é comida que foi simplesmente “abençoada pelo rabino”.

Cashér é o plano de dieta para a alma [judaica], na medida em que eles são os alimentos prescritos por D’us na Torá para consumo pelo povo judeu.

Todos os animais terrestres e aves devem ser mortos através da shechitá, ritual tradicional de abate[*]. Se o animal morre por qualquer outro meio, não é cashér. Além disso, deve-se mencionar que o nervo ciático, o sangue e as gorduras proibidas também são proibidos e devem ser extraídos após o abate.

Além disso, leite e carne não podem ser consumidos juntos. Os subprodutos de qualquer animal cashér, como ovos ou leite, também são cashér, e os de um animal não cashér não são. Parenteticamente, os insetos também são proibidos.”

 

* O Dr. Tali Loewenthal (Chabad) explica:
“A Torá ordena ao judeu que use o método da shechitá para que os judeus possam comer carnes.

Antes de Nôach, as pessoas não podiam comer carne. Então, em uma lei dada por D’us a Nôach depois do Dilúvio, comer carne se tornou permitido desde que o animal seja morto antes. Nós geralmente entendemos esta lei, que se aplica a toda a humanidade, como uma exigência para que se evite a crueldade desumana aos animais.

Para o judeu existem ainda outras restrições com regras adicionais que se aplicam [exclusivamente] a nós.” Estas são as leis da Cashrút.

Ele (o Dr. Tali Loewenthal) continua explicando, e fala sobre um detalhe praticamente desconhecido dos não-judeus:

“Ainda tem mais. Para o Povo Judeu na época de Moshé, a carne só podia ser consumida quando fizesse parte de um sacrifício trazido ao Santuário. De certo modo, a carne era considerada sagrada. Então, logo antes de entrarem na Terra de Israel, foi dito ao Povo Judeu que eles poderiam comer carne, mas somente se eles abatessem os animais de uma forma especial (que é a shechitá). Este método foi revelado a Moshé no Sinai. Era o modo de abate usado no Santuário e no Templo, e ainda é usado por aquele que faz o abate (shochét) nos dias de hoje.”

 

Retornando ao Rabi Pinchas Taylor, como ele salienta, O PRÓPRIO D’us nos revela o motivo das leis da cashrút unicamente para os judeus (assim como todas e quaisquer mitsvót que foram ordenadas apenas aos judeus):
“EU sou Havayáh, seu D’us, que separou vocês (judeus) dentre todas as nações. Vocês (judeus) devem distinguir entre os animais que são cashér e aqueles que são não-cashér; entre as aves que são cashér e aquelas que são não-cashér. Não se façam repugnantes através de animais, aves ou qualquer criatura que se arrasta sobre a terra que EU distingui para vocês (judeus) como sendo não-cashér. Vocês (judeus) serão santos para MIM, pois EU, D’us, sou santo, e EU separei vocês (judeus) dentre as nações para serem MEUS.[*]” (Vaicrá/Levítico 20:24-26)

* A Torá Edição Yad Mordechai explica sobre esses versículos:
“EU sou Havayáh, vosso D’us, que [a vós judeus] vos distingui dos outros povos dando-vos MINHAS leis [supra-racionais]. [Vós judeus] deveis ser peritos e experientes nas leis do abate ritual[, pois] o consumo de animais abatido incorretamente [a vós judeus] vos torna espiritualmente impuros. Portanto, [vós judeus] deveis ser capazes de facilmente distinguir entre o abate ritual correto, que deixa o animal espiritualmente puro, de modo que ele não [a vós judeus] vos impurifica espiritualmente quando o comeis, e o abate ritual incorreto, que torna o animal espiritualmente impuro, de modo que ele [a vós judeus] vos impurifica espiritualmente se o comeis. Similarmente, [vós judeus] deveis ser hábeis na diferenciação entre o abate ritual que torna a ave impura e o abate ritual que deixa a ave pura. Assim, [vós judeus] não vos fareis execráveis por causa do consumo de qualquer animal ou ave espiritualmente impuro, ou ainda por causa do consumo de todo ser que rasteja sobre a terra que EU distingui de outros seres semelhantes proibindo-o para vós [judeus], porque consumi-lo [a vós judeus] vos torna espiritualmente impuros. [Vós judeus] sereis santos para MIM, porque EU, D’us, sou santo. EU [a vós judeus] vos distingui de todos os povos dando-vos todas essas leis [supra-racionais] para que [vós judeus] sejais MEUS. Se [vós judeus] rejeitardes essas leis [supra-racionais], perdereis tanto o privilégio de serdes ‘MEUS’ como MINHA proteção Divina que o acompanha. Ademais, não é por nenhum sentimento pessoal que deveis evitar tudo o que EU vos proíbo. Ao contrário, [vós judeus] deveis reconhecer que, se não fosse por MEUS decretos, poderíeis facilmente comprazer-vos com elas, mas [vós judeus] vos abstendes de fazê-lo pura e simplesmente porque EU as proíbo a vós [judeus].”

 

Ele prossegue:

“A base da observância de todos os mandamentos da Torá é que eles são dados por D’us para o benefício da humanidade. Para cada mitsvá, há um benefício e uma razão. Em alguns casos, a razão e o benefício parecem facilmente discerníveis, enquanto em outros estão além da compreensão mortal.

Três Categorias de Mandamentos da Torá

No judaísmo, existem três tipos de mandamentos: mishpatím, edót, e chukím. Os mishpatím são éditos completamente lógicos que facilitam uma sociedade estável. Estas regras básicas incluem advertências contra roubo, assassinato, ou envolvimento em promiscuidade. Por causa da flagrante obviedade destas leis, a humanidade estaria inclinada para muitas delas mesmo que a Torá não fosse dada.

A segunda categoria, edót, são testemunhos de eventos da experiência histórica judaica coletiva, por exemplo, comer matsá em Pêssach. Mesmo que ninguém pudesse inesperadamente imaginar estes eventos, seus valores comemorativos soam suficientemente verdadeiros com a mente racional para aceitar sua observância.

O último tipo, os chukím, são comandos supra-racionais. Estes são os decretos que transcendem a lógica humana. O judeu deve aderir à sua observância simplesmente por causa da instrução divina, sem ter qualquer conhecimento de sua razão ou benefício.

De modo mais geral, os mandamentos da Torá podem ser divididos em duas categorias: lógicos e supra-lógicos — aqueles que transcendem a lógica. Na tradição judaica, as leis de cashér são classificadas como supra-racionais. Se elas fossem apenas um guia de saúde, não seriam categorizadas como tais. Além disso, se manter cashér fosse puramente um benefício para a saúde física, D’us certamente as teria incluído em suas instruções para a humanidade em geral, e não apenas para a nação judaica, pois D’us SE preocupa com o bem-estar de todas as Suas criaturas.”

E como o Rabi Dr. Michael Schulman também deixa claro, não faz nenhum sentido um gentio não comer algum dos alimentos proibidos aos judeus (como, por exemplo, porco ou camarão) porque tem nojo dele apenas pelo simples fato de que ele foi proibido para o judeu. A verdade é que, com isso, ele quer encobrir sua verdadeira motivação que é assumir sobre si o mandamento ritual judaico (no todo ou em parte).
E quanto ao judeu, Ráshi diz: “Rabi Elazar ben Azariá disse: ‘(É de Levítico 20:26 que) aprendemos que um judeu não deve dizer: ‘o porco me causa nojo’, mas deve dizer: ‘eu realmente queria/poderia (comê-lo) mas não vou fazer (isso) porque meu PAI (Hashém) impôs estes decretos sobre mim (judeu)’. Por isso a Torá diz: ‘EU separei vocês (judeus) dentre as nações para serem MEUS’, o que vem ensinar que a própria distinção dos outros povos deve ser feita em honra do MEU NOME (Havayáh) e aceitando sobre si o jugo de D’us.”

 

© Projeto Noaismo Info (traduções do inglês por Projeto Noaismo Info)
© Rabi Pinchas Taylor
© Rabi Dr. Michael Schulman
© Chabad
© Vaicrá: Levítico, Edição Yad Mordechai, compilado e adaptado por Rabi Moshe Wisnefsky, Centro Bait Judaico, 2017

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